Montfort Associação Cultural

12 de setembro de 2006

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Música Cristã

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rafael De Menezes Ortega
  • Idade: 23
  • Localizaçao: Campo Grande – MS – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Músico
  • Religião: Católica

Olá Prof. Orlando Fedeli
A paz de Cristo esteja contigo!

Sou músico cristão católico. Iniciei minha caminhada na igreja desde os 8 anos de idade. Vim de uma família católica tradicional, apesar de minha mãe e meu pai não terem conservado muito bem a doutrina recebida de meus avós, tive uma grande catequista, legionária de Maria, minha avó materna, migrante nordestina da cidade de Padre Cícero, que me ensinou os caminhos de Deus, através da Sã Doutrina Católica. Com ela aprendi a cantar os hinos à Virgem Santa e a seu Filho amado, à visitar os doentes, a rezar o terço, a ler as Sagradas Escrituras, enfim, a amar a Eucaristia e a nossa Santa Igreja Católica.
Como disse, iniciei minha caminhada aos 8 anos, cantando em um coral infantil da minha comunidade chamada de Santo André, em Dourados-MS, uma comunidade dirigida pelos Frades Menores. Que bons tempos aqueles, em que cantávamos cantos “católicos”. Fui legionário como minha avós, coroinha, catequista, cheguei até a participar da RCC e a entrar no seminário, onde permaneci por 2 anos e meio, chegando a cursar o curso de Teologia em Campo Grande-MS, onde agora resido. Estudei música desde os 14 anos. Concluí o curso de teclado eletrônico, órgão eletrônico, estudei regência, canto lírico e me formei em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Hoje percebo que a Igreja na qual eu cresci e fui ensinado, vem sofrendo uma mutação – e não transformação – pois muitos cristãos que recebem hoje os sacrementos em nossa Igreja vivem um “pseudo-catolicismo” a meu ver. A Igreja da Eucaristia, de Maria, da Trindade, de Cristo morto e ressuscitado, deu lugar a uma Igreja “meio-crente, meio pentecostal”. Percebemos isso na linguagem dos nossos padres, nas heresias pronunciadas nas homilias, que aliás são fraquíssimas, na falta de espiritualidade e de santidade de nossos presbíteros, que transgredindo as normas da Santa Sé nem sequer rezam a liturgia das horas, celebram o sacrifício diário da missa… e incrível.. alguns nem se confessam. Então na hora da homilia, percebemos sacerdotes vazios, que em quase nada nos ensina a sermos cristãos como Jesus quis. Atiram para todo lado e não são profetas, não dizem o que as pessoas precisam ouvir, mas sim o que as agrada.
Bom mas deixando essas questões teológicase pastorais, gostaría de externar toda a minha indignação em relação ao detrimento da música cristã, da falta de incentivo à arte sacra católica, da invasão de músicas pentecostais e carismáticas na liturgia, que por sinal pentecostais também são, todas imbuídas de teologias de prosperidade, de Deus como servo do homem, uma antropologia totalmente anti-católica, enfima músicas anti-católicas, anti-cristãs e por que não dizer heréticas? Grupos como Diante do Trono, que possui letras que até diretamente atingem a sã doutrina católica, como por exemplo “mas sei que o meu Deus não é como os outros feitos por mãos“, “adoração de um povo justo e restaurado” (que para eles não somos nós com certeza) enfim, se eu citasse só o que eu conheço ficaria impossível de escrevê-las. Fico transtornado ao perceber a falta de cultura musical da maioria de muitos meus amigos e até de esperteza, por não perceber que músicas protestantes estão imbuídas de espírito protestante, de divisão, que é o contrário da união desejada por Cristo. Como dizia meu saudoso professor de Eclesiologia, “nunca devemos olhar com olhos ingênuos para nenhum grupo protestante, pois seu objetivo é destruir o catolicismo“. 
Então pergunto: Como ensinar nossos jovens, quais fontes posso utilizar, argumentos, para persuadi-los a cantar músicas sacras verdadeiras, missas gregorianas e tantas outras obras maravilhosas da nossa igreja? Sou professor de canto e tenho um grupo da renovação. Eu os estimo muito e gostaría de ajudá-los a não se iludir com músicas e doutrinas protestantes. Gostaría depois que o Sr. pudesse analisar uma folha de cantos que eu escolhi, pois estimo muito sua pessoa e suas apreciações. Acolheria com carinho e fraternidade suas opiniões e correções.

Sem mais, desejo-lhe que a paz permaneça contigo e com vossa família.
Rafael de Menezes Ortega – músico OMB/MS 2605

Muito prezado  Rafael,
Salve Maria.
 
    Fico contente com sua carta que manifesta tanta boa vontade e tanta dor pela decadência em que estão, hoje, os católicos, por causa da Nova Liturgia de Paulo VI e da falta de conhecimento dos sacerdotes e do povo.
    Seria preciso que houvesse um retorno à Missa de sempre, e que fossem eliminados da liturgia os cânticos insinuadores de heresia.
    Graças a Deus, o Papa Bento XVI está promovendo uma grande obra no campo litúrgico.
    Creio que você soube que, ainda na semana passada, o Papa fundou o Instituto do Bom Pastor, encarregando-o de rezar apenas a Missa Antiga (MIssa de S.Pio V) e de corrigir os textos do Concílio Vaticano II que propiciaram a introdução de tantos erros na Igreja.
    Como você é de Campo Grande, saiba que de quando em quando, visito essa cidade para dar palestras para alguns amigos. Seria uma prazer encontrá-lo pessoalmente numa dessas ocasiões. 
    Um abraço bem amigo.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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