Montfort Associação Cultural

10 de agosto de 2008

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Muito obrigado, professor!

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ulisses
  • Localizaçao: Londrina – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: Estudante E Autônomo
  • Religião: Católica

Bom dia professor, tudo na paz de Deus?

     Desculpe escrever-te mais uma vez e tomar seu tempo. Estou no serviço agora, e acabei de ler uma carta na Montfort que nunca havia lido, entitulada “Quem me dera”. Confesso que estou quase às lágrimas em minha mesa, tanto que sua resposta me tocou. Queria ter tido também um professor como o senhor, que tratava os alunos como seus próprios filhos, que dava zeros e que fazia grandes X nas provas de seus alunos. Queria ter tido um professor que me corrigisse no caminho do Senhor, que construísse também catedrais em minha alma, e que de mim também fizesse um vitral para a luz de Cristo. Se assim fosse, tenho certeza de que hoje as coisas seriam diferentes, de que eu não teria andado por caminhos tão horríveis, de que eu não teria cuspido tanto no rosto de Nosso Senhor Jesus Cristo. De que também eu, tendo sido formado vitral, lutaria com tanto amor e afinco por fazer vitrais também daqueles que me cercavam. 
     Sua carta, professor, me fez repensar em minha vida, e agradeço, pois nem mesmo durante tanto tempo na escola e na faculdade, qualquer professor tenha sido assim comigo, tenha me causado tanto impacto, tenha me feito parar e querer nascer de novo, mesmo eu que tantas vezes me entrego à falta de disciplina e aos pessimismos, aos derrotismos, que quero lutar para que sejam transformados por nosso senhor Jesus Cristo e pela Virgem Maria. Posso dizer com certeza que o Sr. me fez repensar muitas coisas a partir de agora. Jamais teria ouro ou prata que lhe pudesse pagar, pois o que me deste agora, para a honra de Cristo, é algo que jamais qualquer orgulhoso, ou prepotente, seja quem for, irá compreender.
     O Sr. me deu um tapa na face da alma, tapa que tantas vezes roguei ao Sr. Jesus que me desse, eu, que sou um infiel, que sou o primeiro a desistir dos caminhos de Deus quando as afrontas me perseguem. Queria ter sido forjado uma espada
como tantas estas – ímpares – que o sr. tantas vezes forjou. Não tenho palavras para agradecer o que o sr. me fez ver professor, só posso te dizer, do fundo do meu coração – que é tão sujo e pobre, tão miserável, mas que quer tanto aprender a ver e seguir a luz, a ser luz e a iluminar: MUITO OBRIGADO!

Que Deus o abençoe, e que a Virgem Maria sempre te guie.

Um forte abraço, daquele que é teu aluno mesmo estando tão longe.

Ulisses Tiago Piassa.

Muito prezado  Ulisses,
Salve Maria. 

     Em meio a grande onda de ódio à Montfort, sua carta me chega como um bálsamo consolador. Em meio à batalha, você me fala de paz. Da paz de Deus. Da paz que Ele dá em meio ao combate. Que Deus me dê força para sofrer, e paz para combater.
     Combates sempre os pedi. Como sempre pedi a Deus que me faça morrer em sua paz. Abraçado à minha espada, que tem a forma de cruz aguda.
     E sempre pedi a Deus a força de viver combatendo, ainda que absolutamente só. Sem jamais ceder. E é então quando me chega sua carta, mostrando-me que não estou só.
     Se uma carta minha o consolou, fazendo com que você desejasse ter-me como seu professor, sua carta me fez desejar tê-lo como meu aluno.
     Que pode desejar um velho professor, senão ter novos alunos, na primavera de sua velhice? Alunos, na primavera de seu entusiasmo, com seiva borbulhante que anuncia novos frutos.
     Ter novos alunos! Esse é desejo que arde na alma de um professor. Ter sede de almas como Nosso Senhor teve sede na cruz. Da mihi animas et coetera tolle. Dá-me almas e tira-me todo o resto. Foi o que pedi a Deus, há mais de cinquenta anos, quando caminhva para um colégio noturno, onde iria dar minhas primeiras aulas. E Deus me deu um número imenso de almas. E me tirou sempre todo o resto.
     E que pouco resto me restou…
     Mas que alegria a da árvore velha, de tronco carcomido nos combates de longa vida, da árvore já julgada estéril, ver num novo Setembro reflorescer sua ramagem, anunciando, que nela a vida continua pujante!
     Quisera, sim, sempre cooperar com a graça de Deus que “constrói” as almas como catedrais, em cujos vitrais se reflete uma clara imagem de Deus.
     Quisera, sim, ensiná-lo a ver em todas as coisas a luz da verdade.
     O melhor ouro e a melhor prata para pagar as aulas de um professor é a gratidão de um aluno reconhecido.
     Como a maior tristeza é esquecimento do que foi instruído. A ingratidão do cego a quem se deu visão.
     Nosso Senhor teve grandes tristezas em sua vida. Uma delas foi o constatar que de dez leprosos curados, só um voltou para agradecer a cura. Mas Ele também manifestou alegria pela gratidão do leproso que voltou para agradecê-lo.  
     E quantas espadas forjei!
     Saber que sua alma está tomando a forma de espada, me alegra e me consola. Afinal, meu trabalho fez um bem, um dia.
     Deus lhe pague por sua gratidão que é virtude bem rara.
     Que Nossa Senhora o mantenha no caminho reto.
     Gostaria de dar-lhe meu abraço como o de um velho combatente que vê chegar um novo cruzado jovem, e cheio de entusiasmo que vem colaborar na batalha.
    Poderia eu encontrá-lo um dia, pessoalmente?
     Eu o aguardo in Domino.
     Deus lhe pague, pela alegria que me trouxe em meio a dores.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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