Montfort Associação Cultural

24 de março de 2006

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Muito obrigado, professor Orlando Fedeli!

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: André
  • Localizaçao: Limeira – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Analista de Sistemas
  • Religião: Católica

Caro prof. Orlando Fedeli, salve Maria!

Permita-me considerá-lo meu professor, sem mesmo nunca tê-lo visto, pois assim mesmo tu o és, e certamente o mais importante que já tive. Digo isso pois aprendi muito com os teus escritos.

Particularmente as tuas frases incisivas e o “aço” cortante das verdades por ti anunciadas atingiram o mais íntimo do meu coração, da minha alma e da minha inteligência. Tenho de dizer que me sentia “golpeado” conforme lia teus escritos. Mas a cada golpe era como se eu desejasse o próximo, pois podia sentir que eram meus erros que estavam sendo atingidos, e substituídos pela suma verdade.

Gostaria de te contar como fui agraciado pelos teus escritos.

Como a maioria da juventude, abandonei a Igreja logo após a primeira comunhão. Voltei apenas para a crisma. Antes e depois, nunca apareci na Igreja. Fui influenciado pelo romantismo, relativismo, ocultismo e o rock. Claro que comecei a duvidar de todas quantas fossem as doutrinas católicas, considerando-as como “lavagem cerebral” sem fundamentação lógica. Meus pais não conseguiam me convencer, quando tentavam, de que havia lógica, e meus amigos me convenciam daquilo que hoje é o senso comum, ou seja, que a Igreja de Cristo prega uma obediência cega.

Hoje vejo que Jesus nunca nos abandona, nem a um filho ingrato como eu fui. Comecei a namorar uma amiga da faculdade que era católica e voltei a ir à Missa, inicialmente para agradá-la. O pároco era bem idoso, seu sacerdócio estava perto do jubileu de ouro, e havia um coral convidado, de outra cidade, chamado Coral Santa Cecília, que cantou todas as músicas e algumas orações em latim. Naquele momento senti algo que não compreendi de início, mas mesmo assim comecei a procurar fontes e a estudar o latim pela internet. Hoje sei que percebi a verdadeira beleza do verdadeiro culto a Nosso Senhor Jesus Cristo, não com a inteligência, pois nada sabia eu de latim, mas com o coração e com a alma.

Nesta busca, encontrei textos sobre exegese que me mostraram não ser assim tão ilógica a Igreja. Mas ainda assim tinha muitas e muitas ressalvas. Mas ao menos passei a ir à Missa não mais para agradar alguém, mas para minha salvação e para louvar. Nesse período fui apresentado à RCC, mas nunca consegui compartilhar daqueles grupos de oração que mais pareciam cultos evangélicos. Talvez porque agradava mais à minha alma o canto gregoriano em latim.

Alguns anos se passaram assim e eu ainda tinha muitos conflitos internos. Muitas opiniões que eu tinha pareciam ir contra a doutrina, ao menos contra a “doutrina” da forma como ela era me passada, pois a capela que passamos a freqüentar era muito ligada à RCC, mesmo sendo subordinada ao mesmo pároco que me apresentou ao latim.

Por ser cadastrado numa livraria, sempre recebia avisos de lançamentos, e fiquei inclinado a comprar o livro “Tu És Pedro” (Georges Suffert, 2001, tradução de Adalgisa Campos da Silva, editora Objetiva, 520 páginas). Comprei-o e depois de começar a lê-lo não consegui parar. Muito aprendi sobre a Igreja e sobre as injustiças que ela sofreu. O livro esclareceu muitos conflitos, mas também aguçou outros, principalmente os de ordem dogmática, mas não era esse o foco do livro.

Passei a pedir ao Senhor em todas as minhas orações que aumentasse a minha fé, para que eu pudesse crer com o coração mesmo naquilo que eu não conseguia concordar com a inteligência. E assim foi durante mais de um ano.

Na ocasião do referendo pela proibição do comércio de armas esses conflitos se tornaram mais gritantes. Eu nunca consegui ser contra a pena de morte, nem contra a legítima defesa; sempre achei o sistema prisional muito favorável ao bandido; sempre achei excessiva a aplicação dos “direitos humanos” aos bandidos. E percebi que essas posições eram contrárias ao que me parecia ser a “doutrina” da Igreja.

Foi quando resolvi procurar sobre pena de morte na internet. Encontrei o artigo “Pela pena de morte” (Macelo Andrade, Seção Veritas, Site da Montfort). Enquanto eu o lia sentia como se estivesse sendo absolvido. Naquele momento desapareceu o sentimento de conflito com a Igreja que havia em mim, ao menos quanto a esses assuntos. Foi um sentimento de libertação, e eu entendi profundamente o sentido da frase do Senhor: “a verdade vos libertará”.

Não foi fácil convencer os amigos e familiares disso. Todos tinham na ponta da língua a posição da CNBB, e eu tinha uma posição contrária. Quando falei dos parágrafos 2266 e 2267 do Catecismo, eles tiveram de aceitar a minha posição, mas percebi que isso não foi feito de coração, ao menos no início, e talvez pelo forte confronto que isso pode ter causado.

A partir de então comecei a ler artigos e mais artigos, respostas e mais respostas do site da Montfort, e muitos outros conflitos e mitos foram sendo derrubados. Diante da espada afiada da verdade, os conflitos e os mitos caíam como muros podres e não como fortalezas. Pensei comigo mesmo qual seria o motivo de ninguém nunca ter me apresentado essas verdades. Se isso houvesse ocorrido mais cedo, muitos muros nem teriam sido erguidos.

Agora sei que as minhas orações para que o Senhor aumentasse a minha fé foram atendidas. Mas Ele me corrigiu também: eu não deveria tentar crer com o coração abandonando a razão, mas deveria sim usar do dom da razão para aumentar o amor ao Senhor em meu coração.

Devo muito disto tudo ao sr., professor. Hoje não possuo mais conflitos. Hoje amo a Jesus e à Igreja de todo o meu coração, mas também creio profundamente neles com a minha inteligência. Não mais vejo a inteligência como obstáculo para a minha fé, mas sim como um forte sustentáculo.

Agradeço a Deus pela sua batalha, professor. Sou do interior de São Paulo, e gostaria de um dia ter a honra de ser seu aluno presencial, e não virtual.

Em Jesus e Maria me despeço,
André

Muito prezado André,
salve Maria!
 
    Claro que o recebo como a um meu aluno de verdade, e não só virtual. Tanto mais que você, morando em Limeira, bem perto de Campinas, onde tenho um grande grupo de amigos da Montfort, aos quais dou aulas com certa regularidade, facilmente poderá juntar-se a eles.
    Agradeço a Deus ter me permitido ajudar sua alma a compreender a verdade da Igreja Catolica e o convido a me auxiliar no combate em sua defesa.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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