Montfort Associação Cultural

25 de novembro de 2004

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MST e Igreja – parte III

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
  • Localizaçao: – Brasil

Querido Orlando

Como estava com muito trabalho, e assoberbado de tarefas; só pude lhe responder agora, em vista de que o IV Congresso Nacional do MST me tomou todo tempo disponível…

Pois bem caríssimo, você desaponta-me ao equivocar-se quando afirma do “perigo espiritual que estaria envolto”. Ora, de acordo com a fé de cristo, o espírito santo nos concede diversos dons, cabendo a nós desenvolvê-los ou recusá-los (Christifidelis Laici,45). E se tiver tempo, olhe o catecismo católico diz quanto a diversidade de espiritualidade (2684), portanto, não julgueis a poção na função profética herdada de Cristo pelo batismo. Função que busco a cada dia confirmar pela diferença de quem sofre excursões provocadas por defensores do atual sistema sócio-econômico.

Caríssimo, a espiritualidade é a nossa maneira própria de seguir a Cristo, à Buda, à Maomé…Há, desse modo, uma incontável diversidade de espiritualidade. Não espiritualidade teórica como desejas demonstrar. No máximo, pode se fazer teorias (teologias0 sobre as diferentes espiritualidade. Porém ela depende da experiência vivencial, interior e comunitária. É verdade que a teologia latino americana gera, a partir dessa idéia uma continua ruptura com a engarrafada teologia tradicional. Mas, a disparidade real entre América Latina e a Europa leva-nos a uma experiência de Deus própria, mesmo que tenhamos que divergir. O Cristo europeu é louro e penteado. O nosso Cristo passa fome e morre todos os dias de desnutrição,. É forçado a trabalhar em carvoarias e em casas de farinha para sobreviver…

Olhando a nossa realidade é-nos de obrigação optar pela vida ou pela morte. E o caminho na vida não se faz sozinho, é preciso ser com outro e é por isso que como cristão latino americano, fiel à Jesus Cristo de Nazaré tenho que considerar os pobres os primeiros destinatários do evangelho e os verdadeiros portadores da primícias do reino; Nutrir a espiritualidade do martírio pela causa justa dos pobres (1 Jó, 3,16-18).

Estamos sendo fiéis ao mandamentos do amor de Deus, ao contrário de sua afirmação louca e desloucada, porque se dissemos que amamos Deus, que não vemos e não amamos nosso irmão que vemos a todo instante seremos mentirosos. O critério do decálogo é relação de Deus com o homem (criado a imagem e a semelhança de Deus) especialmente o pobre com quem Deus se identifica (Mt 25,31 – 46). Lembra do jovem rico? Ela cumpria todos os mandamentos, mas não sabia compartilhar…(Mc 10,21-22).

O sétimo mandamento proíbe tomar ou reter, injustamente o bem do próximo ou lesá-lo nos mesmos bens (Catecismo 2401).

Você credita verdadeiramente que um latifúndio é possibilitado por herança divina? Acredita, de fato, que os latifundiários não são usurpadores dos direitos e das terras alheias? Acredita que essa terra foi conseguida sem morte (Biológica e ou Psicológica)? Basta ver a demarcação das propriedades indígenas que se estreitam a cada dia… Basta ver os quilombos que são usurpados e seus habitantes desimados pelo fazendeiro já donos de gigantescas propriedades. Abra os olhos para a realidade que o cerca, e enxergue a justiça injusta para com os que pouco ou nada tem. Que cristão é você que não percebe a dor de quem não está ao seu lado?

Antes de dizer ao MST ou a mim NÃO FURTARÄS, deverias descobrir que o crime maior de todos é acumular bens. Que o pecado maior é se empanturrar de bens, enquanto outros passam fome.

Isso é roubo!

No ato dos apóstolos para ser cristão era necessário a divisão de bens (Ap 2,44-45). Hoje a miséria é tão coletiva, causada pelas estruturas injustas que não basta dividir entre os pobres a fortuna de uma família, é preciso criar novas estruturas sociais. Ou seja, uma nova sociedade onde ninguém precise ser muito rico, nem pobre demais. Aquele que tem bens, deve colocá-lo a serviço da causa da libertação dos oprimidos, a começar pelo maior bem que possuímos: a vida.

Assim estaremos ajudando a construir a socialização pedida por João XXIII, de modo que, todos vivam, na sociedade como numa mesma família, com iguais direitos e oportunidades.

Quanto ao décimo mandamento que você deveria redirecioná-lo para quem tudo tem, e lança-se como urubu à carniça na terra dos pequenos. Para se observar esse mandamento com você o propõe, é preciso olhar para os Direitos Humanos Artigo XXV, que diz que “Todo homem e toda mulher tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família, saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços especiais indispensáveis…”.

É preciso pôr tal artigo em prática, pois trata-se, hoje, de destinguir direito e privilégio. Não é justo um proprietário possuir quilômetros de terras improdutivas, enquanto milhões de agricultores passam fome na estrada. Por respeito aos direitos da maioria, é nosso dever lutar contra os privilégios da microminoria que acumula a riqueza em suas mãos.

Agora peço para reler o e-mail que te enviei; nele não afirma que Deus era comunista. A afirmação diz ser Deus, um optante por um sistema de produção NÃO CAPITALISTA. Afirma a opção de Deus pelos pobres tanto explorada pelos profetas e proferidos, e por Jesus no sermão da montanha (Lc 6,20-26).

Aliás, aqui, Cristo nos mostra e nos põe diante das escolhas fundamentais e decisivas. Convida a uma conversão, ensina que a verdadeira vida nele, não está nas riquezas, na glória ou no poder, nem em qualquer obra humana. Quando você busca uma contextualização dos relatos bíblicos, torna interessante notar que só faz naquilo que o interessa. Por exemplo em (Mt 5,18-19), fala-se de insurreição do reino e não do legalismo que ele combatia. Já percebeu que o decálogo fora escrito numa situação conflituosa e particular? Já tentou encontrar a verdadeira razão que levou Deus a castigar Acab?

Ele tomou a terra de quem quase não a tinha e não ao contrário. Além do mais, o pecado de Acab foi a infidelidade com a aliança (“Serás meu povo e eu serei o teu Deus”) Acab permitiu que se instalasse em seu reino o culto à deuses pagãos. Basta lembrar-te que o povo de Deus, teve início com a promessa da terra. A aliança se deu nesse contexto. E o hoje estamos neste contexto…

Ainda em relação ao e-mail eu disse-lhe que Deus optou por um não capitalismo e tenho certeza que ele não anda feliz com o capitalismo que mata, degenera, e exclui nosso povo…

Eu particularmente defendo um comunismo alternativo em que “Não existam mais explorados nem exploradores”(Mark). O comunismo, o MST e eu propomos, fazer com que os meios de produção possam ser de todos. Que se garanta o sustento básico, ou seja, casa, comida, instrução, saúde, etc; O que proponho não é o regime como o tal, pois este já provou que não dá certo, mas, são valores de solidariedade que o cristão é convidado a realizar no mundo.

Caro Orlando, seu critério de liberdade me assusta. ;é preciso estar atento que o cristão só é livre de fato, quando está a serviço do outro, veja Maria como exemplo (Lc 1,38-39). Não são os bens que libertam o homem, ao contrário estes são como cadeias. Liberdade é a capacidade de fazer surgir VIDA.

A escravidão não é um fato admirável, mas isso é um fato moderno. O povo de Israel era livre no Egito, na Babilônia, porque a liberdade está no agir para se libertar, ou seja, a vocação humana é torna-se livre, torna-se alguém, uma pessoa mediante a uma luta, um trabalho, uma atividade que consiste em libertar. Ser livre é criar sua própria personalidade, algo novo, único, realizar-se por meio de atividades corporais neste mundo material.

A partir de sua categoria de libertação/escravidão somos um povo altamente escravo. A globalização não é outra senão a conquista do mundo econômico e cultural graças a superioridade militar e política dos Estados Unidos. O pior, somos responsáveis por essa 4escravidão. Espontaneamente nos submetemos e reverenciamos a toda autoridade, a do vigário, a do prefeito, a do patrão, a do rico…

O padre Marcelo Rosai apresenta adesão a esse conformismo ou colonialismo atual. Alienando comporta-se em prol da propaganda neoliberal corruptiva da solidarização da humanidade.

Orlando, a fidelidade ao reino nos conduz a luta contra esse sistema sócio opressor que mata milhões por ano. E você preocupado com o MST porque ocupou terras ociosas? Você que se diz cristão deveria ouvir o clamor de mais de 33 milhões de brasileiros sem teto, sem trabalho, sem nome, sem rosto…

Isso é PECADO: permitir a morte e compactuar com ela, infringe todos os mandamentos de Deus.

O seu Senhor Jesus Cristo, diferentemente do meu, é muito legalista. O meu senhor optou pelo amor, desrespeitou a lei do sábado. Erra livre até para morrer como blasfemo, guerrilheiro e herege; você não! Não percebes que estás te submetendo ao sistema de catas, oprimindo e excluindo milhões de seres humanos como tu?

Diserto sabeis que o MST surgiu na CPT (Comissão Pastoral da Terra), ou seja dentro dos movimentos da Igreja Católica? Pois é, o MST se formou no curso dos anos (1979-1985), primeiro em alguns estados do Brasil, depois estendeu-se por todo pais. E hoje o MST é o maior e o mais importante movimento da América Latrina.

Além do mais, o MST se preocupa também com VOCÊ, pois propõe a construção de uma sociedade onde o trabalho tenha supremacia sobre o capital; lute para que a terra, que é um bem de todos, esteja a serviço de toda sociedade; garantir para todos um trabalho com justa distribuição de terra, renda e riquezas. Busca permanentemente a justiça social e igualdade de direitos econômicos, políticos, sociais e culturais. Difundir valores humanistas e socialistas nas relações; combater todas as formas de discriminação social; busca a participação igualitária da mulher.

Caríssimo, a virtude do cristão é o martírio, e isso o MST tem dado. São centenas de mártires que pelo seu direito a terra, no exercício da sua liberdade batiza a terra com seu suor e sangue.

O batismo em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, nos conduz a algumas condições práticas o que lhe permite ser mais humano, estando além da instrumentalização do outro, que exclui degenera e abusa.

Faz o homem viver a liberdade querida e assumida por Deus em toda a sua plenitude para que podássemos ser felizes.

É tarefa nossa lutar por uma sociedade onde não se morra mais de fome, de abandono, de doenças já controlada pela ciência. A vida é o maior Dom que Deus deu a todos que lutam “para que todos tenham vida em abundância” (Jó 10,10) participam do projeto de Deus na história. O respeito a vida coloca os direitos dos pobres acima de qualquer outro interesse ( inclusive religioso)

Respeitar a dignidade humana, é não usar o próprio corpo para destruir a si próprio e aos outros. Daí ao homem e a mulher os mesmos direitos e oportunidades, lutando contra o machismo, o racismo e demais formas de discriminação.

Dentro da nossa luta estamos sempre em defesa da vida e não do sistema econômico virtual, porque ”ninguém pode servir a dois senhores, pois ou amará um e odiará o outro ou será dedicado a um e desprezará o outro.(Mt 6,24)”.

Faz-se necessária uma articulação política na perspectiva de uma nova sociedade cujo projeto histórico exige a primazia da vida e da pessoa sobre qualquer poder e riqueza; da ética sobre a técnica, do trabalho sobre o capital, do comunitário sobre o particular. Considerar a pessoa humana do seu todo a partir de suas necessidades físicas, sociais e psicológicas , afetivas e espirituais, é liberar a pessoa humana de suas “escravidões sociais” tendo o povo como sujeito desse processo histórico através de uma prática democrática.

Espero que você agora esqueça o dizer dos papas que capitalistas ainda governam a igreja como senhores feudais.

Sair do MST para mim, seria como matar Jesus Cristo que se revela no irmão que morre, seria negar a dimensão profética do meu batismo, seria pecar contra a lei fundamental do cristão: O serviço. Estaria negando a oração do pai nosso; negaria a oração de Jesus em (Lc 10,21) Seria negar a salvação em Jesus Cristo. Ao invés de criticar-me, julgar-me, e condenar-me ao inferno (inexistente ), deverias lutar pele sua própria libertação, se queres estar ao lado de Cisto. Apreenda a AMAR e VER o outro que sofre ao seu lado. Não é um prato de sopa que ele precisa, é de vida, de vida em abundância… Pecado não é tomar de volta aquilo que nos foi roubado. Pecado é Ter tudo e nos deixar sem nada, e matar nossos filhos de fome nas estradas.

O pecado é justamente dizer NÃO a Deus e ao plano de fraternidade entre os homens. É bastante fácil saber se hoje estamos dizendo não a Deus, basta olhar ao redor…

Estive nesses últimos dias com muitas tarefas por isso só agora lhe respondo. reflita antes de me responder (já que aposto que o fará com algum desaforos), primeiro leia pelo menos 2 dessas obras:

De Leonardo Boff

  • Jesus Cristo Libertador
  • Águia e a Galinha
  • O despertar da Águia
  • Igreja: Carisma e Poder
  • Vida Para Além da Morte

De Frei Betto

  • Batismo de Sangue
  • Entre Todos os Homens

De Cmblim

  • Vocação Para Liberdade

De Dom Sobrino

  • Jesus Cristo O Libertador(Textos Oficiais)
  • Madelim, Puebla e São Domingo- Vaticano II

Meu abraço fraterno e até a próxima! Esperando contar com sua oração intercessora em favor do povo do Brasil, para que possamos traçar um novos rumos em nosso caminhar lutador…

Carinhosamente do seu amigo…

A um comunista confesso, pseudo católico,e pretendente a profeta:

Não vá protestar que eu o chame de comunista. Nem venha com a desculpa esfarrapada de que você é socialista e não comunista, porque você mesmo confessou: “Eu particularmente defendo um comunismo alternativo em que “não existam mais explorados nem exploradores”(Marx). O comunismo, o MST e eu propomos, fazer com que os meios de produção possam ser de todos.”

Agradeço-lhe a tripla confissão:
1a. A de que você é comunista mesmo.
2a. A de que o MST propõe uma instalar o comunismo no Brasil.
3a. A de que o que você pensa — ou pensa que pensa — provém de Frei Betto e de Frei Boff.

A árvore se conhece pelos frutos. E você confessa também que essa árvore do MST foi plantada por um organismo eclesiástico: “Diserto [ De certo] sabeis que o MST surgiu na CPT (Comissão Pastoral da Terra), ou seja dentro dos movimentos da Igreja Católica? Pois é, o MST se formou no curso dos anos (1979-1985), primeiro em alguns estados do Brasil, depois estendeu-se por todo pais. E hoje o MST é o maior e o mais importante movimento da América Latrina”(sic !!!).
(Não se vá pensar que o erro grosseiro de grafia e digitação foi meu . Foi você que escreveu Latina desse modo errado e prosaico. Há, de fato, lapsos de linguagem — ou de digitação — reveladores de uma mentalidade…)

Tendo provado por meio de sua própria confissão que você é comunista, resta-me provar — com suas palavras –que você é um pseudo católico.

Isso também está patentíssimo em sua preciosa missiva, que vou publicar no site da Montfort com todos os seus erros de doutrina e de gramática…

Meu caro, sua sabedoria doutrinária, filosófica, gramatical e ortográfica é de tal porte, que você me parece destinado a acabar morando em Brasília. Você merece Brasília e Brasília bem o merece.

Que você não é católico, se depreende do fato de que você renega o Papado quando afirma que se deve esquecer o ensinamento dos Papas:
“Espero que você agora esqueça o dizer dos papas que capitalistas ainda governam a igreja como senhores feudais.”

E você deixa de ser católico também quando nega que o inferno existe:
“Ao invés de criticar-me, julgar-me, e condenar-me ao inferno (inexistente), deverias lutar pela sua própria libertação, se queres estar ao lado de Cisto.”
São palavras suas. E lamentáveis.
É o que dá ler livros do “teólogo” Betto, e do ex Frei Boff!

Além disso, você se engana quando afirma que eu o condeno ao inferno. Não sou eu que posso condená-lo ao inferno. Só Deus pode fazê-lo, e tomara que não o faça. Mas você mesmo atrai sobre si essa condenação ao inferno, quando afirma que ele não existe, negando o que próprio Cristo afirmou: “Ide malditos para o fogo eterno”.

Você, infelizmente, se afasta da Fé Católica, quando admite o interconfessionalismo, ao dizer:
“Caríssimo, a espiritualidade é a nossa maneira própria de seguir a Cristo, à Buda, à Maomé… Há, desse modo, uma incontável diversidade de espiritualidade.”

Como se fosse lícito igualar Cristo a Buda e a Maomé. Ainda mais com todas essas crases mal postas.

E seu “Cristo” não é o católico, pois você diz com todas as letras:
“O Cristo europeu é louro e penteado. O nosso Cristo passa fome e morre todos os dias de desnutrição. É forçado a trabalhar em carvoarias e em casas de farinha para sobreviver…”

Meu caro, Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje, e por todos os séculos. (Christus heri et hodie, et in saecula).

Você não é seguidor de Cristo, e sim do Anticristo, ainda que ele coma farinha e trabalhe em carvoarias. E assim, recusando o único Cristo que existe, que existiu e que existirá, sempre o mesmo, e para sempre, você deixa de ser católico.

Você deixa de ser católico quando se afirma “cristão latino americano”.
Não existe cristianismo latino americano. O cristianismo é universal, isto é, católico. Católico e latino americano são expressões mutuamente excludentes. Ao definir-se como cristão “latino americano” você se declarou não católico.

Você deixa de ser católico ao defender a tese da heresia modernista, escrevendo-me:
“Porém ela [a espiritualidade] depende da experiência vivencial, interior e comunitária.”

Foram os hereges modernistas que disseram que a vida espiritual provinha de um sentimento religioso interior ao homem, e que a fé era uma experiência interior que devia ser vivenciada, e não a aceitação de verdades reveladas por Deus. E aí devo agradecer-lhe mais uma confissão: a de que a espiritualidade do MST e de sua pseudo “teologia latino americana” se opõe à Teologia Católica, e é uma ruptura com ela:

“É verdade que a teologia latino americana gera, a partir dessa idéia, uma contínua ruptura com a engarrafada teologia tradicional. Mas a disparidade real entre América Latina e a Europa leva-nos a uma experiência de Deus própria, mesmo que tenhamos que divergir.” Essas também são palavras suas.
Obrigado.

É coisa bem sabida essa que você declarou, mas é util tê-la confessada — e por escrito — por um membro do MST que se ufana de ser seguidor dos Boffes e Bettos. E para que sua confissão tenha mais peso, gostaria de saber qual o seu cargo no MST, e qual a sua responsabilidade, para conhecer até que nível suas heresias comprometem o MST como movimento. Mas isso você não me dirá, e o MST vai desqualificá-lo porque você foi imprudente falando demais.

Você não é católico, pois afirma que segue a pregação de João XXIII a favor da socialização, coisa que não existiu, pois na Mater et Magistra João XXIII não se referiu à socialização das propriedades, e sim à formação de sociedades menores dentro da própria sociedade.

Aliás, nem João XXIII poderia ter defendido o socialismo, porque ele foi condenado por vários Papas. Por exemplo, Pio XI declarou na encíclica Quadragésimo Ano:
“Católico e socialista são termos antitéticos (…) Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios. Ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Cfr. Denzinger, 2270).

E isso mesmo foi confirmado por João XXIII na Mater et Magistra.
Ou será que agora, sabendo disso, você vai dizer que também João XXIII foi capitalista?
Portanto, você, ao se declarar verdadeiro socialista, declarou que não é católico.

Você declara que a justiça é a igualdade de direitos:
“Busca permanentemente a justiça social e igualdade de direitos econômicos, políticos, sociais e culturais”.

Ora, São Pio X condenou o movimento do Sillon exatamente por defender a igualdade de direitos na poítica, na economia, na sociedade e na cultura, e disse que o Siilon, ao buscar essa igualdade “marchava para um ideal condenado” (Cfr. São Pio X Notre Charge Apostolique).

Sua afirmação de que o direito à vida está acima de tudo é incoerente com sua afirmação que se deve aceitar o martírio, lutando pela igualdade socialista. Se a obtenção da igualdade exige até o sacrifício da vida, esta não está acima de tudo. E é um absurdo contrário ao bom senso e à Fé afrimar que: “O respeito a vida coloca os direitos dos pobres acima de qualquer outro interesse (inclusive religioso)”.

Você está idolatrando o pobre. E fazendo isso, está contrariando o que diz Deus:
“Não terás compaixão do pobre em juízo” (Ex. XXIII 3) “Não te desviarás do julgamento do pobre” (Ex. XXIII, 6). “Não atendas à pessoa do pobre, nem tenhas respeito à casa do poderoso. Julga teu próximo com justiça” (Ex. XIX, 15). “O rico e o pobre se encontraram. Deus criou a ambos” (Prov. XXII, 2).

E como quer você que os pobres fiquem ricos, se considera que ter riqueza é um mal? Você estaria querendo, então, o mal para os pobres.

Quer você a igualdade que foi condenada por todos os papas e pelo próprio Deus?
Não acredita no que estou lhe dizendo?

Então leia a Sagrada Escritura, e lá verá — o que nem Betto, nem Boff lhe contaram — que Deus condenou a igualdade no Eclesiástico, capítulos XXXIII e XXXVIII.

E Deus condenou também os Bettos e os Boffes que pregavam a igualdade no tempo de Moisés. Leia no livro dos Números, que quando Coré, Datam e Abiran — os Bettos e Boffes do tempo de Moisés — quiseram fazer todos os judeus iguais a Moisés, Deus os fez serem engolidos pela terra e consumidos pelo fogo do céu, por terem desejado implantar a igualdade de todos com Moisés (cfr, Num XVI).

E se você quiser mais provas de que Cristo pregou a desigualdade e não a igualdade, leia meu trabalho sobre a desigualdade e a igualdade de direitos, no site da Montfort. Lá você encontrará inúmeras citações e provas da Sagrada Escritura e dos documentos dos Papas, pregando o bem da desigualdade, e condenando a igualdade de direitos acidentais.
Dispenso-me, pois, de repetir o que já escrevi. Se quiser vá consultar o que já escrevi no site da Montfort… e enfureça-se.

Você me indica vários livros de Frei Betto e do ex Frei Boff para ler.
Eu já os li. E me indignei com as heresias que eles propalam, e que levaram o Papa a condenar a Teologia da Libertação e a tomar medidas disciplinares contra Frei Boff por seus livros heréticos. E os livros de Frei Betto são ridículos, além de heréticos. Leia o que escrevi sobre esse “semi frade”. Está no site. Divirta-se. Não… acho que você vai ficar zangado. O que me alegrará muito.

Resta-me dizer porque o chamei de pretendente a profeta.
Pois foi você que se apresentou com tal pretensão!
Pois não me escreveu você que todo dia busca realizar sua função profética?

Cito o que você traçou em suas bem “mal escritas linhas”:
“…portanto, não julgueis a poção (sic!) na função profética herdada de Cristo pelo batismo. Função que busco a cada dia confirmar pela diferença de quem sofre excursões provocadas por defensores do atual sistema sócio-econômico.”

Viu?
Você se proclamou candidato a profeta. O que é um primeiro passo para ser candidato a deputado.
Ou a escrever livros de “teologia” que seriam editados pela Vozes, se o Boff ainda fosse frade, e se ele ainda fosse diretor das vozes socialistas. Mas… ele teve que se aposentar… Mudou de estado… civil…

Quer ver como você tem, de fato, talento para ser “teólogo”? “Teólogo”, ou, pelo menos, deputado.
Veja que pensamento profundo você redigiu. Um pensamento digno do Pacheco.
Como você não conhece o Pacheco? O talentoso Pacheco? Não o conhece? Peça então ao Eça que lho apresente. Você é rival dele — do Pacheco, claro, não do Eça – em talento e em doutrina. Pois veja que lindo pensamento pachequiano encontrei em sua missiva. “Olhando a nossa realidade é-nos de obrigação optar pela vida ou pela morte.

Mas que bem permite a Internet! Que talentos ela revela!
Se não fosse a Internet, não saberíamos que há um novo Pacheco em pernambuco! E um Pacheco Profeta!

Pois até hoje ninguém sabia, nem notara que a realidade nos obriga a optar pela vida ou pela morte !

Até hoje, todo mundo pensava que todo mundo tinha que morrer!
E eu que já estou velho, e que pensava que minha ampulheta já tinha pouca areia, imagine como fiquei contente ao você me revelar que sou obrigado a optar pela vida e pela morte !
Mas claro que opto pela vida! Claríssimo!!! Ainda que ela, a vida, me constranja à dura realidade de ter que ler e responder pachequianas cartas “proféticas” inspiradas por Bettos e Boffes!
Opto pela vida, sem dúvida! Para ficar vivo, respondo um milhão de cartas suas e de todos o profetas do MST! Aguento tudo!
Mas temo que a realidade me obrigue a ter que morrer, um dia — que seja bem distante — e que seu pensamento profético vai falhar, pelo menos no meu caso. O médico e o bom senso me provam que sua descoberta pachequiana tem algo de errado.

A realidade, meu caro Pacheco pernambucano, a realidade nos obriga a aceitar a morte e não a optar pela morte ou pela vida…
Ah! se você tivesse razão !…
Seríamos imortais. Mas o serviço funerário pode ficar tranquilo: não lhe faltará serviço nunca. Infelizmente.

Infelizmente você, como profeta, é tão furado como “teólogo”.
Meu caro, creio que você anda sonhando. Isto é, delirando.

Pensei que já pudesse encerrar esta carta — que já vai longa– quando me deparei com outra vocação sua: você é tambem exegeta.

Arre que é talento demais, como dizia o Eça a respeito do Pacheco. Além de comunista, profeta – perdão, candidato a profeta e a mártir -, “teólogo” da libertação de qualquer regra e lei — mesmo as do bom senso, que deve ter sido inventado pelos exploradores capitalistas — você é também exegeta!

Arre que é talento demais. Pena que você não conheça a cartilha e a ortografia.

Exegeta, sim, pois me escreve lapidarmente:
“… como cristão latino americano, fiel à Jesus Cristo de Nazaré tenho que considerar os pobres os primeiros destinatários do evangelho e os verdadeiros portadores da primícias do reino”.

É verdade que o evangelho foi pregado aos pobres.
Mas só que você se esquece que foi pregado especialmente aos pobres… de espírito.
Lázaro, o amigo de Jesus, era bem rico. Você, se vivesse naquele tempo, se declararia seu inimigo e o consideraria um capitalista, explorador do povo. Entretanto Cristo era seu amigo e até chorou a sua morte.

Para você, pobre exegeta da revolta, pobre, no evangelho quer dizer sem riqueza. Para você, quando Cristo diz que é difícil um rico ir para o céu, você entende que é fácil para o desprovido de riquezas ir para o céu.

Seu Evangelho, segundo Boff ou segundo Betto, esses novos evangelistas de um evangelho novo — anatema sint, diria São Paulo — seu evangelho diz: “Bem aventurados os pobres porque deles é o reino dos céus”.
Mas o Evangelho de Cristo não diz isso.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo diz:
“Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt. V, 3)

Veja bem, meu caro pretensioso exegeta, você escorregou no “de espírito“.
São apenas os pobres de espírito que possuirão o reino dos céus. O pessoal do MST não está nessa classificação, não. Pelo contrário, o pessoal do MST é rico de espírito, porque só pensam e só vivem para a riqueza.

Há dois tipos de pobre: o pobre material, aquele que não tem posses; e o pobre espiritual, que é aquele homem que tendo ou não tendo riquezas, não dá valor a elas e nem vive para elas. Lázaro era rico materialmente, mas era pobre espiritualmente. O homem pobre que vive aspirando a ocupar as terras dos outros é rico espiritualmente, embora seja pobre materialmente.

Portanto, um dos grandes pecados do MST — e dos “teólogos” que o inspiram — é exatamente o de transformar os materialmente pobres em ricos de espírito. E, fazendo isso, lhes fecha as portas do reino dos céus.

Ái dos que pregam um evangelho diferente do de Cristo!

E chega, que já estou farto de responder a tantos delírios! Chega que já está longa demais esta carta. É vela demais para defunto de pseudo profeta. Para um comunista que se julga católico e nem percebe o absurdo de sua contradição.
Que Deus tenha piedade de sua alma, já que a maior culpa cabe àqueles “teólogos”que o inspiraram.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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