Montfort Associação Cultural

28 de janeiro de 2005

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Montfort, Pena de Morte e a Verdade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Gustavo Henrique
  • Localizaçao: Timoteo – MG – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Olá prof. Tudo bem?

Gostaria de dizer, novamente, que a Montfort tem me ajudado muito, e, peço a Deus que me mostre a cada dia mais o caminho certo, da verdade. Confesso que tenho mudado alguns dos meus conceitos em relação a certos assuntos como, por exemplo, a RCC, Socialismo, etc… A cerca de 1 mês eu também comecei a entender (pela Montfort) que a pena de morte é valida em último caso, e que a Igreja Católica tem esta mesma posição. Estou dizendo isso tudo porque ultimamente estou sofrendo um pouco de criticas por pessoas da nossa Igreja (amigos meu, (participam da RCC), da minha idade e nível cultural). Vou tentar explicar…

- Tais amigos meus, além de estarem me desfazendo pelas idéias e argumento que eu encontro na Montfort, estão me aconselhando a não estudar até mesmos os debates realizados pela Montfort, suas opiniões, artigos, etc. Dizendo que eu, nem ninguém, tem certeza que a Montfort, junto com seus artigos e argumentos, são realmente confiáveis, e que a Igreja, ou algum bispo, padre, CNBB até mesmo o Vaticano não sabem o que, nem quem é a Montfort. Pois seria até melhor eu confiar na Canção Nova, porque além de ser uma TV católica espalhada pelo mundo juntamente com a internet, o Papa deu um “alô” para C.N e lá existem padres e bispos que a acompanham, e por aí vai… e Montfort NÃO (segundo eles).
- Lembro-me que o senhor disse que convidou o Prof. Felipe de Aquino (membro da Canção Nova) para conversar, aí eu disse a eles que o mesmo não quis. Então eles pediram para eu ter cuidado porque a Montfort poderia escrever qualquer coisa, inventar situações e que eu não tinha prova que vocês são realmente pessoas íntegras. (coisa que eu sinceramente não acho). Ainda me pediram provas concretas de que esse fato aconteceu.
Ahh, ainda me disseram que eu não deveria estudar a Montfort no geral, sem acompanhamento de uma pessoa “responsável”.
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- Eu gostaria, se possível, de um esclarecimento maior do que é a MontFort, não que eu duvide, mas preciso também dar satisfação para esses amigos que ainda continuam a me criticar, desfazendo da MontFort e até um pouco de mim. Saber, por exemplo, se tem algum bispo, padre que acompanha vocês, etc…
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- Outra polêmica que está surgindo entre nós é a questão da Pena de Morte. Eu estou aos poucos entendendo porque ela é válida, mas eles não. Vou tentar explicar algum dos argumentos que eles insistem em colocar em minha cabeça:

Como dizia São Domingos Sávio, “é preferível morrer a cometer um pecado mortal”.
- Segundo eles São Domingo Sávio queria dizer num sentido figurado, que ele disse isso poeticamente…

“Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem” (Rom I, 32).
- Segundo eles esta passagem está um pouco obscura, pois São Paulo não diz que “tais coisas” são essas e não diz quem pode e como matar.

Disseram-me ainda que se eu apoio, juntamente com a sociedade, a morte de uma determinada pessoa (independente do crime) seria como se eu (individualmente matasse) então conseqüentemente cairia no mandamento NÃO MATARAS, então eu estaria pecando.
- Ora, para Deus não existe tempo. Se tal pessoa deveria receber uma graça no futuro, Deus “anteciparia” tal graça.
Por outro lado, a Justiça não pode trabalhar com meras “hipóteses” ou “suposições”.
Na argumentação de São Tomás, o perigo de um criminoso para a sociedade é maior do que a chance dele se converter, e por isso deve ser eliminado.
Disseram-me que como Deus poderia antecipar tal graça, aí mesmo que não deveríamos matar.

“Então disse-lhe Pilatos: Não me falas? Não sabes que tenho poder para te crucificar, e que tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Tu não terias poder algum sobre mim se te não fosse dado do alto…”. Ou seja, Deus deu a Pilatos, autoridade constituída, o direito de aplicar a pena de morte. É claro que com Nosso Senhor, Pilatos usou mal esse direito. E no Apocalipse: Apoc XIII, 10: “Quem matar à espada importa que seja morto à espada”.
- Disseram-me que Jesus quis dizer que na realidade Pilatos não tinha poder algum sobre Jesus, (é claro) mas que Deus poderia dar esse poder a ele, então Jesus estaria apenas afirmando que somente Deus poderia dar tal poder a alguém (e Pilatos (ou ninguém) tinha ou tem).

Ainda defende a tese que um pobre que rouba para comer não tem problema. Pois o roubado estaria com fartura, que é um pecado. (pensamento socialista, verdade?)

Para muitos seria imaginável um Jesus que aconselha e/ou aceita a pena de morte. Jesus disse: “Pai os perdoem, eles não sabem o que fazem”, diante dessa frase afirmam que Jesus era contra a atitude de matar um “inocente” (é claro que Jesus era um inocente, mas não estou falando especificamente do fato que aconteceu com Jesus).

Se Jesus fosse a favor da pena de morte, então porque ele falou tanto de amor e perdão ao próximo?

Professor, gostaria, se achar necessária, que fosse publicada a minha carta. Acredito que existam muitos jovens como eu que esta passando pela mesma situação, e necessitam de uma força, de mais uma “arma” para continuar a luta.

Da Pacem Domine
Gustavo Henrique

Muito prezado Gustavo,
Salve Maria!
 
    Fico bem contente que você tenha compreendido tantas coisas através do site Montfort.
Continue estudando o site, sem dar importância ao que outros dizem.
 
    Veja que os argumentos de seus colegas não tem a menor base. Por exemplo: eles perguntam que Padre ou que Bispo está com a Montfort.
 
    Ora, se há Bispos e Padres nos apoiando– e os há  — isso, de si, não provaria que estamos certos. O que prova que estamos certos é se estamos com o que os Papas sempre ensinaram.
 
    O importante é estar repetindo e ensinando o que a Igreja sempre ensinou.
 
    Lutero teve o apoio de Bispos e padres em sua revolta contra a Igreja e contra o Papa. Nem por isso Lutero estava certo.
 
    Não só a Monfort pode escrever qualquer coisa. Seus amigos também podem dizer qualquer coisa.
 
    Só que é fácil verificar se o que a Montfort escreveu está de acordo como que a Igreja ensina em seus documentos oficiais mais importantes. Quanto a verificar se o que dizem seus colegas é verdade é bem mais difícil, porque palavras ditas o vento leva embora bem facilmente…
 
    Tive, sim, um carteio com o Felipe de Aquino e o convidei a vir à minha casa e ele não veio. Posso mandar buscar essas cartas em nossos arquivos e dar-lhe cópia.
 
    Aliás, renovo o convite ao Felipe de Aquino, por seu intermédio: quando ele quiser vir falar comigo estou às ordens.
 
    Porém, mostrando essas cartas a seus amigos, eles dirão que “a Montfort pode escrever qualquer coisa”…
 
    Para quem tem má vontade, nenhuma prova tem valor.
 
    E eles dizem que você não pode estudar o site Montfort sem o acompanhamento de uma “pessoa responsável”.
 
    Por acaso você seria irresponsável ?
 
    E essa pessoa responsável não poderia ela também dizer “qualquer coisa”?
 
    E esses colegas estudam? E estudam com acompanhamento de uma pessoa responsável?
 
    Seus colegas afirmam que São Domingos Sávio, ao dizer que  ”é preferível morrer a cometer um pecado mortal”.
queria dizer num sentido figurado, que ele disse isso poeticamente…”.
    Mas então esses seus colegas — guiados por alguém responsável — afirmam que é melhor pecar do que morrer.
 
    E como fica então o primeiro mandamento da Lei de Deus que nos manda amar a Deus sobre todas as cosas, e, portanto amar mais a Deus do que a própria vida ?
 
    E os mártires erraram então ao preferirem morrer do que pecar, adorando ídolos ?
 
    Você cita um segundo “argumento” absurdo de seus colegas:
 
    “Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem” (Rom I, 32).
- Segundo eles esta passagem está um pouco obscura, pois São Paulo não diz que “tais coisas” são essas e não diz quem pode e como matar.”
 
    Esses seus colegas deveriam ter lido quais eram esses pecados nos versículos anteriores da Epístola de São Paulo aos Romanos desde o versículo 24 até o 32.
    E depois, o que se está discutindo não são os pecados que São Paulo diz merecedores da morte e sim a pena de morte
 
    Se esses seus colegas não acreditam nem no que escreveu São Paulo, nem no que Deus revelou na Bíblia, como é que eles acreditarão na Montfort?
 
   “Disseram-me ainda que se eu apoio, juntamente com a sociedade, a morte de uma determinada pessoa (independente do crime) seria como se eu (individualmente matasse) então conseqüentemente cairia no mandamento NÃO MATARAS, então eu estaria pecando”.
 
    Eles é que pecam quando deixam de apoiar uma sentença justa.
 
    Quando a sociedade, por meio de um juiz, condena um criminoso, é a sociedade como um todo– incluindo seus colegas — que dá a sentença justa. Apoiá-la é praticar a justiça e não o pecado.

    E o poder de Pilatos era um poder da autoridade do Estado e, como diz a Bíblia : “Não há poder que não venha de Deus” (Rom.XIII, 1) E foi isso mesmo que Cristo disse a Pilatos: que o poder de Pilatos de condenar à morte vinha de Deus. Jesus disse a Pilatos: “Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado pelo Alto” (Jo. XIX, 11)

 
    Todos os Papas que trataram dessa questão afirmaram a mesma coisa: que o poder vem de Deus.
    O Papa Leão XIII ensinou: “O poder público só pode vir de Deus. Só Deus, com efeito, é o verdadeiro e soberano Senhor das coisas; todas quaisquer que sejam, devem  necessariamente ser-Lhe sujeitas e obedecer-Lhe; de tal modo que todo aquele  que temo direito de mandar não recebe esse direito senão de deus, Chefe supremo de todos.” odo poder vem de Deus” (Rom. XIII, 1) (Leão XII, encíclica Diuturnum illud, 29 de Junho de 1881).
 
    Mas seus colegas vão duvidar que o Papa Leão XIII tenha escrito isso.
 
    Em quem acreditam os seus colegas?
 
    Só no que eles acham.
 
    Se um homem está realmente morrendo de fome, ele pode pegar comida de quem quer que seja, mesmo de seus colegas, sem pecar, porque o direito à vida está acima do direito de propriedade. Mas, o socialismo é que considera que o supérfluo é ilícito.
 
    A Moto de seu colega é um bem supérfluo. Será que ele deixa que alguém a pegue sob pretexto de que está morrendo de fome?
   
    Quando Jesus pediu perdão por aqueles que o matavam, pedia perdão pelos romanos que não conheciam a Escritura, e pelos judeus, que não calculavam perfeitamente o pecado que cometiam, matando o próprio Filho de Deus.
 
    Nosso Senhor falou em perdoar as ofensas que nos fazem, e não em perdoar as ofensas feitas a outros, e muito menos as ofensas feitas a Deus. Se tudo devesse ser perdoado, deveriam se fechar os tribunais, abrir as cadeias  e dispensar a polícia, pois que tudo devia ser perdoado.
 
   Isso é uma gagueira.
       
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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