Montfort Associação Cultural

22 de junho de 2007

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Momento da consagração e uso de pão ázimo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Andra Oliveira
  • Localizaçao: Fortaleza – CE – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Olá professor!
Salve Maria!
O meu nome é Andra e resolvi enviar-lhe esta carta a fim de tirar uma dúvida. fiquei muito
impressionada com os comentários tão bem fundamentados sobre a doutrina católica, mas procurarei ser objetiva, pois imagino que o senhor ainda tenha muitas cartas para ler e responder.
O fato é que durante este ano, estou me preparando em minha paróquia para ser catequista de crisma. O curso é ministrado por uma irmã salvatoriana e ela tocou em alguns pontos que me deixaram em dúvida. Por exemplo, segundo ela não é obrigatório ajoelhar-se no momento da consagração, durante o rito eucarístico, por que nós não saberíamos ao certo em qual momento realmente o pão se torna corpo de cristo. Um outro ponto, é a mudança da atual hóstia para o pão ázimo, que segundo ela é uma realidade que aos poucos será implantada na igreja

Sei que o senhor publica diversos artigos sobre o Concílio Vaticano II, e ela afirma que essas mudanças provém de documentos inspirados a partir das diretrizes deste concílio. Confesso que estou bastante confusa, e espero que o senhor possa dar-me uma resposta clara.
Desde já agradeço!
Salve Maria!
Se for do seu agrado, eu permito a publicação.

Muito prezada Andra,
Salve Maria.
 
    Muito obrigado por sua confiança. Essa freira tão ciosa de que se adore a Cristo num momento errado, na verdade está ensinando uma bobagem, e muito pior que uma bobagem, um erro bem grave contra a Fé.
    É falso que não se saiba o momento da transubstanciação. Ela se dá com o pornunciar das palavras da Consagração. O que essa freira deixa em dúvida é se ela crê realmente na presença real de Cristo na Hóstia. A frase dela é pelo menos suspeita de heresia.
Sobre o pão ázimo ou não, copio para você, um texto de um livro bem bom– La Santa Missa –no qual se lê:

Foi sempre um uso antigo na Igreja que os fiéis oferecessem o necessário para o serviço divino e sobretudo o pão e o vinho, que são a matéria rigorosa do sacrifício.
Contudo, essas ofertas desapareceram desde o século XI, uma vez que o clero preferiu que os pães utilizados no altar fossem preparados à parte e com o maior cuidado. Assim, ficou o costume dos cristãos dar doações com as quais o clero preparava o necessário para o culto do Senhor. 
A respeito do pão há de ser de farinha, ázimo e que tenha marcas que o distinga do pão comum e ordinário.
O pão ázimo funda-se em N. Sr. Jesus Cristo que celebrou a Eucaristia depois de haver comido o cordeiro pascal da lei mosaica. Desde que este cordeiro fosse imolado não se permitia comer nem conservar pão com levedura (fermento). Esse pão representava mais vivamente a suma pureza de Deus, que oferece, e a santidade que exige a recepção deste terrível mistério, segundo as palavras de São Paulo: “Comamos, não o trigo antigo, senão os ázimos de sinceridade e de verdade.” (1 Cor 52). 
No século XI, a Igreja ordenou que na Missa não se utilize outro pão senão aquele sem levedura. Contudo, deu liberdade para que o rito grego continuasse a consagrar com pão levedado, posto seja uma questão acidental, determinado tão somente por um preceito eclesiástico.
Quanto à forma do pão eucarístico, o Papa São Ceferino (séc. III) os chama de “coroas” por causa de sua forma redonda: fazia-se expressamente para a Eucaristia e se vê por muitas antigas estampas que neles se imprimia o sinal da Cruz”.
(“La Santa Misa – Ediciones Rialp – Madrid – 1975″ – Autor: Anônimo – a citação encontra-se no Cap. III – Tercera Parte  del Sacrificio – De la oblación o principio del sacrificio” Pg. 211 – 224s)

     Desse texto se conclui que tanto o pão ázimo quanto o pão levedado podem ser usados validamente na consagração.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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