Montfort Associação Cultural

19 de abril de 2006

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Missa de Sempre x Missa de Paulo VI

Autor: Marcelo Fedeli

  • Consulente: Marco Antonio Sete Inácio
  • Idade: 25
  • Localizaçao: Varginha – MG – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Designer Gráfico
  • Religião: Católica

A paz de Cristo, amigo da Montfort!

Tenho 25 anos e gostaria muito de, algum dia, assistir a Missa Tridentina.

Que Deus me dê esta graça!

Gostaria que vocês fizessem um paralelo entre a atual Missa e a Missa de sempre, sublinhando suas diferenças e semelhanças.

Um grande abraço de vosso aluno!

Prezado Marco Antonio, salve Maria!
Agradeço seu e-mail que revela seu amor à Igreja e tenha a certeza de que Deus muito o abençoa por isso.
Desde já o convido a assistir à Missa de S. Pio V que é celebrada todos os sábados, ao meio dia, em uma paróquia de S. Paulo. 

Quanto à sua solicitação [paralelo entre a atual Missa e a Missa de sempre, sublinhando suas diferenças e semelhanças” ] tentarei fazer um pequeno, simples e preliminar resumo comparativo, pois o tema é muito profundo e amplo para ser tratado numa simples carta.

 
Antes, porém, informo que no site MONTFORT há artigos e cartas sobre a Missa, além do ”Catecismo da Missa” que, embora ainda incompleto, vale a pena ler para começar a entender o profundo significado de “SACRIFÍCIO”, desde o Antigo Testamento.
Cronologicamente, é necessário ler primeiro a Bula “Quo primo tempore” de S. Pio V, de 14 de julho de 1570 para saber o grau de severidade com que aquele Santo Papa advertia a quem viesse a atentar contra o disposto por ele na liturgia da Santa Missa, ou seja viesse a mudar aquele Ordo.

Por outro lado, em 25 de setembro de 1969, pouco antes do início do Novo Ordo de Paulo VI, o cardeal Alfredo Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício (antigo nome da Congregação da Doutrina da Fé, de hoje) e o Cardeal Antonio Bacci enviaram àquele Papa uma carta intitulada “Breve exame crítico do Novus Ordo Missae” em que mostravam ao Papa como a “Nova Missa”, “considerada nos detalhes como no conjunto, representa um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa”, se aproximando das posições dos protestantes.

 
Além disso, é bom saber que da Comissão da Liturgia formada por Paulo VI para preparar o NOVO ORDO participaram seis pastores protestantes, tendo um deles declarado, ao final, que não via inconveniente algum para os protestantes assistirem aquela nova Missa. Saliento que o próprio Mons. Bugnini, secretário da Comissão  que reformou a Liturgia, confessa que os pastores foram “ouvintes” na reforma, embora ele negue que tivessem tido participação ativa. Se assim foi, o que afinal estariam eles fazendo lá?.. E por que a NOVA MISSA saiu tão protestantizada, como afirmaram os Cardeais Ottaviani e Bacci?
Para se fazer um paralelo, mesmo simples e incompleto da Missa de S. Pio V, e a Missa de Paulo VI, é bom partir da definição de “MISSA”, de ambos os ritos.
 
Segundo o Concílio de Trento – Missa de S. Pio V – a MISSA é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário, oferecida a Deus por um sacerdote em nome dos fiéis, e que, ao  pronunciar as palavras da Consagração, ‘empresta’ a sua voz a Nosso Senhor (o faz na PESSOA DE CRISTO  - “IN PERSONA CHRISTI”). Na realidade, é CRISTO NOSSO SENHOR e öNICO SACEDOTE que celebra a Missa, pois só Ele pode dizer “ISTO É O MEU CORPO…. ISTO É O MEU SANGUE”.
 
Daí resulta que a Missa de S. Pio V é celebrada sobre um ALTAR (próprio para “SACRIFÍCIO” a Deus), por um sacerdote, voltado para Deus e de costas para o POVO, ou seja, o sacerdote, representando o povo diante de Deus, fala voltado a Deus, dando as costas aos seus representados… não tem cabimento um representante de um grupo qualquer dirigir-se a um superior voltado ao próprio grupo, dando as costas ao superior!…
Eis a definição da Nova Missa de Paulo VI (Item 7 do documento “Institutio Generalis Missalis Romani”):
 
A Ceia do Senhor ou Missa é a sagrada sintaxe ou assembléia do povo de Deus que se congrega, presidida pelo sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor. Por isso, de maneira toda particular, vale para a reunião local da Santa Igreja a promessa de Cristo: “Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou eu no meio deles.
Como você pode notar, nesta definição, Paulo VI apresenta MISSA como sinônimo de CEIA, e a define como ASSEMBLÉIA DO POVO – a ser PRESIDIDA pelo sacerdote — para celebrar o MEMORIAL, ou seja, “lembrança” do Senhor.
Conseqüentemente, por se tratar de CEIA, o ALTAR foi substituído por MESA (condenado por Pio XII em 1947 na encíclica Mediator Dei); e como ela é a ASSEMBLÉIA DO POVO DE DEUS, o sacerdote a PRESIDE, voltado para o próprio POVO…e na língua deste. É o POVO que a celebra. E tudo se resume numa festa, chegando aos violões, batuques e danças que vemos hoje.
 
Mas, a parte mais importante é que falta a essa definição qualquer referência a SACRIFÍCIO, principalmente à PROPICIAÇÂO, isto é, a satisfação que na Missa Nosso Senhor Jesus Cristo presta pelos pecados dos homens.
Só para completar, no Santo Sacrifício da Missa distinguem-se os quatro componentes de um verdadeiro sacrifício feito a Deus: Adoração; Ação de Graças; Propiciação e Impetração.
 
O aspecto PROPICIATÓRIO da Missa é negado pelos protestantes e o Novo Ordo se omite quanto a este ponto fundamental.
Fundamentadas naquelas definições seguem-se as orações, gestos e comportamento do sacerdote celebrante e dos fiéis
na Missa de S. Pio V – como das proclamações, gestos e comportamento do presidente da assembléia, e desta, na Missa de Paulo VI.
 
Caso você queira se aprofundar em seus estudos, seria bom ler aqueles documentos que citei.
 
Continuo sempre ao seu dispor rezando para que um dia você tenha a graça de participar da celebração do Santo Sacrifício do Calvário.
Que Deus o abençoe.
In corde Iesu semper
Marcelo Fedeli

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