Montfort Associação Cultural

28 de março de 2007

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Minha experiência antes e depois da RCC

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Edeniuza Vargas da Costa
  • Localizaçao: Cascavel – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Artista Plástica
  • Religião: Católica

Prezado Professor Orlando,

     Cresci na Igreja Católica, que freqüentei assiduamente até os 19 anos. Com essa idade participava de um grupo de jovens, mas não percebia qualquer espiritualidade e sim um “ajuntamento de jovens” numa cidade pequena à busca do que fazer. 
     Nessa época, eu já questionava a Igreja. Combatia veementemente a riqueza do Vaticano e das igrejas que sempre tinham algo a fazer, achava as campanhas de arrecadação de fundos e o próprio dízimo um horror. Foi o estar muito próximo daqueles em quem colocamos muita confiança (no caso os padres e seus colaboradores mais diretos), que me fez conhecer melhor alguns deles e perceber o quanto eram “humanos”. Embora assídua a igreja, era uma católica ignorante e meus estudos e leituras tinham parado lá atrás (na catequese), que infelizmente pouco me recordava. De repente o pároco local começou a “brigar” com os fiéis mais próximos, ou seja, àqueles que estavam sempre à frente em campanhas, liturgia, ministros extraordinários da Comunhão e vários desses, se afastaram, magoados da Igreja (só no ano passado descobri que era o início da RCC a causa de tudo). 
     Naquele tempo não entendi por que, sei apenas que alienada e já desinteressada da minha atração no grupo de jovens, deixei de freqüentar radicalmente a Igreja. E fui fazer minha campanha anti-catolicismo.
Mesmo na minha ignorância, nunca duvidei da existência de Deus e sempre tive um grande amor pela Eucaristia. Mas eu tinha em mente um Deus que tinha que me proporcionar uma felicidade e uma garantia de fé, que até então eu não havia encontrado. Então fui procurar em outros endereços…
     E não poupei esforços, passei do espiritismo (assinava livros espíritas, que depois de lê-los passava aos outros e ainda recomendava que não me devolvessem que repassassem para outras pessoas lerem. Que Deus em sua infinita misericórdia tenha pena de minha pobre alma pelo mal que fiz). Passei também pela rosa-cruz (fui estudante por pouco tempo). Tive duendes decorando o meu quarto, comprei inúmeros objetos esotéricos como cristais, pirâmides, cabalas e sei lá o que mais. Paguei para fazer mapa astral, “estudei” anjos cabalísticos, queimava aqueles incensos de cheiros horrorosos e tudo o que havia de novo pela frente que fosse esotérico místico ou simplesmente moda, eu embarcava. Freqüentei seicho-no-iê, budismo, recebi johrei, ou seja, todas as ondas que passavam eu dava uma surfada. Igrejas evangélicas nem pensar. Era um bando de loucos, além de que os que eu conhecia eram muito esquisitos, sempre tentando me levar para a igreja deles. E na busca de Deus formei um extenso currículo de estudos inúteis. Nessa busca graduei-me em lixo espiritual. 
     Buscava um Deus que eu pudesse sentir. Então quando via alguém que parecia feliz já perguntava a religião e ia ver se achava Deus lá.
     Deus nos sonda mesmo no abismo, na lama na qual nos escondemos na tentativa de alcançá-lo. E como Ele sabia da minha sinceridade e necessidade de entender como o seu Amor não tem limites, me permitiu tudo. Na minha loucura espiritual tinha como livros de cabeceira o evangelho segundo o espiritismo do Alan Kardec e a Bíblia Sagrada. O Alan Kardec eu lia, sempre a mesma página, pois o meu discernimento não gostava de algumas comparações e da forma como falava de Jesus. A bíblia estava cheia de pó, pois eu não a lia, não conseguia entendê-la, mas não conseguia ficar sem ela por perto. 
     Mas minha fé sempre foi muito grande e sabia que Deus não me faltaria. E como me protegeu. Eu freqüentava alguma coisa (seita, religião, linha de pensamento), até o momento em que se falasse de batismo ou iniciação, aí eu reagia intimamente – SE MEUS PAIS ME BATIZARAM NA IGREJA CATÓLICA ELES SABIAM O QUE ESTAVAM FAZENDO, e caia fora. 
     Assim, apesar de todas as experiências que fiz jamais me aprofundei de fato em qualquer delas. Percebi sim que quanto mais buscava Deus de formas ambíguas, mais amargo e dolorido ficava o meu coração. 
     Na hora de dormir rezava já deitada um Pai Nosso, uma Ave-Maria, o Santo Anjo e assim ia levando. Ir à igreja? Somente em batizados, casamento, formaturas, missas de corpo presente. Mas na hora da comunhão, eu não resistia e lá ia eu para a fila comungar (como Judas, a minha própria condenação). 
     Eu vivia absolutamente no modelo do mundo. Tinha sempre que ter um namorado, sair muito, ir a barzinhos da moda, me vestir muito bem, fazer belas viagens, ser uma profissional bem-sucedida. 
     Confissão??? Nem pensar. Afinal o padre nada mais era que um pecador com eu. Vivi nesta loucura 21 (vinte e um) anos.
Um dia me vi obrigada a participar de um retiro promovido pela RCC, da qual minha irmã, que nem em Deus cria, que blasfemava contra Ele, começou a freqüentar e mudou da noite para o dia.
     E eu que pedia perdão a Deus pelo comportamento dela e também pedia que Ele desse a ela a graça de acreditar em alguma coisa (achava as minhas experiências o máximo), mas me assustei com a mudança que se operou nela, mas ao mesmo tempo, Deus tinha atendido o meu pedido. Apesar de ela estar completamente fanática, só falava de Jesus, só ouvia músicas cristãs e ia à Igreja todos os dias, em retiros e grupos de oração, tive que ceder a um convite dela para participar de um retiro. Afinal Deus tinha ouvido a minha prece, ela acreditava em algo agora. Confesso que fui ao retiro movida principalmente pelo interesse da “oração na língua dos anjos” que ela comentava. 
     O retiro começou na sexta-feira à noite e terminaria no domingo às 18:00 h. Meu coração era uma pedra pontiaguda que rasgava a carne, tamanha amargura que eu sentia. Então eu ficava pedindo a Deus o tempo todo para tirar aquela sensação horrível que me corroia. Não me lembro das pregações do retiro, à exceção da do pecado. Odiei o pregador com todas as minhas forças, pois parecia que tudo que ele falava era para mim. Era sob encomenda. Em resumo, chorei muito, sentia desespero, pois aquela era a última porta que ia bater à busca de Deus e nada acontecia. Meu coração era uma pedra só. O final do retiro se aproximava e nada mudava no meu coração. Até que aproximadamente às 17:30h do domingo, entronizaram a imagem de Nossa Senhora das Graças, neste momento eu olhei para ela e implorei, “Mãezinha, faz alguma coisa por mim”. A pedra saltou do meu coração e eu senti uma paz muito grande, como nunca havia sentido na vida toda. E senti que Deus tinha me resgatado. 
     Nova fase: prometi que a partir daquele dia voltaria para a igreja, pagaria dízimo e iria auxiliar nos serviços da igreja. Na segunda-feira fiz o primeiro pagamento de dízimo de minha vida (04/05/1998), coincidentemente o dia do meu aniversário. Fiz também uma confissão. Quando o padre Bernardino me perguntou: 
     “- Filha há quanto tempo você não se confessa?” 
     Eu meio amedrontada disse: 22 anos. 
     A alegria dele foi imensa e me disse: 
     - “Hoje tem festa no céu. Deus está muito feliz por você ter voltado para casa”. Chorei muito. Senti que aquele sacerdote idoso, meio cego e meio surdo, dentro daquele confessionário à bela moda antiga, com a mesma janelinha “xadrez” da minha infância, era para mim neste momento “in persona Christi”, tamanho foi o amor com que reagiu à minha confissão. E eu me senti de fato voltando para casa. A filha pródiga. Deus abriu os braços no momento que eu implorei o socorro à Virgem Maria de quem eu nunca perdi a intimidade apesar de meus desvarios. Jesus eu não conhecia direito, infelizmente não me apresentaram adequadamente ou eu não quis conhecê-lo de fato. E eu descobri que tinha encontrado Deus, lá onde o tinha deixado há tantos anos atrás. Não era Deus que estava perdido e sim a filha cheia de si, da soberba de sua suposta sabedoria. 
     Ao sair daquela igreja, eu sentia alegria, euforia, alívio, gratidão, amor, enfim felicidade. 
     A primeira e verdadeira sensação de ser um ser humano completo. É como se eu tivesse sido revitalizada com o sopro de Deus. E no dia seguinte à noite, com todo aquele ardor fui ao primeiro grupo de oração da minha vida. Achei estranho tanto barulho, bateria, e o “vamos dançar para Jesus”, mas entrei no clima, apesar de achar tudo meio esquisito. No final do grupo, chamaram os que vieram pela primeira vez e cantaram uma música para os novos e eu lá no meio, lógico, chorei mais um tanto.
     Um mês depois eu já era serva no grupo. Sem uma orientação específica estava eu na porta recebendo as pessoas, fazia bem o acolhimento, pois fazia com amor, dava importância a cada um que chegava. Logo teve um retiro de primeira experiência na paróquia e eu fui escalada para o acolhimento. Achava aquilo muito importante e tinha medo de errar, mas pedia a Jesus e a Virgem Maria que me ajudassem. Graças a Deus fui atendida, pois chegou uma moça muito bem vestida e eu fui dar-lhe o abraço da paz dizendo, “que bom que você veio”. Mas fui empurrada por ela que me disse “ – eu faço parte do retiro”, e eu fui abraçá-la novamente dizendo “melhor ainda” e fui novamente empurrada. Este não foi meu primeiro grande tombo, o tombo veio quando eu vi aquela bela moça, no decorrer do retiro pregando sobre o ESPÍRITO SANTO. Levantei-me desse tombo lembrando que não estava ali por causa das pessoas, mas por Jesus e pelos que Ele amava. Fazia parte também da intercessão, que era realizada numa capela diante do Santíssimo Sacramento. Eu não gostava da forma como era a intercessão, pois não se fazia silêncio, não havia recolhimento profundo. Quando não cantavam alguém estava a “profetizar”, ou a “orar em línguas”, o que eu também já fazia. E mais uma vez, fui estudar. Comprei livros, muitos livros. Comprei todas as traduções da Bíblia, os documentos da Igreja, o Catecismo (tudo do Concílio Vaticano II), pesquisei todos os sites cristãos para buscar conhecimento, talvez até o Montfort, não me lembro, mas se o encontrei com certeza naquela época teria detestado. Fiz todas as formações “obrigatórias” para os servos. Troquei todos os meus CDs de MPB e alguns clássicos por CDs cristãos. Foram muitos livros, e mais de 200 CDs em 08 anos. Foi este o tempo que servi à RCC.
Fui pregadora em grupos de orações e retiros de primeira experiência.(mais conhecido como kerigma) Eu sentia a necessidade de anunciar a Verdade que busquei durante tantos anos e tentar consertar o mal que fiz multiplicando o meu estereótipo (exemplo dos livros espíritas) anterior. 
     Fui formadora da Escola Paulo Apóstolo (primeira formação dada e dirigida às lideranças e servos), à época eram oito módulos. Estudei todos os documentos que serviram de bibliografia as apostilas que usávamos na escola. Sempre tentando fazer o melhor, investindo muito mais agora que eu tinha descoberto a Verdade. Por estudar demais, por ler demais comecei a questionar algumas coisas como, por exemplo, alguns dons como o de línguas… Explicávamos o dom de línguas com base em Romanos 2, 26, “Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis”. Como eu tinha o “DOM” de utilizá-lo sem mais nem por que, no momento que eu quisesse sem a necessidade de qualquer recolhimento, ou comunhão espiritual? Ora, se é o Espírito Santo de Deus que ora em mim, que vem em meu socorro, quando não sei mais o que pedir, por que eu o utilizava a qualquer momento sem qualquer necessidade, até para exemplificar para as pessoas o que era a oração em línguas?
– Comecei a perceber que quanto mais alta era a hierarquia das lideranças na RCC mais se cometia desobediência aos documentos e encíclicas da Igreja, principalmente à Eclesia de Eucaristia.
– Pesquisando na internet, para preparar minhas palestras para a escola, encontrava muita informação não contida nas apostilas (anteriores ao Concílio Vaticano II) percebendo quão rica é nossa Igreja e percebendo um tênue cisma que não era claro para mim naquele momento.
– Estudando a palestra sobre a liturgia, procurava mostrar os erros e heresias cometidos durante a celebração, não falava dos padres, mas daquilo que os leigos deviam fazer para minimizarem o efeito herético nas missas.
– Sempre que tinha que pregar ou ensinar sobre a Igreja mostrava a Igreja Santa e erradamente usava o termo pecadora. Mas nunca sem antes entender os porquês de tantos acontecimentos de hoje a partir de Lutero e tristemente começava a observar alguns dentre eles eu, Luterinhos e Luterinhas ressurgindo e usando um termo político terrível comecei a observar crescer um terrível MOVIMENTO SEPARATISTA. O único movimento certo era a RCC, quem não estava dentro dela não tinha o Espírito Santo.
Fui percebendo a duras penas, que quanto mais estudava e tentava alertar/exortar para os nossos erros como RCC mais era podada, criticada (nunca se falava diretamente para mim, mas para minha irmã, que tal coisa que fiz não tinha sido, ou correto), se era a título de exortação (termo largamente usado quando se dá uma “bronca”) eu é que deveria ser informada.
– Descobri também que dependendo da altura do escalão, não há erro, no máximo um engano. Se alertasse para os problemas, era encrenqueira ou estava em desobediência, ou era o inimigo que estava em ação. Aliás, tudo o que dá errado é culpa dele (ele é muito valorizado).
– Têm coordenadores que dão ordem ao Espírito Santo. Se os servos não obedecerem e não acontecerem curas a culpa é do desobediente. Hoje o povo busca muita a cura, então se investe muito nisso, com semanas, missas de cura e libertação, esquecendo-se do Senhor que cura.
– Têm também as palavras de ciência padronizadas, ou seja, quando se reza por alguém o servo que está rezando proclama que a pessoa está sendo curada, por exemplo, de um problema que teve quando tinha determinada idade (normalmente na adolescência, as mulheres aos 15 anos). E depois quando se ouve os testemunhos nos grupinhos você percebe várias pessoas dizendo: “– eu também fui curada disso”… Pergunto: quem não teve problemas na adolescência? O que se faz nestes momentos nem se pode chamar de roleta russa, mas de tiro certeiro.
– Eu mesma era “cheia de dons”, devidamente “julgados” pelos meus “superiores”. Mas sempre questionei muito, principalmente o dom das línguas. – Se o dom vem de Deus, por que eu precisava ensinar outras pessoas para que elas o obtivessem? (eu fiz isso muitas vezes professor). Fazíamos oficinas de dons, onde os mesmos eram “treinados”.
     Hoje eu penso em quantas pessoas me ouviram (já li testemunhos em seu site que pensava, será que não era eu que estava lá?) e sem qualquer intenção de fazê-lo, devo ter prejudicado muita gente com tais dons. 
     A RCC está repleta de pessoas bem intencionadas. Eu era uma delas. Tudo o que fiz a serviço do movimento foi com o coração repleto de amor e todas as vezes que saí em serviço implorava a Deus por socorro, para ser conduzida somente pelo Espírito Santo de Deus. Pela Trindade Santa.
     Dá uma tristeza muito grande quando vejo que as pessoas colocam no pregador ou no servo a sua segurança. Quando esquecem que quem opera toda e qualquer graça é somente Deus, na sua imensa misericórdia. Agora o pior não são as pessoas mas os servos. Têm alguns que pensam ser Deus, outros têm certeza que o são.
     Mas Deus, que tudo sonda, mais uma vez apontou-me o caminho da verdade, me tirou todo o gosto da missão na RCC. Primeiro através dos questionamentos que tinha, depois pelo ser rechaçada quando exortava o grupo ou algum superior quanto aos flagrantes erros cometidos, depois pela ausência de compromissos missionários. Louvo a Deus pela RCC que foi o instrumento do meu resgate e pelas pessoas de boa vontade que lá ainda estão. E rezo para que todos passem a enxergar a realidade. 
     Penitencio-me se fiz perder algumas almas enquanto carismática, mas contemplo hoje na misericórdia divina a paz que sinto por não mais estar lá. Por não ter “mestres” humanos, mas sim ter O Senhor como meu único Mestre e de somente a Ele dever a submissão na hierarquia do céu. 
     Menciono a palavra hierarquia, pois o organograma da RCC é bem grande. Modelo das grandes empresas (em especial as públicas) e a palavra de ordem é “obediência” 
     Infelizmente essa obediência na maioria das vezes não alcança a Igreja, a Deus ou o Papa, pois embora tenham muita formação, poucas pessoas se dão conta das profanações nos templos, nas celebrações e supostas adorações ao Santíssimo Sacramento. 
     O senhor consegue imaginar um ministro de música, com muitos anos de caminhada na sexta-feira da paixão, durante uma adoração, com o Santíssimo Sacramento exposto cantar “A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus”, acompanhado de palmas e gestos?
     Tenho consciência de que todas as vezes que preguei ou ensinei que Deus era o único alvo e para alcançá-lo precisamos da Igreja e dos seus sacramentos. Se algum fruto dessa plantação foi colhido rogo ao Todo-Poderoso que tenha sido apenas o que falei de verdade divina e não o que falei a partir da minha inteligência. 
     Despeço-me, primeiro pedindo desculpas pela extensão da carta e agradecendo-lhe professor e a todos os que formam a MONTFORT por terem me ajudado a clarear as idéias. A enxergar a luz da verdade no fim do túnel. Conheci o site através da minha irmã. Fiquei meio invocada no começo, mas fui percebendo a seriedade e verdades de fé nele contidos.
     O desejo de servir a Deus era maior que o meu discernimento, por esse motivo não enxergava nada, não aprofundava meus próprios questionamentos. 
     Difícil agora, conhecendo um pouco mais a Santa Igreja, acompanhar uma celebração cheia de erros. Num desses domingos fomos à uma igreja onde a oração da paz é colocada no telão para a assembléia. Noutro domingo, minha irmã teve negado pelo sacerdote o direito de receber a Santa Comunhão na boca.
     Hoje podemos trocar de paróquia, mas jamais de Igreja. E temos vivido-a na sua dimensão mais profunda.
     E assim vamos, de paróquia em paróquia. Uma hora dessas com certeza nos confrontaremos com um Sacerdote que realmente celebre a Santa Missa para Deus, aliás, nesse ponto já fizemos um grande progresso, com a graça de Deus.
     Não nos esquecemos de vocês nas nossas orações, que Jesus e Maria sejam o vosso amparo e fonte de inspiração sempre.
     Fraternal abraço,

Edeniuza

PS. Professor, o senhor fica autorizado a corrigir, omitir, condensar minha carta se assim o desejar ou necessitar. Para mim, que sou dona do testemunho, fica meio sem sentido não detalhar.

Muito prezada Edeniuza,
Salve Maria.
 
    Deus a recompense por sua carta tão sincera. Ela me comoveu até as lágrimas por comprovar ela como Deus é misericordioso! Como Ele não nos abandona. Ele nos procura como o bom pastor procura a ovelha perdida. E, encontrando-a, a carrega em seus ombros, e cuida dela, e a alimenta com a verdade. Se nos permite sofrer, é para melhor conhecermos o nosso nada e como é infinita a sua misericórdia!
    Só posso louvar sua veracidade e franqueza tão profundas transparentes em sua carta. Que Deus a mantenha sempre a seu seviço . Unicamente a serviço de Deus. Sem seguir a mestres humanos — nem a professores — mas somente a Nosso Senhor e a seu Vigário na terra, o Papa.
    Concordo com o que diz que na RCC há muita gente que entra enganada, e às quais, pouco a pouco, Deus vai abrindo os olhos. Foi o que Ele fez com você.
    Espero enormemente que a liberação da Missa de sempre pelo anunciado Motu Proprio de Bento XVI venha a devolver a visão clara da Fé a tantos que compreenderão, então, os abusos que se fazem, hoje, na RCC, desgraçadamente.
    A oração por essas pessoas pode sim ajudá-las. Como sua carta — tenho certeza — ajudará a muitas, muitas pessoas a verem a verdade católica sem os eflúvios carismáticos que as entorpecem e cegam.
    Precisaria dizer-lhe que gostaria muito de ajudá-la pessoalmente, assim como a sua irmâ?
    Teria que lhe dizer que não sei como fazer isso concretamente?
    Esta minha pobre carta de apoio, respondendo à sua tão elevada missiva, espero que, pelo menos, lhe possa mostrar — muito palidamente — o imenso desejo que tenho de que sua alma esteja agora definitivamnete encaminhada na Igreja Católica Apostólica Romana. Minhas palavras não conseguem mostrar, nem de longe, a vontade imensa que tenho de ajudá-la, de fazer algo por si, de lhe dizer tudo o que fosse possível para elucidar dúvidas, tudo o que sei e que lhe pudesse ser útil.      
    Você, em certo momento de sua carta, usou o termo “mãezinha” para pedir auxílio a Nossa Senhora, Nossa Raínha e nossa Mãe tão extremosa. Comoveu-me o termo usado…
    Posso lhe dizer que, em várias ocasiões, quando a cruz mais me pesava na alma, foi essa mesma a palavra que a angústia e a dor me arrancaram de minha alma como apelo a Maria Santíssima? 
    Deus nô-la deu como advogada e como Mãe de misericórdia. Ele mesmo a colocou como nossa guardiã. Que nós a coloquemos também como nossa guardiã: posuimus Te custodem.
    Permita-me então que, na medida em que um velho professor possa ter algum “direito” sobre seus leitores, que nele confiam, sem motivo a não ser por grande caridade, permita-me que eu rogue a Nossa Senhora dizendo: Eu te coloco como guardiã dessa minha leitora que me escreve, hoje, uma carta tão comovente, na qual transparece a misericórdia divina.
    Posuit Te custodem. Posuimus Te custodem.
    Nós Te colocamos como nossa guardiã.
    Maria Santíssima que não deixa se perder nem um trapo que nos pertence, Maria que é nossa Mãe de Misericórdia, que Ela não permita que sua alma e a de sua irmã se transviem, e as guarde até a hora final na única Fé salvadora: a Fé católica. Que Maria santíssima guarde também tantas almas transviadas por tantas heresias e por tanta ignorância religiosa na RCC e em outros movimentos cheios de erros e de heresias.
    Que Nossa Senhora guarde a Santa Igreja.
    Poderia pedir-lhe ainda uma coisa que seria para mim uma honra e uma felicidade?
    A sua amizade em Cristo.
    Sou já um velho, mas tenho sede de amigos em Deus. Tenho uma imensa sede de almas fiéis a Cristo e à Santa Igreja. Tenho sede de almas paar levar a Nosso Senhor. Ajude-me com suas orações.
    Sua amizade me seria mais uma prova de que Deus, apesar de minhas misérias e de meus pecados, não deixa de abençoar meu trabalho e minha luta pela defesa da Feé e pela salvação das almas.
    Escreva-me. Escreva-me.
    Quem sabe, um dia, possa conhecê-la pessoalmente. No céu, pela misericórdia de Deus espero que estaremos unidos para sempre no Coração de Jesus. In Corde Jesu…Sim.In Corde Jesu, semper.
    Para sempre. 

Orlando Fedeli

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