Montfort Associação Cultural

12 de junho de 2010

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Mensagem aos amigos portugueses: o Prof. Orlando e a Torre de Belém

Autor: Guilherme Chenta

  • Consulente: Maria Duarte
  • Localizaçao: Lisboa – PR – Portugal
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Católica

Amigos da Montfort

Desde Portugal, venho manifestar a minha dor pela morte do querido professor Orlando que com muita pena minha não cheguei a conhecer pessoalmente, mas com o qual muito aprendi.

Desde que a notícia da sua morte foi publicada desejei escrever para a Montfort, mas fiquei como emudecida pela dor que a todos atingiu.
 
Hoje venho manifestar os meus mais sentidos pêsames a todos vós, principalmente à sua esposa.
 
Desejo muito sinceramente que a Montfort continue com o seu importante trabalho, do qual todos nós aproveitamos muito. Apesar da distância geográfica que nos separa creiam que estou de coração com a Montfort, em cujo site entro diariamente.
 
Agora no Céu, certamente o professor Orlando vos ajudará muito. Coragem!

Maria

 
São Paulo, 12 de junho de 2010
 
Prezada Maria,
 
Agradecemos muito suas palavras de conforto.
 
Deus lhe pague.
 
Curiosamente, planejávamos para este ano uma visita do Prof. Orlando a Portugal, com palestras em Lisboa e Braga.
 
Quem sabe a Montfort, embora sem o Prof., algum dia não passe por aí?
 
Queremo-lo muito. Ainda ontem fizemos uma reunião para definirmos como vamos nos organizar neste novo momento. E se falou em manter a visita a Portugal, que seria em setembro ou outubro, dependendo da data do congresso do Summorum Pontificum, que vem ocorrendo todos os anos em Roma.
 
Nesta reunião, decidimos várias coisas. Entre elas, que agora, em vez de uma, vamos rezar sempre duas Ave Marias antes de cada aula.
 
Para marcar esta nova fase.
 
Porque precisamos agora rezar mais.
 
Para rezar por ele.
 
Ainda hoje, pela manhã, enviei um e-mail para uma das pessoas daí que estava nos ajudando nessa visita. Esse e-mail justifica o título desta carta.
 
Salve Maria,
 
Guilherme
 
—————–
 
Olá Teresa,
 
É uma pena mesmo o Prof. Orlando ter morrido sem ter visitado (oficialmente) Portugal. Acredito que teria sido uma viagem muito proveitosa, dado o número de visitas portuguesas ao site Montfort – quase oito mil mensais – e as diversas cartas recebidas de leitores lusos.
 
A sugestão de passar por Portugal foi feita e aceita na segunda-feira. Na quarta, ele morreu.
 
Agradeço, de qualquer forma, sua disposição em nos ajudar nessa visita.
 
Sobre a morte do Prof. em si, creio já ter contado o essencial num vídeo que postei ontem, festa do Sagrado Coração de Jesus, no canal do Legado no YouTube (www.youtube.com/legadomontfortvlog).
 
Ontem, dia 11, festa do Sagrado Coração, foi a data que havíamos escolhido para o recomeço da publicação das aulas virtuais do Prof. Orlando. Iríamos falar da Gnose.
 
Contamos com suas orações.
 
Contamos também com as orações de todos os amigos portugueses.
 
Salve Maria,
Guilherme
 
PS: Se lhe serve de algum consolo, segue abaixo uma poesia que o Prof. escreveu sobre a Torre de Belém, de que ele tanto gostava. Conhecendo o espírito do Prof. e o símbolo dessa torre, entende-se rapidamente o porquê de tamanha afinidade.
 
 
Torre de Belém
 
Quem é essa que à beira mar se levanta
Com a beleza e a graça de uma Infanta,
Que, com a bravura das caravelas,
Desafia o mar, os ventos e as procelas?
 
Que torre é essa de porte de rainha,
Com a elegância de uma nau marinha?
Que torre é essa de alma forte e guerreira,
Viva e desafiante qual bandeira?
 
Torre de Belém, torre da proeza!
Oh alma de pedra e de fortaleza
De Portugal, para sempre encarnada
Nesta nau na foz do Tejo ancorada,
Quantas glórias tu fazes recordar:
Façanhas e triunfos no além-mar!
 
Tu lembras, oh caravela lendária,
a vocação cruzada e missionária
de Portugal, marujo de olhar fito
no horizonte, perscrutando o infinito.
 
Quem? Quem te deu essa brancura de garça,
espalhando-se na onda que se esgarça ?
Quem te deu a leve graça da gaivota
que esvoaça em busca de nova rota ?
 
Tu, como Portugal, pequena embora,
revelas a alma grandiosa que em ti mora,
tão pequena e grandiosa és, que , talvez,
tua grandeza venha de tua pequenez.
 
Do alto de tua plataforma guerreira,
bem se vê tua humildade altaneira.
Quem te vê tão só, te vê tão pequena,
quem te vê tão grandiosa, tão serena,
oh caravela de pedra no Tejo,
compreende tua alma ardente de desejo
de ultrapassar verdes mares e montes,
a sede lusa de vencer horizontes,
a ânsia de ir sempre mais além,
até plantar a Cruz em Jerusalém !
 
Portugal, em tuas noites de veludo,
em tua torre, cada ameia é um escudo,
na aurora, toda banhada de luz,
em tua torre, cada escudo, uma cruz.
 
Torre de Belém, nau petrificada,
em ti vive o espírito da cruzada.
Como não te faria assim teu artista
a ti, oh filha e flor da Reconquista ?
 
Dos cavaleiros, tu tens a ousadia,
tens sua nobreza, sua leal valentia,
a dureza de suas brancas couraças,
tens a sua honra, sua grandeza e suas graças.
 
Que fortaleza nessa torre quadrada,
firme no convés de pedra lavrada !
Como flutuas graciosa sobre as vagas
que te trazem saudades de outras plagas,
gratos e castos beijos do oceano,
por tua renúncia ao solo lusitano.
Recebe das ondas, com suas carícias,
da Índia, tesouros, do Brasil primícias.
 
E como tu és amena !
E como tu és serena !
E que simplicidade e formosura
em teu severo claustro de verdura !
 
Como revela bem lusa confiança,
do Bom Sucesso, a Virgem da Esperança,
em teu convés, Rainha e Capitã
de tua epopéia intrépida e cristã !
 
 
Que graça delicada em teus arcos
enlevados com as velas dos barcos,
deslumbrados, olhando para o mar,
e jamais cansados de o contemplar.
 
Como lanças tua proa com ousadia,
cortando o mar que em vão te desafia !
E a Vigilância, alerta sentinela,
espreita a mourisca inimiga vela,
nas torretas altivas do convés,
indiferente às ondas a seus pés.
 
De tuas salas austeras de convento
já não mais são levados pelo vento
cantos de guerra e cantos de mosteiros,
vozes de monges, vozes de guerreiros !
Já não mais se ouvem cruzados em prece,
ora que em Portugal a noite desce.
 
Oh Torre de Belém, oh caravela,
que grandeza tua vocação revela !
Junto de ti, tudo é tão pequeno,
menos Portugal, a teus pés sereno
e imenso, na imensa epopéia das ondas,
vencidas por suas velas e suas sondas.
 
Torre de Belém, como estás solitária,
meditando em tua história lendária !
 
Onde estão os teus cruzados da vela?
Onde, teus marinheiros, caravela?
Onde, os bravos por quem o Tejo chora?
Onde estão eles? Onde estão, agora?
 
Torre de Belém, tu já não me escutas?
A que estás atenta? O que perscrutas?
– “Revejo meus portugueses de joelho”,
cantando o Credo, em pleno Mar Vermelho!
Já não atento a nada que me acerque:
Tenho saudades do Grande Albuquerque!”.
 
Ah!…Em vão, em vão o vento os procura
na noite de Portugal, triste e escura.
Em vão percorre as ameias desertas,
o convés vazio, as janelas abertas…
Em vão por teu mastro o vento perpassa,
desejando as brancas velas e a graça
de oscular nelas a cruz de sangue,
onde, por amor, Cristo morreu exangue.
Quer arrancar-te desse ancoradouro,
levar-te p’ra o heroísmo imorredouro,
levar-te sobre as ondas do oceano,
em cruzada contra  mouro e otomano.
 
Em teu convés de pedra o vento chora,
porque já não sais pelo mar afora,
as velas do heroísmo e da proeza
enfunadas ao vento da grandeza,
a combater contra o novo Baal,
branca caravela de Portugal !
 
Ah !… Em vão o vento
sopra o seu lamento,
no Tejo saudoso,
triste e silencioso,
já sem caravelas…
Onde estarão elas ?
 
E vai nos Jerônimos soluçar
com o Gama e Camões a rogar
a ressurreição gloriosa e imortal
da alma-caravela de Portugal!
 
“Não mais, musa…” Caravela, jamais?
Terás naufragado? Não tornarás mais?
 
Oh Torre de Belém, tu não vês que o vento,
buscando as velas, por um momento,
de ti se afasta, deixa o Mar de Palha,
e vai pelas serras até a Batalha ?
Quem sabe lá, quem sabe lá, talvez,
exista inda um coração português,
um coração digno do Condestável,
e capaz de, intrépido e indomável,
desafiar a terra, o mar e o mundo,
desprezando tudo o que é vil e imundo.
Torre de Portugal, em vão, em vão…
Já não há mais portugueses então?
 
Já não há mais cristãos atrevimentos?
E para que o mar? E para que o vento?
Para que brilham as estrelas belas,
se já não há mais brancas caravelas ?
 
Se os portugueses não vão mais vencê-las,
por que, no mar,  as ondas e as procelas ?
Se há verdades, não almas para crê-las,
como singrariam ousadas caravelas ?
Portugal, tuas glórias como esquecê-las?
Como olvidar, oh Torre, o que revelas?
 
E não haverá mais quem ame a glória?
Não há mais quem ouça o vento da História,
trazendo aos bons  filhos de Afonso Henrique
a voz das ondas e os brados de Ourique,
e bem alto proclamando: “Real ! Real !
Por Afonso, alto Rei de Portugal “?.
 
Não há mais senão almas sem grandeza,
almas vis, insensíveis à proeza ?
Não haverá senão homens incréus,
que olham só p’ra a lama e não para os céus ?
 
Terra de Portugal, geme e chora;
geme com o vento, com o Tejo chora.
Ajoelha-te aos pés da Virgem e implora.
Ela só pode te valer agora,
que a ralé infame renega em tuas praças,
tua Fé, tua glória e tuas graças.
Chora, oh terra de Santa Maria,
que dos teus sofres a tirania !
 
Chora por tua queda e apostasia,
porque em ti, Portugal, reina a baixeza.
São teus ídolos número e torpeza.
Amastes a chulice e a vulgaridade,
sofismas e mentiras da impiedade.
Chora a tua surdez pelo heroísmo,
e teu repúdio ao Catolicismo.
Chora, sim, Portugal, os teus muros
cheios de lemas imbecís e impuros:
Viva o MAF ! Viva a Demagogia!
Viva Marx ! Viva a Pornografia!
 
Torre de Belém, que desolação!
Que vergonhosa capitulação!
Portugal, que crepúsculo de lama,
que noite suja abafou tua chama !
 
Torre de Belém, oh alma imortal,
coração épico de Portugal,
inflama-te, pulsa, pulsa de novo,
e faz correr nas veias de teu povo
o sangue heróico que enrubesce a face,
pelo amor da proeza que renasce.
 
Oh Torre de Belém, torre imortal,
desperta, ressuscita Portugal !
Dá-lhe sede de horizontes distantes,
desprezo pelas coisas infamantes.
 
Caravela de Portugal, “Plus Ultra!”
Leva a rubra cruz das velas Plus Ultra!
Retorna a ser o que foste em Ourique,
de joelhos com Dom Afonso Henrique !
Repudia as trinta moedas do teu escudo,
que só na cruz de Cristo terás tudo !
 
Branca Torre, conta, conta o segredo
de tua grandeza heróica e sem medo!
Diz para Portugal o que te disseram
o vento e o mar, que teus bravos venceram.
Portugal, escuta o vento da História !
Escuta a Torre cantar tua glória !
 
Quando o vento sopra, vindo do mar,
fala das almas a cristianizar,
de povos rudes a civilizar .
E quando o vento vem da velha terra,
fala de bravura de alma e de guerra,
do Condestável, da Virgem Maria
que disse que tua Fé não morreria.
Fé que te deu  grandes alentos
p’ra sempre mais cristãos atrevimentos !
E se a Fé em ti não perecerá,
então, Portugal jamais morrerá !
 
Promessa de Fátima, garantia
do triunfo do Coração de Maria !
 
Garantia que a branca caravela
de novo singrará o mar, e mais bela,
velas brancas ao vento da proeza.
Promessa que é, de vitória e certeza
de que o triunfo de Maria profetiza,
e o século vinte anatematiza !
Promessa de Fátima que anuncia
aos pastores lá na Cova da Iria,
vibrante, qual trombeta triunfal:
Real ! Real ! Por Deus ! Por Portugal !
 
 
 
Portugal, terra de Santa Maria,
ouve a mensagem da Cova da Iria !
 
 
 
Oh Torre, oh caravela sacral,
roga, roga à Virgem por Portugal !
Oh Torre de Belém, se estás de pé,
vive a alma de Portugal pela Fé !
 
Torre de Belém, querer resoluto,
a Portugal heróico em ti revejo.
Oh caravela ancorada no Tejo,
que desejo do Bem absoluto !
De Deus infinito, ah!  que  desejo !
 
Torre de Belém,
branca flor, alma de glória imortal !
Torre de Belém,
branca caravela de Portugal !
 
Orlando Fedeli

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