Montfort Associação Cultural

23 de novembro de 2004

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Matrimônio e procriação

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vasco
  • Localizaçao: RJ – Brasil

Prezados Senhores

Gostaria de saber se a não submissão da mulher ao homem em um relacionamento pode justificar o divórcio e se o sexo é pecaminoso quando não é para a procriação.Gostaria de saber se a não submissão da mulher ao homem em um relacionamento pode justificar o divórcio”  

Prezado Vasco, salve Maria!

O matrimônio, ensina São Paulo, é símbolo da união de Cristo com a Igreja. Pois assim como Cristo, com a Igreja, tem os filhos de Deus, o homem com a mulher tem os filhos da carne. O esposo, no matrimônio, é símbolo de Cristo, enquanto a esposa é símbolo da Igreja. Cristo não pode separar-se da Igreja. Logo, o homem não pode divorciar-se de sua esposa. A união matrimonial é para sempre.

Na união entre Cristo e a Igreja, é a Igreja que está submetida a Cristo, e não Cristo que é submisso à Igreja. Por isso, São Paulo escreveu:

“As mulheres sejam sujeitas a seus maridos como ao Senhor, porque o marido é cabeça da mulher, assim como Cristo é cabeça da Igreja, seu corpo, da qual Ele é o salvador. Ora, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim o estejam também as mulheres a seus maridos, em tudo.” (Ef. V, 22-24).

Isso não significa, porém, que o marido deva ser um tirano da sua esposa.

Porque Cristo não espezinha, nem tiraniza a Igreja, sua esposa. Pelo contrário. Por isso, os maridos devem ver em suas esposas a imagem da Igreja santíssima.

Daí, São Paulo escrever para os maridos:

“Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e por ela se entregou a si mesmo, para a santificar. (…) Assim também os maridos devem amar as suas mulheres, como a seus próprios corpos” (Ef. V, 2528).

Os maridos devem tratar as suas esposas como seus próprios corpos, com amor e respeito. Cristo deu a vida pela Igreja. O marido deve dar a vida por sua esposa. Não deve maltratá-la, porque ninguém maltrata seu próprio corpo.

Se ela deve ser submissa ao marido, este não deve e não pode tiranizá-la, mandando coisas absurdas. Mas os dois devem se aconselhar mutuamente para se santificarem um ao outro.

Como os bois que puxavam o arado sob a mesma canga, o mesmo jugo, marido e mulher puxam o carro da família sob o mesmo jugo. Por isso, eles são conjugados, são cônjuges, sob o mesmo jugo.

O divórcio é condenado absolutamente por Cristo, pois Ele nos disse: “Não separe o homem a quem Deus uniu” (Mt XIX, 6).

A Igreja só permite a separação de um casal, quando o convívio se torna impossível, havendo risco de crime ou de dano bem grave para a educação dos filhos.

Mas os que se separaram nunca mais poderão casar-se, enquanto o outro cônjuge estiver vivo. Os casados que se separam devem viver em castidade completa.

Para um aconselhamento mais próximo e mais profundo, você deveria procurar um sacerdote prudente, que conhece mais a moral, e tem a graça de estado para bem aconselhar. Não cabe a mim, simples professor, fazer isso. Daí, limitar-me eu a dar-lhe a doutrina sobre o caso, e não entrar mais a fundo, em seu problema.

Portanto, reze por sua esposa, e peça a Deus a graça de um convívio santo, para bem dos dois, e de seus filhos.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

Caro Orlando, obrigado pela orientação de de procurar um sacerdote para um melhor aconselhamento, mas me parece que você esqueceu de me responder a minha outra pergunta: se o sexo é pecaminoso quando não orientado para a procriação.

Prezado Vasco, salve Maria.

Também sobre isto, não sou a pessoa mais adequada a responder e, sim um sacerdote. Em todo caso, sem assumir responsabilidade moral sobre o assunto concreto, pois só um padre poderia dar-lhe orientação — não eu — mas tratando a questão apenas teoricamente digo-lhe que, no matrimônio, deve-se sempre ter a intenção de procriar, e é pecado fazer qualquer coisa que impeça a procriação. Os métodos naturais de controle da natalidade só podem ser empregados em casos muito graves e bem claros.

Torno a dizer-lhe: procure um sacerdote prudente para que o oriente, nesse tema tão delicado, que não convém tratar em público.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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