Montfort Associação Cultural

25 de novembro de 2004

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Maria de Ágreda

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Maria Ribeiro
  • Localizaçao: – Espanha

Estimado Dr. Orlando, através dum amigo, só agora vi um artigo de fins do ano 2001.

http://www.montfort.org.br/perguntas/mistica_cidade_de_deus.html Desculpe, mas o senhor não está bem informado e fez umas observações erroneas que convinham ser rectificadas também publicamente.

Convido-lhe a ler pelo menos, os estudos realizados pelos especialistas sobre a autora, declarada Veneravel pela Igreja já em 1673; sobre a Obra e todas as vicissitudes pelas que teve de passar, e estão publicados em español. Sobretudo este ultimo: “A M.Agreda e a Mariologia do Vaticano II”
que saiu em 2003 respondendo a tudo isso e mais. Esta escrito por un mariólogo que ha anos fez tambem a tese sobre a Veneravel e a Mistica Cidade de Deus. Actualemnte Presidente da Pontificia Academia Mariologica em España. Se quer, com muito gosto lhe posso enviar um livro Dr. Orlando.

A MCD é fruto duma vida de oraçao contemplativa, não de umas “visões” como podem ser por exemplo as de Lurdes, Fatima e outras nesse estilo.

A autora não tinha uma formação ao estilo escolástico… “No entanto a sua Obra é uma verdadeira mariologia, porque tem um conteudo puramente teologico e espiritual, que prevalece sobre os dados da historia enquanto tal.” ” É un compendio de mariologia. Uma Obra perfeitamente estruturada, não em forma sistematica, ao estilo dos tratados de teologia escolastica, mas sim com uma estrutura historica, a da “Historia da Salvaçao”…

As persegições que sofreu a Mistica Cidade de Deus não se deveu a “erros de doutrina” mas enfrentamentos de un grupo de professores da faculdade de teologia da Soborna “Careciam de conhecimentos misticos… e estavam demasiado influenciados pelas ideias jansenitas, sobre o culto e devoção a Maria”. Perseguiçoes do estilo tambem sofreram os escritos de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz, salvando o tempo, e hoje são doutores da Igreja.

E a titulo de curiosidade: sabia que…? justamente no I Congreso Monfortiniano – Barcelona 18-21 Setembro 1918 “provou-se que a Mística Cidade de Deus serviu de fonte a São Luís G. de Montfort”; e que, na ascética mariana – como acertadamente disse o jesuíta P.Nazário Pérez -, esta Obra é para o Tratado da Verdadeira Devoção, o que no estudo duma língua é o Livro de textos seleccionados, para a Gramática.

De facto, Luís de Montfort conheceu a MCD. Nomeia-a no seu Tratado da Verdadeira Devoção, dela extrai algumas passagens, e abundam as doutrinas coincidentes em ambos autores.

E na XIª conclusão do dito Congresso, “recomenda-se os escritos da Ven.

Maria de Jesus de Agreda, como muito a propósito para formar as almas no espírito da Santa Escravatura Mariana” (cf. O.c. p. 128).

A pagina oficial: http://www.mariadeagreda.com/

Ir. Maria oic

Muito prezado Ir Maria, salve Maria,

O que conheço sobre Maria de Ágreda é o que foi publicado no livro “Mística Ciudad de Diós, de Maria de Jesus Ágreda (Imprenta Fareso, Madrid, 1970) E o que se lê, nesse livro, é uma série de absurdos.

Um livro que contenha uma só heresia é herético, como um homem que tenha um só câncer é um canceroso. E no livro citado não há um só erro. Há inúmeros.

Tanto esse meu juízo é verdadeiro que, na Introducción da citada obra, se lê o histórico dos processos que houve contra a autora e seus escritos bem desfavorável a ela. E é incrível que se tenha ousado publicar um livro, na Espanha, com essa Introdução acusatória e ainda assim se lê e se elogia tal obra.

Na páguna XXXVI dessa Introducción, se informa que a Inquisição espanhola embargou essa obra ainda no século XVII. Na página seguinte se lê que a mesma Inquisição, depois de levantar a proibição de publicação dessa obra, redigiu um elenco de reparos e objeções contra ela.

Na mesma página XXXVII, se lê que o Santo Ofício, em 1679, “se pronunció contra La Mistica Ciudad de Diós terminando por ser incluída en el Index de los Libros Proibidos en el 24 de junio de 1681 por Decreto de Inocênco XI (O papa que combateu o Jansenismo e o Quietismo).

Em 1689, uma Comissão da Sorbonne condenou 60 proposições da Mistica Ciudad de Diós.

Por pressão política do Rei da Espanha o livro foi tirado depois do Index pelo Papa Clemente XII.

En 1713, o livro de Maria de Ágreda foi de novo condenado (p. XXXIX). De novo o rei da Espanha pressionou para que o livro fosse permitido.

O Papa Clemente XII suspendeu a causa de beatificação da autora, para obedecer ao decreto de Inocêncio XI a respeito da Mistica Ciudad de Diós. A autenticidade da obra como sendo realmente de Maria de Ágreda ficou decretada por Roma em 1757. Bento XIV fez parar o processo de beatificação da autora e o exame de seus escritos, enterrando o caso, para evitar as pressões do rei espanhol. No tempo de Pio IX, Leão XIII e Pio XI a Espanha pressionou de novo em favor da autora e de seu livro, mas Roma não atendeu ao que se lhe pedia ( P. XL) Agora a senhora me informa que há livros relacionando a doutrina de Maria de Ágreda com o Vaticano II. Acredito em sua informação. Mas ela então me confirma que há grandes erros em Maria de Ágreda.

E o caso de Anna Catharina Emmerick é semelhante. Hoje se fala bem dessa pseudo visionária cabalista e esotérica, assim como do redator de suas falsas visões, Clemens Brentano, um dos homens de vida mais escandalosa de seu tempo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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