Montfort Associação Cultural

22 de julho de 2011

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Manifesto de padres na Áustria: pela desobediência, contra a Missa

Por Marcos Roberto Bonelli

O site de informações Catholic News Service noticiou, no dia 12 de julho, a realização de uma manifestação de mais de 300 padres austríacos exigindo reformas nas práticas da Igreja. Longe de pedirem uma maior clareza no ensinamento das verdades da fé católica, uma maior firmeza na prática dos mandamentos e um clero imitador de Jesus Cristo, feito obediente até a morte, eles conclamam à desobediência.

Os mais de 300 padres austríacos pedem com esta iniciativa, lançada em junho e nomeada “Chamado à Desobediência”, entre outras coisas, que a comunhão seja dada a qualquer um que se aproxime do altar em boa fé, incluindo católicos divorciados que se casaram novamente sem que tenha sido declarada a nulidade do matrimônio anterior, que as normas canônicas que restringem ao clero a pregação da homilia sejam ignoradas e que mulheres possam pregar durante a Missa. Pedem ainda que os padres evitem rezar mais de uma missa nos domingos e dias de festa, realizando, ao invés disto, uma auto-denominada “Liturgia da Palavra”, e de chamar esta Liturgia da Palavra com a distribuição da Santa Comunhão de “uma celebração Eucarística sem padre”, cumprindo assim a obrigação do domingo em épocas de poucos padres.

Uma manifestação pública destas proposições por parte do clero austríaco demonstra bem o quanto muitos princípios incompatíveis com a doutrina católica penetraram no coração daqueles que deveriam proteger os fiéis dos erros modernos e ensinar a verdade.

Não há dúvida de que tal estado de espírito e tal rebeldia sejam frutos, entre outras causas, da reforma litúrgica de Paulo VI.

Monsenhor Klaus Gamber, em um de seus livros mais conhecidos, prefaciado pelo então Cardeal Ratzinger, afirma que a Missa Nova de Paulo VI fora um compromisso pouco feliz com as idéias progressistas, mas não tanto quanto a ala progressista gostaria. Consequentemente, a Missa Nova terminou por não agradar nem aos progressistas, nem aos conservadores, e mostra como se traduziu e se traduz ainda, na prática, o comportamento de ambos os lados:

“Entretanto, apenas cinco anos haviam-se passado desde o Concílio e novamente estruturou-se e submeteu-se à aprovação do papa Paulo VI um novo ordo missae. (…) Desde então a resistência contra o novo rito não cessa de crescer na Igreja. Mesmo cardeais conhecidos, como dissemos, se pronunciaram contra ele. O que é interessante notar é que não são somente os conservadores que não estão contentes com o novo ordo, mas também os progressistas. Quanto a estes, sobretudo porque não se levou em conta certos de seus desejos e porque o conjunto constituía de modo evidente um compromisso não muito feliz.

 Eis porque os progressistas não se fixam ao novo rito e certamente não o farão quanto ao futuro, apesar das advertências de Roma. Eles continuarão fazendo experiências. A confusão litúrgica só aumentará. Os conservadores não compreendem o sentido de todas estas inovações que destroem uma velha tradição sem trocá-la por alguma coisa de realmente nova e, menos ainda, de melhor. Mas a maior parte deles, por escrúpulo de consciência, observam de um jeito ou de outros as “novas rubricas” Com efeito, foi um bom número de velhos padres que contribuiu para que o novo ordo tenha sido instaurado tão rapidamente e sem maiores dificuldades. Eles não queriam passar por ultrapassados e retrógrados aos olhos dos padres jovens” (Mons. Klaus Gamber, La réforme liturgique em question, Éditions Sainte-Madeleine, 1992, pp. 55-56, negritos nossos).

De fato, ano após ano, a reforma litúrgica tem se mostrado bem decepcionante nos seus frutos. Recebida com muito idealismo e com grande esperança por um número imenso de padres e leigos, ela acabou causando uma desolação litúrgica de proporções espantosas.

Ela não trouxe aquela tão esperada renovação da Igreja. Ao contrário, vimos uma destruição de toda a riqueza litúrgica que a Igreja proporcionou largamente aos seus filhos durante milênios. A piedade que nos fora transmitida e a fé que sempre nos fora claramente ensinada sofreram prejuízos imensos.

O novo missal de Paulo VI mostrou-se incapaz de nutrir os fiéis com uma verdadeira piedade e vê-se que ele não exprime a fé com clareza. Com a Nova Missa desejou-se mostrar uma abertura à nova teologia equívoca e ao mundo moderno. O resultado foi uma confusão de proporções imensas. O “Chamado à Desobediência” dos mais de 300 padres austríacos só vem confirmar isto.

É necessário que a missa tridentina seja a norma da fé, “um polo fixo para uma época desnorteada e em perpétua mudança” (Mons.Gamber, ibidem, p. 96).

O papa Bento XVI, com a publicação do Motu proprio Summorum Pontificum concedeu a todos os padres a possibilidade de rezarem a missa tridentina sem que precisem, para isso, da autorização do bispo. Os pastores podem, agora, agir com maior liberdade na tarefa que lhes foi confiada: salvar as almas.

“Porque a todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e ao que muito confiaram, mais conta lhe tomarão” (S. Lucas 12, 48).

Precisamos de pastores que lutem contra os lobos e dêem de comer às ovelhas, não uma doutrina equívoca por meio de orações de um missal fabricado, mas uma doutrina clara e uma missa que produziu santos durante milênios. Precisamos de “bispos que terão a coragem de fazer desaparecer este tumor canceroso que é a teologia modernista implantada no tecido da celebração dos santos mistérios, antes que ele prolifere mais ainda” (Ibidem, p. 95).

Rezemos pelos pastores da Igreja, e corramos ao auxílio deles, se necessário, para que saibam usar bem, e largamente, dos dons que receberam para levar as almas até Deus.

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