Montfort Associação Cultural

1 de agosto de 2006

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Maçons e Comunistas se rejubilaram com o Concílio Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jose Auberi Cordeiro da Silva
  • Localizaçao: Serra Talhada – PE – Brasil
  • Escolaridade: 1.o grau em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica
Breves Esclarecimentos sobre o Concílio Vaticano II: este não é um demônio
Por Taiguara Fernandes de Sousa                  

Ultimamente tenho me deparado com severas acusações ao Concílio Vaticano II, inspiradas por um autêntico espírito lefrebvista. As acusações são geralmente as mesmas, e é oportuno citar um pequeno sumário sintético das referidas acusações:

– O Concílio Vaticano II constitui-se uma anti-Igreja, pois renega princípios fundamentais de outros concílios;

– O Concílio Vaticano II é uma conspiração engendrada pelas Lojas Maçônicas e eclesiásticos ligados à Maçonaria, visando a implosão da Igreja contra si mesma;

– O Concílio Vaticano II é de inspiração satânica, e por isso levou a Igreja a uma crise religiosa.

Os que professam tais concepções garantem ser necessário ao autêntico cristão católico rejeitar e abjurar ao Concílio Vaticano II, em prol da manutenção imaculada do nome “católico”. Para estes, o Vaticano II constitui-se uma ameaça à Santa Igreja, uma tentativa do Demônio de jogar o Catolicismo contra si mesmo, utilizando-se de dúvidas, equívocos e mal-entendidos. Afirmam ainda que nos é possível rejeitar o Vaticano II sem ofender a autoridade papal.

Algumas observações precisam ser feitas a respeito do Vaticano II, para que o espírito de cisma e heresia iniciado por Marcel Lefrebve não torne a gerar dúvidas nos membros da Santíssima Igreja Católica de Cristo.

Proporemos 5 (cinco) observações.

Características de um Concílio e Garantias Bíblicas e Doutrinárias da Autoridade Conciliar.

Um Concílio constitui-se de uma assembléia onde reúne-se o Sagrado Magistério da Igreja, isto é, o Sumo Pontífice e o Colégio Episcopal, para o debate de assuntos referentes à Fé da Igreja: dogmas, definições doutrinárias, disciplina do Clero e dos fiéis, leis morais, condenação de heresias, liturgia, entre outras temáticas.

A autoridade de um Concílio está estrita e intrinsecamente ligada à autoridade do Sucessor de Pedro. O Papa detém a infalibilidade em questões de Fé e Moral, infalibilidade esta concedida pela próprio Cristo, ao falar a Pedro e seus sucessores: “Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mateus 16,19); “[...] e tu [Pedro], por tua vez, confirma os  teus irmãos” (Lucas 22, 32). Ora o Dogma da Infalibilidade Papal está perfeitamente expresso nestas palavras de Cristo. Não obstante, a reflexão teológica em torno desta verdade evoluiu ao longo dos séculos, até ser definida de forma definitiva no Concílio Vaticano I. A seguinte frase é de Santo Agostinho, Doutor da Igreja: “Roma locuta, causa finita” – “Roma falou, encerrada a questão”. Já São Basílio, Santo Atanásio e outros Santos Doutores diziam: “Ubi Petrus, ibi ecclesia; ubi ecclesia, ibi Christus” – “Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja, está Cristo”. Percebe-se que os Santos Padres e Doutores da Igreja admitiam a incontestável autoridade do Sumo Pontífice, sucessor de Pedro e Líder da Igreja, em termos de Fé e Moral. Não obstante, o Colégio Episcopal, em comunhão com o sucessor de Pedro (que detém a infalibilidade), carrega concretamente a autoridade de sucessores dos Apóstolos, como nos dá vista Santo Inácio de Antioquia: “Segui ao Bispo, vós todos, como Jesus Cristo ao Pai. [...] Ninguém ouse fazer sem o bispo coisa alguma concernente à Igreja. Como válida só se tenha a Eucaristia celebrada sob a presidência do Bispo ou de um delegado seu. A comunidade se reúne onde estiver o bispo e onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica. Sem a união do Bispo não é lícito batizar nem celebrar a Eucaristia; só o que tiver a sua aprovação será do agrado de Deus e assim será firme e seguro o que fizerdes” (Carta aos Esmirnenses). Levando em conta tais palavras a respeito da autoridade do Colégio Episcopal, sucessores dos Apóstolos, e do Sumo Pontífice, sucessor de Pedro, é oportuno mencionar o Catecismo da Igreja Católica, que assevera: “O Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, ‘é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis’ (LG 23). ‘Com efeito, o Pontífice Romano, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e de pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode exercer sempre livremente este seu poder’ (LG 22; cf.CD 2;9). ‘O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade se nele não se considerar incluído, como chefe, o Romano Pontífice’. Como tal, este colégio é ‘também ele detentor do poder supremo e pleno sobre a Igreja inteira. Todavia, este poder não pode ser exercido senão com o consentimento do Romano Pontífice’ (LG 22; cf. CIC, cân.336.) (§ 882-883). Percebe-se que é suprema e total, bem como infalível, a autoridade do Sumo Pontífice e do Colégio Episcopal, quando este encontra-se em comunhão com o Sucessor de Pedro. Portanto, a maior evidência da autoridade de um Concílio repousa na autoridade do Sucessor de Pedro, de quem o Concílio depende: sem Pedro não há Concílio. Segundo nos diz o Catecismo da Igreja Católica: “Não pode haver Concílio Ecumênico que, como tal, não seja aprovado ou ao menos reconhecido pelo sucessor de Pedro” (CIC, §884; LG 22). Vê-se que é completa a autoridade de um Concílio somente quando este encontra-se em comunhão com o Papa e é reconhecido por ele, em vista da infalibilidade de que goza o Sumo Pontífice em sua autoridade.

            Ora, o Concílio Vaticano II detém em si toda a autoridade própria de um Concílio, pois nele estavam reunidos o Sagrado Magistério da Igreja: os Bispos, sucessores dos Apóstolos, em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro (João XXIII no início, Paulo VI no encerramento). Tendo isto em vista, torna-se completamente herética a tentativa de rejeitar-se o Concílio Vaticano II como ilegítimo e falível, pois tal ato seria questionar a autoridade do Magistério da Igreja e a infalibilidade de que gozam o Sumo Pontífice e o Colégio Episcopal em comunhão com o Sucessor de Pedro. Isto é, seria questionar o próprio Espírito Santo, que guia o Sagrado Magistério.

            Tal verdade, por si só, serve-nos para concluir sobre a ilegitimidade de qualquer afirmação que propugne uma suposta inspiração demoníaca no Sacro-Santo Concílio, bem como nos leva a concluir sobre o caráter herético e cismático de qualquer atitude que tenha em vista a rejeição do Concílio Vaticano II.

Circunstâncias do Surgimento do Vaticano II e seus dons para a Igreja

Como vimos, é supérfluo tentar ignorar o Vaticano II ou desprezá-lo como sendo de inspiração demoníaca: tal ato constitui-se uma blasfêmia contra o Espírito Santo, pois se estará atribuindo a Satanás uma obra autenticamente divina, visto carregar em si a autoridade do sucessor de Pedro e dos sucessores dos Apóstolos, aos quais foi prometida a guia e o auxílio do Santo Espírito.

Convém-nos analisar agora as circunstâncias em que surgiu o Vaticano II e que mudanças trouxe para a Igreja Católica Romana. Porém, não se é possível analisar como surgiu o Vaticano II sem antes examinar que motivos levaram a eleição do Papa que deu início a este Concílio: João XXIII.

            Escolher alguém capaz de substituir o Santo Padre Pio XII era uma tarefa dificílima para o Colégio Cardinalício. A razão: Pio XII fora um grande Papa. Conseguira imprimir sua marca na Igreja de uma forma que poucos outros o fizeram (talvez João Paulo II também esteja entre estes poucos). Palavras da época nos mostram bem isto: “Ele foi bom, simples, cuidadoso e austero. E entre todas, uma palavra dele ressoou mais forte e mais freqüente: a palavra da paz, sua divisa. Seu gênio de homem de leis e de diplomacia demonstrou seu amor à paz; lançou um brado, como um grito paterno, antes da guerra, mas não foi ouvido…” (Cardeal Giovanni Montini, Arcebispo de Milão e futuro Paulo VI; citado em Pio XII, il Grande,  - “Pio XII, o Grande” -, Ed. Paulinas, 1959). “Parece-me que a verdadeira grandeza de Pio XII esteja nisto: nele, o místico não se separava do pensador, nem a fé intrépida do ardente amor à ciência” (Alex Curvers, Pio XII, il Papa Oltraggiato, – “Pio XII, o Papa Utrajado” ­-, Ed. Il Borghese, 1956).

            A situação agrava-se quando se observa tendências opostas entre o Sacro Colégio de Cardeais envolvidos no conclave: havia aqueles que defendiam o predomínio da Cúria Romana e o envolvimento na política internacional, representados principalmente pelos Cardeais Canali, Pizzardo, Micara, Ottaviani e Mimmi; e aqueles que defendiam uma abertura social, maior empenho pastoral e menor politização do Vaticano, representados pelos cardeais Lercaro, Roncalli, Léger e Roey. A Mídia costuma erroneamente apelidar estas tendências diversas como “tradicionalistas” ou “conservadores” e “progressistas” ou “reformadores”, mas tal definição é completamente equivocada, não merecendo crédito ou uso: existem apenas opiniões diversas. Entretanto, há de se convir que há aqueles que abusam de certas tendências, e um exemplo vimos há poucos meses, com o Cardeal Carlo Maria Martini, que defendeu o uso de preservativos entre os casais católicos, o que contraria os preceitos morais da Igreja.

            É neste rumo que, no conclave de 1958, surgiram nomes que poderiam satisfazer ao momento que vivia a Igreja da época: Ruffini, que foi tido como muito siciliano depois de permanecer doze anos em Palermo, nas Sicílias; Siri, que foi julgado como possuindo caráter pouco amável e muito novo, com apenas 52 anos; Lercaro, sobre o qual existia certo desacordo; e, por fim, Ângelo Roncalli, cujos julgamentos eram proveitosos. Sabiamente, o Espírito Santo discerniu entre todos estes e escolheu o mais indicado para a missão de salvar a Igreja da crise religiosa pela qual passava no momento: Ângelo Roncalli, que escolheu chamar-se João XXIII.

            O Concílio Vaticano II surge, pois, como uma tentativa de pôr um termo ou pelo menos amenizar a crise religiosa pela qual passava a Igreja, crise esta cujas sementes ainda vinham dos tempos da Revolução Francesa e que caracterizava-se pela presença total de uma heresia: o Modernismo.

            Ainda que muitos queiram detectar no Concílio Vaticano II a infiltração do Modernismo na Igreja, este Concílio foi, antes de tudo, uma resposta ao Modernismo que atacava o mundo. João XXIII percebeu a necessidade de um “aggiornamento”, ou seja, uma atualização, em certos aspectos da Igreja, em vista de impor obstáculos ao avanço do Modernismo: adaptar a Igreja aos tempos modernos tornaria desnecessário recorrer às tendências modernistas. Convém-nos admitir que este aggiornamento já começara muito antes, com Leão XIII, considerado humanista esclarecido. Leão XIII esforçou-se bastante na tentativa de levar a Igreja ao nível dos progressos do mundo e dar-lhe uma maior abertura social, estando nesta atitude o gérmen do aggiornamento mais tarde promovido por João XXIII em diversos aspectos da Igreja.

            No Concílio Vaticano II debateu-se primeiramente a Reforma Litúrgica, onde foram necessárias 15 sessões. A finalidade deste primeiro debate era mudar as formas externas de culto, de forma a adaptá-las aos novos tempos e fazer com que o fiel entendesse precisamente aquilo que celebrava, permitindo o uso da língua materna nas celebrações. Salienta o volume da Série Pró e Contra sobre João XXIII: “Após um período brilhante, com uma liturgia rica e acessível ao povo durante a Idade Média, o culto católico estagnara-se gradativamente. A finalidade da reforma era recuperar o povo cristão para uma participação mais ativa na oração oficial, a fim de que os fiéis não se sentissem como meros espectadores do ato litúrgico – dimensão vital da Igreja -, mas se tornassem pessoas ativas e conscientemente presentes, segundo o direito e o dever adquirido pelo batismo” (Pró e Contra – João XXIII – O Julgamento da História, São Paulo: Melhoramentos, 1972). Foram debatidas ainda questões como a Revelação Divina, os Poderes dos Bispos e a Reforma da Cúria Romana, a Família, o Clero, a Unidade dos Cristãos, os Judeus e a Liberdade Religiosa.

            As Constituições Dogmáticas que nos legou o Vaticano II foram: Christus Dominus (o múnus pastoral dos bispos na Igreja); Perfectae Caritatis (a atualização dos religiosos); Optatam Totius (a formação sacerdotal); Gravissimum Educationis (a educação cristã); Nostra Aetate (a relação da Igreja com as religiões não cristãs); Dei Verbum (a revelação divina); Apostolicam Actuositatem (o apostolado dos leigos); Ad Gentes (a atividade missionária da Igreja); Presbyterorum Ordinis (vida e ministério dos presbíteros); Dignitatis Humanae (sobre a liberdade religiosa); Gaudium et Spes (a Igreja no mundo).

            Em tudo isto vê-se que o Concílio Vaticano II, embora por muitos incompreendido, constitui-se um Concílio de caráter indubitavelmente inspirado, devido a sua autoridade como Concílio Ecumênico da Santa Igreja e infalibilidade. Ademais, percebe-se que o Vaticano II foi uma resposta necessária às tendências modernistas: era preciso adaptar-se aos novos tempos, em vista de barrar o avanço do Modernismo.

Nosso exemplo: São Josemaría Escrivá

Aqueles que professam uma visão contrária ao Concílio Vaticano II legitimam seu ponto de vista a partir de duas afirmações envolvendo os santos:

– A vida de Santa Teresa D’Ávila;

– Os santos endossam os Concílios;

Segundo o primeiro argumento, o exemplo de Teresa D’Ávila justificaria a contrariedade ao Vaticano II. Teresa D’Ávila esteve ligada a um convento de comportamentos incomuns: um convento libertino, onde tudo era interpretado de forma liberal e não havia restrições para visitas. Teresa somente encontrou a santidade ao dar as costas para este convento e despojar-se de si mesma por amor ao Cristo.

Nesta perspectiva, dizem os anti-Vaticano II: da mesma forma como Teresa somente converteu-se e encontrou a santidade após rejeitar o convento modernista, não será também nosso dever na busca pela santidade rejeitar este Concílio libertino e modernista?

Além de que constitui-se ato herético e cismático rejeitar um Concílio, o paralelo entre o Vaticano II e o convento libertino e permissivo ao qual Teresa deu as costas é gratuito e sem fundamento: será a mesma coisa um convento modernista e um Concílio da Igreja Católica que carrega em si a autoridade do Papa e do Colégio Episcopal?

Quanto ao segundo argumento, afirma-se que os santos endossam os Concílios: Deus dá aos santos dons e uma vida exemplar que justificam a boa doutrina de um Concílio; neste sentido, os Padres da Igreja endossariam Concílios como o de Nicéia I e Santo Inácio de Loyola endossaria o Concílio de Trento. A afirmação não está em nada equivocada. É perfeitamente correta.

O erro está no seguinte argumento dos anti-Vaticano II: dizem que a ausência de santos que sigam o modelo de santidade proposto pelo Vaticano II é prova suficiente de sua falibilidade. Entretanto, esta ausência de santos é alegação fajuta e sem sentido. Existem santos cuja vida exemplar endossa o Concílio Vaticano II e um bom exemplo é o de um santo homem dos dias atuais, cuja obra atualmente vem sendo muito difamada com falsas proposições: São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), fundador do Opus Dei.

Tido por muitos como precursor do Vaticano II, a vida exemplar de São Josemaría é motivo de júbilo para a Igreja Católica: sua luta em prol da Verdade, seu amor a Cristo, a Igreja e ao Santo Padre, caracterizam-no como um reflexo do Cristo em terra. Mas onde está a legitimação do Vaticano II por Josemaría Escrivá?

Assim como o Concílio Vaticano II reformou muitas coisas e promoveu inovações, também Josemaría Escrivá foi responsável por atitudes corajosas, que sem dúvida influenciaram o referido Concílio. Como o Vaticano II, São Josemaría via a necessidade de atualização, de adaptar-se ao cotidiano. O Opus Dei é um exemplo da personalidade inovadora de seu fundador: é a primeira prelazia pessoal da Igreja, uma instituição leiga de caráter único.

Sobre Josemaría Escrivá, disse João Paulo II: “São Josemaria foi escolhido pelo Senhor para anunciar a chamada universal à santidade e mostrar que a vida de todos os dias e a atividade corriqueira são caminho de santificação. Pode-se dizer que foi o santo do cotidiano. De fato, estava convencido de que, para quem vive sob a ótica da fé, todas as coisas são ocasião de um encontro com Deus, todas se tornam um estímulo para a oração. Vista dessa forma, a vida cotidiana revela uma grandeza insuspeitada. A santidade apresenta-se verdadeiramente ao alcance de todos” (João Paulo II, Praça de São Pedro, 7 de outubro de 2002).

Pela sua personalidade única, por sua ousadia e fé na mudança que o Espírito Santo é capaz de promover, Josemaría Escrivá é sim um exemplo do modelo de santidade proposto pelo Concílio Vaticano II. Poderíamos ainda citar São Padre Pio como um igual exemplo. Não há, pois, ausência de santos, como desejam os anti-Vaticano II.

Por que más conseqüências após o Concílio Vaticano II?

Na Homilia de 29 de junho de 1972, o Papa Paulo VI proferiu em alto e bom som: “Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia ensolarado para a história da Igreja. Veio, pelo contrário, um dia cheio de nuvens, de tempestade, de escuridão, de indagação, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos afastamos sempre mais uns dos outros.”

Paulo VI estava certo. Após o Concílio, verificou-se, ao contrário do que se esperava, conseqüências não tão proveitosas à Santa Igreja Católica. Mas em que equivocou-se o Concílio Vaticano II? O que deu errado em sua estrutura para que as conseqüências não fossem tão satisfatórias?

Na verdade, o erro não está no Concílio, pois como portador da autoridade concedida a Pedro e seus sucessores e da guia do Espírito Santo, o Concílio Vaticano II é infalível e não pode equivocar-se. O erro está, isto sim, na aplicação do Concílio. O Vaticano II ainda não pôde ser plenamente aplicado, muito embora os incontáveis esforços dos Santos Padres Paulo VI, João Paulo II e, atualmente, Bento XVI, devido a um embate entre duas forças opostas que contribuem para barrar a plena e total aplicação do Concílio Vaticano II: as forças modernistas, que aproveitam-se e abusam das inovações trazidas pelo Concílio para impor suas próprias inovações, depravadas e contrárias ao próprio Concílio, mas sutilmente disfarçadas de modo a confundir e infiltrar a heresia Modernista na Igreja; e as forças que pretendem barrar o Concílio, pois cegamente vêm nele o Modernismo que ele não é, e por isso impedem sua aplicação e contribuem para gerar a instabilidade e a crise.

Uma destas forças, a modernista, que quer abusar do Vaticano II, foi denunciada por Maurice Druon no jornal Le Monde de 7 de agosto de 1971: “Os padres modificam os altares, vendem os paramentos, abandonam os santos. Os prelados mudam a linguagem, emudecem os órgãos, acolhem as guitarras e bendizem os demolidores. A arquitetura dos dogmas range. A casa de Deus abre-se a todas as tempestades. Que acontece com a Igreja Católica?”. A outra força, a que quer barrar o Concílio, está expressa na voz do cismático Marcel Lefrebve, excomungado a 30 de junho de 1988: “[...] temos boa razão de afirmar, por argumentos tanto de crítica interna quanto de crítica externa, que o espírito que dominou o Concílio e inspirou tantos textos ambíguos, equívocos, mesmo claramente errôneos, não foi o Espírito Santo”( LEFEBVRE, Marcel. J’accuse le Concile, Prefácio).

Estas duas forças combatem entre si pela primazia do Vaticano II, como se este fosse um objeto e não um Concílio da Santa Igreja: uma o quer para dele abusar; a outra, para destruí-lo. É desta discórdia que provêm as conseqüências não tão proveitosas e insatisfatórias, o “dia cheio de nuvens, de tempestade, de escuridão, de indagação, de incerteza” de que fala Paulo VI. O mesmo Maurice Druon que denunciou os modernistas que possuem a pretensa intenção de abusar do Concílio dá vista deste combate: “Nada ameaçava a Igreja, nem a atacava, pelo menos do exterior… E eis que ela de repente quebra-se, degrada-se, corrói-se e vai caindo, dir-se-ia, sobre si mesma” (Le Monde, 07/08/1971). É referindo-se a este combate que tenta dividir a Igreja Católica e jogar católicos contra católicos, afastando-os cada vez mais, que Paulo VI diz: “Pregamos o ecumenismo, e nos afastamos sempre mais uns dos outros.”

Creio ser de suma importância lutar pela plena aplicação do Concílio Vaticano II, como fizeram os Papas Paulo VI e João Paulo II, e assim lutar contra estas vozes demoníacas que querem calar o Concílio e torná-lo infrutífero. Porque se alguém sairá vencedor do insucesso provocado do Concílio Vaticano II será o Inimigo de Deus, Satanás. Somente ele provoca dissensões e é o pai da discórdia a que estamos presenciando. É preciso mais do que nunca e urgentemente expulsar de nosso meio os modernistas que cultivam em si o desejo maléfico de dispor do Vaticano II a seu favor, bem como aqueles que tramam a destruição e impõem obstáculos ao mesmo Vaticano II. Antes de tudo, é preciso deixar o Espírito Santo semear as sementes que Ele próprio criou no Concílio Vaticano II, e não colocar-lhe empecilhos. A Igreja precisa adaptar-se aos tempos, mas esta adaptação só ocorrerá à luz do Espírito Santo. Infelizmente, existem duas nuvens escuras que querem impedir esta luz de chegar até nós.

Esta constatação já foi feita pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI, antes de tornar-se Sumo Pontífice da Igreja Católica Romana: “A herança do Vaticano II ainda não despertou. Mas espera a sua hora. E estou certo de que ela virá.” (RATZINGER, Joseph. Dogma e Anunciação, p. 332). “Uma análise da pós-história da Constituição sobre a Igreja no mundo atual levou-me, no ano de 1975, ao diagnóstico de que ainda não começara a era da correta aceitação do Concílio.” (RATZINGER, Joseph. Teoría de los Principios Teológicos, p. 449).

O que impede a chegada desta “era da correta aceitação do Concílio”, da qual fala o Cardeal Ratzinger, é o embate entre as forças das quais já falamos. É nosso dever, portanto, fazer com que o Santo Padre consiga realizar o seu trabalho de aplicação do Concílio Vaticano II sem empecilhos e com a luz do Espírito Santo, orando a Deus e lutando contra os modernistas e os desejadores de barrar o Concílio. Somente assim virá a “era da correta aceitação do Concílio”, “a herança do Vaticano II”, sobre a qual Joseph Ratzinger, hoje Sua Santidade Bento XVI, está “certo de que virá”.

Outras Observações Conclusivas

Concluo esta breve explanação com algumas observações que se fazem necessárias e oportunas ao momento.

– Tenho verificado a tendência de alguns católicos de rejeitarem os demais Concílios da Igreja em prol da aceitação única e somente do Concílio Vaticano II, ou o contrário: rejeitar o Vaticano II para acolher única e somente os outros Concílios. Tal atitude é herética pois não nos é permitido rejeitar nenhum Concílio da Santa Igreja, visto estar este apoiado na autoridade do sucessor de Pedro e na guia do Espírito Santo. Desse modo, não se pode excluir nenhum Concílio em prol de outro: todos possuem a mesma autoridade e infalibilidade. Como diria Joseph Ratzinger: “[...] deve-se esclarecer, antes de tudo, que o Vaticano II é apoiado pela mesma autoridade do Vaticano I e do Concílio de Trento, isto é, o Papa e o colégio dos bispos em comunhão com ele. [...] Em primeiro lugar, é impossível para um católico tomar posição a favor do Vaticano II contra Trento ou o Vaticano I.[...] Segundo: do mesmo modo, é impossível decidir-se a favor de Trento e do Vaticano I contra o Vaticano II. Quem nega o Vaticano II, nega a autoridade que sustenta os outros dois Concílios e, dessa forma, os separa de seu fundamento”  (RATZINGER, Joseph. Intervenção por ocasião do décimo aniversário do encerramento do Concílio, in MESSORI, Vittorio. A Fé em crise?, pg. 16)

– Embora muito queiram os anti-Vaticano II, representados principalmente pelos lefrebvistas, o Concílio Vaticano II não foi engendrado pela Maçonaria. A história lendária foi mencionada por D. Marcel Lefrebve na sua busca desesperada de desacreditar o Concílio. Diria Lefrebve a Paulo VI: “Que Vossa Santidade abandone esse nefasto empreendimento de transigência com as idéias do homem moderno, empreendimento que tem sua origem de um entendimento secreto entre altos dignitários da Igreja e os das lojas maçônicas, desde antes do concílio. Perseverar nessa orientação é continuar a destruição da Igreja. Vossa Santidade compreenderá facilmente que não podemos colaborar com tão funesto desígnio” (LEFEBVRE, Marcel. Carta a Paulo VI de 17 de julho de 1976). Paulo VI nunca deu atenção a história e continuou corajosamente sua luta em defesa do Concílio Vaticano II. Todos sabemos do critério e integridade que possuía o Papa Paulo VI em seus julgamentos, e se ignorou este mito, certamente este não possui fundamento. Por outro lado, como vimos, o gérmen do aggiornamento da Igreja está na abertura social promovida pelo Papa Leão XIII. Seria esta abertura social, gérmen do aggiornamento, também uma trama das Lojas Maçônicas? Com certeza que não, pois Leão XIII foi o Papa que mais lutou contra a Maçonaria, nos bastando observar as Encíclicas Dall’Alto dell’Apostolico Seggio e Humanum Genus. Logo, não há cabimento nesta história do aggiornamento da Igreja ter sido uma conspiração maçônica.

            – Por último, convém ouvir as palavras de João Paulo II ao então Cardeal Ratzinger: “Nutrimos a profunda convicção de que o Espírito da Verdade que fala à Igreja, falou de modo particularmente solene e com uma particular autoridade por meio do Concílio Vaticano II, preparando a Igreja para entrar no terceiro milênio depois de Cristo.” (João Paulo II, Carta ao Cardeal Ratzinger de 8 de abril de 1988). O Concílio Vaticano II foi realmente inspirado e conduzido pelo Espírito Santo. Sobre isto não há dúvidas. No dia em que as forças que se confrontam visando a destruição do Concílio forem vencidas pelo Exército de Cristo, a Igreja, sob o estandarte da cruz, somente então o Concílio Vaticano II, um dos maiores acontecimentos do século passado, mostrará sua luz, luz que provém do Espírito Santo. Pois “quem tiver ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2,7), visto que a “a casa de Deus… é a Igreja do Deus Vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (I Tim 3,15).

 

Campina Grande, 02 de julho de 2006, Festa dos Apóstolos Pedro e Paulo

Taiguara Fernandes de Sousa

In Jesu et Mariae

www.portalanjo.com

Muito prezado José,
Salve Maria.
 
    Este texto que você nos manda está completamente errado no modo de ver o Concílio Vaticano II. 
    Há concílios infalíveis, e outros que não o são.
    Veja o absurdo deste texto: “todos [os Concílios] possuem a mesma autoridade e infalibilidade”.
    Basta estudar um pouquinho de História da Igreja para saber que esta frase é uma mentira
 
    Veja o que Cardeal Ratzinger disse sobre a autoridade do Vaticano II:
 

“Certamente há uma mentalidade estreita que isola o Vaticano II e que provocou essa oposição [de Dom Lefebvre]. Há muitos relatos do concílio que passam a impressão de que, desde o Vaticano II em diante, tudo foi alterado, e de que aquilo que o precedeu não tem valor ou, quando muito, só tem valor à luz do Vaticano II. O concílio Vaticano II não foi tratado como parte da inteira Tradição viva da Igreja, mas como um fim da Tradição, um novo começo do zero. A verdade é que esse concílio específico não definiu nenhum dogma e deliberadamente escolheu permanecer num nível mais modesto, como um concílio meramente pastoral [‘The truth is that this particular council defined no dogma at all, and deliberately chose to remain on a modest level, as a merely pastoral council’]; e, no entanto, muitos tratam-no como se tivesse feito de si mesmo uma espécie de superdogma, que tira a importância de todo o restante.” (Cardeal Ratzinger, Discurso de 1988 ao Bispos do Chile, destaques nossos).
    Como fica, então, a afirmação absurda de que “Na verdade, o erro não está no Concílio, pois como portador da autoridade concedida a Pedro e seus sucessores e da guia do Espírito Santo, o Concílio Vaticano II é infalível e não pode equivocar-se.” ?
    O Concílio Vaticano II não foi infalível. Ele não promulgou nenhum dogma.
    O Papa Bento XVI está procurando juntar os cacos dessa reforma litúrgica desastrosa. Hoje, até muitos padres não sabem dizer o que é a Missa.

    Esta visão sobre os conclaves e a eleição de João XXIII, apresentada como obra do Espírito Santo, é digna de historiador de sacristia.
    E a autora atinge o delírio ao escrever: 

o Vaticano II foi uma resposta necessária às tendências modernistas: era preciso adaptar-se aos novos tempos, em vista de barrar o avanço do Modernismo”.


    Foi exatamente o oposto: o Concílio Vaticano II defendeu o Modernismo que São Pio X condenara. Quem reconhece isso é o próprio modernista Jean Guitton, amigo de Paulo VI (leia mais). 
 

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli


Muito prezado José,
Salve Maria.

    Respondi, ontem sua carta com um texto defendendo o Concílio Vaticano II como infalível. Remexendo em nossos arquivos encontramos alguns comentários de maçons e comunistas sobre este Concílio, bem convenientes de serem lembrados, hoje, quando Bento XVI condena o “espírito do Concílio”. Veja como os inimigos da Igreja católica o defendem.
    Quem sabe se, vendo como os inimigos da Fé aplaudem o Vaticano II, muitos afinal compreendam o erro em que estão.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
 

Maçons e Comunistas se rejubilaram com o Concílio Vaticano II

(fonte: http://www.devilsfinalbattle.com/fr/ch6.htmtradução e destaques nossos)

     Ao mesmo tempo quer os neo- modernistas, os Maçons e os Comunistas se alegraram com o resultado do Concílio [Vaticano II]. Exatamente como tinham esperado os autores da Formação Permanente da Alta Venda, exatamente como tinham esperado os infiltrados comunistas evocados por Bella Dodd, as noções de cultura liberal tinham conquistado finalmente a adesão dos prinicipais atores da Hierarquia católica. Os Maçons e os Comunistas festejaram a reviravolta espantosa dos acontecimentos realizados pelo Concílio. Eles se rejubilavam pelo fato de que os católicos, afinal, “tinham visto a luz” e que muitos de seus principios maçônicos tinham sido aprovados pela Igreja.
     Por exemplo, Yves Marsaudon [Grão Mestre da Maçonaria do rito escocês, e amigo de João XXIII] em seu livro ¨O Ecumenismo visto por um Franco Maçom de Tradiçãoelogiou o ecumenismo alimentado pelo Concílio Vaticano II:

Os católicos (…) não devem esquecer que todos os caminhos conduzem a Deus. Eles deverão aceitar que essa corajosa idéia do livre-pensamento que nós podemos denominar verdadeiramente de uma revolução, derramada de nossas lojas maçônicas, se esalhou magnificamente sobre a cúpula de São Pedro” (Citação tirada de Open Letter to Confused Catholics – Carta Aberta aos Católicos Confusos, pp. 88-89).


    O Barão Yves Marsaudon, encantado, acrescentou ainda:

Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria (Yves Marsaudon, O Ecumenismo Visto por um Maçom de Tradição, pp. 119-120)

     O espírito pós conciliar de dúvida e de revolução evidentemente aqueceu o coração do maçon francês, o Presidente Jacques Mitterand que escreveu com aprovação:

Alguma coisa mudou no interior da Igreja e as respostas dadas pelo Papa às questões mais urgentes tais como o celibato sacerdotal e o controle dos nascimentos, são calorosamente debatidos no próprio interior da Igreja; a palavra do Soberano Pontífice é discutida pelos Bispos, pelos Padres, pelos fiéis. Para um Maçon, um homem que volta a por em discussão o dogma, ele já é um maçon sem avental33 (Carta Aberta aos Católicos Confusos, pp. 88-89).

    Que excelente citação! E como ela diz uma grande verdade: que há maçons que não estão inscritos em nenhum loja maçônica, mas que são “maçons sem avental”.
    Marcel Prelot, Senador da região do Doubs na França, provavelmente é o mais preciso na descrição do que aconteceu de verdade no Concílio Vaticano II. Ele escreveu:
    
Nós combatíamos há um século e meio para fazer prevalecer nossas opiniões dentro da Igreja e não tínhamos conseguido nada. Veio finalmente o Vaticano II e nós triunfamos. Desde então, as teses e princípios do catolicismo liberal  foram absolutamente e oficialmente aceitas pela Santa Igreja 34  
(Carta Aberta aos Católicos Confusos – Open Letter to Confused Catholics p.100).
 
     Os Comunistas ficaram igualmente encantados com os resulatdos do Concílio Vaticano II. Como o Partido Comunista Italiano declarava em 1964 em seu Primeiro Congresso:

«O “despertar” extraordináriodo ConcílioAtanásio e a Igreja de Nosso Tempo -Athanasius and the Church of Our Time , p. 64. justamente comparado aos Estados Gerais de 1789mostrou ao mundo inteiro que a velha Bastilha politico-religiosa foi sacudida até seus fundamentos”35.» 35. Monsenhor Graber,

    O jornal L´Unità, órgão oficial do Partido Comunista Italiano, mandou descaradamente seu aviso ao Papa Paulo VI, sobre Monsenhor Lefebvre que liderava oposição tradicionalista aos liberais do Concílio e que tinha militado por uma condenção do Comunismo pelo Comcílio Vaticano II:

«Estejais
 consciente do perigo que representa Lefebvre, e continuai o magnífico movimento de aproxiamção começado com o ecumenismo do Vaticano II36.» (Arcebispo Marcel Lefebvre, Eles o Destronaram - Ils L”ont Découronné, Kansas City, Missouri, Angelus Press, 1988, p. 229). 

     O Arcebispo Marcel Lefebvre observou aqui que o jornal comunista Izvestia pediu ao Papa Paulo VI que condenasse Lefebvre assim como o seu seminário de Ecône

                                           Texto original em francês:   
                                                                                     Francs-Maçons et Communistes Se Réjouissent 

     En même temps que les néo-modernistes, les Maçons et les Communistes se sont réjouis de l”issue du Concile. Tout comme l”avaient espéré les auteurs de la Formation Permanente de la Haute Vente, tout comme l”avaient espéré les infiltrés communistes évoqués par Bella Dodd, les notions de culture libérale avaient gagné finalement l”adhésion des principaux acteurs de la hiérarchie catholique. Les Francs-Maçons et les Communistes ont célébré la tournure stupéfiante des événements opérés par le Concile. Ils se réjouissent de ce que les Catholiques aient enfin «vu la lumière», et que beaucoup de leurs principes maçonniques aient été sanctionnés par l”Eglise.

     Par exemple, Yves Marsaudon du Rite d”Ecosse dans son livre: «L” Œcuménisme vu par un Franc-Maçon de Tradition» a fait l”éloge de l”œcuménisme nourri à Vatican II. Il a dit:
       Les Catholiques … ne doivent pas oublier que tous les chemins mènent à Dieu. Et ils devront accepter que cette courageuse idée de la libre-pensée, que, nous pouvons vraiment appeler une révolution, déversée de nos loges maçonniques, s”est répandue magnifiquement sur le dome de Saint-Pierre31.
     Yves Marsaudon fut ravi d”ajouter «On peut dire que l”œcuménisme est le fils légitime de la Franc-Maçonnerie32
     L”esprit post-conciliaire de doute et de révolution a évidemment réchauffé le cœur du Franc-Maçon français Jacques Mitterand qui a écrit avec approbation:
       Quelque chose a changé à l”intérieur de l”Eglise et les réponses données par le Pape aux questions les plus urgentes telles que le célibat sacerdotal et le contrôle des naissances, sont chaleureusement débattues à l”intérieur de l”Eglise Elle-même; la parole du Souverain Pontife est mise en question par les évêques, par les prêtres, par les fidèles. Pour un Franc-Maçon, un homme qui remet en question le dogme est déjà un Franc-Maçon sans tablier33.
     Marcel Prelot, sénateur de la région du Doubs en France, est probablement le plus précis dans la description de ce qui s”est vraiment passé. Il a écrit:
       Nous combattions depuis un siècle et demi pour faire prévaloir nos opinions à l”intérieur de l”Eglise et n”avions pas réussi. Vint finalement Vatican II et nous avons triomphé. Depuis lors, les propositions et principes du catholicisme libéral ont été absolument et officiellement acceptés par la Sainte Eglise34.
     Les Communistes furent également ravis des résultats du Concile. Comme le Parti Communiste Italien déclarait en 1964 à son 1e Congrès du Parti: «L”extraordinaire “réveil” du Concile, comparé à bon droit aux Etats Généraux de 1789, a montré au monde entier que la vieille Bastille politico-religieuse est secouée jusqu”à ses fondations35L”Unita, publication Officielle du Parti Communiste Italien, donna effrontément son avis au Pape Paul VI concernant l”Archevêque Marcel Lefebvre qui menait l”opposition traditionaliste aux libéraux conciliaires et avait milité pour une condamnation conciliaire du Communisme: «Soyez conscients du danger que représente Lefebvre, et continuez le magnifique mouvement d”approche commencé avec l”œcuménisme de Vatican II36


31. Tiré de Open Letter to Confused Catholics (Lettre Ouverte aux Catholiques dans la Tourmente), pp. 88-89.
32. Yves Marsaudon, L”œcuménisme Vu par un Maçon de Tradition, pp. 119-120.
33. Tiré de Open Letter to Confused Catholics (Lettre Ouverte aux Catholiques dans la Tourmente), pp. 88-89.
34. Ibid., p. 100.
35. Monseigneur Graber, Athanasius and the Church of Our Time (Athanase et l”Eglise de Notre Temps), p. 64.
36. L”Archevêque Marcel Lefebvre, They Have Uncrowned Him (Ils L”ont Découronné), (Kansas City, Missouri, Angelus Press, 1988), p. 229. L”Archevêque Lefebvre note ici que le journal communiste Izvestia a demandé du Pape Paul VI le condamne ainsi que son séminaire d”Ecône.

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