Montfort Associação Cultural

6 de abril de 2014

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Liturgia tridentina: Primeiro Domingo da Paixão

 

 Fonte: Missa tridentina na Paróquia São Sebastião

DOMINGO DA PAIXÃO

1ª Classe – Paramentos Roxos
Para ler/baixar o Próprio completo desta Missa, clique aqui.
Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus 9, 11-15.
Irmãos: Cristo veio como Pontífice dos bens futuros; e, passando por um tabernáculo mais excelente e perfeito, não construído por mão de homem, isto é, não deste mundo, não foi com o sangue dos chibos ou dos bezerros, mas com o seu próprio sangue, que Ele entrou, de uma vez para sempre, no Santo dos Santos, depois de ter adquirido uma Redenção eterna. Com efeito, se o sangue dos chibos e dos touros, bem como a cinza de uma vitela, com que se aspergem os impuros, os santifica quanto à pureza do corpo, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito Santo se ofereceu a Si mesmo, sem mácula, a Deus, não purificará a nossa consciência das obras da morte, para servir ao Deus vivo? É esta a razão por que Ele é o Mediador da Nova Aliança: morrendo para resgatar os pecados cometidos sob a primeira Aliança, quis que recebessem a herança eterna os escolhidos, a quem foi prometida, em Jesus Cristo Nosso Senhor.
Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 8, 46-59.
Naquele tempo: Disse Jesus à multidão dos Judeus: “Qual de vós Me arguirá do pecado? Se Eu vos digo a verdade, por que não acreditais em Mim? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus. Se vós as não ouvis, é porque não sois de Deus.” Responderam, então, os Judeus, e disseram-Lhe: “Não dizemos nós, com razão, que Tu és um samaritano, e que tens o demônio?” Jesus respondeu: “Eu não tenho o demônio; ao contrário, honro o meu Pai; vós é que Me desonrastes. Eu não busco a minha glória; há quem tome cuidado dela, e fará justiça. Em verdade, em verdade vos digo: Quem guardar a minha palavra, não verá a morte eterna.” Disseram-Lhe por isto os Judeus: “Agora é que conhecemos que estás possesso do demônio. Abraão morreu e os profetas, e Tu dizes: Quem guardar a minha palavra, nunca saberá o que é morte eterna. Porventura és Tu maior do que nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas também morreram. Quem pretendes Tu ser?” Jesus respondeu: “Se Eu me glorifico a Mim mesmo, não é nada a minha glória; meu Pai é que Me glorifica, Aquele mesmo que vós dizeis que é vosso Deus. Contudo vós não O conheceis. Eu sim, conheço-O; e se disser que não O conheço, serei mentiroso como vós. Mas conheço-O, e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, suspirou por ver o meu dia; viu-o, e ficou cheio de gozo.” Disseram-Lhe por isto os Judeus: “Tu ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?” Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão existisse – Eu sou.” Então pegaram em pedras para Lhe atirarem, mas Jesus encobriu-se e saiu do Templo.
Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963.
Comentário ao Evangelho  do dia:
Santo Ambrósio (aprox. 340-398), bispo de Milão, doutor da Igreja
Sobre Abraão, I, 67-78 (extraído do site Evangelho Quotidiano, apud Per Ipsum)
“Abraão viu o meu dia” (Rm 5,19)
“Deus disse a Abraão: Toma o teu filho bem-amado, esse Isaac que acarinhaste; parte para a montanha e lá mo oferecerás em holocausto” (Gn 22,2). Isaac prefigura Cristo que vai sofrer: vem sobre uma burra…
Quando o Senhor veio sofrer por nós na sua Paixão, soltou o jumento de junto da burra e sentou-se nela… Abraão disse aos servos: “Já voltaremos para junto de vós”; sem que ele o soubesse, isto era uma profecia… Isaac carregou a lenha e Cristo levou a própria cruz. Abraão acompanhava o seu filho; o Pai acompanhava Cristo. Na verdade, ele diz: “Deixar-me-eis só, mas eu não estou só; o Pai está comigo” (Jo 16,32). Isaac diz a seu pai…: “Está aqui a lenha, onde está o cordeiro para o holocausto?” São palavras proféticas, mas ele não o sabe; com efeito, o Senhor preparava um Cordeiro para o sacrifício. Também Abraão profetizou ao responder: “Deus proverá o cordeiro para o holocausto, meu filho”…
“O anjo diz: ‘Abraão, Abraão!… Não ergas a mão sobre o menino, não lhe faças mal; porque agora sei que temes a Deus, tu que não poupaste o teu filho bem-amado por minha causa’ (cf. Rm 8,32)… Abraão levantou os olhos e viu: estava ali um carneiro suspenso pelos cornos num arbusto”. Porquê um carneiro? É o que tem mais valor em todo o rebanho. Porquê suspenso? Para te mostrar que não era uma vítima terrestre… O nosso corno, a nossa força, é Cristo (Lc 1,69), que é superior a todos os homens, tal como lemos: “És o mais belo dos filhos dos homens” (Sl 44,3). Só ele foi erguido da terra e exaltado, como no-lo ensina com estas palavras: “Eu não sou deste mundo; sou do alto” (Jo 8,23) Abraão viu-o neste sacrifício, apercebeu-se da sua Paixão. É por isso que o Senhor diz dele: “Abraão viu o meu dia e rejubilou”. Ele apareceu a Abraão, revelando-lhe que o seu corpo sofreria a paixão pela qual resgatou o mundo. Indica mesmo o tipo de Paixão ao mostrar o carneiro suspenso; aquele arbusto é o braço da sua cruz. Erguido sobre esse madeiro, o guia incomparável do rebanho tudo atraiu a si, para por todos ser conhecido.

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