Montfort Associação Cultural

1 de fevereiro de 2013

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Liturgia de 03/02/2013: Domingo da Sexagésima

 

Domingo, 03/02/2013: Leituras e Comentário ao Evangelho

DOMINGO DA SEXAGÉSIMA
2ª Classe – Paramentos Roxos
Santo do diaSão Brás, Bispo e Mártir.
2ª Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 11, 19-33 – 12, 1-9.
Irmãos: Vós porque sois sensatos, de boamente sofreis os insensatos. Na verdade, suportais quem vos põe em escravidão, quem vos devora, quem vos rouba, quem se exalta, quem vos dá na cara. Digo-o para minha vergonha, como se tivesse sido fraco neste ponto. Mas naquilo de que qualquer se ufana, (falo como louco), também eu ufano: Se são hebreus, também eu; se são Israelitas, também eu; se são descendentes de Abraão, também eu; se são ministros de Cristo, (falo como menos modesto), mais o sou eu; mais nos trabalhos, mais nos cárceres, em açoites sem medida, freqüentemente em perigos de morte. Dos Judeus recebi, por cinco vezes, quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes naufraguei, uma noite e um dia estive no alto mar; muitas vezes em viagens entre perigos de rios, perigos de ladrões, perigos dos da minha raça, perigos dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos dos falsos irmãos; no trabalho e na fadiga em muitas vigílias, na fome e na sede, em muitos jejuns, no frio e na nudez. Além destas coisas, que são exteriores, a minha obsessão permanente: a preocupação por todas as igrejas. Quem está doente sem que eu também o não esteja?! Quem tropeça, sem que eu não abrase? Se alguém se pode gloriar, sou eu que me gloriarei na minha fraqueza. O Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo – bendito seja Ele por todos os séculos, – sabe que não minto. Em Damasco, aquele que governava a nação em nome do rei Aretas, fazia guardar a cidade para me prender; mas desceram-me numa alcofa por uma janela, ao longo da muralha, e assim escapei das suas mãos. Se alguém se pode gloriar, o que em boa verdade não convém, farei agora menção das visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo, o qual há catorze anos foi arrebatado, – não sei se foi em corpo e alma, se só em espírito; Deus o sabe, – até o terceiro céu. E sei que este homem, – se foi em corpo e alma, se só em espírito, não sei; Deus o sabe, – foi arrebatado ao empíreo, e aí ouviu palavras inefáveis, que ao homem não lícito repetir. Por isto gloriar-me-ei; por mim, porém, de nada me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. Verdade é que, se me quiser gloriar, não serei insensato, porque direi a verdade; contudo abstenho-me disso, para que ninguém julgue de mim mais do que vê em mim, ou ouve de mim. E, para que a grandeza das revelações me não envaidecesse, foi-me dado um aguilhão na minha carne, que é como um enviado de Satanás, que me esbofeteia. Por causa disto, pedi três vezes a Deus que o afastasse de mim. Ele, todavia, respondeu-me: Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que o meu poder triunfa. Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 8, 4-15.

Naquele tempo: Tendo-se juntado uma grande multidão de povo, e tendo ido ter com Ele, de diversas cidades, disse Jesus esta parábola: “Saiu o semeador a semear a sua semente; e ao semeá-la, uma parte caiu ao longo do caminho, e foi calcada, e as aves do céu comeram-na. Outra parte caiu sobre o cascalho, e, quando nasceu, secou, porque não tinha umidade. E a outra parte caiu entre os espinhos; e logos os espinhos que nasceram com ela a sufocaram. E a outra parte caiu em boa terra, e, depois de nascer, deu fruto a cem por um.” Dito isto, exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.” Os discípulos então perguntaram-Lhe o que significava esta parábola. E Ele respondeu-lhes: “A vós é dado conhecer o mistério do reino de Deus; aos outros, porém, por parábolas, de modo que vendo não vejam, e ouvindo não entendam. É este o significado da parábola: A semente é a palavra de Deus. Os que estão ao longo do caminho, são aqueles que a ouvem; mas depois vem o demônio, e tira-lhes a palavra do coração, para não suceder que se salvem, acreditando. A que caiu sobre o cascalho, representa aqueles que recebem com gosto a palavra quando a ouvem: não têm, todavia, raízes; até certo tempo crêem; mas no tempo da tentação, voltam atrás. E a que caiu entre espinhos, representa aqueles que ouviram; mas não dão fruto, por terem ido atrás dos cuidados, riquezas e prazeres da vida, que os sufocaram. A que caiu em boa terra, representa aqueles que, recebendo a palavra num coração bom e nobre, a guardam, e dão fruto pela constância.”

Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963 (com adaptações).

Comentário ao Evangelho do dia feito por
São João Crisóstomo (c. 345-407), padre em Antioquia e depois Bispo em Constantinopla, doutor da Igreja
Sermão n° 44 sobre São Mateus, pág. 57, 467 (a partir da trad. Véricel, o Evangelho comentado, p. 140; extraído dos sites Per Ipsum e da Evangelho Quotidiano, com adaptações a/c blog).
“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”
Se a semente seca, não é devido ao calor. Jesus não disse que a semente secou por causa do calor, mas sim pela «falta de raiz». Se a Palavra é asfixiada, não será por causa dos espinhos, mas de quem os deixou crescer em liberdade. Se quiseres, podes impedir que cresçam, podes fazer bom uso da riqueza. É por isso que o Salvador não fala «do mundo» mas dos «cuidados do mundo», não fala «da riqueza» mas da «sedução da riqueza». Por conseguinte, não acusemos as coisas em si mesmas, mas a corrupção da nossa consciência. [...]
Não é o agricultor, como vês, não é a semente, é a terra onde ela é recebida que explica tudo, ou seja as disposições do nosso coração. Também aí a bondade de Deus para com o homem é imensa, dado que, longe de exigir a mesma medida de virtude, acolhe os primeiros, não repudia os segundos e dá lugar aos terceiros. [...]
É necessário, pois, começar por ouvir atentamente a Palavra, depois guardá-la fielmente na memória, em seguida encher-se de coragem, depois desprezar a riqueza e livrar-se do amor aos bens do mundo. Se Jesus coloca em primeiro lugar a Palavra, antes de todas as outras condições, é porque é a condição fundamental. «E como hão-de acreditar Naquele de Quem não ouviram falar?» (Rom, 10, 14). Também nós, se não dermos atenção ao que nos é dito, não conheceremos os deveres a cumprir. Só depois vem a coragem e o desprezo pelos bens deste mundo. Para pôr a render estas lições, fortifiquemo-nos de todas as maneiras: estejamos atentos à Palavra, façamos crescer profundamente as nossas raízes e desembaracemo-nos de todas as preocupações do mundo.
Fonte: Missa Tridentina na Paróquia São Sebastião, em Campo Grande

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