Montfort Associação Cultural

22 de abril de 2013

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Leitor reconhece, implicitamente, o modernismo de Olavo de Carvalho

Autor: Fernando Schlithler

  • Consulente: Fernando Marques

Salve Maria,

Gostaria que o Sr. Fernando Schlithler fizesse a caridade de explicar o uso da palavra “fulano” em sua frase:

“Bom, mas voltando dessa breve digressão, necessária para esclarecer nossos opositores, há um fulano por aí, chamado Olavo de Carvalho.”

No meu dicionário a definição de fulano é a seguinte:

“Designação vaga de alguém que não se pode ou não se quer nomear”.

Qual a intenção em se usar a palavra fulano e logo a seguir nomear a pessoa que não se deveria nomear?

Obrigado,

Fernando.

Prezado sr. Fernando Marques,

Salve Maria!

Com muito gosto lhe explico.

Escrevi com a intenção de ver quantas pessoas que lessem o artigo desonestamente desviariam as suas atenções das verdades – tão desagradáveis para o mundo moderno- que Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou através de sua única Igreja. Verdades ensinadas infalivelmente pelo Papa São Pio X contra o modernismo e que, por sua vez, sustentam as verdades bem desagradáveis expostas no artigo sobre a obra do astrólogo, modernista e brincalhão Olavo de Carvalho (e também de muitas outras figurinhas desse mundo encantado da “direita”).

Essas pessoas – hipótese minha – desviariam as suas atenções simplesmente por não aguentarem o peso das verdades desagradáveis expostas no artigo, revelando não serem “homens maduros”. Em tais pessoas, faltaria portanto a força moral necessária para reconhecerem tais verdades e corrigirem-se, abandonando seus erros e esforçando-se para daí por diante ordenarem suas vidas de acordo com a verdade (sem jamais buscar um meio termo entre seu erro e as verdades desagradáveis que lhes aponta a consciência), ainda que isso custe renegar a obra de uma vida (pois Deus vale infinitamente mais do que uma vida…).

Essas pessoas ao lerem o artigo – hipótese minha – focariam a sua atenção em aspectos marginais – como por exemplo, erros de português – de maneira a ostentarem perante o tribunal de suas próprias consciências (mediante um fingimento inconsciente histérico) uma pretensa aparência de contra-argumentação ao artigo. Desse modo, invertendo violentamente seu senso de proporções esforçar-se-iam por se convencerem de que um erro de português pode ser mais grave ou estar no mesmo patamar do que uma heresia, do que um erro contra a Fé. Desse modo, evidentemente, estariam apenas entorpecendo suas consciências com mentiras confortáveis e anestesiantes ao fugirem covardemente de qualquer embate sério com verdades desagradáveis sobre si mesmos, cujo reconhecimento lhes causaria no mínimo um grande desconforto psicológico, e, quem sabe, pela graça de Deus, até uma conversão.

Então, diante desse quadro clínico, além de expô-lo para tais pessoas como faço agora, eu recomendaria a elas para que rezassem muito e estudassem a doutrina católica – a única ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo – para que Deus lhes desse a virtude necessária para reconhecer tais verdades.

Por curiosidade – e para ilustrar melhor o que escrevi acima – cito para o sr. um outro exemplo desse tipo de ardil psicológico (típico das almas mais mesquinhas) feito sistematicamente para ludibriar a própria consciência e a dos outros. Ardil esse presente num comentariozinho infantil que Olavo de Carvalho teria feito a respeito do artigo em questão. Olavo teria dito que eu não saberia discernir nem entre “afirmações feitas dialeticamente no curso de uma investigação e conclusões doutrinais formais”.

Quer dizer então que, quando se trata de “afirmações feitas dialeticamente no curso de investigação” pode-se afirmar e defender livremente convicções heréticas, sem incorrer em… heresia? O sentido das afirmações heréticas de Olavo reproduzidas no artigo “magicamente” mudaria!

É evidente que isso não passa de uma tentativa covarde de negar o vexame, projetando retroativamente em suas próprias palavras um sentido completamente falso, que evidentemente nunca possuíram (consequentemente aumentando o próprio vexame do qual visa se esquivar). É um tremendo esforço de interpretação – forçadíssimo – achar que em afirmações tão diversas, tiradas de diversas obras (e constantes nelas) e com tamanha coerência entre si (em conformidade com diversas proposições do modernismo e não somente com apenas uma delas), não haveria nada de modernismo, nada do sentido que evidentemente elas têm. Então seria pura coincidência! Isso ultrapassa todos os limites já vistos de má fé e autoengano.

Que não foram afirmações isoladas, tiradas de seu contexto, ficou mais do que patente no artigo. Somente alguém de má-fé (e fanático pelo astrólogo) poderia afirmar que manipulei as afirmações de Olavo para encaixarem-se injustamente no quadro da heresia modernista.

É o próprio Olavo quem agora manipula desonestamente o que ele mesmo disse e escreveu, para recusar-se a compreender de que se trata de afirmações heréticas. E essa recusa de compreender só vai lhe aumentar sua cegueira espiritual, seu escotoma, bem como a de todos os que vergonhosamente caírem nessa desculpa mais do que esfarrapada.

Quer dizer que Olavo quer que nós acreditemos que a conclusão toda de suas afirmações “feitas dialeticamente” poderia ser – dialeticamente – exatamente o contrário da afirmação herética?!?! Quer dizer então que a conclusão de afirmações heréticas poderia ser… afirmações não heréticas, mas ortodoxíssimas?

Quer dizer que Olavo, depois de ter dito tudo aquilo e acreditar em tudo aquilo durante tanto tempo, quer nos fazer acreditar que ele acredita no contrário do que ele mesmo afirmou? Quer que sejamos estúpidos em acreditar que todas elas são afirmações que não tem nada a ver com a heresia modernista?

De fato, extremamente dialético e contraditório. Mais dialético do que isso impossível. O mais engraçado é que com essa desculpa esfarrapada, Olavo – talvez sem perceber – confessou que afirmou heresias.

Que tipo de imbecil ele acha que vai conseguir convencer com uma desculpa esfarrapada dessas?!

Que palhaçada é essa, que brincadeira é essa?!

Ah! Agora eu entendi! É de fato uma palhaçada, uma brincadeira! Não é sério!

O Olavo – que como ele mesmo afirmou, é um devotíssimo brincalhão, que adora brincar de contos de fadas, de filósofo e católico faz-de-conta – inventou um “piques” (como na brincadeira infantil de pega-pega) só que um “piques” intelectual! Nesse “piques” ele pode falar as asneiras que quiser, pode defender as convicções mais absurdas e heréticas, pois, por estar instalado no “piques”, ninguém pode acusá-lo de ter dito algum erro! Se ele falar algo herético e alguém apontar o erro, ele logo diria:

“Não vale! Estou no ‘piques’ das afirmações feitas dialeticamente no curso de uma investigação!”

Imagina! Um “piques” mental! Esse Olavo é muito imaginativo, muito brincalhão. Morro de rir.

Isso é mais uma prova – além daquela afirmação feita por ele mesmo sobre a religião ser estorinha de fadas e folclore – de que Olavo leva a religião e a filosofia na brincadeira.

Ele leva a coisa tão na brincadeira a ponto de inventar um “piques” para suas afirmações “intelectuais”, onde ele se exime de qualquer responsabilidade sobre o que é dito!

A esse “piques” ele dá um nome muito intelectual: fazer “afirmações dialeticamente no curso de uma investigação”.

Olavo inventou na sua brincadeira um “piques” para a sua própria consciência!

Mas é mesmo um brincalhão. Até com a própria consciência!

E com isso, Olavo transmite seu escotoma ao ensinar os outros a fazerem “piques” na consciência, chamando esse “piques” de “afirmações feitas dialeticamente no curso de uma investigação”. Bem esclarecedor.

E tem gente que acredita que Olavo é um intelectual muito sério! Ora, vocês não estão vendo de que se trata de um brincalhão?!

Eu já falei para o Olavo parar com essa coisa de brincar de RPG, mas ele insiste nisso, pobrezinho.

Espero que ele não tenha contaminado outras pessoas com essa história de “piques” mental.

Deus queira que não.

Por que para Deus não existe “piques”. Não existe “piques” para a Lei de Deus.

Mas, graças a Deus, esse não é o seu caso, não é mesmo, sr. Fernando Marques?

Você só está apontando um uso incoerente que fiz da palavra “fulano”. Pois, como você não faz nenhuma contra-argumentação, reclamação ou sequer desaforo referente ao conteúdo substancial do artigo, creio que tenha reconhecido todas as verdades desagradáveis sobre a obra de Olavo. Muito bem! Bom para você!

Se houver mais algum erro de português (inclusive nas cartas respondidas), por favor, não hesite em nos escrever. É ótimo saber que os únicos erros que escrevi no artigo são assim tão ínfimos e que nem se quer tocam ou afetam a integridade do que foi substancialmente exposto.

Agradeço não só sua gentileza em corrigir-me, mas também em reconhecer implicitamente que o artigo está bem correto.

Deus lhe pague!

Divertidamente.

Salve Maria!
Fernando Schlithler

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