Montfort Associação Cultural

28 de setembro de 2009

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Leitor pede informações sobre a seita secreta SEMPRE VIVA, da TFP.

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Diego de Oliveira
  • Localizaçao: Ponta Grossa – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Atendente de Farmacia
  • Religião: Católica

Caro Professor fedeli!
Salve Maria!!!
Fui membro do grupo durante alguns anos e gostaria de saber mais sobre a “SEMPRE VIVA”,como era a cerimonia! Ficarei mto grato em ser respondido!
In Jesu et Maria
diego

Muito prezado Diego, salve Maria.
 
     Gostaria muito de lhe contar tudo o que sei - e documentadamente – sobre a seita secreta Sempre Viva. Mas, como não o conheço e como conheço muito bem meu antigo ex-aluno Scoganmiglio – agora Monsenhor Scognamiglio – devo tomar cuidado com quem falo.
 
     De que grupo você foi na TFP? Ou você foi dos Arautos?
 
     Durante quanto tempo ficou com eles? Qual o seu grau de relacionamento com eles? O que soube lá dentro sobre a Sempre Viva?
 
     Você assistiu ao MNF ou às reuniões de Scoganmiglio sobre o MNF e o Jour le Jour de Dr. Plínio?
 
     Scoganmiglio lhe ensinou a ladainha do Profeta? A Ladainha de dona Lucília?
 
     Você já leu o novo livro sobre a Inocência Primava e a Visão Sacral do Universo, publicado por Dr. Adolpho Lindemberg?
 
     Recomendo muito que o leia. Nele, há muitas coisas que deixam claro o pensamento heterodoxo do “profeta” de Higienópolis.
 
In Corde Jesu, semper,
      Orlando Fedeli

Replica

Caríssimo sr. Fedeli
Salve Maria!!
Fiz parte dos Arautos durante 5 anos no grupo de Ponta Grossa durante 2000/2005, fui a varias reuniões em São Paulo e ouvi algumas coisas sobre a Sempre Viva.
O que eu sei é que
a Sempre Viva é a cerimonia da “Sagrada Escravidão” ao Sr. Dr. Plinio e que só alguns faziam parte da mesma entre eles João Clá Dias(Plinio Fernando),Sr. Orácio(Plinio Felipe, que faleceu em um acidente de carro com alguns membros do grupo de Ponta Grossa)Sr. Peterssen( Plinio Maria que era do grupo de Curitiba)Sr.Fernando Tsuneo(Plinio Abel, que ofereceu sua vida pelo grupo)e Plinio Josué(que não sei a respeito), ouvi dizer que existem outros “”escravos”"e gostaria de saber como era feita essa cerimônia e quem faz parte realmente da Sempre Viva.

Espero manter contato, pois já tinha ouvido falar do sr. e como pode imaginar não eram coisas tão boas! mas mudei minha opinião em relação a sua pessoa!

Aguardo Resposta.

In Jesu et Maria

Diego

 

Muito prezado Diego, salve Maria.
 
Então, entre 2000 e 2005, ainda se mantinha o culto a Dr. Plínio secretamente entre os Arautos do Evangelho, e ainda lá se falava da Sempre Viva. Passo-lhe alguns dados da Sempre Viva.
           
1) A Sempre Viva e suas orações
 
O culto a Dr. Plínio atinge o ápice na Sempre Viva, seita secreta cujos membros, parodiando a devoção ensinada por São Luís de Montfort para com Nossa Senhora, se consagram como escravos a Dr. Plínio. Desse modo, Plínio se substituía a Nossa Senhora como objeto de devoção.
 
O primeiro a pedir para se consagrar como escravo teria sido Caio Xavier da Silveira, cujo nome na seita passou a ser Mário Plínio. Mário em homenagem a Nossa Senhora.
 
Os doze primeiros escravos foram considerados os preferidos, os mais autênticos e fervorosos discípulos do Profeta. O escravo Plínio Márcio (Átila Sinke Guimarães) dizia que esses doze estavam para Dr. Plínio assim como os doze apóstolos estavam para Cristo. Por isso não queria ele que outros fossem admitidos na seita e ficou “em baixa” (triste) quando o número simbólico foi ultrapassado. Átila Sinke Guimarães escreveu que acreditava que a presença divina era maior em Dr. Plínio do que na sarça ardente que Moisés viu “no alto do Sinai” - o que revela a ignorância desse escravo de Plínio, pois a sarça ardente nunca foi vista por Moisés no alto do Sinai. Dizia ele ainda que iria discutir com Moisés no céu, e lhe provaria que a presença de Deus era maior em Dr. Plínio do que na sarça ardente…
 
Esse era o nível do fanatismo na Sempre Viva.
 
Os  primeiros sectários foram estes:
 
01. Caio Vidigal Xavier da Silva - escravo Mário Plínio;
 
02. Eduardo de Sarros Brotero – escravo Plínio Eduardo;
 
03. Luís Nazareno de Assumpção Filho – escravo Plínio Luís;
 
04. João Scognamiglio Clá Dias – escravo Plínio Fernando;
 
05. Umberto Braccesi – escravo Plínio Cirineu
 
06. Fernando Siqueira – escravo Plínio Bernardo;
 
07. Carlos H. do Espírito Poli (hoje, Tenente Coronel) – escravo Plínio José;
 
08. Marcos Ribeiro Dantas – escravo Plínio Paulo;
 
09. Mário Navarro da Costa – escravo Plínio Elias; (Mário Navarro vivia normalmente vestido do hábito de eremita, no 2° andar da Rua Alagoas, e, ao falar com Dr. Plínio, punha-se de joelhos, colocando-lhe nas mãos a ponta da corrente que envolvia sua cintura, em sinal de escrava submissão).
 
10. D. Bertrand de Orleans e Bragança – escravo Plínio Miguel; (D. Bertrand foi praticamente intimado a se fazer escravo de Dr. Plínio, segundo Plínio Dimas).
 
11. Átila Sinke Guimarães – escravo Plínio Márcio;
 
12. Cosme Beccar Varella Hijo – escravo Plínio Lázaro;
 
13. Plínio Vidigal Xavier da Silveira – escravo Plínio Eliseu; (Eliseu foi quem herdou o manto de Elias. Havendo algo para herdar, Plínio Xavier, cujos talentos financeiros são conhecidos, está sempre interessado. Consta que em sua iniciação, como sempre, se manteve absolutamente frio. Ele foi convocado a se fazer escravo. Não pediu para ser).
 
14. Paulo Corrêa de Brito Filho – escravo Plínio Jerêmias; (Paulo Brito era “diretor espiritual” de “Plínio Dimas” e, nas conversas espirituais que tinham, o dirigido dirigiu o dirigente a pedir a graça de ser escravo de Dr. Plínio…).
 
15. X escravo Plínio Dimas;
 
16. Y escravo Plínio Inácio;
 
17. D. Luís de Orleans e Bragança – escravo Plínio da Cruz;
 
18. Antônio Marcelino Pereira de Almeida – escravo Plínio Francisco;
 
19. Edson Neves da Silva – escravo Plínio Batista;
 
20. Fernando Antunes Aldunate – escravo Plínio Longinus;
 
21. Leo Nino Foscolo Daniele – escravo Plínio Tobias;
 
22. Fernando Furquim de Almeida Filho -escravo Plínio Amém;
 
23. Martim Afonso Xavier da Silveira Jr. – escravo Plínio Pedro; (Durante longo tempo Martim Afonso foi mantido à margem da “Sempre-viva”. Ele percebia que havia algo e se contorcia para saber o que era, e mais se contorceu para entrar. Quando entrou, viu que estava atrasado e, para compensar, tomou o nome de Plínio Pedro. De alguma forma ele ainda era o primeiro… o que provocou sorrisos dos demais escravos).
 
24. Sérgio Bidueira – escravo Plínio Hildelbrando;
 
25. José  Lúcio  Corrêa – escravo Plínio Ezequiel;
 
26. Júlio Ubelod – escravo Plínio Tomás;
 
27. Fernando Telles – escravo Plínio Leofredo;
 
28. Roberto   Guerreiro   -  escravo  Plínio Agostinho;
 
29. Afonso Beccar Varella – escravo Plínio Ambrósio;
 
30. Miguel Beccar Varella – escravo Plínio Domingos;
 
31. O argentino Escurra – escravo Plínio León;
 
32. Carlos Viano – escravo Plínio Godofredo;
 
33. Carlos Antunes Aldunate – escravo Plínio Emanuel;
 
34. Jaime Antunes Aldunate – escravo Plínio Gregório;
 
35. Gonzalo Larrain – escravo Plínio Caetano;
 
36. Patricio Larrain – escravo Plínio João;
 
37. Patricio Amunategui – escravo Plínio Santiago;
 
38. Fernando Casté – escravo Plínio Joaquim;
 
39. Pedro Paulo Figueiredo – escravo Plínio Jacó;
 
40. Carlos Alberto Soares Correia – escravo Plínio Atanásio;
 
41. Aloísio Torres – escravo Plínio Maca-beu;
 
42. Roberto Esper Kallás – escravo Plínio Bento;
 
43. Paulo Rosa – escravo Plínio Tiago;
 
44. Paulo César Nascimento – escravo Plínio Enoc;
 
45. Lúcio Montes – escravo Plínio Estêvão;
 
46. Z -  escravo Plínio Afonso;
 
47. João Carlos Leal da Costa – escravo Plínio Matatias;
 
48. Francisco Javier Tost – escravo Plínio Isaías;
 
49. José Antônio Tost – escravo Plínio Sebastian
 
50. W - escravo Plínio Clóvis;
 
51. Guerreiro Dantas – escravo Plínio Davi;
 
52. Rivoir – escravo Plínio Hermenegildo; (era o único escravo europeu até 1975, mais ou menos).
 
53. Alejandro Bravo – escravo Plínio Samuel;
 
54. Carlos lbarguren – escravo Plínio António;
 
55. Nelson Fragelli – escravo Plínio Tomé; (N. Fragelli tomou esse nome porque disse que durante muito tempo duvidara de Dr. Plínio).
 
56. Fernando Larrain – escravo Plínio Raymundo;
 
57. Antônio Dumas Louro – escravo Plínio Lourenço;
 
58. O argentino Storni – escravo Plínio Bartolomeu;
 
59. Alejandro – escravo Plínio Lúcio.
 
(Declaração nº 544948, 29 Ofício de Reg. e Tít. de Curitiba – 03.09.84)
 
Todos os dias os escravos deviam rezar em conjunto uma oração oficial da “Sagrada Escravidão”, que foi composta pelo próprio Dr. Plínio para ser rezada para ele mesmo.
 
Tal oração nos foi ditada pelo ex-escravo “Plínio Dimas” e confirmada, parágrafo por parágrafo, pelo ex-escravo “Plínio Clóvis”.
 
Oração da Sagrada Escravidão
 
Ó Coração Imaculado e Sapiencial de Maria, [isto é, além de Nossa Senhora, Dr. Plínio, tido como a encarnação do Coração Imaculado de Nossa Senhora, ] nesse ambiente de nossos dias em que todos são homens livres, ébrios de liberdade, sei que me fiz vosso escravo para ser como o último dos homens de quem meu Senhor [Dr. Plínio] pode dispor como mísero objeto sem vontade própria.
 
Nesse ambiente de nossos dias em que tudo fala de naturalismo, sei que minha vida é toda sobrenatural. Não sou eu que vivo, mas é meu Senhor [Dr. Plínio] que vive em mim. Dele me vêm todas as graças, o espírito dele me habita e posso fazer, nessa união de escravo, tudo quanto ele mesmo pode.
 
Nesse ambiente de nossos dias, sem grandeza, sem horizontes, de otimismo e de vidinha, sei que nossa época trará acontecimentos grandiosos, com horizontes grandiosos, dentro dos quais deverei viver como um herói a própria grandeza de Meu Senhor.
 
Olhando para dentro de mim mesmo e vendo tanta microlice, sei que a fé em tudo quanto acabo de dizer me dará uma participação na própria grandeza de Meu Senhor [Dr. Plínio] e fará de mim um perfeito Apóstolo dos öltimos Tempos, segundo a oração profética de S. Luís Maria Grignon de Montfort.
 
Em tudo isto eu creio, mas ó Meu Senhor [Dr. Plínio], ajudai a minha incredulidade.
 
Havia ainda outras orações “absolutamente excêntricas e absurdas”. Por exemplo, os escravos de Dr. Plínio rezavam o terço, mas não recitavam as Ave- Marias tradicionais. Rezavam uma “Ave Maria” parodiada para o Profeta, cujo nome na seita era Luís-Plínio-Elias, pois o profetismo dele seria um só com o de S. Luís e o de Santo Elias.
 
Eis a paródia sacrílega da Ave Maria feita, não para D. Lucília, mas para Dr. Plínio:
 
Ave Luís-Plínio-Elias, (codinome de Dr. Plínio na Seita), cheio de amor e de ódio, a Santíssima Virgem é convosco. Bendito sois vós entre os fiéis. Bendito é o fruto do vosso amor e ódio: a Contra-Revolução. Ó Sacral Luís-Plínio-Elias, pai admirável e catolicíssimo da Contra-Revolução e do Reino de Maria, rogai por nós capengas e pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém“.
 
Tal oração teria sido composta em 1967. Pelo menos, começou a ser divulgada nessa data. “Plínio Dimas” disse-nos que “rezou” muitos terços com essa “Ave Maria”. Muitas vezes vários eremitas rezavam juntos o terço com essas “Ave-Marias” parodiadas. Evidentemente, Dr. Plínio negará que isto seja verdade. Mas a “Ave-Lucília” ele também negou, e ela existia…
 
As reuniões da Sempre Viva começavam recitando-se três vezes a “Ave Maria” de Dr. Plínio [Ave Luís-Plínio-Elias] precedida das jaculatórias:
 
“Ave Luís-Plínio-Elias, filho bem amado da SSma. Virgem”.
 
“Ave Luís-Plínio-Elias, pai admirável e catolicíssimo da Contra-Revolução e do Reino de Maria”.
 
“Ave Luís-Plínio-Elias, escravo fidelíssimo do Imaculado e Sapiencial Coração de Maria”.
 
Rezava-se ainda a oração da “Sagrada Escravidão”.
 
Havia também uma ladainha para ele, feita por ele mesmo, mas que, por precaução, se dizia ter sido composta pelo escravo Marcos Ribeiro Dantas. Os escravos rezavam tal ladainha diariamente. “Plínio Dimas”, porém, pouco se recordava dela, pois não fora fiel a esse “exercício de piedade”. Lembrou-se de jaculatórias, que seriam mais ou menos desse tipo:
 
[Dr. Plínio], Precursor de Elias – Rogai por nós. (Desta se lembrava bem).
[Dr. Plínio], Profeta dos öltimos Tempos – Rogai por nós.
[Dr. Plínio], Profeta dos Profetas – Rogai por nós.
 
Era costume que os escravos de Dr. Plínio se confessassem com ele, não só lhe contando faltas, como também pecados. Finda a acusação, se o escravo pedisse, Dr. Plínio esbofeteava seu rosto três vezes e depois lhe dava a bênção – “absolvição”.
 
Assim, cremos ter provado:
 
1. Que há na TFP um culto para Dr. Plínio;
 
2. Que as teses desse culto são delirantes;
 
3. Que várias manifestações deste culto são ridículas e fanáticas;
 
4. Que o próprio Dr. Plínio patrocinou seu culto.
 
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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