Montfort Associação Cultural

24 de setembro de 2009

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Leitor denuncia abusos na Missa: carta ao Arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ary da Silva
  • Localizaçao: Serra – ES – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Dignissimos membros da Montfort, abaixo copio a carta que enviarei ao Arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela a respeito de erros cometidos durante a missa de 20 de setembro de 2009 em Serra-ES.
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Serra, 21 de Setembro de 2009

Excelência Reverendíssima Dom Luiz Mancilha Vilela,
Digníssimo Arcebispo Metropolitano de Vitória do Espírito Santo,

É com pesar que escrevo esta carta, após uma incidente que muito me entristeceu, durante a Missa do XXV domingo do tempo comum (20 de setembro de 2009), na Igreja Sede da Paróquia São Francisco de Assis, em Laranjeiras, Serra. Tenho a relatar dois erros cometidos pelo pároco Lúcio Lameira Bravim.

Primeiro Erro – Obrigação à comunhão na mão
Embora eu seja só um leigo jovem, com pouca instrução religiosa e com uma fé muita pequena e recente, por minhas muitas leituras sobre temas religiosos e litúrgicos, creio que o que aconteceu foi um erro, cometido pelo do padre Lúcio.
Ele é um padre diocesano, muito solicito e disponível, mas é claro que não é infalível, é imperfeito como qualquer um de nós, logo, preciso de ser corrigido. Durante a missa mencionada anteriormente, o pároco negou-me a recepção da Sagrada Eucaristia na boca e insistiu para que a tomasse na mão. Para evitar maiores problemas aceitei, mas muito a contragosto, por ser direito meu e para comprová-lo usarei a Instrução REDEMPTIONIS SACRAMENTUM (Sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia), da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos:

Capítulo IV – Seção 2
[92.] Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca[178] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares onde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia. Sem dúvida, ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.[179]

Creio que não haja outra interpretação possível para o texto, logo perdi um direito baseado em séculos de tradição, de receber a Comunhão na língua, e tive de recebê-la na mão, que embora permitida desde 1969, não tem a mesma reverência e o mesmo cuidado do modo tradicional.
Confirma-o o ensinamento de S. Tomás de Aquino, na sua grande Summa Theologica. Nas suas palavras:

“(…), por respeito para com este Sacramento, nada Lhe toca a não ser o que é consagrado; eis porque o corporal e o cálice são consagrados, e da mesma maneira as mãos do sacerdote, para que toquem este Sacramento. E assim, não é licito que qualquer outra pessoa Lhe toque, exceto em caso de necessidade, por exemplo, se caísse ao chão ou em qualquer outro caso de urgência.” (ST, III, Q.82, Art. 13)

S. Tomás, príncipe dos Teólogos da Igreja e um gigante comparado com todos os outros, ensina claramente que compete ao sacerdote, e só a ele, tocar e ministrar a Sagrada Hóstia, e que “só o que é consagrado” (as mãos do sacerdote) “devem tocar o Consagrado” (a Hóstia Sagrada).
Deste modo, embora eu não negue a possibilidade da comunhão na mão, nem o poderia fazê-lo ainda que o quisesse, prefiro comungar da maneira antiga.
Mas vemos que hoje na Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo o padrão é tomar a Hóstia nas mãos e quem toma na língua ou de joelhos é mal considerado, até por párocos!?
Considero que a Comunhão na língua e quem sabe de joelhos poderia ser trazida de volta à Igreja no Estado, como uma maneira de reverência e para lembrar aos fiéis a importância do maior dos sacramentos, a Eucaristia. E de modo a evitar que os católicos se condenem ao comungarem sem o devido respeito, pois diz São Paulo que ” Quem comer este pão … indignamente, será culpado do corpo do Senhor ” (1 Cor 11, 27) – e ainda no mesmo sentido: ” O que come indignamente, come a sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor ” (1 Cor 11, 29).
Já esclareci o erro quanto à obrigação que tive de comungar na mão e agora vamos ao segundo erro, pior que o primeiro por afetar a todos os fiéis da Paróquia.

Segundo Erro – Erro na Comunhão sob as duas Espécies
Nesta Paróquia de São Francisco de Assis, é hábito a Comunhão sob as duas espécies. Ela ocorre da seguinte maneira: o pároco ou ministro da Eucaristia entrega o Corpo de Cristo, o fiel o toma, faz intinção no Sangue e comunga.
Este é um dos erros condenados pela Instrução Redemptionis Sacramentum, como visto a seguir:

Capítulo IV – Seção 4
[103.] As normas do Missal Romano admitem o principio de que, nos casos em que se administra a sagrada Comunhão sob as duas espécies, «o sangue do Senhor se pode ser bebido diretamente do cálice, ou por intinção, ou com uma palheta, ou uma colher pequenina».[191] No que se refere à administração da Comunhão aos fiéis leigos, os Bispos podem excluir, nos lugares onde não seja costume, a Comunhão com palheta ou com colher pequenina, permanecendo sempre, não obstante, a opção de distribuir a Comunhão por intinção. Para se utilizar esta forma, usam-se hóstias que não sejam nem demasiadamente delgadas nem demasiadamente pequenas e o comungante receba do sacerdote o sacramento, somente na boca.[192].
[104.] Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice, nem receber na mão a hóstia molhada. No que se refere à hóstia que se deve molhar, esta deve ser de matéria válida e estar consagrada; estando absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria.

Creio que não haja outra interpretação para o texto, logo uma erro condenado pelo Vaticano é cometido em toda Missa na Paróquia São Francisco de Assis.
Recentemente participei de um Retiro Vocacional Jesuíta em Anchieta, e observei o mesmo erro da intinção feita pelo fiel durante uma Celebração Eucarística do Padre Carlos, jesuíta, no Centro de Espiritualidade Padre Anchieta (CESPA).
Logo, imagino que este erro seja muito mais disseminado na Arquidiocese do que possamos imaginar e uma medida enérgica do Arcebispo é necessária para que não mais ocorra entre nossos padres.

A voz do pastor é conhecida pelas ovelhas que pertencem ao seu pastoreio (Jo 10:4). O pastor era responsável pela morte ou desaparecimento de uma ovelha (Gn 31: 39), e por isso às guardava dia e noite (Gn 31: 40), e tinha a responsabilidade de defendê-las contra os ataques das feras (I Sm 17: 34-35), mas era isento deste prejuízo se fosse provado que não foi por negligência (Ex 22: 10-13). Era de responsabilidade do pastor ir em busca das ovelhas que se ausentassem do Aprisco (Ez 34: 4). Carregar nos braços os cordeirinhos e apascentar com cuidado as que amamentavam (Is 40: 11). Curar a ovelha doente (Ez 34: 16).

Negritos nos textos são meus e a Instrução Redemptionis Sacramentum foi retirada diretemente do sítio eletrônico do Vaticano em 20 de setembro de 2009 de:

Por haver convocado o importantíssimo Sínodo Arquidiocesano, tenho certeza de que Vossa Excelência Reverendíssima tem muito cuidado com a doutrina Católica e em duas missas em que estive presente (a missa antes da Romaria dos Homens, em abril, e aquela em que ocorreu a belíssima apresentação do documento do Primeiro Sínodo da Arquidiocese, em agosto), notei o zelo e o carinho com que as celebrou.
Embora minha ambição não seja a de ensinar o padre a rezar missa (perdoe-me o trocadilho), tenho certeza de que devo denunciar erros litúrgicos, buscando o aprimoramento do nosso clero.
Eu creio no Espírito Santo e confiando em sua intercessão, espero que Vossa Excelência Reverendíssima ouça o meu apelo, pois é o único capaz de remediar tais distorções. Esperando ter sido útil, com toda a humildade, colocando-me às suas ordens, e rogando a sua bênção Episcopal.

Emerson Gonçalves Garcia
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Parabéns Montfort pelo belo trabalho. Obrigado.
 

Muito prezado Emerson, salve Maria.
 
     Você faz bem em protestar contra esses abusos litúrgicos. Mas fez mal em aceitar a comunhão na mão. Não se colabora com abusos.
 
     Obrigado por suas palavras de apoio à Montfort
 
In Corde Jesu, semper,
     Orlando Fedeli

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