Montfort Associação Cultural

20 de janeiro de 2005

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Legítima Defesa

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Augusto César
  • Localizaçao: – Brasil

Prezado Orlando, Onde está na Bíblia o fundamento da legítima defesa se Jesus disse: Mt 5

39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.* Pedro disse: II Pe 2 19 Com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer contrariedades e padecer injustamente, por motivo de consciência para com Deus.* 20 Que mérito teria alguém se suportasse pacientemente os açoites por ter praticado o mal? Ao contrário, se é por ter feito o bem que sois maltratados, e se o suportardes pacientemente, isto é coisa agradável aos olhos de Deus.

21 Ora, é para isto que fostes chamados. Também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo para que sigais os seus passos.

22 Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca (Is 53,9).

23 Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça.

Outra coisa: quando o Papa escreve uma Encíclica implica em aceitação obrigatória por parte do fiel ou pode-se porventura discordar aqui e ali? Quando a obediência deve ser incondicional? Quando há, por exemplo, decisoes de cunho dogmático? Todas as Encíclicas são inspiradas por Deus? Elas têm o mesmo valor que a Revelação?

Por último, não acha que foi muita covardia dos hebreus “passarem a fio de espada” crianças e animais? Era lícito matar criancinhas de colo, inocentes e animais? Deus ordenou mesmo isso? Esse livro de Josué de longe é o mais sanguinolento de todos!

Js 6 21 Tomaram a cidade e votaram-na ao interdito, passando a fio de espada tudo o que nela se encontrava, homens, mulheres, crianças, velhos e até mesmo os bois, as ovelhas e os jumentos.

Js 10 30 O Senhor entregou-a com seu rei nas mãos de Israel, que passou ao fio da espada a cidade com todo ser vivo que nela havia, não deixando escapar nenhum. E fez ao seu rei como tinha feito ao rei de Jericó.

31 De Libna passou Josué com todo o Israel a Laquis, onde levantou o seu acampamento, sitiando-a.

32 O Senhor lha entregou, e Israel apoderou-se dela no segundo dia, passando-a ao fio da espada com todo ser vivo, como tinha feito a Libna.

33 Então, Horão, rei de Gaser, veio em socorro de Laquis, mas Josué o derrotou com todo o seu povo até o extermínio completo.

34 De Laquis, passou Josué com todo o seu povo a Eglon; levantaram ali o seu acampamento, e atacaram-na.

35 Tomaram-na no mesmo dia, e passaram-na ao fio da espada, votando ao interdito todo ser vivo, como tinha feito a Laquis.

36 Subiu em seguida com todo o Israel de Eglon a Hebron, e atacaram-na.

37 Tomaram Hebron e passaram ao fio da espada a cidade com seu rei, seus arrabaldes e todo ser vivo, sem nada deixar escapar, como tinham feito a Eglon. A cidade foi votada ao interdito com todo ser vivo.

38 Dali Josué, com todo o Israel, voltou-se contra Dabir e atacou-a; 39 apoderou-se dela, juntamente com seu rei, e passou-os ao fio da espada. Votou ao interdito toda alma viva que nela se achava, sem nada poupar, e fez a Dabir e ao seu rei como tinha feito a Hebron e a Libna com seus reis.

40 Josué feriu toda a terra: a montanha, o Negeb, a planície, as colinas com todos os seus reis, sem poupar ninguém, votando ao interdito tudo o que respirava, segundo a ordem do Senhor, Deus de Israel.

Js 11 11 Passaram ao fio da espada toda alma viva nessa cidade e votaram-na ao interdito. Nada ficou de tudo o que tinha vida, e incendiou-se Asor.

12 Tomou também Josué todas as cidades desses reis (coligados) e passou-as ao fio da espada, votando-as ao interdito, como Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado.

13 Entretanto, Israel não incendiou nenhuma das cidades situadas nas colinas, exceto unicamente Asor, que Josué queimou.

14 Os filhos de Israel apossaram-se de todos os despojos dessas cidades e dos rebanhos. Quanto aos homens, porém, massacraram-nos todos com a espada, até exterminá-los completamente, sem deixar ninguém com vida.

I Sm 15 1 Samuel disse a Saul: O Senhor enviou-me para que te consagrasse rei de seu povo de Israel. Ouve agora o que diz o Senhor.

2 Assim fala o Senhor dos exércitos: Vou pedir contas a Amalec do que ele fez a Israel, opondo-se-lhe no caminho, quando saiu do Egito.

3 Vai, pois, fere Amalec e vota ao interdito tudo o que lhe pertence, sem nada poupar: matarás homens e mulheres, crianças e meninos de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.

Quanto a esta brincadeira abaixo com Eliseu? Tolerância zero?

II Rs 2 23 Dali subiu a Betel. Enquanto ia pelo caminho, saíram da cidade alguns rapazes, e puseram-se a zombar dele, dizendo: Sobe, careca; sobe, careca!

24 Eliseu, voltando-se para eles, olhou-os e amaldiçoou-os em nome do Senhor. Imediatamente saíram da floresta dois ursos e despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes.

Gostaria de respostas convincentes, mas convincentes MESMO!

Obrigado e parabéns pelo seu trabalho!

Augusto César

Muito prezado Augusto, salve Maria!

Muito obrigado por seu elogio a nosso trabalho no site Montfort.

Você me pergunta: Onde está na Bíblia o fundamento da legítima defesa na Bíblia.

Legítimo é aquilo que está de acordo com a lei. E necessariamente com a lei de Deus No êxodo, capítulo XXI, quando Deus trata do homicídio, há vários casos em que Deus ressalta o direito de defesa.

Ademais, se Cristo pregou o perdão dos que nos ofendem, e mandou oferecer a face esquerda, quando nos golpearem a face direita, você deve lembrar que, quando o próprio Cristo foi esbofeteado, na noite de seu julgamento por Anás, Ele mesmo não ofereceu a outra face, mas protestou contra aquele que o esbofeteava dizendo-lhe:

“Se falei mal, mostra-me o que eu disse de mal; mas se falei bem, por que me feres?” (Jo. XVIII, 23).

Portanto, há casos em que se deve dar a outra face, e há casos em que se deve resistir e legitimamente defender-se.

Deve-se dar a outra face, sem resistir, quando vemos que essa atitude pode converter o nosso agressor.

Caso contrário devemos resistir e defender-nos legitimamente. Porque se não reagindo, levamos a pessoa a nos ofender de novo, estaremos cooperando para que ela peque outra vez.

Por isso, na Sagrada Escritura, se contam tantos casos de guerras justas feitas por homens santos, em legítima defesa, como Davi, os Macabeus, etc.

Foi por isso que Nosso Senhor não mandou Pedro jogar fora a espada. E noutra ocasião disse:

“Agora, quem não tem uma espada, venda o manto e compre uma”. Eles responderam: “eis aqui duas“. Jesus disse-lhes: “Basta“. (Luc XXII, 37-38).

Logo, é legítimo ter armas, para se defender.


Você me pergunta depois, se as encíclicas papais são infalíveis em tudo o que nelas há.

Esse problema é bem complexo. Recomendo-lhe a leitura de um livro que bem trata desse tema: “Les Encycliques: une source doctrinale” de Dom Paul Nau (As encíclicas: uma fonte doutrinal.) Nessa obra se explica que as encíclicas, normalmente, são atos do Magistério Ordinário do Papa.

O Papa é sempre infalível no seu Magistério extraordinário.

Isso não significa que em seu Magistério Ordinário o papa seja sempre falível.

No seu Magistério Ordinário, quando o Papa ensina algo invocando o poder das chaves, tratando de Fé e Moral, ensinando toda a Igreja, e definindo um tema, ele usa aí seu poder de Magistério extraordinário e infalível. Não só nesse caso pode haver ensinamento infalível numa encíclica. O Papa ensina infalivelmente numa encíclica, quando repete a doutrina ensinada a toda a Igreja, universalmente, por muitos papas, durante longo tempo. Nesse caso, mesmo sendo em documento do Magistério Ordinário, o papa é também infalível.

É claro que é difícil verificar, concretamente, em que casos isso se dá, e há muita discussão a respeito de um ou outro caso concreto. Mas a doutrina é essa.


Você me pergunta se foi justo Deus mandar exterminar todos os habitantes da Palestina, quando lá chegaram os hebreus.

É claro que se Deus mandou isso, foi justo fazê-lo.

Você não deve se esquecer que é Deus quem nos dá a vida, e que Deus no-la tira, quando quer, fazendo-nos morrer de câncer ou pela espada, de febre ou de velhice, quando for melhor para nós. Morrer não é o principal mal. O pior mal é o pecado, que nos faz morrer eternamente no inferno.

Por isso, para nos ensinar muitas coisas, Deus fez exterminar aqueles povos, ensinando-nos que, em certas circunstâncias, tal coisa, ordenada diretamente por Deus, é justa.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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