Montfort Associação Cultural

28 de janeiro de 2005

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Justiça x Misericórdia

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ricardo Oliveira
  • Idade: 37
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação incompleta
  • Profissão: Administrador
  • Religião: Católica

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Certa vez ouvi em uma homilia que uma santa mística, que tinha locuções interiores com Jesus Cristo, perguntou a Ele o que ocorrera com Judas, que entregou Cristo aos sumos sacerdotes. Jesus então teria respondido a essa santa: “Minha filha, não lhe digo o que ocorreu com Judas para que a humanidade não abusa da Misericórdia de Deus.”
Entretanto, o livro A Fé Explicada, de Leo Trese, diz que a morte fixa a alma no estado em que se encontra. Assim, mesmo que alguém tenha dedicado a vida inteira a Igreja mas, no momento de sua morte estava em pecado, sua alma se fixa nesse estado e vai para a danação eterna.

Diante destas duas idéias que a meu ver parecem opostas, mas que falam sobre a Justiça e a Misericórida de Deus, gostaria de saber em que proporção Deus atua com misericórdia ou justiça em uma pessoa que, no momento da sua morte, se encontra em situação de pecado, afastada de Deus.

Abraço fraternal.

Ricardo.

Muito prezado Ricardo,
salve Maria!
 
    Você me faz uma pergunta que só Deus poderia responder:
    “gostaria de saber em que proporção Deus atua com misericórdia ou justiça”.
    Entretanto, se é impossível responder com exatidão matemática ao que você me pergunta, é possível esclarecer um tanto a questão.
    Antes de tudo, preciso dizer-lhe que a citação que você faz de uma vidente é completamente contrária ao que diz o Evangelho.
    Com efeito, à tal vidente, Jesus teria respondido a respeito de Judas:“Minha filha, não lhe digo o que ocorreu com Judas para que a humanidade não abusa da Misericórdia de Deus.”
    Ora, dizendo que não poderia responder, na realidade, Cristo teria deixado bem claramente insinuado que Judas se salvou. E isso vai contra o que está escrito sobre Judas: “E não perdi nenhum deles, a não ser o filho da perdição” (Jo. XVII, 12).
    Contrariando o que diz o Evangelho, concluo que essa revelação que você cita é falsa.
    Também a frase em que você me diz : – ”alguém tenha dedicado a vida inteira a Igreja mas, no momento de sua morte estava em pecado, sua alma se fixa nesse estado e vai para a danação eterna” –. deveria ser corrigida, porque ela imagina Deus como Ele não é.
    Claro que uma pessoa que morra em pecado mortal é condenada eternamente. Mas a hipótese levantada de que Deus permita quem viveu sempre bem, acabe morrendo em pecado, distorce a realidade, pois supõe que Deus não socorra com graças quem viveu sempre bem, o que, de certa forma, transformaria a salvação numa espécie de loteria.
    Ora, o ditado afirma que “talis vita, mortis ita” — tal vida tal morte — ´´e natural que uma pessoa que viveu bem, morra em estado de graça.
    É bem possível que uma pessoa que viveu mal, morra mal.
    Mas, mesmo quem viveu mal, é socorrido pela graça de Deus e pode se converter na última hora, como aconteceu com o bom ladrão. E as conversões de última hora devem ser muito mais numerosas do que se pensa, pois Deus, que é infinitamente misericordioso, leva em conta muitos fatores que os homens desconhecem.     
    Nosso Senhor deixou envolta em mistério essa questão que você me coloca, porque, poderíamos ou abusar da misericórdia divina, ou cair em desespero.
    Não exageremos a justiça de Deus, fazendo-a em nossa escalão, dura demais e sem misericóridia; e não deformemos a sua misericórdia infinita transformando-a em moleza blasfema.
    Deus não é carrasco. Deus não é permissivista.
    Mas é nosso Pai infinitamente misericordioso, porque é infinitamente justo.
    Confiemos em sua misericórdia infinita, sem abusar de sua justiça.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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