Montfort Associação Cultural

4 de fevereiro de 2010

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Jorge, odioso pela defesa que faz do odioso regime comunista

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: João Jorge Amado
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Aposentado
  • Religião: Ateu

Senhor professor,

Fazendo um levantamento, pela internet, de textos referentes a meu pai, o escritor Jorge Amado, encontrei essa referência sua a meus pais, à ABL e ao ex-Presidente José Sarney.

“[...]Hoje, o Sarney é membro da Academia Brasileira de letras. Junto com o Jorge Amado, e até com a mulher do tal Jorge odioso.[...]“

Naturalmente não desejo discutir as qualidades literárias de meu pai. Muitos não gostam do que ele escreveu e nunca foi uma unanimidade. Não gostar da literatura de JA é um direito de cada um e depende apenas de gosto pessoal.

Não posso conceber, contudo, que seu desapreço pelos escritos de um escritor justifiquem apodá-lo de “o tal Jorge odioso”.

Não creio que o senhor professor tenha tido o privilégio de conhecê-lo ou muito menos de conviver com ele. Os que o conheceram sabiam da sua extrema generosidade. Não me parece, também, razoável que o professor demonstre esse ódio por quem não conhece.

Que outras razões então haveria? Por se tratar o professor de um pensador católico? Teria ódio de tudo o que não fosse católico? Ou seria pelo fato de ser o professor um homem conservador (prefiro o termo conservador a reacionário)? Consideraria odioso todo aquele que se posicionasse a favor do socialismo, como era o caso de meu pai?

Posso lhe informar que o sectarismo nunca foi uma característica dele. Suas posições políticas e seu materialismo nunca o limitaram. Entre seus amigos contava com pessoas das mais variadas cores políticas. Sendo materialista foi responsável pela introdução na constituição de 46 (foi deputado constituinte) do artigo que garantia a liberdade religiosa no Brasil. Mais recentemente, pouco antes de sua morte, levantou-se em defesa da Irmandade da Boa-Morte (de Cachoeira), ameaçada pelo descaso dos poderes públicos.

Se meu pai lhe parece odioso por não ter comungado de sua posição política ou com sua fé religiosa, temo que a maior parte da humanidade seja odiosa a seus olhos.

Tenho pena do senhor professor.

Atenciosamente

João Amado

Muito prezado sr. João, salve Maria.
 
Agradeço sua carta particualrmente pelo tom respeitoso com que me trata e o louvo por fazer sua defesa filial.  
 
Claro que usei o termo “odioso” por motivo doutrinário e não pessoal. E se ofendi ao senhor, peço-lhe desculpas,  respeitando seu caráter de filho que cumpre o seu dever.
 
Mas o comunismo prega o ódio entre os homens. Prega a luta de classes, e a leva até à pregação da luta armada e da guerra, e por isso o cumunismo é odioso. O Papa Pio XI condenou o comunismo – e o socialismo — dizendo que o comunismo é intrinsecamente mau. E o socialismo é inconciliável com o catolicismo. Para Marx, a religião é ópio do povo e deve ser destruída.
 
Ademais os temas escabrosos tratados nos livros do senhor seu pai, fizeram, e fazem, desgraçadamente um grande mal, especialmente à  juventude,  e são por isso condenáveis
 
E a liberdade de religião é erro liberal.
 
Que adianta propor a liberdade de religião para propagar o erro e a verdade em igualdade de condições? Isso equivale a dar, num hospital, liberdade igual às bactérias e aos remédios.
 
Compreendo que o senhor, sendo ateu – o que lamento -, não conheça o que a Igreja católica ensina infalivelmente em nome de Deus.
 
Recomendo-lhe, pois, que leia as encíclicas de Pio XI Quadragésimo anno e Divini Redemtoris, entre outras de outros papas
.
Renovo, pois, meu pedido de desculpas ao senhor, pois não quis dar ao termo usado sentido pessoal.
 
Coloco-me à sua disposição paar conversarmos sobre esses temas.
 
In Corde Jesu, semper,
     Orlando Fedeli

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