Montfort Associação Cultural

4 de janeiro de 2006

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João XXIII, Paulo VI e a Maçonaria

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Pedro
  • Idade: 28
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Fiquei com algumas dúvidas lendo o artigo “Acariciar ou denunciar o Cavalo de Tróia“.

Primeira dúvida é sobre o texto abaixo de Dom Estevão Bettencourt.Ele escreveu isso mesmo?Quer dizer que todo católico pode ser maçom?Me corrijam se eu li ou entendi errado.

“Quanto aos católicos que ainda não pertencem à Maçonaria e nela desejam entrar, para que o possam fazer de consciência tranqüila, procurem previamente certificar-se dos rumos filosóficos adotados pela loja a que se candidatam. Procurem chegar à possível clareza, usando de sinceridade para consigo mesmos, para com a Igreja e para com Deus. Se se torna evidente que em tal Loja não há intenções anticatólicas, entrem…” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos, Ano VII , N0 195 – Março de 1976, p.41).

A Segunda dúvida é sobre os Papa João XXIII e Papa João Paulo VI .
Me corrijam se eu entendi errado ,o Prof. Orlando Fedeli dá a entender que o Papa João XXIII e Papa João Paulo VI tiveram forte influência maçônica, sendo assim, eu poderia chamá-los de Papas maçônicos?Então os Papas que vieram depois deles também poderiam ser maçons?

O Prof. Orlando Fedeli expondo sua opnião ou palpite dessa maneira não estaria ajudando no grande cisma da Igreja?Sim ,porque se um Papa é maçom ou tem influência ,como poderia ser ele infalível?Da maneira que o Prof. Orlando Fedeli coloca é como se o Papa João XXIII e Papa João Paulo VI nem fossem projetos ,nem exemplo de Papa.O Prof. Orlando Fedeli escreve como se conhecesse pessoalmente e profundamente até a consciência de cada Papa, como se tivesse o poder de percrustar corações e auto conhecimento de causa.

É uma tese temerária pois se eu seguir essa linha de raciocínio do Prof. Orlando Fedeli cairia por terra o que disse nosso Senhor: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, as portas do inferno sobre ela não prevalecerão”.

O Papa João XXIII e Papa João Paulo VI não seria os legítimos Pedro e as portas do inferno prevalecem sobre a igreja de João XXIII até agora em pleno 2005.

Muito prezado Pedro,
salve Maria!

    Você leu certo. O trecho citado é de Dom Estevão mesmo, e ele considerou, nessa ocasião, que um católico pode ser maçon. O que é um absurdo.
    Os estudos históricos mais sérios comprovam a influência das seitas secretas nesses dois paaps. Quanto a eles terem sido ou não filiados à uma seita secreta não tenho informação comprovada. Houve acusação sobre ligações de Paulo VI com certas lojas. Mas ainda que isso fosse verdade, isso em nada afetaria a legitimidade de seus pontificados.
    Um Papa que se filiasse à uma seita secreta continuaria Papa, e embora cometesse um grande pecado, esse Papa continuaria tendo todos os poderes de Papa inclusive a infalibilidade, quando a exercesse nas condições previstas pela Igreja.
    Um Papa que pessoalmente caísse em heresia, mesmo assim continuaria Papa legitimo, pois que ninguém na terra pode depor um Papa. Ninguém pode julgar um Papa.
    O fato de um Papa poder cair pessolmente em erro e em heresia, filiar-se a uma seita condenada, e continuar infalivel quando ensinar a Igreja de modo ex cathedra é que comprova a veracidade da promessa de Cristo de que as portas do inferno não prevalecerão sobre a Igreja.
    E não escrevi nada julgando as intenções de Papa nenhum. Só Deus conhece as intenções. Você concluiu coisas que eu não disse. Nunca me permiti entrar na consciência pessoal de ninguém. Sua acusação a mim não tem base. Ela é fruto de seu susto e de uma leitura mal feita do que escrevi.
    João XXIII e Paulo VI foram Papas legítimos. E embora eles tivessem tido pontificados desastrosos, eles foram Papas mesmo.
Seu espanto é fruto da falta de conhecimento generalizado dos católicos barsileiros sobre a Hist[ória dos Papas e sobre a doutrina católica. Procure ler biografias sérias sobre esses Papas e verá que o que informei é de conhecimento comum na Europa.  

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

PS Havia eu já mandado esta carta para você, quando, à tarde, reli um livro sobre Maçonaria e Igreja Católica de autoria dos Padres J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Editora Paulus, São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998.
    Essa obra, escrita por vários sacerdotes, defende a aproximação da Igreja e da Maçonaria.
    Recomendo que você a leia, para que saiba quantos padres (como Dom Estevão) defendem essa aproximação, exatamente após o Vaticano II, concílio feito por João XXIII e Paulo VI.
    Pois na página 100 e 101 desse livro, você lerá o seguinte:
 "...cremos que sinais claros desta nova, mais serena atitude encontra (sic)-se também na posição assumida por alguns grupos maçônicos diante da figura dos dois papas artífices do Concílio, por ocasião de sua morte.
 
" Na de João XXIII, o Dr. G. Gamberini, Grão Mestre do Grande Oriente da Itália -- [e, acrescento eu, Bispo da Igreja Gnóstica] – distribuiu a nota seguinte:
   
Sucede quase sempre, que um papa deixe profundas lamentações no âmbito de sua Igreja, mas, certamente, é a primeira vez que um papa morre circundado pela simpatia e pelo afeto de toda a humanidade. Desaparece, como todos sentem, um homem bom. Juntamente com esse homem bom desapareceo mais límpido, e ao mesmo tempo, o mais genial e eficaz defensor da Igreja. Consagrara-se à sobrevivência da Igreja, e a esta sobrevivência estava pronto a sacrificar todo outro valor tradicionalmente a ela associado  [efoi o que ele e Paulo VI fizeram no Vaticano II]. a sua morte é grande mal para a Igreja. Mas desaparece, também, um homem que se prometia colmar(sic) [tapar], em virtude de um autêntico sentimento cristão, o abismo escavado pela Igreja , antes dele, entre si mesma e a civilização moderna. E a sua morte é um grande mal para todos”. (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus , São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp100-101. Os destaques são meus).
    Nessa mensagem deve-se notar não só a admiração de um alto maçon por João XXIII, como principalmente informação de que João XXIII aceitou sacrificar os valores tardicionais da Igreja para que ela sobrevivesse. 
    
Teria alguém ameaçado a Igreja de que ela pereceria, e que João XXIII negociou a sobrevivência da Igreja em troca do sacrifício de seus valores mais tradicionais?
    Se foi assim, o sacrifício dos valores mais tardicionais da Igreja foram feitos no Vaticano II. E foi o Vaticano II que aceitou a civilização moderna, isto é, o antropocentrismo, colocando o Homem no lugar de Deus.
    O mesmo maçon Gamberini, “Bispo” da Igreja Gnóstica também elogiou o papa Paulo VI por ocasião de sua morte dizendo:
 
“(…) Nenhum dos seus predecessores foi tão difamado como ele. Talvez, porque, no seu tempo, a arte de difamar não conseguira as presentes garantias de impunidade. Mas, sem dúvida, a ele e não aos seus predecessorres coube a sorte de tomar conhecimento da incumbência da ameaça final para a sua Igreja como para todas as religiões, como para toda espiritualidade. E teve de bater-se e procurou fazê-lo em mais de uma frenrte, com mais de uma tática. Para os outros a morte de um Papa é um acontecimento proverbialmente raro, mas que acontece, não obstante com a freqüência de anos e de decênios. Para nós é a morte de quem fez cair a condenação de Clemente XIV e de seus sucessores. Ou seja, é a primeira vez — na História da Maçonaria moderna — que morre o chefe da maior religião ocidental, não em estado de hostilidade com os maçons. E pela primeira vez na História os maçons podem render homenagem ao túmulo de um Papa, sem ambiguidades nem contradições. (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus , São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp101-102. Os destaques são meus).
 
    Essa foi a honra de Paulo VI: ser honrado pela Maçonaria sem ambiguidades nem contradições.
    E se diz nesse texto que Paulo VI estava consciente “da ameaça final para a sua Igreja como para todas as religiões, como para toda espiritualidade”.
    Que ameaça foi essa e quem a fez? OF

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