Montfort Associação Cultural

8 de outubro de 2004

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João Paulo II e o neocatecumenato

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Alessandro
  • Localizaçao: – Brasil

Prezados!

Li em seu site uma resposta sobre o movimento neo-catecumenal e as heresias que o mesmo prega e que estão enumeradas num artigo em seu site.

Recentemente, respondi a uma irmã que me indagava a respeio do neo-catecumenato e, como considero esse site, extremamente rico e comprometido com a verdade, respondi com base no que estava publicado. Depois complementei dizendo que o pontificado e o Papa não poderiam estar em acordo com estas heresias.

Ei que, para a minha supresa, a irmã respondeu, dizendo que eu estava enganado e que o Papa joão Paulo II apoiava o movimento, segundo sua carta abaixo. Peço sua infalível ajuda para que eu possa respondê-la em defesa de nossos argumentos e, se for verdade que o Papa apoia tal movimento e o mesmo é infalível nestas questões, como podemos taxar o movimento neo-catecumenal de ilegítimo e herege??? Me ajudem!

[]s fraternos
Alessandro.

“Prezado Alessandro,

Infelizmente sua resposta foi inverossímil, sem o menor fundamento. O Papa joão paulo II reconhece plenamente o Caminho neocatecumenal, apoia e, a cada dois anos, encontramo-nos com ele pelas peregrinações mundo afora. Da próxima vez que for responder uma questão, aconselho deixar o preconceito de lado e pesquisar, para que possa dar uma resposta imparcial e, principalmente, concreta, sem deixar-se levar por um único aspecto da vida.
Quanto a esse padre que escreveu tal livro, só posso comentar que o pobre coitado não entendeu absolutamente nada, caluniando uma realidade vital para a igreja do terceiro milênio. A deus, somente a Ele, cabe o julgamento…
Segue abaixo uma carta do Santo Padre João Paulo II a respeito do Caminho Neocatecumenal.
Informe-se, Irmão!!!

Ao Venerado Irmão Monsenhor PAUL JOSEF CORDES
Vice – Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos
Encarregado ” ad personam ” para o Apostolado das Comunidades Neocatecumenais.

Cada vez que o Espírito Santo faz germinar na Igreja novos impulsos de uma maior fidelidade ao Evangelho, florescem novos carismas que manifestam tal realidade e novas instituições que a põem em prática. Foi assim depois do Concilio de Trento e depois do Concílio Vaticano II.
Entre as realidades geradas pelo Espírito nos nossos dias figuram as Comunidades Neocatecumenais, iniciadas pelo senhor K. Argüello e pela senhora C. Hernández (Madrid, Espanha), e cuja eficácia para o renovamento da vida cristã vinha enaltecida pelo meu predecessor Paulo VI como fruto do concílio: “Quanta alegria e quanta esperança nos dais com a vossa atividade… viver e promover este despertar é o vós chamais uma forma pós-Batismal que poderá renovar as hodiernas comunidades cristãs os efeitos de maturidade e de aprofundamento que na Igreja primitiva eram realizadas no período pré-Batismal” (Paulo VI às Comunidades Neocatecumenais, audiência geral, 8 de Maio de 1974, in Notitiæ 96-96, 1974, 230).
Também eu, nos numerosos encontros que, como Bispo de Roma, tive nas paróquias romanas com as Comunidade Neocatecumenais e seus pastores e nas minhas viagens apostólicas a muitas nações, pude constatar copiosos frutos de conversão pessoal e um fecundo impulso missionário.
Tais comunidades visibilizam, nas paróquias, o sinal da Igreja missionária e “esforçam-se por abrir a estrada à evangelização daqueles que quase abandonaram a vida cristã, oferecendo-lhes um itinerário do tipo catecumenal, percorrendo todas as fases que na Igreja primitiva os catecúmenos percorriam antes de receber o sacramento do Batismo; reaproxima-os à Igreja e a Cristo” (Cfr. Catecumenato pós-batismal, in Notitiæ, 96-96, 1974, 229). São o anúncio do Evangelho, o testemunho em pequenas comunidades e a celebração eucarística em grupos (Cfr. Notificação sobre as celebrações nos grupos do “Caminho Neocatecumenal” in L’Osservatore Romano, 24 Dezembro de 1988) que permite aos seus membros o pôr-se ao serviço da renovação da Igreja.
Vários irmãos no Episcopado têm reconhecido os frutos deste caminho. Limito-me a recordar o então Bispo de Madrid Mons. Casimiro Morcillo, em cuja diocese e sob seu governo nasceram, no ano de 1964, as comunidades Neocatecumenais e que ele acolheu com tanto amor.
Passados mais de 20 anos de vida das comunidades, difundidas nos cinco continentes,
- tendo em conta a nova vitalidade que anima as paróquias, o impulso missionário e os frutos de conversão que florescem pelo empenho dos itinerantes e, ultimamente, pela obra das famílias que evangelizam em zonas descristianizadas da Europa e de mundo inteiro;
- tendo em consideração as vocações, surgidas deste caminho, para a vida religiosa e para o presbiteriato, e o nascimento dos Colégios diocesanos de formação ao presbiterato para a nova evangelização, um dos quais é o Redemptoris Mater de Roma;
- tendo tomado conhecimento da documentação apresentada por V. Exª.:
acolhendo o pedido que me dirigiu, reconheço o Caminho Neocatecumenal como um itinerário de formação católica, válida para a sociedade e para os tempos hodiernos.
Faço votos, portanto, que os irmãos no episcopado valorizem e ajudem – conjuntamente com seus presbíteros – esta obra em favor da nova evangelização, para que esta se realize segundo as linhas propostas pelos iniciadores, no espírito de serviço ao Ordinário do lugar, em comunhão com ele e no contexto da unidade da Igreja particular com a Igreja Universal.
Com garantia de tal voto concedo a V. Exª. e a todos os que pertencem às Comunidades Neocatecumenais a minha Benção Apostólica.
Vaticano, 30 de agosto de 1990, XII de Pontificado.
João Paulo II

[Traduzido do original italiano (AAS 82 (1990), 1513-1515)]. “

Muito prezado Alessandro,
salve Maria.

Em primeiro lugar, gostaria de corrigir o que você diz de mim: eu não sou, nem pretendo ser, infalível. Longe disso. Meus amigos brincam comigo me chamando até de o “inacertante”, de tantos erros que cometo, infelizmente.

Mas na questão do Neo catecumenato não errei, não. Esse movimento está cheio de heresias mesmo.

O fato de João Paulo II apoiar esse movimento não exime o neocatecumenato dos erros que nele existem.

O Papa São Pio X apoiou o movimento do Sillon e, anos depois, em documento oficial declarou que o Sillon o havia “ludibriado” e condenou as idéias do Sillon.

O fato de João Paulo II dar apoio a esse movimento é lamentável, porque o Neo Catecumenato está repleto de heresias, que um dia serão condenadas.

Você me perguntará como João Paulo II pode errar nisso, sendo o Papa infalível. .

O Papa é infalível somente quando se pronuncia ex Cathedra, e não há, nem pode haver, um documento ex cathedra — infalível — apoiando um movimento herético.

Repare, além disso, que na carta de João Paulo II está dito que o Papa apoia esse movimento levando em conta a documentação que lhe deram:

(…)”tendo tomado conhecimento da documentação apresentada por V. Exª, acolhendo o pedido que me dirigiu, reconheço o Caminho Neocatecumenal como um itinerário de formação católica, válida para a sociedade e para os tempos hodiernos.”

Se a documentação que deram ao Papa não foi completa, ele pode ter sido enganado, como São Pio X disse que foi “ludibriado” pelo Sillon, (cfr. carta Apostólica Notre Charge Apostolique).

O que importa é saber se os erros do Neocatecumenato existem ou não.

Se existem os erros apontados, o movimento é herético, em que pese o apoio de João Paulo II.

Se os erros apontados pelo Padre Zoffoli no Neo Catecumenato não existem, então o apoio do Papa deve ser totalmente aceito.

Pergunte então à Irmã se ela pode lhe fornecer as apostilas que o padre Zoffoli cita, ou se elas são secretas.

Pergunte ainda à Irmã, se ela aceita ou se ela condena os erros que Padre Zoffoli acusou no movimento neo catecumenal.

Caso ela forneça as apostilas citadas e nelas não existam os erros acusados, isso será a favor desse movimento e contra o Padre Zoffoli. Peça-lhe que lhe ajude a elucidar a questão, fornecendo-lhe todos os escritos possíveis do tal Kiko e de Carmen.

Desejando-lhe um ano cheio de graças, me subscrevo,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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