Montfort Associação Cultural

21 de abril de 2005

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Jesuítas no Brasil

Autor: Laura Palma

  • Consulente: Fabiano
  • Localizaçao: Campo Mourao – PA – Brasil

ME APONTE PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DEVIDO A INFLUÊNCIA DA COMPANHIA DE JESUS EM RELAÇÃO A FORMAÇÃO EDUCACIONAL BRASILEIRA.

ABRAÇOS
AGUARDO COM A MAIOR URGÊNCIA A RESPOSTA.
FABI…

Prezado Fabiano Salve Maria,

A importância dos jesuítas para o Brasil foi imensa.
Um dos maiores historiadores brasileiros, J. Capistrano de Abreu, disse: “uma história dos jesuítas é obra urgente; enquanto não a possuírmos será presunçoso quem quiser escrever a do Brasil”. (Capítulos de história Colonial, 4ª ed., 278.)
João Mendes de Almeida escreve: “Sem diminuir o valor das diversas ordens religiosas, é lícito afirmar que o Brasil foi obra mais dos jesuítas, do que dos donatários e do governo de Portugal” (Algumas notas genealógicas, São Paulo, 1886, 52.)
Outros chegaram a dizer que no frontispício da História brasileira campeia resplandecente o glorioso “IHS” jesuítico.

A formação brasileira, em todos os seus aspectos, deve muito aos padres da Companhia. Foram eles que catequizaram, trazendo para a civilização, os grupos indígenas. Foram eles que impediram a desorganização da sociedade colonial, que até a sua chegada sofria os males da falta de guias espirituais. E muitas vezes foram eles os pacificadores das revoltas de brancos e índios.

Foram, também, ardorosos defensores da terra, os nossos primeiros mestres e os primeiros poetas que cantaram o Brasil.
Serafim Leite escreveu em seu livro “Páginas da História do Brasil”:
“A Companhia tinha 9 anos de existência oficial, quando chegou ao Brasil em 1549. Período, portanto, que se pode chamar de expansão, caracterizado pelo espirito de iniciativa, disciplina criadora, entusiasmo que facilita a conquista. Quinze dias depois de chegarem já tinham os Jesuítas desencadeado a ofensiva contra a ignorância, contra as superstições dos Índios, e contra os abusos dos colonos.
Abriram escolas de ler e escrever: pediram a Tomé de Sousa que restituísse às suas terras os índios, injustamente cativos; iniciaram a campanha contra o hábito de comer carne humana: catequese, instrução, obras sociais, colonização. . .”".

Na educação brasileira os jesuítas foram particularmente importantes, pois foi por ela que vieram até aqui. Foi para educar e catequizar os índios que cruzaram o oceano. Foram eles os nossos civilizadores. Procuraram desde cedo reunir os índios (começaram com os curumins que eram menos resistentes) para lhes ensinar e lhes tirar de seus vícios.
Nóbrega fundou na Bahia o Colégio dos Meninos de Jesus, que se tornou o centro mais eficaz da catequese e da civilização das crianças no Brasil.
Espalharam colégios por todas as capitanias: São Vicente, Porto Seguro, Ilhéus, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, etc.

Além de evangelizar o índio, ao contrário do que se diz, também evangelizaram o negro. Estes eram catequizados, muitas vezes, por padres jesuítas negros, provenientes das casas jesuítas na África. “Foram compostos então, catecismos e gramáticas nas línguas africanas para facilitar a assistência dos missionários aos escravos negros”.
(Sobre o trabalho dos jesuítas em prol da educação e dos negros há um interessante trabalho muito pouco divulgado: Igreja e Escravidão TERRA, Martins J. E. S. J.(org) — in Revista de Cultura Bíblica nº 26-27, São Paulo, Loyola, 1983.)

Os Jesuítas foram os pioneiros na educação dos negros: tanto na África, onde já em 1605 tinham inaugurado uma escola em Luanda para os africanos e de onde saíram muitos negros, que desempenharam cargos públicos importantes, como no Brasil. Criaram também diversas escolas profissionais para eles.

Ai está portanto um minúsculo e incompleto elenco da ação dos jesuítas no Brasil. Quanto aos pontos negativos de sua ação educatória, não é difícil encontrar críticas na historiografia moderna. Aliás, é quase só o que se encontra. Não porque tenham sido muitos os maus padres da companhia, mas porque se amplificam e se deturpam seus nomes e suas frases. É obvio que houve maus padres, já que todas as épocas e ordens os tiveram. A nossa época não sofre a falta deles. Porém, a postura oficial da Ordem e da Igreja não pode ser confundida com a de alguns de seus membros.

Hoje em dia se fazem críticas aos jesuítas do passado não tanto por causa de seus maus membros, mas por causa dos bons. Para a historiografia moderna, seu grande erro foi o fato de terem civilizado os índios. Como para o mundo de hoje tudo é relativo e não há verdade, os jesuítas teriam errado ao tentarem “impor” sua religião, suas verdades, seu modo de vestir, seus costumes aos índios, acabando assim com “sua identidade cultural”.
Seria interessante porém perguntar quais dos “costumes” indígenas os jesuítas deveriam ter respeitado: o canibalismo, do qual participavam desde as crianças até os velhos? O homossexualismo, que em algumas tribos chegava a ameaçar sua continuidade? A poligamia? As crianças rejeitadas, que eram enterradas vivas? Ou as religiões idolátricas que tinham?.

Os reais valores indígenas foram conservados pelos jesuítas; aliás, toda sua cultura o foi. Foram os padres da Companhia de Jesus que compilaram as línguas dos nativos em gramáticas e glossários. A “língua geral” por eles sistematizada se tornaria, até o século XVIII, a principal forma de comunicação no Sul da Colônia, onde o português era desconhecido.
Os jesuítas extirparam apenas seus vícios. Não fizeram isso para torná-los dóceis ao trabalho dos fazendeiros, como dizem muitos. Se fosse essa a razão do trabalho dos jesuítas, não teriam eles sido expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal em 1758, justamente por defenderem os índios dos escravocratas. Fizeram isso por amor aos índios, pelos quais tanto se sacrificaram.

Atenciosamente,
Laura Pinca

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