Montfort Associação Cultural

8 de janeiro de 2006

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ISTO É ignorância ou ISTO É preconceito?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Pe. Giovane Silva de Santana
  • Localizaçao: Luiziana – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Estimado Professor Fedeli, Laudetur Iesus Christus! Salve Maria!

Como vai? Espero que esteja bem e que tenha um ótimo Ano Novo!
Esta semana, um adolescente leu num consultório dentário uma reportagem da Revista “Isto É” (de 27 de abril de 2005) e, escandalizado, procurou-me para tirar dúvidas. A reportagem, muito tendenciosa, procura denegrir a Igreja com fatos inverídicos, citando um suposto pedido de S. Francisco de Assis ao Papa, para vender as riquezas do Vaticano e dá-las aos pobres (Como se isso fosse resolver os problemas de má-distribuição de renda no mundo, de corrupção e má-vontade política!).
A reportagem chega a elogiar os judeus, dizendo que, sendo 1% nos EUA, colaboram mais com o Estado de Israel do que os católicos que, sendo em 24% nos EUA, colaboram muito menos com o Vaticano.
A famigerada revista ainda cita as indenizações devidas aos casos de pedofilia de padres como responsáveis pela situação financeira ruim do Vaticano, afirmando que não há denúncias de pedofilia no judaísmo.
Enfim, mais judeus ou ateus querendo minar a imagem do Papa e do Vaticano com tolices e acusações para ridicularizar a Igreja.
Mando a reportagem, para que o sr. a comente, pois como orientei meu paroquiano o site pode orientar mais católicos que possa vir a se escandalizar com o besteirol da “Isto É”.
Cordialmente, Frei Giovane.


Especial – Papa Bento XVI
Finanças no vermelho
Se as doações dos países não aumentarem este ano, o pontificado de Ratzinger correrá o risco de prosseguir sob voto de pobreza

Osmar Freitas Jr. – Nova York

Sua Santidade, o papa Bento XVI, assume uma empresa com sérios problemas materiais. Economicamente falando, o Vaticano padece sob as leis de mercado. O número de católicos diminui nas principais nações industrializadas do mundo, trazendo menores receitas aos cofres da casa. A baixa cotação do dólar – principal moeda utilizada nas doações à Santa Sé –, uma folha de pagamento em que constam perto de 2.700 funcionários (metade deles laicos), extensa rede de representações diplomáticas em 174 países e, nos últimos cinco anos, o pagamento de US$ 840 milhões em indenizações às vítimas de pedofilia, principalmente nos Estados Unidos e na Irlanda, são apenas parte da hemorragia pecunária de uma cidade-Estado que já foi considerada potência econômica. Com isso, o slogan escolhido por Bento XVI bem que poderia ser: “Uma esmolinha, pelo amor de Deus!”

Em 2003, apesar do modo ainda sigiloso como conduz suas finanças, o Vaticano divulgou seu orçamento. Naquele ano, somaram-se três exercícios fiscais consecutivos de déficits. Na última folha consta entrada de US$ 250,2 milhões e gastos de US$ 262 milhões. Um prejuízo de US$ 12 milhões até que não é tão assustador para uma organização com tremendo potencial de faturamento (com mais de um bilhão de fiéis) e com propriedades simplesmente divinas. Em imóveis, a Santa Sé tem US$ 908 milhões. A Basílica de São Pedro, incluindo a Capela Sistina, não está nesta soma, tendo recebido valor nominal de apenas E, por este ser considerado inestimável. O mesmo ocorre com certos bens móveis, como a fabulosa coleção de arte do Vaticano. E para os incréus cínicos que sugerem a venda de uma ou outra obra-prima, como forma de fazer caixa, é bom que se diga que a Igreja considera as peças como “parte do patrimônio da Humanidade”. Desse modo, as notícias de que a Pietà, a escultura de Bernini, estaria à venda são desmentidas com veemência. A herança de dois milênios, ainda que substancial, é difícil de ser colocada no mercado sem ofender o rebanho de fiéis.

O cardeal Sergio Sebastini, da área de administração financeira, mostrou o balanço de 2003, em que se verifica que os EUA, seguidos pela Alemanha, são os maiores contribuintes da Igreja, com doações naquele ano de US$ 55,8 milhões – um aumento de 5,7%. Mas, por causa da desvalorização do dólar, as dioceses internacionais entregaram 79,6 milhões de euros em 2003, enquanto, no ano anterior, haviam despejado 85,4 milhões de euros nos cofres do Vaticano.

“Em 2005 é esperado que os fiéis americanos irão doar cerca de US$ 88
milhões à Santa Sé. Até porque a morte do papa João Paulo II incentivou donativos”, diz o financista da Igreja americana Dean Collins. Mesmo que esse aumento substancial se concretize, é de estranhar que num país onde 24% da população é católica as contribuições não sejam maiores. A comunidade judaica – com 1% de cidadãos – mandou para Israel US$ 1 bilhão em ajuda caritativa. O judaísmo ainda tem a vantagem de que seus rabinos dificilmente são levados a tribunal sob a acusação de pedofilia.

Conta-se que São Francisco de Assis foi ao Vaticano pedir ao papa que vendesse as riquezas da Igreja e as distribuísse aos pobres. Não teve sucesso. Ninguém espera que Bento XVI finalmente acate a idéia, mesmo que o destituído em questão seja a própria Santa Sé. Mas, se o novo pontífice não cuidar dos bens materiais de sua Igreja, o futuro talvez force um voto de pobreza ao trono de São Pedro.

Muito Reverendo e muito prezado Frei Giovane,
salve Maria!
 
    Muito obrigado por seus votos de bom ano.
    Li o artigo do jornalista Osmar Freitas Jr.
    Esse artigo é tão repleto de inverdades, quanto de ignorância histórica e religiosa. 
    Uma vez, o Presidente do Sindicato de Jornalistas, entrevistando-me, disse-me: “Jornalista é um homem que sabe nada de tudo, e tudo sobre nada“.
    E Osmar Freitas Jr. se enquadra perfeitamente nesse caso.
    Quer ver, Frei, a prova de ignorância desse jornalista?
    Qualquer menino de colégio bem feito sabe que a Pietà é a principal escultura de Michelangelo. Esse pobre jornalista a atribuiu a Bernini. O que comprova uma ignorância de dar… “Pietà“.
    Um homem que tem tal ignorância histórica e artística, se atreve a falar de Teologia, e inventa uma sugestão que São Francisco nunca fez: que o Papa vendesse riquezas do Vaticano.
    Nosso Senhor nos disse:

 ”Não vos preocupeis com o que haveis de comer ou de vestir. São os pagãos que pensam nisso


    Osmar Freitas Jr, quase certamente não é pagão. Muito provavelmente foi batizado. Muito provavelmente foi paganizado, numa Faculdade marxistóide qualquer. Seria até bem possível que ele tenha sido paganizado numa PUC, já que as PUCs, hoje, são fábricas de paganização marxistóide em massa.
    Ele fala da situação financeira e econômica vaticana, e compara as doações dos católicos ao Vaticano com as doações dos judeus a Israel. E descobriu então uma coisa que ninguém no mundo sabia: que os judeus são bem mais ricos que os católicos.
    E esqueceu de dizer de quanto foi a contribuição do governo americano ao Estado de Israel…
    E ele faz questão de lembrar que “O judaísmo ainda tem a vantagem de que seus rabinos dificilmente são levados a tribunal sob a acusação de pedofilia”.
    Finalmente, depois de se demonstar uma sumidade em História da Arte, em História, em Teologia, em Moral e em incríveis descobertas econômicas, ele se arvora em Profeta dizendo que:

se o novo pontífice não cuidar dos bens materiais de sua Igreja, o futuro talvez force um voto de pobreza ao trono de São Pedro”.


    Se um dia a Igreja for reduzida à extrema pobreza, então Deus se manifestará nela como no estábulo de Belém, porque quando os homens não honram a Deus, os anjos o fazem. Até à gruta de Belém foram pastores e Reis.
    Não consta que jornalistas tivessem ido até lá. É verdade que, consultados, alguns informaram a Herodes que o Messias devia nascer em Belém. Dessa informação resultando o massacre dos inocentes determinado por Herodes.
    Sem dúvida Osmar Freitas Jr. seria digno de escrever numa revista que se intitulasse Isto É Ignorância ou Isto É Preconceito, ou então de informar algum Herodes.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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