Montfort Associação Cultural

20 de janeiro de 2005

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Invenção do Purgatório

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: José
  • Idade: 34
  • Localizaçao: Santo André – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Caro Prof. Orlando Fedeli e combatentes da Montfort.

Salve Maria!

Gostaria de expressar minha satisfação em poder contar com material tão rico para estudo da religião católica em vosso site, justo em um período histórico tão difícil para aqueles que amam a igreja de Jesus e Maria.

Sou de família católica, e desde os 14 anos (tenho 34) passei a ser praticante, quando então ingressei na Congregação Mariana da Imaculada Conceição e São José, da paróquia de São Gonçalo no Rio de Janeiro.

Confesso que nestes oito anos fiquei desnorteado na minha fé, pois as práticas da igreja aqui em São Paulo eram bem diferentes que na minha diocese lá do Rio, como comunhão na mão,discurso muito politizado (à esquerda), etc… E por isso atualmente eu me limito a assistir as missas dominicais e de preceito. às vezes fico um pouco revoltado com as coisas, mas para não desestabilizar minha família que prezo muito, e sei que devo levá-los para Deus, acabo contemporizando, já que todos na família foram criados dentro do catolicismo, e se levanto alguma questão sôbre a igreja de hoje, acham que estou revoltado ou querendo trair a igreja, etc…

Bem, desabafos à parte, gostaria de um esclarecimento vosso a respeito do que li em um livro de história da classe da minha filha de 12 anos. Entre outras coisas o que me deixou mais chateado foi terem dito que o purgatório foi uma invenção da igreja no século XII, e que até então a idéia Cristã do além túmulo era binária ( céu e inferno ), e que com o purgatório a igreja passou a cobrar valiosas somas pelas indulgências.

Eu sei que há muitas citações Bíblicas a respeito do purgatório, mas o senhor poderia esclarecer-me se no início do cristianismo já havia a crença no purgatório com algum documento antigo, para que eu possa combater essa tese de que foi uma invenção da Idade Média ?

obs, inclusive o subtítulo desta parte do livro diz, A INVENÇÂO DO PURGATÒRIO.

Grato!

e Salve Maria!

José

Muito prezado José Francisco, salve Maria!

Fiquei muito contente ao receber a sua carta e agradeço os elogios que faz a nosso site Montfort. Tomara que permaneçamos sempre a serviço de Deus e da Igreja Católica Apostólica Romana, como leigos que têm o dever como também o direito de servi-la.

Passo a responder a sua pergunta sobre o purgatório.

Evidentemente a Igreja Católica não inventou o purgatório. Você diz que conhece os textos da Sagrada Escritura que o fundamentam. Mas deixe-me repetir alguns deles, para que outros leitores os aproveitem.

Em São Mateus se lê que Cristo disse:

 ”Por isso vos digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, porém, a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. Todo o que disser alguma palavra contra o Filho do homem, lhe será perdoado; porém o que a disser contra o Espírito Santo não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no futuro (Mt. XII, 31-32).

Portanto, há pecados que são perdoados no mundo futuro. Com essas palavras Cristo nos ensinou que há pecados que Deus perdoa após a morte. Portanto, existe o purgatório.

Os primeiros cristãos já sabiam disso, pois liam os Evangelhos e os Apóstolos lhos explicavam.

Também no livro II dos Macabeus se afirma que “É um santo e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados” (II Mac. XII , 46).

Portanto, documento mais antigo e mais autêntico do que a própria Sagrada Escritura não há.

Entretanto, é preciso dizer-lhe que já entre os judeus era costume, após a morte de alguém, rezar durante onze meses seguidos a Deus, para que apressasse a purificação da alma da pessoa falecida. Rezava-se, então, a oração chamada Qaddish, palavra que deriva de Qaddosh, ou seja santo, para pedir a santificação da alma da pessoa falecida. Se os judeus já faziam isso, baseados no livro dos Macabeus, é claro que essa tradição continuou na igreja.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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