Montfort Associação Cultural

26 de janeiro de 2005

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Intolerante defesa da tolerância

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Iago
  • Idade: 18
  • Localizaçao: Belo horizonte – MG – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau incompleto

Religião: Wiccan

Ola.

Venho aqui falar a vocês, do site Montfort, para manifestar a minha surpresa e apreesnão perante o conteúdo do site.

Tudo o que vi aqui é uma surpreendente amostra de pessoas que insistem em negar anos de evolução historica, eras inteiras de mudançda de pensamento, para pregar algo que já não tem mais seu espaço.

Acho que posso começar pelo seu credo, católico.

O que você crê é real? Como pode afirmar isso? Como podes dizer que existe um Deus, ou existiu um Jesus? Descartes, um grande filósofo, muito meditou sobre o assunto. Chegou a conclusão de que apenas a própia existencia é 100% garantida – o tão usado “penso, logo existo”. Essa afirmativa é válida por si mesma, pois não há como pensar sem existir. Se é possível pensar, então se existe.

Essa constatação é inegável.

Afora isso, tudo o que resta é questionável. Quando a Bíblia, como livro sagrado do cristianismo, afirma que algo é verdadeiro, sua afirmação é tão certa quanto a de qualquer outro livro e ou religião. Muitas religiões tem deuses que se afirmam os únicos, e filhos de deuses que vem a terra, e o que torna o catolicismo mais real que os outros?

A forma imperativa pela qual este site mostra sua informação não condiz com a condição de hipótese que esta informação se classifica.

Alguns dirão que se trata de uma questão de sentimento – que eles sentem ser o credo católico o certo. Pois sim, todas as religiões tem quem as trate como as certas. O que faz com que o catolicismo seja a religião do deus real, e as outras todas obras do demonio, ou de pessoas enganadas? Nada. Absolutamente nada.

A lógica nos leva a crer que o que é melhor simultaneamente para o coletivo e para o individual é o ideal para todos. Isso sem levar em conta as hipóteses religiosas.

Portanto, o sexo, por exemplo, é algo bom, pois trás prazer e bem estar geral. Não há motivos para proibí-lo ou impedí-lo.

A agressão peca contra ambos os tipos de bem estar. Portanto, nada mais lógico que abolir as agressões para melhor viver. A isso chamamos pacifismo. Mas, ora, vi este site criticar severamente o pacifismo.

Veja este trecho extraído da resposta a uma carta enviada ao site:

“É lógico que existe o direito de defesa contra um agressor que nos ameaça a vida. Todos os tribunais reconhecem o direito de legítima defesa. Por isso também, toda nação atacada tem direito de se defender.

Até seu amigo, à noite, defende sua casa com trancas e trincos, alarmes e guardas noturnos, e se atacado ele gritará por socorro, e se defenderá. Isso corresponde ao instinto de conservação.”

Ora, só existe a necessidade de defesa porque houve ataque! Se houvesse pacifismo geral, então não haveria necessidade pra proteção. Portanto o pacifismo é algo logicamente benéfico às partes e ao todo.

Essa citação toca em outro assunto bastante importante, que é a inquisição. O autor da citação usa-a para justificar a inquisição como método de defesa do credo católico.

Ora, defesa? A inquisição não se tratou de uma defesa! Foi um ataque duro e agressivo, assassino, a outras crenças! A inquisição matava quem considerava fora de seus padrões… os hereges… Uma hipótese que através da força queria se impor aos outros.

Deplorável que alguém defenda esse acontecimento…

Eu sinceramente aguardo a resposta a meus questionamentos. Lamento que não poderei responder a sua resposta, mas espero que não haja distorções de minhas palavras, coisa que eu tanto vi em outros casos ocorrer…

Com respeito,

Iago

Prezado Iago, salve Maria!

Você, em nome da paz, nos declara guerra.

Protesto contra seu preconceito que nos nega “o espaço a que temos direito”. Para você, tudo vale, menos dizer que nem tudo vale.

Você é extremamente contraditório.

E você nos fala em nome da Inquisição Moderna, e, em nome dela, da paz e da evolução quer nos fazer guerra, quer nos excomungar, proibindo-nos defender o que pensamos. Você pretende defender a liberdade de opinião, negando-nos a nossa liberdade de pensar, de raciocinar e de dar opinião. Por trás de seu falso e aparente pacifismo e liberalismo, se esconde a maior intolerância. Você, em nome da liberdade, instituiria o Terror.

Aí de nós da Montfort, se você um dia tivesse o poder nas mãos!

E isso seria tanto mais perigoso, quanto maior é a ignorância que você revela. Pois tudo o que você afirma tem base em slogans que lhe foram transmitidos por maus professores, em lições mal dadas e pior aprendidas.

Haja vista o que você diz da Inquisição, que jamais obrigava a ser católico. Você — pelo que diz da Inquisição– só prova que jamais leu qualquer livro sério sobre ela. Só repete — de orelha — os slogans que ouviu contra ela, por parte de professores que também repetiam — de orelha — o que lhes inculcaram, sem qualquer prova, para odiar a religião católica.

Veja-se a sua ignorância pelo que você diz da evolução — esse dogma irracional e anticientífico que é impingido nas escolas a estudantes sem defesa intelectual. Veja-se a defesa ingênua do sofisma de Descartes: “penso, logo, existo”. A mesa não pensa, logo ela não existe?

E não lhe ensinaram que Descartes parte da noção do eu, e não do exame da realidade, o que é anticientífico?

Dele, de Descartes é que nasceu o subjetivismo e o relativismo moderno. E Descartes parte da dúvida sistemática.

Ora, teria ele certeza ou dúvida de que se devia partir da dúvida?

Se ele tinha certeza que se devia partir da dúvida, então ele não partia da dúvida, e sim de uma certeza. Se Descartes partia também da dúvida de que a dúvida deveria ser o ponto de partida do pensamento, então ele duvidava de seu próprio principio fundamental.

E de Descartes, e de sua filosofia contraditória e falsa, que nasceu todo ceticismo moderno, inclusive o seu , meu caro e pretensioso jovem da Wican. Porque quando se perde a Fé em Deus, se crê em toda superstição, e, por fim, na bruxaria e no satanismo.

Quem não se ajoelha diante de Deus e da verdade, adora e se ajoelha diante de si mesmo, do sexo, do dinheiro e do diabo.

E assim também quem defende o pacifismo, defende a guerra injusta, e quem defende a tolerância absoluta acaba por condenar intolerantemente os intolerantes. Sua tolerância intolerantemente nos condena.

Passe bem.

Orlando Fedeli.

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