Montfort Associação Cultural

5 de janeiro de 2005

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Intercessão

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: José Lemos da Silva
  • Localizaçao: – Brasil

Caro Sr. Orlando.

É a primeira vez que entro em contato e gostaria de ter maiores esclarecimentos sobre o assunto contido em uma das respostas encontrads no site, a qual trancrevo abaixo.

Sou católico mas confesso que não me sinto muito confortável ao tentar explicar para alguns irmãos protestantes a respeito desta nossa prática. Na verdade tenho tido dificuldade de pedir intercessão de santos de minha devoção como Dom Bosco e até Nossa Senhora, como o fazia em minha juventude.

Gostaria de mais embasamento bíblico e aproveito para fazer um questionamento: Já que Deus toma conhecimento de nossas súplicas as quais compartilhamos com os santos, qual o propósito destes tomarem conhecimento, se só o Próprio Deus pode nos atender?

Fico incomodado ao pensar na seguinte situação:

Um devoto de Santo Expedito pede a este que o atenda em determinado pleito. Deus que tudo conhece faz chegar este pleito a Santo Expedito. Santo Expedito estão roga a Deus que o atenda, em intercessão. Não conhecendo o devoto, como só Deus conhece (pois não é contemporâneo do devoto e não é onisciente)como poderia o santo ser bem sucedido rogando a Deus pelo devoto? Como criatura e sendo limitado, como pode o santo “dar conta” de tantos pedidos de intercessão?

Senhor Orlando, é com sinceridade que lhe dirijo esta dúvida, sem intenção de afrontar nada que diga respeito a nossa fé. Porém este é um ponto que muito me deixa exposto frente aos que o questionam e me impede de ter acesso a este benefício que só nossa Igreja nos dá.

Grato pela atenção,

José Lemos da Silva

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Prezado Rondinelly, Salve Maria.

Os atributos de onipotência, onisciência e onipresença pertencem apenas a Deus infinito e transcendente. Nenhum santo, nem Nossa Senhora, têm essas qualidades, porque sua natureza é criada e finita. Os santos, no céu,
atualmente só conhecem o que pedimos através de Deus,
que lhes comunica nossas orações e pedidos. Eles então rogam a Deus por nós, que pode nos atender por sua misericórdia e atendendo ao mérito e intercessão dos santos.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

Prezado José Lemos,
salve Maria !

Fico contente sabendo que você já teve devoção a Nossa Senhora e a São João Bosco, pois eu fui aluno salesiano. Rogo a Deus que lhe devolva essas devoções.

Você me pede mais explicações sobre o que escrevi a outro consulente do site.

Eis o texto que escrevi:

“Os atributos de onipotência, onisciência e onipresença pertencem apenas a Deus infinito e transcendente. Nenhum santo, nem Nossa Senhora, têm essas qualidades, porque sua natureza é criada e finita. Os santos, no céu, atualmente só conhecem o que pedimos através de Deus, que lhes comunica nossas orações e pedidos. Eles então rogam a Deus por nós, que pode nos atender por sua misericórdia e atendendo ao mérito e intercessão dos santos.”

Como você pode bem compreender do texto acima, Deus não precisa,de modo algum, dos santos, para saber o que precisamos, e o que pedimos. É Deus quem comunica os pedidos que fazemos a Nossa Senhora e aos santos, para que roguem a Deus por nós.

E por que Deus faz assim?

Para que nós, homens, nos amemos uns aos outros, rogando uns pelos outros, a Deus Nosso Senhor.

Deus quer que cada um de nós interceda pelos outros, e que tenhamos intercessores junto dEle, pois isto nos torna humildes, compreendendo que não temos méritos suficientes — mas só muitos pecados — para nos aproximarmo-nos dEle diretamente. Admitir intercessores melhores do que nós é um ato de humildade, que agrada sobremaneira a Deus.

Você poderá encontrar inúmeros exmplos disso na Sagrada Escritura. Cito-lhe um: No livro de Jó, se lê que Deus, irritado contra os amigos de Jó, que haviam antes sido injustos para com ele, disse-lhes:

“Tomai, pois,sete touros e sete carneiros, ide ao meu servo Jó e oferecei um holocausto por vós; e o meu servo Jó orará por vós; admitirei propício a sua INTERCESSÃO para que não se vos impute esta estultícia” ( Jo XLIi, 8).

É claro que Deus conhecia o desejo e o arrependimento dos amigos de Jó, mas Deus quis que eles compreendessem — e que nós, lendo isso, entendessemos — que o orgulhoso é que se apresenta diretamente a Deus, e que convém que outros roguem por nós. Eles, rogando a Deus por nós, fazem um ato de caridade. Nós, rogando aos santos, praticamos um ato de humildade.

Deus, então quer que haja intercessores. Na Bíblia, há inúmeras passagens em que isso fica bem claro. Cito-lhe algumas: Gen. XVIII, 26-32 Gen XIX, 21 Gen. XX, 7 Gen. XXVI, 24 Gen. XLIV, 32 Num. XI, 1-3.

Você poderá encontrar muitos outros exemplos, lendo o Novo Testamento. Por exemplo, nas bodas de Caná, Jesus mudou a água em vinho, por intercessão de Nossa Senhora. Ele sabia da necessidade dos noivos, mas só fez o milagre, porque Nossa Senhora intercedeu pelos noivos (Jo, II, 3).

Se você quiser uma exposição maior dos motivos da devoção a Nossa Senhora, recomendo-lhe o livro Tratado da verdadeira Devoção a Nossa Senhora de São Luís de Montfort. Leia também, no site Montfort, minha carta contra o pastor Saul da Lagoinha.

Não tenha medo, então, de recorrer a Nossa Senhora. Mas tenha medo, sim, de ter amigos que não sejam católicos, porque eles podem vir a fazer-lhe muito mal. Pois não diz o ditado: Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és? Nós ficamos parecidos com os amigos. Fuja então das amizades com hereges.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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