Montfort Associação Cultural

29 de dezembro de 2006

Download PDF

Integralismo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rômulo
  • Idade: 25
  • Localizaçao: Bragança Paulista – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Medico Veterinário
  • Religião: Católica

Caro Professor e colaboradores da Montfort, salve Maria!

Procurei no site e pela internet algumas explicações sobre o Integralismo, e no site Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Integralismo), encontrei a seguinte definição:

“Integralismo (muitas vezes chamado como “nacionalismo integral”) é uma corrente política tradicionalista, inspirada na doutrina social da Igreja, que apareceu nos inícios do séc. XX e acredita que uma sociedade só pode funcionar com ordem e paz, através da hierarquia social (ao contrário do comunismo), e da harmonia e união social.
O Integralismo é matricialmente católico, defendendo a proteção dos valores nacionais (ex: passado histórico, tradição, cultura, costumes, religião), e a cooperação das diferentes classes sociais para atingir a harmonia e a união social.
O Integralismo defende a liberdade sindical e corporativa, e a livre competição entre grupos econômicos e empresas. O integralismo opõe-se à luta de classes e à desordem provocada pelas greves e «lockout», sendo também contrário aos sindicatos estatais como forma de resolver os conflitos laborais. Defende o recurso aos Tribunais de Trabalho e às corporações não controladas pelo Estado.
Em Portugal, os seus críticos e adversários procuraram associar muitas vezes as idéias integralistas às da “Ação Francesa” de Charles Maurras. As idéias integralistas influenciaram muitos políticos, como por exemplo António de Oliveira Salazar, fundador do Estado Novo (Portugal). O Integralismo foi também, por vezes, associado ao fascismo, apesar das profundas diferenças nas idéias defendidas.
Defende que cada nação necessita de um sistema político adequado à sua história, cultura, religião, pensamento e tradição. Dá prioridade à preservação da cultura local, da tradição, dos costumes e ao desenvolvimento das zonas rurais, como forma de vencer o cosmopolitismo e o monoculturalismo, mas não é contra a globalização (acreditam que a globalização pode resultar em saudável unidade na diversidade, se for respeitado e promovido o multiculturalismo). O Integralismo é profundamente contrário ao modernismo massificador e uniformizador.”

Gostaria de saber se esta definição é coerente, e se o Integralismo alienado do nazismo como quis Plínio Salgado, ou do fascismo, como quis Getúlio Vargas, poderia ser uma “doutrina” política “adequada” para nos livrar do Liberalismo? Dentre as formas de Governo conhecidas, a Monarquia é a melhor opção? Como ficaria a questão da Dinastia com tão poucas – ou nenhuma – Monarquia Católica no mundo, caso voltássemos à Monaquia?

Desde já agradeço vossa atenção, e aproveito para desejar-lhes, embora atrasado, um Santo e Feliz Natal, e meus mais sinceros votos de um abençoado 2007.

Que Deus lhes ilumine e guarde sempre!

Muito prezado Dr. Rômulo,
Salve Maria.

     Muito agradecido por seus votos de feliz Natal que lhe retribuo com amizade. E que Deus lhe conceda um novo ano cheio de graças.
     Esse conceito de integralismo serviria para prospecto de propaganda. O integralismo era evolucionista e ecumênico. Você deveria ler o livro Quarta Humanidade do Plínio Salgado. É um livro azedo de venenoso. Materialista, evolucionista e dialético
     Imagine você que Plínio Salgado apresenta uma visão da História completamente evolucionosta na linha de Augusto Comte. Só que em vez das três idades do louco Comte ele apresenta uma Quarta Idade.
     A primeira idade de Plínio — a Primeira Humanidade – seria a da adição. Os povos antigos, não sabendo explicar racionalmente os fenômenos da natureza, de medo deles os transformavam em deuses. Daí o deus do raio, do terremoto, do furacão etc. As tribus semi selvagens ou semi bárbaras, unindo-se, somavam seus deuses, daí a fase ser de adição.
     Quando Roma uniu o mundo conhecido, fundiu todos os deuses num só. Surgiu então o monoteísmo e a Segunda Humanidade. Jesus Cristo seria a fusão de Zeus, Baco e Venus. Imaginou você blasfêmia e mentira maior? Pois o clero brasileiro caiu nessa lorota integral tal como agora, passado o perigo nazista cai na lorota marxista.
     Em minha infância conheci muitos padres e irmãos maristas que defendiam Plínio, o Salgado, como Boff defende Marx, o azedo, e outros, entrementes, defenderam Plínio, o pseudo e imortal profeta de Higienópolis, falecido doze anos atrás, e do qual os seus fanáticos esperam a ressurreição para logo mais. Um logo mais que todo ano é adiado. Mas que vai chegar. Em 2007. Se não for adiado para 2.008. Mas de 2.010 não passa.
     Assim são os fanáticos dos Plínios e dos Marx. A terceira fase da História segundo Plínio, o salgadinho, a Terceira Humanidade seria a fase da demolição ou do ateísmo. Os homens conhecendo pela razão e pela ciência a explicação dos fenômenos naturais  destruiram as crenças primitivas e fizeram a idade da razão ou do ateísmo marxista, fruto da “Bíblia da imbecilidade e do ódio” como Claudel bem definiu o Capital de Karl Marx.
     Finalmente, Plínio, o Salgado, pretendia trazer para o mundo a Quarta Humanidade, a Humanidade Integral, isto é, a somatória de todas as idades anteriores, ecumenicamente reunidas sob o comando integralista que dialeticamente admitiria o sim e o não, o marxismo e o nazismo, o socialismo e o capitalismo, o internacionalismo e o nacionalismo ufano da antropofagia, etc.
     Quanto à religião, Gustavo Barroso, o profeta dessa nova Humanidade Integral que diria bom dia à moda indígena, levantando a mão à la Duce e gritando anauê como o Peri da Ceci, aquele selvagem guarani, que Carlos Gomes fez cantar em italiano, garantia que o integralismo se colocava no ponto d econvergência de todas as religiões que afirmavam Deus.
     Que lindo! Paulo VI devia ter se inspirado nele. 

     Quanto às formas de governo, elas de nenhum modo poderiam resolver o problema do mundo atual, que é um problema moral e religioso, para o qual não há remédio político. Como você é veterinário e sabe que o homem é um animal político, isto é, que sofre hoje de câncer nos pulmões, não há remédio monárquico capaz de curar sarna politiquenta que cure o Câncer do pulmão ateu e imoral. De fato a monarquia é a forma de governo a mais perfeita. O problema, hoje, é que os reis de ontem já nao existem, e seus herdeiros valem tanto quanto os reis de baralho.
     Somente Cristo, o Rei dos reis, é capaz de nos salvar dos Lulas, Chávez, Fidéis e infidéis que andam por aí.
     Escreva-me sempre, ou venha me visitar, se vier a São Paulo, que terei muito gosto em debater consigo formas de governos e  utopias, ditaduras e ditas moles.
     Um ano cheio de graças para você, e que ele transcorra integralmente sem Plínios salgados, amargos ou azedos. Um abraço amigo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Publicações relacionadas

Cartas: Contra as heresias, pela Missa Tridentina - Orlando Fedeli

Cartas: Igreja Santa e Pecadora? - Orlando Fedeli

Cartas: Oração em voz alta - Ivone Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais