Montfort Associação Cultural

20 de junho de 2005

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Inquisição e pena de morte

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Maria Fernanda
  • Idade: 18
  • Localizaçao: Campinas – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento

Olá…

Eu li um texto nesta HP em que vocês concordavam com a Inquisição.Queria saber se é isso mesmo ou se eu estaria enganada.

Pois independente de qualquer fé a Igreja Católica errou e pecou(não que eu esteja julgando) matando as pessoas acusadas de heresia,vendo que só Deus tem o direito de tirar a vida de um ser.

Eu queria saber também o que vocês acham dessa Igreja Católica de hoje tão deturpada principalmente pela Maçonaria,sem falar nesses “Católicos” hipócritas…(que dizem ser católicos) Espero que possam me responder, Obrigada.

Prezada Maria Fernanda, salve Maria.

Se você consultar nosso site, verá que já respondemos, repetidamente às perguntas que você nos faz.

Sobre a Inquisição, uma coisa são as calúnias contra ela para denegrir a Igreja, outra coisa, e inteiramente o contrário, é o que de fato foi a Inquisição.

Até um historiador simpático ao movimento cátaro e mesmo ao dualismo maniqueu,– Michel de Roquebert — se recusa a repetir o que a historiagrafia romântica inventou contra a Inquisição, tribunal fundado exatamente para combater o catarismo, ainda que ele considere a Inquisição cruel.

Diz ele:

“Afastemos imediatamente a imagem de ëpinal de um Languedoc inteiramente submetido ao horror de uma repressão cega, com cortejos de cátaros — perfeitos e perfeitas ou simplesmente crentes — entregues em massa à tortura, às fogueiras, ou ao menos, ao calabouço perpétuo. Espantoso o sistema certamente foi. Mas de um modo infinitamentemais insidioso do que se pensa frequentemente, de uma crueldade psicológica mais do que física, com perversos efeitos (…) A Inquisição languedociana queimará, aliás, infinitamente menos gente em um século do que Simão de Montfort e seus cruzados entre julho de 1200 e maio de 1211… Será preciso lembrar, com efeito, que a vocação da Inquisição era então a de converter, e não de queimar, e que a fogueira para queimar hereges, mesmo que ninguém ouse dizê-lo, é uma confissão de fracasso?

Ademais, o Languedoc do século XIII não é a Espanha do fim do século XV, a de Fernando e Isabel e de Torquemada, e a Inquisição não é no Languedoc a polícia política de que os Reis Católicos [da Espanha] farão um organismo do Estado. É uma jurisdição independente, paralela à justiça civil, da qual ela toma emprestado, aliás, o essencial de seu processo, e do qual acontece que ela chega até mesmo, por vezes, a abrandar os métodos (…) os cerca de oitenta inquisidores sucessivos que durante quase um século tiveram que gerir a repressào da heresia em terra occitana, para não falar senão deles, desenvolveram um zelo sucessivamente limitado ou subtil, expeditivo ou meticuloso, que foi lucrativo para a ortodoxia, sem que ela tenha entretanto realizado o verdadeiro holocausto que se evoca por vezes com gosto excessivo”. (Michel de Roquebert, Histoire des Cathares, Perrin , Paris, 1999, pp.18-19).

Também no livro do Professor João Bernardino Gonzaga, da Faculade de Direito da USP e da PUC de São Paulo – A Inquisição em Seu Mundo (edicão Saraiva, São Paulo, 1994 — você encontrará muitas informações desfazendo a lenda negra que os inimigos da Igreja criaram a respito da Inquisição.

Que a Inquisição não pode ter sido o monstro que apresentam você pode compreender ao saber que houve muitos santos inquisidores, como, por exemplo, São Pio V que foi Papa e inquisidor, São Pedro Arbués, São Pedro de Verona, e que ela foi protegida por santos como São Domingos, São Luis IX, Rei de França, e São Fernando III, Rei de Castela.

Permita-me ainda corrigi-la de um erro?

Você diz que a “Igreja errou e pecou”, e que não a está julgando .

A igreja não pode errar nem pecar, porque ela é o corpo místico de Cristo que é a sua cabeça divina infalível. Quem pode errar e pecar são os membros da Igreja, no caso que você alega, os padres e os Papas. Estes, pessoalmente podem cair em pecados e erros, pois eles somente são infalíveis ao tratar de fé e moral, ensinando toda a Igreja, com o poder dado por Cristo a Pedro, e definindo uma verdade e proibindo pensar o contrário.

A Igreja não peca, nem erra nunca.

Quanto à pena de morte, há, em nosso site, inúmeros artigos provando que o Governante, cujo poder vem de Deus, pode punir com a morte, como se depreende de muitos texto bíblicos.

Cito-lhe alguns:

1) Êxodo XXI, 11-17 onde Deus dá lista de crimes puníveis com a morte;

2) Gn IX, 6, onde Deus ordena a Noé que todo assassino deve ser morto;

3) Apoc XIII, 10 onde Cristo diz: “quem matar à espada, importa que seja morto à espada”.

4) Mt XXVI, 52, onde Jesus diz a Pedro que quem ferir com a espada, com a espada deverá ser ferido;

5) Jo. XIX, 11, no qual Cristo reconhece que Pilatos, como governante tem o poder — dado por Deus — de condenar à morte.

Finalmente, você me pergunta sobre o que pensamos: “dessa Igreja Católica de hoje tão deturpada principalmente pela Maçonaria, sem falar nesses “Católicos” hipócritas…(que dizem ser católicos)”.

Como já lhe disse, a Igreja Católica é infalível e não pode ser deturpada por ninguém. Ela é a esposa de Cirsto infinitamente perfeita, sem mancha e sem ruga. Outra coisa são os seus mebros pecadores.

Infelizmente, hoje, há muita corrupção doutrinária entre os católicos. Há muitos membros do clero contaminados por idéias heréticas ou por opiniões falsas. Esse fato é inegável. Mas não podemos, por causa do escândalo, esquecer que os sacerdotes continuam sempre sacerdotes, merecedores enquanto tais de nosso respeito e submissão em tudo o que não for pecado ou erro.

Quanto aos “católicos hipócritas” a que você se refere, convém rezar por eles, dar bom exemplo de vida católica para compensar o escândalo que eles causam e , quando for necessário, desmascará-los, visando o bem das almas e a conversão deles.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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