Montfort Associação Cultural

31 de outubro de 2014

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Injustiça feita ao Bispo de Ciudad del Este

Autor: Alberto Zucchi

De: Hernane Pereira Junior
Enviada em: 28 / 09 / 2014
Local: São José do Rio Preto – SP , Brasil

Salve Maria!

O Bispo de Ciudad del Este (Paraguai), Rogélio Livieres, nomeado por São João Paulo II, estava realizando um grandioso trabalho em sua diocese. Seguindo sempre o que manda a Santa Igreja, o resultado foi a criação de Seminários, crescimento do número de vocações, maior zelo litúrgico destacando o nome de Ciudad del Este. Porém, Mons. Livieres vem sendo alvo de perseguições ideológicas nos últimos tempos e, recentemente, foi destituído de seu cargo injustamente. Peço aos católicos do Brasil que leiam, reflitam e espalhem a carta de Mons. Livieres para tenhamos maior consciência dos caminhos que estamos trilhando nesses tempos.

Hernane Pereira Junior

Cardenal Marc Ouellet

Prefeito da Congregação para os Bispos
Palazzo della Congregazioni,
Piazza Pio XII, 10,
00193 Roma, Italia

25 de setembro de 2014

Eminência Reverendíssima:

Agradeço-lhe a cordialidade com que me recebeu na segunda-feira, 22, e na terça-feira, 23 deste mês, na Congregação que preside. Igualmente, a comunicação por telefone, que me fez há pouco, da decisão do Papa de declarar a Diocese de Ciudad del Este vacante e de nomear Mons. Ricardo Valenzuela como Administrador Apostólico.

Tenho entendido que o Núncio, quase simultaneamente com o anúncio de que Sua Eminência acaba de me dar, fez uma conferência para a imprensa no Paraguai e agora vai à Diocese para assumir o controle imediato dela. O anúncio público pelo Núncio antes de que eu mesmo fosse notificado, por escrito, do decreto é uma irregularidade a mais neste processo anômalo. A intervenção fulminante na Diocese talvez se deva ao medo de que a maioria das pessoas fiéis reajam negativamente à decisão tomada, já que manifestaram abertamente seu apoio a mim e à minha gestão durante Visita Apostólica. A este respeito, recordo as palavras de despedida do Cardeal Santos y Abril: “Espero que recebam as decisões de Roma, com a mesma abertura e docilidade com que receberam a mim.” Isto indicava que o curso da ação foi decidido antes dos relatórios finais e do exame do Santo Padre? Em qualquer caso, não há que se temer rebeldia alguma. Os fiéis foram formados na disciplina da Igreja e sabem como obedecer às autoridades legítimas.

As conversas que tivemos, aparentemente (porque eu não vi os documentos oficiais), dão como justificativas para uma tão grave decisão uma tensão na comunhão eclesial entre os bispos do Paraguai, a minha pessoa e a Diocese: “Nós não estamos em comunhão”, o Núncio havia declarado em sua conferência.

Da minha parte, penso ter mostrado que ataques e manobras destituintes de que fui objeto se iniciaram desde a minha nomeação como bispo, antes mesmo que pudesse pôr o pé na Diocese – há correspondência daquela época entre os bispos do Paraguai com o Departamento de que Sua Eminência preside como prova irrefutável. O meu caso não foi o único em que uma Conferência Episcopal se opôs sistematicamente a uma nomeação feita pelo Papa contra a sua opinião. Eu tive a graça de que, no meu caso, os Papas São João Paulo II e Bento XVI apoiaram-me a seguir adiante. Entendo agora que o Papa Francisco decidiu retirar esse apoio.

Somente quero enfatizar que em nenhum momento recebi um relatório escrito sobre a Visita Apostólica e, portanto, não pude responder corretamente a ele. Apesar de muita conversa sobre diálogo, misericórdia, abertura, descentralização e respeito pela autoridade das Igrejas locais, eu sequer tive a chance de falar com o Papa Francisco, mesmo para esclarecer quaisquer dúvidas ou preocupações. Por isso, não pude receber qualquer correção paternal – ou fraternal, como o senhor preferir – de sua parte. Sem recorrer a queixas inúteis, tal proceder sem formalidades, de forma indefinida e súbita, não me parece muito justo, nem permite uma defesa legítima, ou a correção apropriada de possíveis erros. Tudo o que recebi foram pressões orais para me renunciar.

Que meus adversários e a mídia local recentemente tenham relatado nos meios de comunicação, não o que aconteceu, mas o que estava prestes a acontecer, mesmo nos menores detalhes, certamente é outro indicador de que alguns altos funcionários do Vaticano, o Núncio Apostólico e alguns bispos do país estavam manobrando de forma orquestrada com filtrações irresponsáveis para orientar o curso de ação e da opinião pública.

Como filho obediente da Igreja, eu aceito, no entanto, esta decisão, por mais que a considere infundada e arbitrária e pela qual o Papa vai dar contas a Deus e não a mim. Além dos muitos erros humanos que tenha cometido, e pelos quais desde já peço perdão a Deus e àqueles que sofreram por isso, eu digo novamente para quem quiser ouvir que a substância da causa nada mais foi do que uma oposição e perseguição ideológica.

A verdadeira unidade da Igreja é a que é construída a partir da Eucaristia e do respeito, da observância e da obediência à fé da Igreja, ensinada normativamente pelo Magistério, articulada na disciplina da igreja e vivida na liturgia. Agora, no entanto, visa-se impor uma unidade baseada não na lei divina, mas em acordos humanos e na manutenção do status quo. E, no Paraguai, baseada concretamente na má formação de um único Seminário Nacional – deficiências que não foram identificadas por mim, mas com autoridade pela Congregação para a Educação Católica, em uma carta aos bispos de 2008. Por outro lado, sem criticar o que fazem os outros Bispos, embora haja uma abundância de material para tanto, eu me foquei em estabelecer um seminário diocesano de acordo com as regras da Igreja. Eu o fiz não só porque eu tenho o dever e o direito de fazê-lo pelas as leis gerais da Igreja, mas com a aprovação específica da Santa Sé, de forma inequívoca ratificado durante a última visita ad limina de 2008.

Nosso seminário diocesano tem dado excelentes resultados, reconhecidos por cartas elogiosas recentes da Santa Sé, em pelo menos três ocasiões durante o pontificado anterior, pelos Bispos que nos visitaram e, em última instância, pelos Visitadores Apostólicos. Todas as sugestões feitas pela Santa Sé relativas a melhorias sobre a forma de conduzir o seminário foram fielmente cumpridas.

O outro critério de unidade eclesiástica é a coexistência acrítica entre nós com base na uniformidade de pensamento e ação, o que exclui a dissidência em defesa da verdade e da legítima variedade de dons e carismas. Esta uniformidade ideológica é imposta com o eufemismo de “colegialidade”.

Quem sofre as consequências últimas daquilo que descrevo é o povo fiel, uma vez que as Igrejas particulares permanecem em estado de letargia, com grande êxodo para outras denominações, quase sem vocações sacerdotais e religiosas, e com pouca esperança de um dinamismo real e crescimento duradouro.

O verdadeiro problema da Igreja no Paraguai é a crise de fé e de vida moral que a má formação do clero foi perpetuando, juntamente com a negligência dos pastores. Lugo é apenas um sinal dos tempos desta problemática redução da vida de fé às ideologias da moda e ao relaxamento cúmplice da vida e da disciplina do clero. Como disse, não me foi dado conhecer o relatório do Cardeal Santos y Abril sobre a Visita Apostólica. Mas se sua opinião for a de que o problema da Igreja no Paraguai é um problema de sacristia, que se resolve trocando o sacristão, estará trágica e profundamente equivocado.

A oposição a toda renovação e mudança na Igreja no Paraguai conta não apenas com os bispos, mas também com o apoio de grupos políticos e associações anticatólicas, e, ainda, com o apoio de alguns religiosos da Conferência dos Religiosos do Paraguai – os que conhecem a crise de vida religiosa em âmbito mundial não se surpreenderão com isto. O porta-voz mentiroso e pago para essas manobras repetidamente tem sido sempre um tal Javier Miranda. Tudo isso foi feito com a intenção de mostrar uma “divisão” dentro da Igreja diocesana. Embora a verdade demonstrada e comprovada seja a ampla aceitação entre os leigos do trabalho que estávamos fazendo.

Do mesmo modo que, antes de aceitar a minha nomeação como Bispo, acreditava firmemente na obrigação de expressar o meu sentimento de incapacidade ante tamanha responsabilidade, depois de ter aceitado tal carga com todo o peso da autoridade divina e com os direitos e deveres que me assistem, sempre mantive a gravíssima responsabilidade moral de obedecer antes a Deus do que aos homens. Por isto, eu me recusei a renunciar por iniciativa própria desejando testemunhar até o fim a verdade e a liberdade espiritual que um pastor deve ter. Tarefa que espero continuar em minha nova situação na Igreja.

A diocese de Ciudad del Este é um caso a considerar, que tem crescido e multiplicado seus frutos em todos os aspectos da vida eclesial, para a felicidade dos fiéis e devotos, que procuram as fontes da fé e da vida espiritual, e não ideologias politizadas e crenças diluídas, que se encaixam nas opiniões reinantes. Essas pessoas aberta e publicamente manifestaram seu apoio ao trabalho apostólico que vínhamos fazendo. O povo e eu fomos ignorados.

Seu afetuosamente em Cristo,

+ Rogelio Livieres

Ex-bispo de Ciudad del Este (Paraguai)

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RESPOSTA

Prezado Hernane,

Salve Maria!

Infelizmente foi cometida uma grande injustiça com Dom Rogelio. Ele foi vitima de uma ataque feroz da Teologia da Libertação, grande inimiga da Igreja.

Assim, Rom Rogelio se junta a um verdadeiro exército de clérigos católicos que sofreram perseguições, por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em nosso site, dentre outras publicações, apresentamos uma entrevista do Padre Jorge Miguel, um dos assessores mais importantes de Dom Rogelio e uma artigo demonstrando como a perseguição a Dom Rogerio foi um trabalho da T.L.

Escreva sempre que desejar e não deixe de rezar por Dom Rogelio e por nós.

Alberto Zucchi

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