Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2005

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Infalibilidade do Papa e a leitura da Bíblia

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Adelino J. F. de Faria
  • Idade: 44
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído

Prezado Prof. Orlando Fedeli.

Reproduzo um trecho de uma resposta sua a um interlocutor protestante anônimo que considerei de suma importância e sobre a qual peço permissão para tecer alguns comentários pessoais.

“A prova de que tudo o que você diz é falso são os maus padres (Ex Lutero ou Frei Boff), os maus Bispos, os maus Cardeais e até os maus Papas. Estes, porém, ainda que moralmente maus, sendo sucessores de São Pedro e Vigários de Cristo, gozam do carisma da infalibilidade dado por Cristo a Pedro e a seus sucessores.

E por que Deus deu a Pedro e aos Papas o dom da infalibilidade, que não se adquire nem por estudos, nem por frequentar seminários?
Para que os homens não se julgassem, movidos por orgulho e por indiscrição, cada um deles infalível ao ler a Bíblia, como qualquer protestante se julga possuidor e intérrprete infalível da verdade.”

Prof. Orlando.

Tenho notado nas missivas protestantes que eles parecem incapazes de perceber que a fé cristã é totalmente embasada na interpretação espiritual inspirada dos mistérios divinos, e não basicamente na leitura da Escritura Sagrada de forma pessoal por cada ser humano.
A interpretação da Bíblia deve ser única para que haja unidade na Igreja. Ficou claro que Jesus Cristo designou Pedro em especial entre todos os Apóstolos para ser o interprete principal através da inspiração do Divino Espírito Santo – o espírito da verdade, e muito mais que isso, designou uma “liderança” permanente para sua Igreja, ou seja, após Pedro, sòmente seus sucessores terão essa Divina inspiração para interpretar os mistérios das Escrituras à luz da verdade espiritual.

O Santo Padre como você citou quanto homem, mesmo devoto e humilde, pode cometer erros ou más administrações, assim como seus cardeais e bispos, como se pode perceber em fatos do passado, mas quanto PAPA na interpretação das Sagradas Escrituras, ele tem o mistério da Divina Inspiração do Sagrado Espírito Santo – isto com base na palavra de Jesus Cristo. Em outras palavras, quando o Papa interpreta a palavra de Deus, não é o homem que fala, mas o Espírito Santo, aquele mesmo que falou pelos profetas.
Por isso os protestantes se perderam num mar de interpretações e seitas. Carecem do líder espiritual, único inspirado pelo Divino Espírito Santo. No momento que eles afirmam que o único lider é Jesus e que cada homem pode interpretar a seu bel prazer as escrituras, desconhecem que os homens por serem diferentes entre si, interpretam de forma diversa, seja por ignorância, por vaidade pessoal ou por má fé de interêsses excusos, se tornando cada um uma seita sectária do cristianismo, inclusive se auto-condenando entre eles como heréticos (?).

Pode acontecer que nossa leitura biblica seja coincidente com a interpretação do Papa, mas na maioria das vezes ela é elucidada pelo mesmo. Note que essa coincidência interpretativa não acontece pela inspiração divina de nós todos pelo Espírito Santo, mas produto de nossa Fé pura e simples.
Os protestantes ignoram que a Igreja deve ser única em Jesus Cristo (não separada em enésimas seitas) e só tem uma forma disso ocorrer que é através de Pedro e seus sucessores, únicos interpretes inspirados para a Sagrada Palavra.
Portanto conclui-se que ler a Bíblia todos podemos ler e devemos por própria determinação divina, interpretar a mesma só o Santo Padre, o Pedro de Roma, cuja infalibilidade está designada por Deus (a Santíssima Trindade).

Entendo pessoalmente que o homem que pensar de forma diferente, muito menos que ser um católico não é nem um cristão, é um sectário do demônio.

Cordialmente

Adelino J. F. de Faria

Muito prezado Adelino, salve Maria.

Fiquei bem contente com sua carta que revela uma verdadeira compreensão do que é o Papa.
O Papa é o “doce Cristo na terra” como o definia, com muita propriedade Santa Catarina de Siena. Sem o Papa, os homens se perdem no mar do relativismo. O Papa é a pedra segura e firme que Cristo estabeleceu como fundamento de sua única Igreja.

Por isso, como nos dói ver, hoje, tantos homens, e até mesmo sacerdotes e Bispos, que pouco se incomodam com o que ensina o Papa, qualquer seja ele. Por que, no decorrer da História, mudam as pessoas que exercem o papado, mas o Papa é sempre aquele que fala em nome de Cristo, dando unidade à Santa Igreja. O Papa é, de certa forma, sempre o mesmo: Cristo conosco.

Dai a necessidade de ter devoção ao Papa, devoção que não é — de modo algum — uma adesão a um homem, e sim adesão de fé àquele que foi posto no lugar de Cristo. Por isso, não devemos ser “fãs” deste ou daquele Papa, mas fiéis ao Papa, defendendo o que os Papas ensinaram. Pela boca de Pedro, Clemente, Pio ou João Paulo, é sempre Jesus Cristo que nos fala.

No século passado, quando foi eleito Pio IX ao sólio de São Pedro, julgou-se que ele era maçon e que favoreceria o liberalismo. De fato, seus primeiros atos foram extremamente liberais, o que levou os carbonários de toda a Itália bradarem cotinuamente: “Viva Pio IX”.

São João Bosco, com a sabedoria e o discenimento próprios dos santos, ordenou a seus alunos que jamais gritassem “Viva Pio IX”, mas sim “Viva o Papa”.

É este grito que deve sair sempre de nosso coração, e clamar sempre: “Viva o Papa”, como os homens clamaram um dia, em Jerusalém: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor”

Viva o Papa! Sempre, sempre. Viva o Papa, luz do mundo.

In Corde Jesu,semper,

Orlando Fedeli

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