Montfort Associação Cultural

25 de agosto de 2004

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Imensidão do Universo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo Roberto Pereira
  • Idade: 45
  • Localizaçao: – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Espírita

Sr. Orlando Fedeli: Gostaria que o sr. me esclarecesse a respeito de uma afirmação que li em uma sua carta de resposta a um leitor sobre um assunto relacionado sobre Evangelhos apócrifos e Inquisição. Lá entre outras coisas, o sr. diz que a Terra, “por ser o único astro habitado e habitável, é o centro do Universo”. Tudo bem, agora pergunto ao sr., já que seria assim, ou seja, já que a Terra seria o único planeta habitável, qual seria então o motivo de Deus ter criado bilhões ou trilhões de estrelas, também bilhões ou trilhões de galáxias e inúmeros planetas? Eu penso assim: Já que a Terra haveria de ser o único astro habitável, não haveria necessidade de toda essa imensidão no universo. Pelo menos, seria mais lógico e racional. O que o sr. acha de tudo isso? Não me interprete mal, não estou querendo colocá-lo “contra a parede”, apenas estou querendo entender, compreender um pouco mais as coisas a respeito de Deus, do universo, a respeito da Igreja Católica.

Quero enfim, crer, aprofundar a minha fé. E, talvez até mesmo voltar à minha antiga crença,que era a fé católica.

Obrigado,

Paulo

Muito prezado Paulo, salve Maria!

Que boa notícia você me envia: a de que pensa em voltar à Fé Católica, deixando os erros do espiritismo. Rezarei para que isso ocorra o quanto antes, e vou pedir a todos da Montfort que rezem nessa intenção.

Prezado Paulo, cientificamente está provado que em nenhum planeta do sistema solar é possível haver vida humana.

Teoricamente, não seria impossível que Deus tivesse criado outros seres racionais em outros planetas, em sistemas tão distantes da terra, que não temos e não poderemos ter notícia deles.

Entretanto, na criação encontramos alguns princípios que interessa considerar.

E o primeiro deles é que Deus cria tudo único.

Nunca mais haverá, no universo, outra pessoa igual a Paulo Roberto Pereira. Você é único.

Cada baleia tem um sinal, na cauda, que jamais se repete em outra. Cada zebra tem listras traçadas unicamente nela, e que jamais se repetem em outro animal desse tipo. Cada homem tem não só uma impressão digital inigualada, como uma voz única, cor de olhos única, uma personalidade única.

Por isso, é normal que a Terra seja também o único planeta que reúne as centenas de condições necessárias, para que haja vida.

Outro princípio da criação é a “generosidade” do Criador.

Tudo o que Deus cria é tendo bilhões de seres individuais de cada uma das espécies. São bilhões os peixinhos do mar. São bilhões as formigas e aves. São bilhões e bilhões os astros do céu.

Você me pergunta porque Deus teria criado as estrelas e tantos planetas se não for para serem habitados.

Isso pode ser compreendido através de outro principio da criação que é o da simbologia.

Toda criatura simboliza algum valor de Deus, alguma qualidade divina, pois São Paulo — seu padroeiro — ensina, na Epístola aos Romanos que “Depois da criação, as qualidades invisíveis de Deus, tornaram-se visíveis, através da coisas criadas” ( Cfr. Rom I, 20).

Claro que os astros tem funções materiais importantíssimas. Basta pensar no Sol. Se ele não existisse, não teríamos vida. Mas, se não houvesse a Lua também a vida seria impossível. É o equilíbrio astronômico que mantém a ordem do universo. Se desaparecesse um astro do sistema solar, a Terra mudaria de órbita em relação ao Sol, e seríamos queimados rapidamente.

Porém, além desse equilíbrio cósmico que permite haver vida na terra, os astros, que brilham na noite, nos ensinam que não existe a treva absoluta, isto é, que não existe o mal absoluto.

As estrelas nos ensinam que, por mais negra que seja a noite em nossas almas, há sempre estrelas para nos dar esperança, porque Deus a ninguém abandona. As estrelas são a promessa de que a luz retornará, que o sol vai renascer.

Numa peça de teatro muito interessante, um poeta francês– Paulo Claudel, um xará seu — faz um materialista perguntar, porque as estrelas não caem do céu e se transformem em batatas, para nós ?

É uma crítica clara à visão materialista que só vê razão de existir na utilidade material, e na comida.

As estrelas no céu existem para nos guiar, e para que aspiremos à beleza do paraíso, já que a beleza do céu material é tão bela. Não há homem que , olhando o céu estrelado, não se pergunte quem fez essa beleza luminosa e por que?

As estrelas nos obrigam a levantar os olhos para o céu, e a esquecer a futilidade para amar valores mais altos.

Você me perdoe a explicação muito sucinta demais pela minha falta de tempo (tenho cerca de 400 cartas a responder).

Mas não quero deixar de mandar para você – já que você deseja aprofundar a Fé, e já que pensa em retornar à Igreja em que foi batizado – , uma reflexão de São Bernardo sobre a estrela que guia o navegante e Maria Santíssima, nossa Mãe que nos guia para Cristo e para o céu. [é um texto muito belo, e que lhe ofereço porque o que minhas pobres palavras não conseguem lhe dizer São Bernardo completará.

Eis esse texto:

“E o nome da Virgem era Maria”(Luc.I,27)

“Detenhamo-nos um tanto considerando esse nome, que, diz-se, significa Estrela do Mar e que convém perfeitamente à Virgem Mãe.

Nada mais justo do que compará-la a um astro que emite seus raios sem ser alterado em si mesmo, assim como a Virgem dá à luz seu Filho sem lesão nenhuma em seu corpo. O raio nada tira da luminosidade de seu astro, e o nascimento do Filho não diminui a integridade da Virgem.

Ela é, portanto, essa magnífica estrela de Jacó, cujos raios iluminam o universo inteiro, iluminam o céu e penetram até os infernos. A Virgem, brilhando sobre toda a Terra aquece as almas mais do que os corpos, favorece o crescimento das virtudes e destrói os vícios.

Ela é verdadeiramente essa estrela a mais bela que devia se levantar necessariamente acima do mar imenso toda brilhante de méritos e de exemplos esclarecedores.

Ó tu, quem quer que sejas, se compreendes que tua vida, mais do que uma viagem em terra firme, é uma navegação entre as tempestades e os furacões, sobre as ondas movediças do tempo, não tires os olhos da luz dessa estrela, a fim de evitar o naufrágio.

Quando te assaltarem os ventos das tentações, quando vires aparecer os escolhos da desgraça, olha para a estrela, invoca a Maria.

Se és sacudido pelas ondas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, as seduções carnais vierem sacudir a leve barca de tua alma, levanta os teus olhos, olha para Maria.

Se, perturbado pela lembrança atroz de teus crimes, envergonhado pela vista da imundice de tua consciência, aterrorizado pela ameaça do juízo de Deus, começas a submergir no remoinho da tristeza e no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria.

Que seu nome nunca deixe teus lábios, jamais deixe o teu coração. E, para obter o socorro de sua intercessão, não te afastes do exemplo de sua vida. Seguindo-a, não te perderás; suplicando-a, não conhecerás desespero; pensando nela, evitarás todo erro.

Se ela te sustenta, não naufragarás. Se ela te protege, nada terás a temer. Se Ela te conduz, não te cansarás. Se Ela te for favorável, alcançarás o objetivo. E assim saberás por tua própria experiência tudo o que significam essas palavras: “E o nome da Virgem era Maria”

Que Nossa Senhora guie a você. prezado Paulo, e o quanto antes, ao porto da salvação, que só existe na Igreja Católica Apostólica Romana, é o que lhe deseja de toda alma e

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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