Montfort Associação Cultural

12 de novembro de 2004

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Igreja Romana x Igreja Ortodoxa

Autor: Marcelo Fedeli

  • Consulente: Christian
  • Idade: 28
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Existe alguma tentativa de união entre Católicos Romanos e Ortodoxos?

Grato

Prezado Senhor Christian…., salve Maria!

O Sr. nos pergunta se há “alguma tentativa de união entre Católicos Romanos e Ortodoxos”. As recentes visitas do Papa João Paulo II à Grécia, à Síria e à Ucrânia, países de população, em sua maioria, ortodoxa, e os discursos por ele pronunciados, não deixam de expressar tentativas de união.

Talvez o Sr. perguntasse se tais tentativas são viáveis de se concretizar.

Nesse sentido, o caso é mais sério e profundo, pois a separação dos chamados ortodoxos da Igreja Católica Romana, conhecida como o Grande Cisma do Oriente, em 1054, foi causada mais por questões doutrinárias do que por temas disciplinares, embora haja também diferenças disciplinares e litúrgicas entre ambas.

Os principais pontos doutrinários relacionados ao cisma são:

1 – Espírito Santo: pela doutrina católica, o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, procede do Pai e do Filho, definido no Concílio de Nicéia, enquanto que, para os ortodoxos, o Espírito Santo só procede do Pai.

2 – Juízo particular: a Igreja Ortodoxa não aceita o Juízo particular imediatamente após a morte, como ensina a Igreja Católica, admitindo somente o Juízo Universal; consequentemente, a Igreja Ortodoxa não admite a existência do purgatório nem do limbo, bem como não aceita as indulgências.

3 – Imaculada Conceição: Nossa Senhora, para os ortodoxos, foi concebida com o pecado original, enquanto que a Igreja católica sempre defendeu o contrário, definido por Pio IX como dogma, em 1854.

4 – Primazia e infalibilidade papal: A Igreja Ortodoxa não aceita, de forma alguma, tanto a primazia como a infalibilidade do bispo de Roma, o Papa, conforme definido pela Igreja Católica.

Algumas diferenças relativas à liturgia, ao culto, aos sacramentos e à disciplina eclesiástica:

1 – Para os ortodoxos, a consagração do pão e do vinho é realizada no Prefácio da Missa, e não no Canon, com as palavras pronunciadas por Nosso Senhor na última Ceia, conforme a liturgia católica.

2 – Na Igreja Ortodoxa não há as tradicionais devoções da Igreja Católica, como a comemoração de Corpus Christi, do Sagrado Coração de Jesus, a cerimônia da Via Crucis, o culto ao Imaculado Coração de Maria, Rosário, e outras.

3 – Os ortodoxos só aceitam ícones nos templos.

4 – Para os ortodoxos, o Sacramento do Matrimônio é ministrado pelo padre, enquanto que para a Igreja Católica, os ministros são os nubentes.

5 – Os sacerdotes ortodoxos têm liberdade de optar entre o celibato e o matrimônio, enquanto os sacerdotes católicos são celibatários.

O Sr. bem pode notar que as diferenças doutrinárias são profundas e que, para suplantá-las, é necessária uma verdadeira conversão.

Nosso Senhor Jesus Cristo, na parábola do Bom Pastor, referindo-se às ovelhas que se encontram fora do seu aprisco, disse: “… é preciso que eu as traga e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebenho e um só pastor” (S. João 10, 16).

Com tais palavras Nosso Senhor exprime um desejo ou uma oração para que todos se submetam aos ensinamentos que Ele nos deixou, sob a orientação de um só pastor, Pedro e seus sucessores, e não de vários, ou de quaisquer pastores. Para isso é necessário, antes de tudo, professar a mesma e única doutrina por Ele ensinada. Essa é a única tentativa de união.

E não serão os incontáveis “mea culpa” que conseguirão a conversão dos cismáticos, mas sim orações e sacrifícios, aliados a uma apologética caridosa, séria e profunda, é que trarão de volta, com a graça de Deus, os que estão no erro de volta à única Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica Apostólica Romana fora da qual não há salvação. Contra o que afirma o Cardeal Kasper.

In corde Jesu,
Marcelo Fedeli.

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