Montfort Associação Cultural

23 de março de 2006

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Igreja medieval

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Guilherme
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil

 Como em outros e-mails meus, tenho que lhe agradecer novamente por estar tirando as minhas dúvidas. E olha que surgiram mais, e espero que possa me ajudar.

Já li no site sobre se era verdadeira ou não a crença de que a Terra era achatada na Idade Média, mas não sei se fui eu quem não soube procurar direito ou realmente não tem o assunto que quero saber.
Gostaria de saber melhor sobre a a atuação da Igreja Católica na Idade Média, até que ponto ela tinha influência nessa época?? Ela era considerada uma igreja corrupta?

Vou lhe dizer uma coisa, segundo os meus professores de História e Física, a Igreja tinha enorme (e bota enorme nisso) influência, era a Grande Rainha, a que mandava em tudo, e Ela não deixava a Ciência evoluir, pois o pensamento daquela época era teocêntrico, ou seja, não aceitavam por exemplo que um terremoto fosse algo da natureza, coisa que sabemos muito bem hoje, a Igreja daria a entender que era por exemplo uma ira de Deus! Ou seja, a Ciência estava parada por causa da Igreja. O que o senhor me diria sobre isso tudo.

E aproveito para lhe perguntar sobre a Igreja hoje, quero dizer, existe algum tipo de corrupção na Igreja atual?? Ou agora ela realmente é santa?

Muito obrigado e aguardo resposta.

 

Prezado Guilherme, salve Maria.

Agradeço suas palavras de apoio.

A Igreja, de fato era a “rainha” da sociedade na Idade Média. Digo isso no sentido de que toda a sociedade estava pautada pelo espírito do Evangelho, e, como disse Leão XIII, na encíclica Immortale Dei, esse domínio da Igreja e da Filosofia do Evangelho de Cristo produziram frutos excelentes, que jamais os inimigos da Fé poderão negar.

Um desses frutos e uma dessas obras foi a Universidade. Foi a Igreja que fundou as Universidades, pois Nosso Senhor mandou: “Ide e ensinai a todos”. Portanto, os que dizem que a Igreja, na Idade Média, foi contra a ciência, estão bem errados. Toda a ciência atual não existiria sem as Universidades medievais.

A visão medieval era — e só podia ser — teocêntrica, isto é, tinha Deus como centro.
Evidentemente, não como centro geométrico.
O teocentrismo significa que Deus era reconhecido como sendo a causa e o fim de todas as coisas.
E, sendo Deus imutável, esse centro era fixo e imutável.

O Humanismo da Idade Moderna foi antropocêntrico, isto é, tomou o Homem como centro. Ora, o Homem é mutável. Desde então, o centro sendo mutável, tudo ficou mutável. Tendo o centro deixado de ser imutável, fixo, tudo variou. Tudo ficou relativizado. Nenhum valor permaneceu estável. Daí a confusão atual.

A Igreja é Santa, e sempre será Santa, porque sua cabeça é Cristo Deus, e sua alma é o Espírito Santo. Por isso a Igreja sempre gera santos.
Daí também rezarmos no Credo: Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Entretanto, seus membros podem ser pecadores.
Assim como a vida é, em si mesma, sempre boa, assim a Igreja, de si, é sempre santa.
Os órgãos de nosso corpo podem ficar doentes, mas a vida que os move é sempre boa.
Assim também, os membros da Igreja — inclusive o clero — podem ser maus, mas sua maldade e seus pecados não corrompem a Igreja, que permanece sempre Santa.

Na Idade Média, como em todas as épocas, a Igreja apresentava bons e maus elementos, porque no trigal semeado por Cristo o demônio sempre procura lançar a semente da cizânia.
No trigal da Igreja, sempre haverá joio misturado com o trigo.

Hoje — COMO SEMPRE — há bons e maus elementos na Igreja. Mas a Igreja Católica continua sendo sempre Santa, porque Cristo é sua cabeça, e a vida da Igreja provém dEle.
Por mais que haja hereges e apóstatas, por mais que haja elementos corrompidos na Igreja, Cristo sempre suscita nela o nascimento de almas santas.
A Igreja jamais perecerá. E seus inimigos — desde os grandes heresiarcas até os minúsculos professores de história, de física ou de biologia, não prevalecerão sobre Ela. As portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja.
Nonm Praevalebunt!!!

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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