Montfort Associação Cultural

22 de fevereiro de 2006

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Igreja invisível

Autor: André Palma

  • Consulente: Walter Moraes
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Acredito que sem negar que a Igreja seja visível e objetiva pode-se falar em igreja invisível (para nós, neste mundo) uma vez que da Igreja também fazem parte os bem- aventurados, as almas do purgatório e os anjos bons.

Prezado Walter, Salve Maria!

Ao tratar de um assunto teológico faz-se mister a precisão dos termos.

A razão disto é patente… pois, aquilo que é definido de forma indevida pode acarretar um erro de consequências graves.

Já é bastante conhecido o método dos modernistas combatidos por S. Pio X, que utilizavam palavras mal empregadas para fazer “passar” suas teses heréticas.

É verdade que os Santos e os Anjos que estão no Céu (a Igreja triunfante), as almas do purgatório (a Igreja padescente) – são para nós invisíveis, já que estamos falando de seres espirituais ou das almas dos bem-aventurados.

Entretanto, o termo “invisível” é também empregado pelos modernistas para designar uma Igreja Maior, a Verdadeira Religião, princípio de todas as outras… seja ela a católica, a protestante, a budista etc.

A Santa Igreja é antes de tudo UNA - ”Una vero est fidelium universalis Ecclesia”, fora da qual ninguém absolutamente se salva – “extra quam nullus omnino salvatur”. Ou, nos dizeres de São Paulo: “Nós, embora sendo muitos, somos um só Corpo em Cristo” Rm 12,5.

“Os primeiros a tentarem estabelecer, de modo sistemático, uma dicotomia na Igreja foram os gnósticos do século II, que faziam distinção entre a Igreja invisível dos espirituais e a Igreja visível do clero. Aos gnósticos seguiram, em maior ou menor grau, todos os movimentos rigoristas, que já se vislumbram no Pastor de Hermas (140-155) e continuam com Novaciano, Donato e todos os que na Idade Média opunham uma comunidade espiritual de predestinados à Igreja visível e numerosíssima de Roma. Incluem-se nessa corrente gnóstica os movimentos dos cátaros, valdenses, albigenses, wiclifitas, hussitas e de muitos reformadores protestantes.” (A Fé Católica – Justo Collantes, pg. 541(art. 7055) – Lumen Christi – RJ).

O mesmo erro torna a aparecer com os “fraticelli”, ou os “espirituais” – pequeno grupo separado da Ordem de São Francisco – levando o Papa João XXII a condenar tais heresias:

“O primeiro erro forjado na tenebrosa oficina desses homens foi, portanto, imaginar duas Igrejas: uma, carnal, abarrotada de riquezas, manchada de crimes, sobre a qual afirmam terem o domínio o Romano Pontífice e os outros prelados inferiores; outra, espiritual, pura por temperança, bela pela virtude, cingida com a pobreza, na qual se encontram só eles e seus seguidores e na qual têm autoridade, a dar crédito a suas mentiras, os que mais mérito têm na vida espiritual” – Constituição Gloriosam Ecllesiam de 23.1.1318.

Já no Concílio de Trento, o primeiro projeto da Constituição sobre a Igreja dizia:

“Ninguém, porém, deve jamais crer que os membros da Igreja se unem por meio de vínculos exclusivamente internos e ocultos (latentibus) e assim se torne ela uma sociedade oculta e totalmente invisível. Porque quis a  eterna Sabedoria e o poder de Deus que, aos vínculos espirituais e invisíveis, com que intimamente se unem os fiéis, por meio do Espírito Santo, à suprema e invisível Cabeça da Igreja, correspondessem laços visíveis e externos, para que aquela sociedade espiritual e sobrenatural se manifestasse externamente e se revelasse visivelmente… Donde se conclui que a igreja de Cristo na terra nem é invisível, nem está oculta, mas posta à luz, como uma cidade alta e luminosa construída no monte, que não pode estar escondida, ou, como lâmpada sobre o condelabro, é iluminada pelo Sol da justiça e resplandece sobre todo o mundo com a luz de Sua verdade” (A Fé Católica – Justo Collantes, pg. 562 (art. 7101) – Lumen Christi – RJ).

Esperando tê-lo respondido,

In Corde Iesu et Mariae,

André Palma.

 

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