Montfort Associação Cultural

12 de setembro de 2005

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Igreja fria e retardada

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Pe. Pedro Jorge
  • Idade: 40
  • Localizaçao: São Lourenço da Mata – PE – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: sacerdote
  • Religião: Católica

Querido Orlando: Estive lendo alguns de seus artigos sobre a RCC e, muito me preocupou com a sua aversão a esse movimento. Creio que como sacerdote da Igreja de Jesus tenho toda a autoridade de lhe corrigir fraternalmente. Sinto um certo fechamento de sua parte quanto aos novos movimentos. Não esqueça que o Grande João Paulo II, os chamou de uma nova “primavera” no seio da Igreja. Creio que você ou o “senhor” não deseja mais uma Igreja fria e retardada como antes co Concílio Vaticano II? Se, em algum movimento, pastoral ou associação na Igreja ultrapassa seus leimites espirituais, devemos ter a humildade de ajudá-los ao caminho coerente. Não basta criticxarmos, como a simples “defesa do de pósito da fé” nos desse crédito diante da instituição e da promessa feita a Pedro por Cristo Jesus. Tenha mais zelo e simplicidade, pois todos nós somos passiveis de erro. Jesus não foi contar o número dos erros da prostituta, mas apresentou-lhe somente sua face misericordiosa, como elemento novo para a vida daquela pobre mulher. Com minha benção, seu Pai espiritual e pastor Pe. Pedro Jorge , sacerdote da Igreja Católica em Recife.

Muito reverendo Padre Pedro Jorge,
Salve Maria!
 
    Claro que o senhor tem todo o direito de me corrigir, sempre que eu cometer algum erro. 
    Graças a Deus — enfim — um sacerdote procura me corrigir, e me aconselhar. Deus lhe pague por sua caridade, Padre. Qualquer correção de defeitos pessoais meus é bem vinda.
    Entretanto, Padre, em sua carta, o senhor não corrige tanto erros pessoais meus, mas quer identificar e criticar posições doutrinárias que assumo como católico, e que o senhor julga erradas.
    Não vou cometer o erro de negar ou defender defeitos pessoais meus, e nem, muito menos, criticar a sua pessoa, que não conheço. Mas permita-me, Padre, elevar o diálogo para um patamar doutrinário, mais elevado, e colocar-lhe primeiramente um problema fundamental.
    O senhor, usando de toda a sua autoridade sacerdotal, me diz:
 
    “Creio que você ou o “senhor” não deseja mais uma Igreja fria e retardada como antes co Concílio Vaticano II?”.
 
    Igreja “fria e retardada”?
    Como o senhor pode qualificar a Igreja de antes do Vaticano II de “fria e retardada”?
    Será que Deus não soube guiar a Igreja durante 2.000 anos, e foi preciso vir João XXIII, para corrigir e ensinar a Deus como tornar a Igreja “quente” e “avançada”?
    Não é essa uma suposição blasfema contra Deus, e afrontosa aos milhões de mártires e santos que a Igreja “fria” e “retardada” suscitou?
    Quer dizer que, para o senhor, — como para muitos teólogos — a Igreja, depois do Vaticano II, mudou?
    Ficou ela “quente” e “avançada”?
    Por que “quente”?
    Por que “avançada”?
           
    Comecemos pelo “avançada”.
    “Avançada” implica em tomar uma direção e um objetivo.
    A Igreja, depois do Vaticano II, avançou em direção a que, Padre?
    Em direção à apostasia, em número de padres que largaram a batina e a vida sacerdotal?
    Avançou em número de freiras que abandonaram os conventos?
    Avançou em número de fiéis que passaram para o protestantismo?
    Avançou em número de igrejas fechadas? Em ausência dos fiéis nas Missas dominicais?
    “Igreja avançada” que significa, para o senhor?
    Por acaso, o senhor julga que os novos padres avançaram em saber teológico?
    Não é o que se vê nos sermões…
    Não é o que se vê nos manifestos da CNBB…
    Não é o que se vê nos folhetos dominicais.
    Não é o que se vê nos estudos teológicos publicados nas livrarias ditas católicas, as quais expõem mais livros de yoga, budismo, espiritismo, auto-ajuda, e tantas outras fábulas inventadas pelo diabo.
  
    Aliás, os padres pós Vaticano II aposentaram o diabo, e esfriaram o inferno com ventiladores modernistas “anti mito”…
    Por acaso o avanço foi em número de escândalos homossexuais e pederastas, como agora, digamos,… nos Estados Unidos?
    E por que o senhor considera que a nova Igreja pós conciliar é “quente”?
    Será que é pela cuíca, reco-reco, e rock and roll na Missa?
    Pelos abusos litúrgicos que o Papa João Paulo II condenou? Pelas inúmeras profanações da Hóstia que se repetem por toda a parte?
    Pelo quase afundamento da barca de Pedro, como disse o Cardeal Ratzinger, na sexta feira anterior ao Conclave que o elegeu Papa?
    O senhor tem a bondade de me lembrar uma coisa importante:
 
    ”Não esqueça que o Grande João Paulo II, os chamou – [os movimentos do novo apostolado pós conciliar] — de uma nova “primavera” no seio da Igreja”.
   
    No meu tempo de menino havia bondes, e neles se lia um aviso: “Cortesia com cortesia se paga”. Permita-me, então, Padre Pedro Jorge, pagar-lhe sua cortesia, lembrando o pensamento de um Papa que fez o Vaticano II, — Paulo VI — julgando a tal “primavera” suscitada pelo Vaticano II:
 
    ”Nós pensávamos que o amanhã do Concílio seria um dia ensolarado para a Igreja. Porém, encontramos novas tempestades”.      
   
    Permita-me Padre Pedro Jorge dar-lhe o contexto dessa frase terrível, contexto que não a torna menos grave. Disse Paulo VI sobre os frutos do Vaticano II:
 
     “Por alguma fissura, a fumaça de Satanás está no templo de Deus: a dúvida, a incerteza, o questionamento, a preocupação, a insatisfação, o afrontamento surgiram. (…) Nós pensávamos que o amanhã do Concílio seria um dia ensolarado para a Igreja. Porém, encontramos novas tempestades. Nós procuramos cavar novos abismos ao invés de aplaná-los. Que aconteceu? Nós vos confiaremos nosso pensamento: foi um poder contrário, do diabo, este ser misterioso, inimigo de todos os homens, qualquer coisa de sobrenatural, que veio apodrecer e secar os frutos do Concílio Ecumênico e impedir que a Igreja brilhe em hinos de alegria por ter descoberto sua própria consciência” (Apud Yves Chiron, op. cit. p. 320). (En passant: desde quando a Igreja perdera “a consciência”?).
   
    Ao invés do “ar fresco” — primaveril — na Igreja, pretendido por João XXIII através da “janela aberta” daquele renovador Concílio, acabou penetrando a “fumaça de Satanás no templo de Deus”!
    Então, Padre Pedro Jorge, isso é o que Paulo VI constatou na Igreja depois do Vaticano II.
    Constatou Paulo VI que a Igreja estava mais “quente” e mais “avançada”?
    Quem será que se enganou com os resultados do Vaticano II: Paulo VI, ou o senhor Padre Pedro Jorge?
    Nosso Senhor nos disse que pelos frutos conhecemos a árvore. Ora, os frutos do Concílio estão visíveis e, diariamente, nos são entregues à porta de nossas casas pelos jornais.
    E que frutos!…
    Frutos que o próprio Papa Paulo VI parece ter degustado no dia 7 de dezembro de 1968 (três anos após o encerramento do Concílio Vaticano II), ao afirmar:
 
    “A Igreja se encontra numa hora de preocupação, de autocrítica, dir-se-ia quase de auto-demolição. É uma reviravolta interior, aguda e complexa, que ninguém esperava depois do Concílio” (Yves Chiron, “Paul VI, le Pape écartelé”, Ed. Perrin, Paris, 1993, p. 288).
 
    “Auto-demolição”… da Igreja!….Expressão terrível e assustadora especialmente vindo de quem a dirigia.
 
    Então, Padre Pedro Jorge, como fica a Igreja pós conciliar quente e avançada em direção à auto-demolição?
    E, convenhamos, Padre Pedro Jorge, a “fumaça” que Paulo VI viu e cujo mau odor sentiu, em 1972, é quase tênue neblina, se comparada à palpável, ‘oscura e profonda’ e densa treva, que hoje escurece o templo de Deus!…
    Que diria Paulo VI, hoje?…
    Será que ele repetiria, com o senhor, que a Igreja está agora menos fria e menos retardada que a Igreja pré conciliar?
    Dói-me, padre, usar esses termos: Igreja nova, igreja pré conciliar.
    A Igreja só pode ser uma.
    Se a Igreja mudou, — mesmo para uma mais quentinha e avançadinha — qual seria a verdadeira: a Igreja que durou 2.000 anos ensinando sempre a mesma doutrina, ou a Nova Igreja nascida no Vaticano II, igreja nova, “quente” e “avançada”, que Bento XVI, ainda quando Cardeal Ratzinger, constatou estar afundando?
    Padre, o pior da situação atual da Igreja é encontrar padres cegamente otimistas com relação à crise.
    Padre, aceito bem que o senhor me corrija meus defeitos pessoais.
    Muito obrigado. Mas há algo infinitamente mais importante em foco do que um professor velho escrevendo cartas na Internet.
    Há a situação da Igreja.
    Mais do que tratar de meus defeitos pessoais, antes de tudo, padre, é preciso, cuidar da situação dramática e trágica a que o Vaticano II levou a Igreja. Antes de mim, Padre, antes de cuidar da trave que está em meu olho, é preciso cuidar do cisco que turva a vista de alguns padres, para que eles tenham a visão clara da situação terrível do clero pós conciliar. E temo que o cisco doutrinário em seu olho aberto pode não lhe permitir fazer com precisão a operação de retirada da trave de meu olho fechado.
    Depois deste esclarecimento fundamental sobre a Igreja pós conciliar aberta, quente e avançada, passemos a um outro ponto.
    Vossa Reverendíssima me diz:
 
    “Sinto um certo fechamento de sua parte quanto aos novos movimentos”.
   
    Permita-me observar-lhe, Padre que o senhor não “sente“. O senhor pensa ter entendido que sou contrário aos novos movimentos de apostolado nascidos do Vaticano II. O verbo sentir usado em lugar de entender ou compreender é significativo.
    Os modernistas são muito contrários ao intelecto. Para eles, a fé é um sentimento.
    Sua formação em seminário moderno parece ter afetado — não digo sua ortodoxia, que não conheço plenamente para ter juízo sobre ela — mas pelo menos sua terminologia, pois o senhor substitui sintomaticamente “compreender” por “sentir“.
    E o senhor alude a um possível “fechamento” de minha parte com relação a esses movimentos. E me pergunta:Por que tanta aversão?” Por causa dos erros doutrinários deles, Padre. Não se pode ser aberto a erros doutrinários. E quem não tem aversão ao pecado cairá nele.  E isso vale também – e muito mais — para os pecados contra a Fé.
    Quem não tem aversão aos erros contra a Fé está em perigo de cair em erro, ou em heresia, como quem não tem aversão à impureza está pronto a cair nela.
 
    Pois, Padre, vamos deixar bem claro, desde o início: sou contra, sim, à RCC, à TL, ao Neo Catecumenato, aos Focolari, aos Arautos do Evangelho de Scognamiglio, com botas, profetas, caixa e bumbo, e etc., pelos erros doutrinários que há nesses movimentos.
    Pelo contrário, vejo que o senhor é “aberto” a eles. Mas o que significam, hoje, esses termos “aberto” e “fechado“?
    Foi a partir do Vaticano II que esses termos novos — com significação brumosa — invadiram as bocas, os textos e as mentes, primeiro dos sacerdotes, depois, dos fiéis moderninhos e modernizados.
    O Papa João XXIII foi quem quis abrir a Igreja ao mundo moderno, ao “pensamento moderno”. E a Gaudium et Spes fez essa abertura desastrosa que abriu brechas nas muralhas da Igreja, brechas pelas quais penetrou a “fumaça de satanás”. E, depois, pela mesma brecha, os insufladores dessa fumaça invadiram o Templo de Deus.
    Que significa então ser aberto ao mundo moderno? Paulo VI o esclareceu, dizendo que isso significou servir o homem. Ter o culto do homem, quando antes a Igreja que o senhor, padre Pedro Jorge, chama de fria e retardada, servia a Deus e cultuava a Santíssima Trindade. Eis as palavras de Paulo VI:
 
    “Ainda há um outro ponto que Nós devemos destacar: toda esta riqueza doutrinária [do Concílio Vaticano II] visa somente uma coisa: servir o homem” (Paulo VI, “Discurso de Encerramento do Vaticano II”, em 7 de Dezembro de 1965)
 
    “Tudo isto, e tudo aquilo que Nós podemos ainda dizer do valor humano do Concílio [Vaticano II], talvez tenha desviado o pensamento da Igreja do Concílio em direção de posicionamentos antropocêntricos, tomados da cultura Moderna? Não, a Igreja não se desviou, mas Ela se voltou em direção ao homem…
 
    “A mentalidade moderna, habituada a julgar todas as coisas pelo seu valor, pela sua utilidade, quereria bem admitir que o valor do Concílio é grande pelo menos por esta razão: tudo foi orientado para a utilidade do homem! Portanto, não se declare mais inútil uma religião, como a religião Católica que, na sua forma, a mais consistente e eficaz, como esta do Concílio, proclama que Ela está toda inteira a serviço do homem…” (Paulo VI, Discurso de Encerramento do Vaticano II, em 7 de Dezembro de 1965).
 
    “Neste Concílio [Vaticano II] a Igreja quase se fez escrava da humanidade” (Paulo VI, Discurso de Encerramento do Concílio Vaticano II, em 7 de Dezembro de 1965).
 
    E ainda:
 
    “Humanistas do século XX, reconhecei que também Nós temos o culto do Homem“. (Paulo VI, Discurso de Encerramento do Concílio Vaticano II, em 7 de Dezembro de 1965).
 
   Não sei como conciliar esse culto aberto do homem com o fechamento da Sagrada Escritura que amaldiçoou quem confia no homem?
 
    “Isto diz o Senhor: maldito o homem que confia no homem” (Jer. XVII, 5).
   
    Ser aberto, então, significa aceitar o pensamento moderno.
    Ser fechado é repelir esse pensamento moderno antropocêntrico.
 
    Padre Pedro Jorge: tome nota: sou absolutamente fechado ao pensamento moderno, que é um pensamento que coloca o homem no lugar de Deus.
    Fora o culto do homem!
  
    Padre, o senhor quer colocar o homem no lugar de Deus?
    Ser aberto, depois, passou a ser sinônimo de tolerante, de relativista, de ter um pensamento “chicletoso”, moldável a todas as situações.
 
    Peço-lhe Padre, que reze para que eu permaneça absolutamente fechado ao pensamento moderno, ao antropocentrismo, e ao relativismo. Sou decididamente daqueles que querem defender a Fé como sempre foi ensinada, sem nenhuma abertura, sem nenhuma brecha.
    Claro que sei que padres modernistas me apodariam imediatamente — de modo injusto, e calunioso — de fundamentalista. Mas a eles o Papa Bento XVI já respondeu dizendo que basta alguém defender princípios anti relativistas para ser caluniado e apodado de fundamentalista.
 
    “Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é freqüentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo, isto é, o deixar-se levar «ao sabor de qualquer vento de doutrina», aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio «eu» e os seus apetites”. (Cardeal Joseph Ratzinger, Discurso na Abertura do Conclave que o elegeu Papa Bento XVI , 19 de Abril de 2.005)
    
    Não sou fundamentalista, padre. Sou católico com Fé clara, católico como era sua avó, como eram seus pais, e possivelmente como o senhor foi, quando menino, antes do Vaticano II, e antes de o senhor freqüentar o seminário que o senhor cursou.
    O clero, após Vaticano II, encheu a Igreja de pastorais. Só que faltam os pastores. E os que ainda existem, muitas vezes preferem assistir a novela das oito, ou o jogo de futebol, quando não ir a festinhas e a cristotecas.
    O clero, após Vaticano II, encheu a Igreja de pastorais, repito. Só que as ovelhas ficaram completamente abandonadas. E quando alguém faz algo em prol das ovelhas, ainda que em pequena escala, se tem raiva.
    Espero que o senhor não esteja entre esses padres que assistem novelas em vez de cuidar das almas, mas que seja um Padre sinceramente preocupado em tirar “traves” — ou o que julga serem traves — dos olhos de velhos professores…
    Estou voltando, agora, a meus defeitos e a sua caridosa preocupação para comigo.
    Agradeço-lhe que me tenha dito que eu “Tenha mais zelo e simplicidade, pois todos nós somos passiveis de erro”.
    Padre, rogo-lhe do fundo de minha alma: nas suas Missas peça a Deus que me dê mais zelo contra os hereges, e simplicidade de alma, que me faça ir diretamente contra os inimigos de Deus, sem voltinhas e sem rodeios. Como dizia Du Guesclin em sua oração ao Rei São Luís IX:  “que eu marche “droit au but, droit au plus dru“, isto é que eu marche diretamente contra o inimigo, no ponto mais duro da batalha, galhardamente.
    Que bons desejos o senhor manifestou para minha alma!
    Droit au but et au plus dru.
    É quase um lema que sua caridade me suscitou na alma.
    Deus lhe pague, Padre.
    Tenho defeitos sim, Padre. Mas faço o que posso para defender a Fé.  
    E com certo êxito.
    Afinal, Padre, o site Montfort– graças a Deus — tem convertido muitas pessoas e afervorado outras. Tem soprado brasas que estavam apagando, e suscitado labaredas de amor a Deus e à Santa Igreja. Tem dado apoio a canas torcidas, que estavam para quebrar.
    Afinal, temos alcançado até mais de 210.000 acessos num único mês, no site Montfort (acessos únicos).
    Um site “aberto” ao mundo moderno teria alcançado esse número, padre?
    Experimente…
    E o site Montfort não tem figurinhas, não tem anjinhos esvoaçando, não tem piadas. Tem textos doutrinários longos. E é um site “fechado” e polêmico. Um site nada ecumênico. Briguento. Que consegue que pessoas com quem brigou, escrevam, depois, agradecendo.
    Graças a Deus!
    O senhor não percebeu como os jovens escrevem para o site Montfort?
    Quem deveria estar digitando cartas e lutando pela Fé, deviam ser os pastores. Se um leigo, professor já bem velho, compreende que é obrigado a fazer isso, é porque depois do Vaticano II, o excesso de pastorais e de reuniões, deve ter impedido que os padres tenham tempo de cuidar das ovelhas….
    O senhor não quer fazer um site para responder dúvidas do povo fiel?
    Certamente seria um site com mais zelo e simplicidade que o da Montfort.
    Eu me tornaria um de seus leitores… caso o senhor não fosse… “aberto”!  Claro!
    Com a sua autoridade de sacerdote o senhor teria muito mais poder em sua palavra.
    Faça-o, padre.  
   
    O senhor me lembra, enfim, que “Jesus não foi contar o número dos erros da prostituta, mas apresentou-lhe somente sua face misericordiosa”,.
    Isso é verdade, Padre.
    Mas, Padre, o senhor se esqueceu de que Jesus amaldiçoou os fariseus, chamando-os de filhos do diabo. O senhor se esqueceu que Jesus polemizou três anos contra o fermento dos fariseus, isto é, a doutrina da Gnose.
    Padre, Jesus não foi aberto para os fariseus, e nem para os saduceus. Os pecados contra a Fé, ele os estigmatizou e fustigou.
 
    JESUS NÃO FUNDOU UM MOVIMENTO ECUMÊNICO ABERTO AO FARISAISMO, AO SADUCEISMO, E AO PAGANISMO.
    Jesus foi fechado aos erros de seu tempo, e os combateu.
    Jesus mandou aos Apóstolos: “Ide e ensinai
    Jesus não mandou: “Ide e dialogai”. Onde, padre, existe no evangelho uma recomendação de Jesus para sermos “abertos“?
    Ele, pelo contrário, condenou o caminho largo, e disse que seguíssemos o caminho estreito.
 
    Concluindo, Padre, quero agradecer sobremaneira sua bênção sacerdotal. Deus lhe pague.
    São um pouco raras, em minha correspondência, as bênçãos sacerdotais. Algumas recebo e agradeço, como agradeço a sua.
    O que quero é que Deus me perdoe meus erros e meus pecados. Para obter esse perdão, luto pela defesa da Fé, e pela conversão das almas, indo sempre “droit au but, droit au plus dru”.
    Quem sabe, padre, Deus levando em conta minha reta intenção, e meu combate, tenha misericórdia de meus inúmeros pecados e me conceda a sua paz. Porque, como Santa Joana d´Arc, afirmo que só se conseguirá a paz na ponta da lança.
    Ou na ponta da caneta, que hoje foi substituída pelo teclado do computador.
    “Catando milho” em meu teclado, suplico a Deus o perdão, e ao senhor, Padre, a sua bênção, e a sua compreensão.
    Deus guarde Vossa reverendíssima.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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