Montfort Associação Cultural

24 de novembro de 2004

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Igreja e Maçonaria

  • Consulente: Ronaldo Costa
  • Idade: 48
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Gerente Comercial
  • Religião: Católica

Pesquisando sobre a história de uma religião chamada WICA, cheguei até o seu site e o achei muito interessante.

Gostaria, de se possível, me eliminassem uma dúvida:

-Há algum tempo atrás, me disseram que a Igreja Católica seria contrária à Maçonaria, chegando a explusar quem a praticasse . Seria isto verdade?

Em caso positivo, qual o motivo que levaria esta Igreja a ser contrária a uma fraternidade que só pratica o bem para a Humanidade? Que combate os vícios e se eleva as virtudes?

Caro senhor Ronaldo, salve Maria!

Todo maçom  se encontra em estado de pecado grave, e portanto não pode comungar, estando portanto excomungado enquanto pertencer à esta sociedade secreta.

O senhor pergunta porque a Igreja condena a maçonaria, e respondemos com alguns textos do papa Leão XIII, da encíclica Humanum Genus, promulgada no dia 20 de abril de 1884. Tal condenação é, conforme palavras do próprio Cardeal Ratzinger, válida ainda hoje.

Em primeiro lugar, a Igreja condena a maçonaria porque esta, desde seu nascimento, conspira contra a Igreja:

“Na nossa época, os fautores do mal parecem haver-se coligado num imenso esforço, sob o impulso e com o auxílio de uma Sociedade difundida em grande número de lugares e fortemente organizada, a Sociedade dos mações. Estes, com efeito, já não se dão o trabalho de dissimular as suas intenções, e rivalizam entre si em audácia contra a augusta majestade de Deus. É publicamente, a céu aberto, que empreendem arruinar a Santa Igreja, a fim de, se possível fosse, chegarem a despojar completamente as nações cristãs dos benefícios de que são devedoras ao Salvador Jesus Cristo.” (Papa Leão XIII, A sociedade dos mações, Carta Encíclica

Humanum Genus, 2, o negrito é meu.)

Esta encíclica de Leão XIII é o ponto culminante de uma série de encíclicas de vários papas que, desde o inicio da maçonaria, condenam esta seita:

“Nossos predecessores bem depressa reconheceram esse inimigo capital no momento em que, saindo das trevas de uma conspiração oculta, se lançava ao assalto em pleno dia. Sabendo o que ele era, o que queria, e lendo por assim dizer no futuro, eles deram aos príncipes e aos povos o sinal de alarma, e os alertaram contra os embustes e os artifícios preparados par a surpreendê-los.” (Papa Leão XIII, Exortações dos Romanos Pontífices, Carta Encíclica Humanum Genus, 4). E o papa Leão XIII cita encíclicas dos papas Clemente XII, Bento XIV, Pio, Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI e Pio IX .

A maçonaria, segundo Leão XIII, mantém mistérios e objetivos secretos que são vedados à revelação pública por seus adeptos, alguns dos quais sendo passíveis de punição com a morte dos que violarem seus segredos, e também acusa-a de disfarçar suas ações ilícitas através da filantropia e de um pretenso cultivo das ciências:

“Existe no mundo um certo número de seitas que, embora difiram umas das outras pelo nome, pelos ritos, pela forma, pela origem, se assemelham e estão de acordo entre si pela analogia da finalidade e dos princípios essenciais. De fato, elas são idênticas à Maçonaria, que é para todas as outras como que o ponto central de onde elas procedem e para o qual convergem. E, se bem que no presente elas tenham a aparência de não gostarem de ficar ocultas, se bem que façam reuniões em pleno dia e sob as vistas de todos, se bem que publiquem seus jornais, todavia, se se for ao fundo das coisas, pode-se ver que elas pertencem à família das Sociedades clandestinas e que lhes conservam os usos. Com efeito, há nelas espécies de mistérios que a sua constituição proíbe com o maior cuidado serem divulgados não somente às pessoas de fora, porém mesmo a bom número de seus adeptos. A esta categoria pertencem os Conselhos íntimos e supremos, os nomes dos chefes principais, certas reuniões mais ocultas e interiores, bem como as decisões tomadas, com os meios e os agentes de execução. Para esta lei do segredo concorrem maravilhosamente: a divisão, feita entre os associados, dos direitos, ofícios e cargos; a distinção hierárquica, sabiamente organizada, das ordens e graus; e a disciplina severa a que todos são sujeitos. Na maioria das vezes, os que solicitam a iniciação devem promete, muito mais, devem fazer juramento solene de nunca revelar a ninguém, em momento nenhum, de maneira alguma, os nomes dos associados, as notas características e as doutrinas da sociedade. É assim que, sob aparências mentirosas, e fazendo da dissimulação uma constante regra de conduta, como outrora os maniqueus, os mações não poupam esforço algum para se ocultarem e só aos seus cúmplices terem por testemunhas. – Sendo o seu grande interesse não parecerem o que são, eles fingem de amigos das letras ou de filósofos reunidos para cultivar as ciências. Só falam do seu zelo pelos progressos da civilização, do seu amor ao pobre povo. A lhes dar crédito, o seu único intuito é melhorar a sorte da multidão e estender a maior número de homens as vantagens da sociedade civil. Mas, suposto fossem sinceras, estariam essas intenções longe de lhes esgotar todos os desígnios. Com efeito, os que são filiados devem prometer obedecer cegamente e sem discussão às injunções dos chefes; manter-se sempre prontos, à menor notificação, ao mais leve sinal, para executar as ordens dadas, votando-se de antemão, em caso contrário, aos tratamentos mais rigorosos e mesmo à morte. De fato, não é raro que a pena do último suplício seja infligida aos drente eles que são convencidos ou de haverem entregue a disciplina secreta, ou de haverem resistido às ordens dos chefes; e isso se pratica com tal destreza que, na maioria das vezes, o executor dessas sentenças de morte escapa à justiça estabelecida para velar sobre os crimes e vingá-los. – Ora, viver na dissimulação é querer ser envolvido de trevas; acorrentar a si pelos laços mais estreitos, e sem lhes haver feito previamente conhecer a que é que se comprometem, homens assim reduzidos ao estado de escravos; empregar em toda sorte de atentados esses instrumentos passivos de uma vontade estranhas; armar para o morticínio mãos com cujo auxílio é assegurada a impunidade do crime; aí estão práticas monstruosas condenadas pela própria natureza. A razão e a verdade bastam, pois, para provar que a Sociedade de que falamos está em oposição formal com a justiça e a moral naturais.” (Papa Leão XIII, Conspiração de diversas seitas, Carta Encíclica

Humanum Genus, 8. O negrito é meu)

O senhor alega que a maçonaria é uma fraternidade que pratica o bem para a Humanidade que promove as virtudes e combate os vícios, porém, guardadas as devidas proporções, o Nazismo e o Comunismo soviético, segundo sua ideologia, acreditava fazer as mesmas coisas, e o resultado prático final é que milhões de pessoas foram mortas.

Espero assim ter esclarecido suas dúvidas.

Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio

Paulo Sérgio R. Pedrosa

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