Montfort Associação Cultural

6 de dezembro de 2011

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Igreja: corpo místico de Cristo

Autor: Emerson Takase

  • Consulente: Paulo dos Anjos
  • Localizaçao: Senhor do Bonfim – BA – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: Secretário
  • Religião: Católica

Olá amigos da Monfort,Salve Maria!

 Sou um assíduo leitor da Montfort,o trabalho realizado por vocês certamente que conta com frutos muito verdadeiros graças a Deus e a Sempre Virgem Maria.
Já escrevi em uma outra oportunidade para tirar algumas dúvidas,tive a satisfação de ter minha carta respondida pelo Professor Orlando que corrigiu muitas das minhas contradições,embora bem intencionadas não passavam de contradições.A Deus agradecerei sempre por nos dar uma luz em meio as trevas que ousam infestar até dentro da Igreja.

Entretanto ainda que eu estude muito sobre a Santa Doutrina muitos termos teologicos ficam sem uma explicação objetiva,por exemplo: MíSTICA. O que essa palavra significa em si mesma? Quando dizemos que a Igreja é o Corpo Místico de Cristo qual o sentido de místico?

E quanto ao Papa,muitos blogs protestantes ousam afirmar descaradamente que Pedro não foi o primeiro,que a Igreja o colocou como primeiro pra valorizar o papado.Olhe eu sei que isso é mentira, e muito absurda,mas gostaria se possível de referencias bibliográficas para refutar essa heresia protestante.

Sobre o casamento,corre um comportamento meio estranho.As pessoas planejam o casamento pra depois da faculdade e de uma boa colocação profissional ou depois que “curtiu a vida”.Muitas vezes correm tanto atrás dessa ascenção social que colocam o matrimônio não como meio pra constituir familia mas como uma “realização pessoal”.Qual a idade certa para o matrimônio? Quando algum deve se casar?

Que a minha nenhum pouco estilosa missiva não vos irrite,mas agradeço antecipadamente a atenção que grande da vossa parte para com todos leitores.

In Corde Iesu et Maria.
Paulo dos Anjos

 Prezado Paulo, salve Maria.

Obrigado pelas suas gentis palavras de incentivo à Montfort. Peço-lhe que reze à Virgem Santíssima para que continuemos, com zelo, esse trabalho herdado de nosso saudoso Professor.

A palavra místico significa misterioso, ou seja, sob a ótica católica, trata-se de algo de difícil compreensão, uma vez que ultrapassa a razão humana. Ultrapassa, mas não contradiz a razão humana.

Ao dizermos que a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, significa que nós, o clero e os leigos, estamos unidos à Cabeça (Cristo), analogamente à união dos membros de um corpo humano com a cabeça.

Mas, esse Corpo Místico não se confunde com o corpo físico de Nosso Senhor, nascido da Virgem Maria, presente à direita de Deus Pai nem Aquele oculto sob os véus eucarísticos.

Passamos já, veneráveis irmãos, a expor as razões com que desejamos mostrar que o corpo de Cristo, que é a Igreja, se deve denominar místico. Essa denominação, usada já por vários escritores antigos, comprovam-na não poucos documentos pontifícios. E há muitas razões para se dever adotar: pois que por ela o corpo social da Igreja, cuja cabeça e supremo regedor é Cristo, pode distinguir-se do seu corpo físico, nascido da Virgem Maria e que agora está sentado à destra do Pai ou oculto sob os véus eucarísticos; pode também distinguir-se, e isto é importante por causa dos erros atuais, de qualquer corpo natural, quer físico, quer moral.
De fato, enquanto no corpo natural o princípio de unidade junta de tal maneira as partes que cada uma fica sem própria subsistência, ao contrário no corpo místico a força de mútua coesão, por mais íntima que seja, une os membros de modo que conservam perfeita e própria personalidade. Além disso, se considerarmos a relação entre o todo e os diversos membros em todo e qualquer corpo físico dotado de vida, os membros particulares destinam-se, em última análise, unicamente ao bem de todo o composto, ao passo que toda a sociedade de homens, considerado o fim último da sua unidade, é finalmente ordenada ao proveito de todos e cada um dos membros, como pessoas que são. Portanto, para voltarmos ao nosso ponto, como o Filho do Eterno Pai desceu do céu por amor da nossa eterna salvação, assim fundou o corpo da Igreja e o enriqueceu do seu divino Espírito para procurar e conseguir a bem-aventurança das almas imortais, conforme aquela sentença do Apóstolo; “Todas as coisas são vossas; vós, porém, sois de Cristo; e Cristo de Deus” (l Cor 3,23). A Igreja como é ordenada ao bem dos fiéis, assim é destinada a glória de Deus e à daquele que ele mandou, Jesus Cristo” (Encíclia Mystici Corporis, Papa Pio XII).

Muito menos se confunde com um corpo meramente moral, a exemplo das Pessoas Jurídicas (Estados e empresas). Trata-se de uma realidade muito maior, sobrenatural.

Daí o termo místico, uma vez que “os cristãos não se coadunam apenas como se agrupam os cidadãos dum estado; o principal ali é a fonte invisível da unidade: Cristo. Os cristãos não são simplesmente um corpo social a mais, entre muitos outros; os cristãos formam o Corpo de Cristo. (…) Cabe então (1 Cor, XII, 12) a comparação do corpo humano, diverso e uno. São Paulo, porém, alargando subitamente a perspectiva, ultrapassa a questão dos carismas e afirma de maneira universal: apesar de muitos, os fiéis formam um só Corpo que é Cristo. Com efeito, foram eles todos batizados num só Espírito, pelo que desaparecem as diferenças de raça e de condição social. É muito de notar o final do versículo. Esperaríamos: ‘como o corpo é um e tem muitos membros e todos os membros do corpo embora muitos, formam contudo um só corpo, assim também os fiéis’. Em vez disto, S. Paulo escreve: ‘assim também Cristo’; entende-se: não o Cristo individual, senão o Cristo Místico, isto é, Cristo em união com os fiéis, como será dito no versículo 27: ‘vós sois Corpo de Cristo’ (O Corpo Místico, Pe. Dr. M. Teixeira-Leite Penido, Vozes, 1944, p. 151).

E para tentar lançar alguma luz numa realidade tão grandiosa quanto misteriosa, transcrevo mais um trecho do livro, em que se reforça a íntima união que há entre os católicos e Cristo, a ponto de se identificar a Igreja com o Corpo de Cristo. Tão íntima é essa união, que, assim como nosso Redentor sofreu as dores do Calvário, assim também convém que seu Corpo Místico sofra as mesmas dores.

A Paixão expiadora de Cristo se renova e de certa maneira se continua e se completa no seu Corpo Místico que é a Igreja. Com efeito, para nos servir da expressão de Sto. Agostinho, Cristo padeceu o que devia, nada falta à medida de seu sofrimento; completada a Paixão na Cabeça, resta paixão do corpo. O que o mesmo Jesus se dignou declarar quando a Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos, Ele disse: ‘Sou eu, Jesus, a quem persegues’, dando claramente a entender que, pelas perseguições feitas à Igreja, é atacado e atormentado o divino Chefe dela. É pois com suma razão que Cristo, sofrendo ainda em seu Corpo Místico, deseja nos ter por companheiros de sua expiação. O mesmo pede nossa conexão com Ele, porquanto sendo membros de Cristo e membros uns dos outros, tudo quanto sofre a Cabeça, deverão com ela sofrer os membros.
Essa doutrina – vivida, antes que entendida apenas – é a divina e recôndita fonte, donde nascem as almas reparadoras, as almas vítimas. Na pureza do claustro ou entre a corrupção do mundo, secretamente elas se imolam, para expiar as culpas e compensar a ingratidão daqueles que não amam o Amor” (O Corpo Místico, Pe. Dr. M. Teixeira-Leite Penido, Vozes, 1944, p. 359).

Quanto às referências bibliográficas para defender o Primado de Pedro, recomendo-lhe:

– “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, do Pe. Leonel Franca;

– “Legítima Interpretação da Bíblia”, de Lúcio Navarro.

Em relação ao matrimônio é uma infeliz realidade: as pessoas se casam para se realizarem como pessoa. Trata-se de um motivo bem egoísta…

Você nos pergunta sobre a idade certa para casar. Não há propriamente uma idade certa. A decisão de contrair o matrimônio deve ser madura e ponderada, fruto da conversa entre os noivos e com alguém prudente que possa aconselhar. Convém muito rezar a S. José pedindo a graça de tomar a decisão baseada em santos motivos.

Lembro-lhe apenas que os noivos estejam dispostos a “terem os filhos que Deus mandar”, como rezado no rito do Matrimônio. Dispostos a terem filhos, sem empecilhos nem métodos.

Se o filho é uma benção de Deus, então confiemos nEle, pois Ele é o melhor planejador de nossas vidas.

Ad Majorem Dei Gloriam
Emerson Takase.

 

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