Montfort Associação Cultural

9 de julho de 2007

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Ignorância sobre os santos

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ricardo Lopes de Lima
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Prezado Prof. Fedelli

Antes de mais nada, gostaria de parabeniza-lo por sua obra e pela sua militância em prol da santíssima igreja católica apostólica romana. Este site me é muito útil para o esclarecimento no que se refere a doutrina da santa igreja, história geral e literatura.
Estou lhe enviando este e-mail no intuito de esclarecer algumas dúvidas pessoais sobre a relação entre igreja e fiéis. Já faz algum tempo que venho me interessando pela história da santa igreja. Li algumas encíclicas, bulas e livros sobre a vida dos santos. Por este assunto em particular, a hagiografia, tenho grande apreço. Posso dizer que passei boa horas na santa paz de Deus enquanto lia sobre a vida e obra de Dom Bosco, Santo Atanásio, Santo Antão, São Clemente Maria de Hoffbauer, São João Maria Vianey, o grande cura de Ars, Santo Inácio de Loyola e muitos outros. Este tipo de leitura me ajuda a tentar amar verdadeiramente a Deus, como estes homens amaram, e sua justiça; me ajuda, a fortificar a minha fé. E este é o ponto. Com o passar do tempo eu observei que a maioria da população católica, vou me concentrar na do Brasil, pois não tenho informações suficientes de outros países, não conhece a igreja histórica. Me parece que o que alimenta a fé dos fiéis é a ajuda provinda dos céus para os problemas domésticos, tais como trabalho, saúde e relação conjugal. Dificilmente, pelo que tenho observado, uma pessoa pede a intercessão de Nossa Senhora para que ele não peque contra a castidade, por exemplo; ou para que ele se torne um novo apóstolo de Cristo.
A pergunta professor é a seguinte: Por que a igreja nunca trabalhou neste sentido? Veja, eu nunca vi ouvi falar em meu bairro ou em outro qualquer de um padre que de palestras a respeito da batalha de Lepanto ou sobre a revolução francesa . É claro que os tempos são outros, pós o concilio Vaticano II, mas sinceramente, eu penso que seria de uma desonestidade intelectual tremenda de minha parte, afirmar que este concilio é o responsável por este vácuo, pois em um país de mais de 500 anos de catolicismo, não se encontra o menor vestígio na população católica de fatos históricos da igreja. O que alimenta a mente perturbada de um revolucionário, senão a esperança de um paraíso terrestre e o “exemplo de coragem de seus mártires”? Pegue uma pobre alma dessas que defendem a quadrilha partidária do PT e vejam se ele não sabe quem foi Mao Tse, Stalin, Lênin, Gue Vara e tutti quanti. Agora um católico não tem a menor idéia de quem foi um Damião De Veuster ou um São Tomás Morus. Ambos, por motivos diferentes é claro, doaram suas vidas pela fé em nosso Senhor, com uma coragem e um amor ao próximo que comove a qualquer cidadão católico. Eu tenho certeza que um jovem, e até mesmo um adulto, ficaria admirado com estória desses homens e sua conversão a santa igreja seria mais valorosa, pois teríamos católicos com C maiúsculo e não apenas um bando de gente que comunga no domingo e logo em seguida vai pro forró par dançar agarradinho. Nós temos os heróis que os jovens querem, mas suas vidas não são de conhecimento público. Dom Bosco é um santo, podemos dizer, recente. E que vida maravilhosa, que exemplo de amor a Cristo e a Nossa Senhora, que exemplo de educador e de filho. Resumindo, eu gostaria de saber por que o católico só encontra o conhecimento, por conta própria e através de associações ou grupos de leigos como o do senhor.

Espero ter sido claro e aguardo, se possível, tendo em vista que o professor é um homem muito ocupado, sua resposta.

Atenciosamente,

Ricardo

São Paulo- Capital.

Muito prezado Ricardo,
Salve Maria.
 
     Com prazer respondo à questão que você tão argutamente me propôs.
     Você tem razão em várias de suas observações.
     Em primeiro lugar, em sua constatação da completa ignorância dos católicos brasileiros sobre a vida dos santos. Quando um católico ou outro conhece algum fato de hagiografia é normalmente um conhecimento obtido em alguma biografia sentimental e romântica que mais deforma a vida de um santo do que narra a verdade sobre ele. 
     Tem razão também ao notar que, essa ignorância não é simplesmente posterior ao Concílio Vaticano II. Data de tempos muito anteriores ao Concílio. E isso prova que há muito tempo se veio preparando — ou despreparando — os católicos sobre como viveram os santos, como combateram seus defeitos e tentações e como combateram as heresias e erros de seu tempo. No máximo, contavam uma história edulcorada e enervada da vida de um santo. Foi feita uma propaganda sistemática para introduzir entre os fiéis uma visão falseada da santidade.
     O resultado disso foi o despreparo dos fiéis e do clero que não soube como resistir aos erros modernistas do Concílio Vaticano II. Essa ignorância do que consiste a vida católica séria é que permitiu essas contradições que você aponta: comungar e ir ao forró. 
     Seria falsear a visão da realidade imaginar que essa deformação da ascese e do caminho para a santidade tenha atingido apenas os leigos. Pelo contrário, ela foi feita principalmnete nos seminários e foi uma das causas da deformção do clero atual. Há exceções honrosas, é claro, mas o que se nota no clero, através dos sermões e dos escritos publicados é uma ignorância pasmosa da História da Igreja e mesmo da doutrina católica. Parece que os padres só têm tempo para assistir a novela das 8hs. E certos Bispos se preocupam quase só com a política. Suas falas parecem mais a de candidatos a vereador
do que pregações de sucessores dos Apostólos. Uma vergonha!
     Você tem razão ainda em apontar que um conhecimento correto da vida dos santos teria impedido que os jovens atuais buscassem seus modelos de vida no Chê, nos Beattles, em Gandhi, ou em outros falsos modelos propostos aos jovens pela bem urdida campanha para a destruição da religião católica.
     Dize-me qual o teu modelo de vida e te direi quem és.
     E o desonhecimento da História é o desconhecimento da mestra natural da vida. E essa ignorância da História levou a juventude e os seminaristas — portanto, os futuros padres e bispos– a não compreenderem nem mesmo a MESTRA por excelência da vida que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana fora da qual não há salvação.
     Mais tarde, quando os Papas João XXIII e Paulo VI fizeram o Concílio Vaticano II, quase não encontraram resistência.
      Rezemos pelo Papa Bento XVI para que ele consiga trazer de volta a nave da Igreja para o local de onde Ela nunca devia ter saído: as colunas da Eucaristia e da devoção a Nossa Senhora, colunas das quais Ela foi solta por João XXIII, e depois levada ao largo por Paulo VI, seguidores de sonhos, e não da doutrina católica de sempre.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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