Montfort Associação Cultural

27 de novembro de 2005

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´Ide, malditos, para a Cuba eterna`

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fabrício Sousa Costa
  • Idade: 28
  • Localizaçao: Taguantinga – DF – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Bom, primeiramente, gostaria de parabenizar Vossa Senhoria pelo instigante trabalho de desenvolver um lugar virtual onde se possam realizar debates referentes à fé cristã. Na realidade, creio que V.S. deseja, assim como nosso mestre espiritual, a vivificação do preceito marconiano, quando este cita, em seu Evangelho, capítulo 16, que a missão de todos os cristãos seja levar a palavra do senhor a todos os povos e recôncavos do planeta. Ainda creio que a paz não se dá pela oposição às nossas crenças, embora tenhamos de defendê-las com a fé de nossa consciência. Entretanto, a defesa do pensamento subjetivo perde, consideravelmente, a essência efetivamente cristã ao desconsiderar o próximo como reflexo do amor de Deus. Nesse caso, ainda, teríamos a chance de agirmos com a mesma soberba que o inimigo do Senhor, e de todos nós, agiu e segue apregoando em todo mundo afetado pela arrogância e o desrespeito pelo próprio semelhante.

Na verdade, li o livro de Frei Betto, “Fidel e a religião” e também as considerações efetivadas neste site. Bom, fiquei realmente dividido com as exposições, tanto a do Frei quanto a de V.S. Entretanto, a introspecção, buscada e praticada pelo Cristo nos momentos de dificuldade, viera à minha alma a fim de que eu pudesse refletir sobre este interessante debate. Qual seria o primeiro direito do ser humano? Essa realmente é uma pergunta difícil. Mas, quando observo a situação desumana, `a qual 4 bilhões de seres humanos são submetidos, penso um pouco na experiência relatada pelo Frei Betto e por Fidel Castro (talvez seja inquestionável a sapiência que envolve estes dois seres humanos). Ora, em comparação à época anterior à Revolução Cubana, e a situação de Cuba hoje, percebe-se que realmente houve uma evolução intensa, tendo como base as características sócio-econômicas de Cuba antes de 1959 e dos países centros-americanos hoje. Se realmente o direito mais sagrado do ser humano é a vida, Cuba, embora tenha alguns problemas, vem cumprindo com respeito aos seus compatriotas devidamente. Façamos uma comparação com o nosso próprio país: qualquer cirurgia no Brasil, além de, muitas vezes, não ter confiabilidade, custa muito caro, de modo que uma pequena classe social tenha acesso à excelência médica brasileira ou simplesmente à atenção médica. Já em Cuba, vemos o acesso irrestrito dos seus cidadãos a uma assistência médica gratuita e de qualidade inquestionável. Ora, quem imaginaria isso nos anos 50? E em qual país da América Latina há excelentes condições de assistência social? Poderíamos entrar no âmbito da Educação, da condição social que beneficia a todos com emprego e extermínio da miséria. Pobreza? Infelizmente existe em Cuba, mas não chega a tirar vida de nenhum ser humano, tampouco é suficiente para colocá-los nas ruas como verdadeiros indigentes excluídos socialmente.

Democracia? Será que o mundo está maduro para se realizar um debate acerca desse tema? A exegese dessa palavra remete ao conceito grego de que, para haver democracia, deve haver educação suficientemente capaz de propiciar ao cidadão participação nas decisões do país. Onde conseguimos enxergar democracia hoje? Talvez se possa falar em oligarquia ou imperialismo social. Esses elementos são agraciados com a participação decisiva para os rumos para os quais o país deve caminhar. São seres humanos também, porém estes ganharam explicitamente na LOTERIA BIOLÓGICA. Democracia? “Demo” talvez não. “cracia” sem dúvida. Qual a crítica que se faz a Cuba sobre liberdade social ou sobre atentado à democracia? Poderíamos comparar a situação social de Cuba a outros países do mundo, inclusive, países destacados pelo seu potencial econômico. O que seria tirania? Autoritarismo? Não se pode criticar, ao meu ver, um país pelo seu autoritarismo se funcionam seus segmentos de assistência aos seres humanos. Perfeito? Nenhum país chegou! Miséria? Há diversas experiências capitalistas que atestam a ineficácia dessa corrente que parece ser considerada deísta por alguns ganhadores da LOTERIA BIOLÓGICA. Será que a cabeça pensa onde os pés pisam? Qual seria a preferência de um miserável? Entre Cuba ou Colômbia ou qualquer outro país tido como exemplo de democracia?

Por falar em democracia, como poderíamos visualizar a situação hierárquica do Vaticano? Uns dizem que é a última e única experiência de absolutismo nos dias atuais. O centralismo do Vaticano também poderia ser considerado como um atentado à liberdade. A Santa Inquisição? Ainda sub-existe hoje em dia aterrorizando muitas mentes agraciadas com o dom de Deus: o dom da inteligência. A punição do frei Boff contrapõe-se ao silêncio do Vaticano aos casos de pedofilia praticados tanto pelo baixo clero quanto pelo alto clero. E o enriquecimento de muitos que se envolvem com a fé em Cristo? Será que agraciados com o capital “sagrado” esquecem-se do dom da vida e tapam os olhos para os que gritam por ajuda em todos os cantos do mundo, sobretudo, aqueles que são torturados por falta, não apenas do alimento, mas pela perspectiva de obtê-lo? Democracia ou centralismo? Qual seria a atitude de Cristo enquanto ser dotado de características humanas diante desta situação?

A partir desta discussão, podemos relembrar os preceitos relatados pelo hagiógrafo de “Atos dos Apóstolos”, quando este explicita o comportamento dos primeiros cristãos. Viviam em comum, partilhavam do mesmo pão, depositavam seus bens aos pés de Pedro a fim de que todos pudessem buscar a sobrevivência. Pedro, para estabelecer a ordem, precisou valer-se de atitudes um pouco ortodoxas, ou seja, não democráticas, ou ainda autoritárias, como se relata no capítulo 5, especificamente, no caso de Safira e Ananias. Foram conduzidos à morte para que outros pudessem partilhar o dom da vida. Este sim realmente parece ser sagrado, segundo se depreende das escrituras e da tradição cristã.

Não creio que o extremismo ideológico esteja no mesmo caminho do preceito marconiano no capítulo 16. Ou melhor, de um ser eminentemente humano. Devemos pensar e defender nosso pensamento, porém respeitar outras vertentes do pensamento humano a fim de que possamos desenvolver nosso espírito cristão e afastarmos, quase que definitivamente, o convívio com a “burrice”. Minha vida, na verdade, é uma luta incansável contra minha burrice. Infelizmente sempre sofro sucessivas derrotas, entretanto, luto para que sempre possa visualizar uma possibilidade de libertação. A paz no mundo não depende exclusivamente de Deus. Somos os verdadeiros responsáveis pela consecução da igualdade e do respeito ao ser humano. Que todos possam contribuir para que bilhões sejam resgatados do destino da morte brutal, a fome. Que a paz esteja conosco!

Muito prezado Professor Fabrício,
salve Maria!
 
    Muito lhe sou grato por suas palavras de elogio a nosso trabalho no site Montfort. Deus lhe pague.
 
    Li sua carta com atenção. E confesso-lhe que ela me deu muita pena.
    Pena por constatar como o senhor, sendo professor, foi vítima da propaganda comunista, não conseguindo sequer compreender as mentiras mais escandalosas que lhe meteram na cabeça.
    Repito: tive pena, muita pena do senhor.
 
    Como o sr. declara sem pejo:  

 
    “Minha vida, na verdade, é uma luta incansável contra minha burrice. Infelizmente sempre sofro sucessivas derrotas, entretanto, luto para que sempre possa visualizar uma possibilidade de libertação”.
    Oh meu caro professor, não diga uma coisa dessas.
    Por favor, não se despreze.
    O importante não é ter inteligência, mas amar a verdade.
   
    O que dá mais pena do senhor é seu engano, tomando mentiras cubanas e comunistas como verdades católicas.
    O senhor, tendo mentiras como verdades, jamais poderá compreender coisa alguma.
    Infelizmente, vou ser obrigado a responder ao senhor criticando o que me escreveu, não só para poder ajudá-lo pessoalmente, como ajudar também a outros professores, também eles vítimas da propaganda a serviço do comunismo internacional. Essa propaganda deletéria e enganadora vem produzindo pobres professores bem alienados, bem iludidos, que, por sua vez,  irão contaminar nossa juventude com slogans, fazendo os alunos tão incapazes de pensar como aqueles que os “ensinam”.
   
    Lamento ter que criticá-lo, apesar da imensa pena que sua carta me causou. Ou por causa dela. E peço-lhe que compreenda que, se o tratamento que vou lhe proporcionar será um tanto doloroso, serei ao máximo cuidadoso para não ofendê-lo pessoalmente.
    Mas seu caso, caro professor, é por demais prototípico, para não ser analisado a… “bisturi”.
 
    De toda a sua carta, fica patente que o senhor, professor, — como tantos outros professores, no Brasil, sofreu os efeitos da propaganda absurdamente mentirosa e emburrecedora — repare que chamo a propaganda dos pseudo teólogos da Libertação de emburrecedora, — não o senhor — culpando a ela. Não ao senhor.
 
    Vejo, estupefato, que o senhor incrivelmente considera o semi Frei Betto, e o assassino Fidel Castro, seres de “inquestionável sapiência”: 
 
    ”talvez seja inquestionável a sapiência que envolve estes dois seres humanos” (Betto e Fidel)
    Que bom ter posto o senhor um “talvez” em sua frase, o que, pelo menos, deixa ainda alguma dúvida sobre sua crença na sabedoria de Betto e de Fidel.
  
    Meu caro, o herege semi frei Betto é absolutamente carente de sabedoria, e o tirano Fidel Castro é um assassino que faz discursos de seis ou sete horas seguidas.
    Assim como Nero se acreditava um grande artista e lamentava que o mundo iria perdê-lo quando ele morresse, assim Fidel se julga um estadista, porque os coitados cubanos são obrigados a aguentar seus discursos prolixos, palrados em uma vozinha finazinha, ouvida atentamente por causa da ameaça vigilante da polícia política.
   
    E Betto?
    Meu caro professor, considerar esse pobre repetidor de heresias como um ser sapiencial é uma prova da decadência da cultura deste século selvagem, que permite até que um Gilberto Gil seja Ministro da Cultura, no Brasil, tocando violão na ONU.
   
    Claro, Betto se julga um grande escritor, e até um pensador, porque seus livros de agitação-propaganda popularesca foram publicados em vários países por promoção do Partido Comunista.            
    Esse semi frei terrorista, que heroicamente entregou Marighella, se pensa pensador, porque ganhou o premio Juca Pato. Virou o Juca Pato das esquerdas de barzinho. 
    Esse pobre oportunista que se declarou ferido e dolorido pela queda do muro de Berlim, é um stalinista declarado, amiguinho do tirano de Cuba, e é um abortista enrustido.
    Veja com que contradição — com que “coragem” disfarçada — ele apóia o aborto, contrariando o direito à vida. Direito que você considera ”realmente o direito mais sagrado do ser humano é a vida“. Frei Betto, contradiz a lei de Deus (“não matarás”), e a doutrina católica que excomunga quem quer que defenda o aborto, sob qualquer forma que seja, com excomunhão automátca (latae sententiae):
   
    “Embora eu seja contra o aborto, admito a sua descriminação em certos casos e sou plenamente a favor da mais ampla discussão em torno dele, pois se trata de um problema real, grave, que afeta a vida de milhares de pessoas. Desconfio, entretanto, que há algo de verdade neste provérbio feminista: Se os homens parissem, o aborto seria um sacramento.(Frei Betto, A Questão do Aborto).
 
    Repare, caro professor, como Frei Betto se contradiz numa só linha: diz que é contra o aborto, e imediatamente afirma que é favorável ao aborto, em certos casos.
    Fidel e Betto não são absolutamente envoltos no manto da sabedoria, e sim no manto da excomunhão e da heresia, do terrorismo e da mentira.
 
    Que o senhor está contaminado pelas leituras mentirosas e demagógicas da Teologia da Libertação, se constata em quase todos os parágrafos de sua carta.
    Até o Lula — que não é um poço de sabedoria e nem de gramática — com sua voz roufenha de frequentador de bar, admitiu recentemente que “Cuba é um miserê”.
    Todo  mundo sabe da fome e da miséria cubanas.
    Todo mundo constata que os cubanos fogem da ilha castrista até usando câmaras de pneu recauchutadas, e o senhor vem me sacudir o fantasma de Fulgêncio Batista para que aceite o barbudo assassino comunista de Havana?
    Pois o senhor me diz:
 
<    "Ora, em comparação à época anterior à Revolução Cubana, e a situação de Cuba hoje, percebe-se que realmente houve uma evolução intensa, tendo como base as características sócio-econômicas de Cuba antes de 1959 e dos países centros-americanos hoje”.
 
    Meu caro professor, seja realmente modesto; admita que não percebe nada e o senhor não sofrerá mais derrotas em seu combate.
    O senhor me garante com toda a segurança que:
 
    “Pobreza? Infelizmente existe em Cuba, mas não chega a tirar vida de nenhum ser humano, tampouco é suficiente para colocá-los nas ruas como verdadeiros indigentes excluídos socialmente”.
   
    Não, a miséria de Cuba não coloca ninguém nas ruas. Coloca nas cadeias e lança às ondas do Caribe os coitados cubanos famintos que arriscam a vida no mar ou no paredón para fugir da morte lenta do “miserê” em Cuba, e ademais da fome, tendo que aguentar os discursinhos de 7 horas do ditador eterno.
    E a garantia que o senhor tem de que ninguém morre de fome em Cuba é a mesma palavra de Frei Betto e a palavra de Lula, que afirmavam, antes da eleição de 2.002, que havia 27.000.000 de brasileiros morrendo de fome, no Brasil.
    Ora, como o Fome Zero não deu sequer um sanduiche a ninguém, porque o PT, nestes anos de petismo ético, só se preocupou em roubar para mensalões e valériodutos paloccianamente alimentados pela gerência inocente do José Dirceu e pela competência do sincero Delúbio e do esquecido Genoíno, devemos concluir que o Brasil tem 27 milhoes de habitantes a menos, porque ninguém que estava morrendo de fome em 2.002 poderia aguentar-se vivo até hoje, com a ajuda do paternalista fome Zero de Frei Betto.
    Frei Betto deixou morrer 27 milhões de brasileiros. Ou, então, ele mentiu ao dizer que havia esses 27 milhões de famintos no Brasil. Quem viu um desses 27 milhões morrendo por aí?
    Demagogia barata com aritmética astronômica.
    Farofa de frade frequentador de rodinhas tomadoras de chopp…
 
   E, prevenindo-se da acusação de tirania e da falta de liberdade na democracia cubana, o senhor me repete os slogans aprendidos na Teologia da Libertação:
  
    “Democracia? Será que o mundo está maduro para se realizar um debate acerca desse tema?”
    ” O que seria tirania? Autoritarismo? Não se pode criticar, ao meu ver, um país pelo seu autoritarismo se funcionam seus segmentos de assistência aos seres humanos”.
 
    E quem lhe disse que em Cuba funciona a assistência aos seres humanos?
    Por acaso foi a ”sabedoria” de Frei Betto que llhe impingiu isso?
    O senhor me pergunta:
 
    ”Qual seria o primeiro direito do ser humano?”
 
    E bem erradamente faz entender que os primeiros direitos do ser humano seriam igualdade e comida.
     Antes do direito do homem está o direito de Deus. E nem os homens são iguais — somos semelhantes, não iguais –, nem o principal direito do homem é matar a fome. O homem não é antes de tudo um estômago a preencher. O homem é ser racional que deve ter antes de tudo a obrigação de conhecer a verdade sobre Deus, a fim de amá-Lo e servi-lo.
    Professor, nós somos pobres homens que devem tentar acertar, ensinando o certo que Deus nos revelou por meio da Santa Igreja. Só isso. Mais do que a comida, vale a verdade. Mais do que comer vale o saber. Mais do que se igualar vale o servir. Porque quem não serve, para que serve, Professor? Mais do que gozar, vale o sofrer. Mais do que viver bem, comendo, vale o morrer bem, testemunhando a verdade.
    Professor, todo homem nasce para a verdade. Mais ainda um Professor. É a verdade que nos alimenta e a qual devemos servir e ensinar. E frei Betto e Fidel são filhos da mentira e do pai dela.
    Betto e Fidel “hanno perso il bemn dell´Intelletto”.
   
    O senhor me pergunta, por fim: 
 
   ”Qual seria a atitude de Cristo enquanto ser dotado de características humanas diante desta situação?”
 
     Pois essa pergunta é também fácil de responder, já que o próprio Jesus anunciou que dirá aos que estão à esquerda;
 
    “Ide, malditos para a cuba eterna
 
    Que Deus o faça compreender a verdade, colocando-o, como se canta no Dies Irae, ”in parte dextra”
    Escreva-me sempre, professor.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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