Montfort Associação Cultural

18 de abril de 2005

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Ide e dialogai?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Julio Eduardo dos Santos Ribeiro Simões
  • Idade: 24
  • Localizaçao: Juiz de Fora – MG – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Olá! Sou Estudante de Teologia, e minha pergunta vai na linha do Ecumenismo e suas exigências Eclesiológicas.
O Concílio Vaticano II afirmou que a Igreja de Cristo **subsiste** na Igreja Católica, abrindo mão da afirmação de que a Igreja Católica **seja** a Igreja de Cristo. Isto para permitir uma melhor aproximação com as outras Comunidades Eclesiais Cristãs e Igrejas Protestantes; pois afirmou-se também no mesmo Concílio que há a subsistência da Igreja do Cristo também nessas citadas experiências, quando cristocêntricas.
À luz desta proclamação do Concílio Vaticano II, vem a minha pergunta:
No modo de entender da Associação Cultural Montfort, quais seriam as atitudes ad intra e ad extra mais interessantes para se promover um diálogo mais frutífero entre as diferentes tradições espirituais do mundo ocidental (Luteranos, Pentecostais, Neo-pentecostais, Metodistas, Presbiterianos etc etc) e os Movimentos Eclesiais próprios de nossa Igreja (Montfort, Arautos do Evangelho, RCC, Regnum Christi etc etc)?
Trocando em miúdos; ad extra: Seria mais interessante aproximarmo-nos dos irmãos “separados” da Igreja pela via das semelhanças (RCC conversaria melhor com Pentecostais e Neo-pentecostais; Regnum Christi conversaria com Luteranos…) ou pela via das disparidades?
E mais; ad intra: Como superar as resistências internas entre os diversos Movimentos da Igreja? (Talvez este inclusive seja o primeiro passo, pois não se pode querer ir ao outro pregar a unidade se nós mesmo andamos esfacelados.)
Não seria um primeiro passo para um verdadeiro ecumenismo, que quer dialogar com o diferente (e não homogeneizar tudo) respeitando sua vontade de defender suas próprias opiniões uma postura de maior tato com os Movimentos Internos que são calos no pé um do outro?
Por exemplo; TL e RCC não se beijam; Montfort e RCC talvez também não…
Não será bobagem, no final das contas, ficar olhando o erro do outro só para poder atacá-lo? Talvez não seja melhor buscar os pontos de união, tanto ad extra como ad intra, para que ao longo do diálogo, sempre respaldado por um sério trabalho de estudo da Doutrina, a Verdade se imponha?
Será que o ideal é partir para o Diálogo com os olhos nas dissidências?
Peço desculpas pelo tamanho que a minha missiva tomou, mas é que essas questões das dissidências internas da Nossa Mãe Igreja me incomodam demais quando penso na necessidade de Diálogo com o outro de outra Igreja! Como propor Unidade se nós fazemos questão de nossas picuínhas?
E como querer colocar todo mundo no mesmo saco e fazer uma massa homogênea? Unidade não é Uniformidade!
Agradeço a paciência e espero humildemente que a resposta a esta cartinha eletrônica possa iluminar-nos para a contrução de um diálogo – porque nào dizer – Ecumênico ad intra e ad extra, com a cura de algumas mazelas da Eclesiologia Pré-Vaticano II.
Ainda em tempo, optei por fazer o fechamento de minha missiva com um elogio ao noco design gráfico do site. Ficou excelente.

Sinceramente, me coloco a dispor de vossas excelências.
Rezando pela Unidade;

Julio E. S. R. Simões

   Ide e dialogai?

Muito prezado Júlio Eduardo,
Salve Maria!
 
    Você não imagina como sua carta chegou a propósito!
    Ainda ontem alguém negava o que eu afirmara: que João Paulo II deixara a Igreja bem dividida.
    Dizia eu que o Papa que acaba de falecer favoreceu o ecumenismo do Vaticano II, e que ele não conseguiu nenhum resultado fora, pois ninguém se converteu pelo ecumenismo, mas que o Vaticano II e ecumenismo, dentro, dividiram os católicos. Sua carta testemunha de que tinha eu razão no que eu afirmava.
    Você confirma que hoje nós, os católicos,“estamos esfacelados”.
    Você o disse.
    Muito obrigado.
   
    Você tem razão ao dizer que o Vaticano II negou que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica, para substituir a doutrina anterior pelo famoso subsistit: afirmando que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica.
     E fez essa substituição desastrosa, e com sabor de heresia, para dar a entender — como você bem o diz — que isto foi “para permitir uma melhor aproximação com as outras Comunidades Eclesiais Cristãs e Igrejas Protestantes; pois afirmou-se também no mesmo Concílio que há a subsistência da Igreja do Cristo também nessas citadas experiências, quando cristocêntricas”.
   
    Você logicamente constata que a Igreja ecumênica nascida do Vaticano II contraditoriamente quer um ecumenismo exterior, e internamente provocou divisões entre os católicos.
    Tem toda a razão você ainda quando afirma que na Igreja pós conciliar ninguém se entende, e que os movimentos eclesiais estão divididos:
   
    Daí para diante você erra continuamente.
   
    E a razão de seu erro é aceitar o ecumenismo.
    Você repete o princípio absurdo do Vaticano II que manda focalizar mais o que une do que aquilo que separa.
    Meu caro, unidade só existe na verdade.
    Entre a Verdade católica e as heresias não há dialogo.
    A Igreja deve ensinar a verdade e não dialogar com quem está errado.
    Você já viu algum professor de Matemática dialogando com aluno que afirmou que 2+2 = 17, 33 ?
    O professor risca essa bobagem e dá ao aluno um zero bem redondo e nada dialogante, mandando o aluno estudar tabuada que — você já reparou? — nunca evolui. 2+2 = 4 há muito tempo. E será assim para sempre.
    Não se respeitam os erros de outrem. Deve-se amar as pessoas e, por isso, condenar seus erros.
    O amor do próximo manda condenar seus erros e ensinar o que ele ignora
    Os erros devem ser condenados, e jamais respeitados. Respeitar erros é ser cúmplice deles. A caridade manda corrigir e ensinar os que erram.
    Veja as obras de misericórdia espirituais em um catecismo qualquer.
    Lá você encontrará que são obras de misericórdia espiritual: corrigir os que erram, ensinar os que ignoram.
    Você afirma o absurdo de que se deve procurar mais os pontos de semelhança — pontos comuns– do que as diferenças.
    Isso é pecado contra a caridade, e é um delírio.
    Esse princípio ecumênico levaria à união até com os satanistas, pois eles tem um ponto comum conosco: crêem que há um só Deus, Lúcifer…
    Veja que maravilha diria um partidário do pastoral Vaticano II: Os satanistas são monoteístas!!!
    Única diferença é que os satanistas adoram o diabo e não Deus Uno e Trino, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
    Meu caro, o que está errado é o ecumenismo. Todo ecumenismo está errado porque é relativizador por princípio. Tanto o ecumenismo interno quanto o externo, ambos são loucura 
    Você deve ser seminarista para ter aprendido tanta heresia, e para dizê-la com tanta sem cerimônia sem nem perceber o delírio que afirma.
    Leia, meu caro Júlio Eduardo, a encíclica Mortalium Animos e veja como Pio XI ensina exatamente o oposto do que você diz, e que lhe ensinaram, destruindo a integridade da sua Fé.
    Só pode haver unidade na verdade. Na heresia e no erro, não existe, e nem pode existir, unidade.
    Caso você misture água limpa e água suja, crê você que o resultado será água limpa?
    O resultado será água suja.
   
    Você pede diálogo com os hereges externos e com alguns internos.
    Por acaso Cristo deu ordem aos Apóstolos dizendo-lhes: “Ide e dialogai”?
    Em que Evangelho se lê isso?
    Só no Evangelho segundo o Vaticano II.
    Mas isso é apócrifo.
    Cristo ordenou: “Ide e ensinai“. Nunca disse “ide e dialogai”
   
    Você se esquece do que disse São Paulo numa de suas Epístolas:
    “Porque há ainda muitos desobedientes, vãos faladores e sedutores, principalmente entre os da circuncisão, aos quais é necessário fechar a boca“.
    Depois dessa citação retumbante, você acha ainda que São Paulo era a favor do diálogo ecumênico?
    Mandar fechar a boca dos hereges é dialogar com eles?
    E se São Paulo ensinou que se devia tapar a boca do herege e não dialogar com ele, você acha cabível afirmar que o Vaticano II está de acordo com o que ensinou Deus na Sagrada Escritura ?
    Com quem deve o católico verdadeiro ficar: com o que diz a Sagrada Escritura infalível, ou com o pastoral Vaticano II?
    Um último erro seu foi o de acusar haver “algumas mazelas na Eclesiologia Pré-Vaticano II“.
   
 E foi você mesmo que escreveu ,dizendo-me: “nós mesmo andamos esfacelados“.
   
    Meu caro, a Eclesiologia Pré Vaticano II dizia: a Igreja de Cristo é a Igreja Católica, e todos estavam unidos nessa Fé.
    Foi o Vaticano II com o “subsistit” e com o ecumenismo que causou o esfacelamento que você mesmo notou. E repare ainda que você e eu não temos a mesma fé.
    Você aceita o ecumenismo do Vaticano II, que vai contra a Sagrada Escritura e contra tudo o que os Papas sempre ensinaram. Eu  rejeito o ecumenismo, e fico com São Paulo e com os ensinamentos eternos da Igreja que, como Deus, não mudam nunca.
    Eu aceito o que Jesus disse e mandou: “Ide e ensinai
    Você vai atrás dos peritos teólogos palradores do Vaticano II, que pensam que Cristo disse e mandou: “Ide e dialogai”.
    Nossa divergência é total.
    Sem conciliação.
    Ou você aceita o que Cristo e a Igreja sempre ensinaram, ou não há unidade entre nós.
   
    E estou lhe ensinando, e não dialogando. Não estou ”trocando idéias” consigo, como se costuma dizer.
    No apostolado católico, ensinam-se verdades reveladas por Deus e confirmadas pela Igreja, e não se troca a verdade católica pelas heresias do diabo.
    Permaneço à sua disposição, corrigindo-o e ensinado-o in charitate Christi et in Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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