Montfort Associação Cultural

25 de maio de 2008

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Humanae Vitae e anticoncepção

Autor: Lucia Zucchi

  • Consulente: Daiane Tavares
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Servidora Pública
  • Religião: Católica

Caros membros da Montfort, primeiramente gostaria de parabenizá-los pelo excelente trabalho. É raro atualmente encontrar pessoas que defendam de maneira correta a Igreja Católica.

Por confiar no trabalho de vocês, farei então meu questionamento. Faz pouco tempo que eu li a encíclica humanae vitae sobre a regulação da natalidade e algumas dúvidas surgiram: essa encíclica aconselha o uso de um método natural para fazer o controle do número de filhos, mas não é justamente isso que a pílula ou qualquer outro método faz? Todos não desvinculam o sexo da procriação?

Cheguei então a conclusão que todos os métodos estariam errados. Minha dúvida é: o uso do método natural pode ser considerado um mal menor, ou seja, o método natural seria menos errado que os meios artificiais? Ou todos são errados sem diferenciação de grau?

De acordo com vocês, o correto é deixar que Deus planeje a família, ou seja, não se deve impor qualquer obstáculo aos filhos, seja obstáculos artificiais ou naturais. Quando pensei mais seriamente sobre isso me deu um frio na barriga… Como criar muitos filhos? Como arcar com colégio, saúde, moradia…

Já li em uma carta respondida pela Lúcia Zucchi que era para olhar o currículo das caras escolas para ver como elas pervertem as crianças em termos de moral e religião… OK! concordo, só que as escolas públicas também pervertem. Além disso, os colégios públicos em sua grande maioria têm uma péssima qualidade de ensino. Como arcar com colégio particular para vários filhos?

E depender de hospital público, ver um filho morrer por falta de atendimento não deve ser nada fácil… Hospital particular sai caro, muito caro (experiência própria)…

Se o casal for rico consegue ter muitos filhos e ainda assim sustentá-los bem, mas e a classe média ou baixa como fazer? Passar necessidade?

Prezada Daiane,
Salve Maria!

Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós.” (Mt.10, 29-31)

    É admirável, Daiane, sua límpida compreensão do problema da limitação dos filhos! O grande mal e uma das causas da tragédia da sociedade moderna é o desejo e a imposição de limitar os filhos. Quando foi declarada pela modernidade a separação do sexo e da procriação, ter filho passou a ser um efeito colateral indesejável, a ser evitado a todo custo!
    A limitação dos filhos não é do século XX. Ela já era conhecida antes do século XVIII e já no século XIX produzia efeitos espantosos nas estatísticas populacionais (acredite em mim ou pesquise a respeito). Evidentemente, ela não era coisa praticada por católicos, exceto…
    Exceto em caso de gravíssima necessidade, sob conselho de um bom confessor, etc. E, como se sabe, exceção não faz lei.
    Mas fez lei no século XX, o século infeliz. Pio XII, sucumbindo ao apelo da modernidade, começou a falar publicamente dos casos, excepcionalíssimos, em que se poderia praticar o controle da natalidade… dito natural. 
    E a exceção passou a ser regra a partir da década de 60, sob conselho e orientação pública dos padres, culminando com a Humanae Vitae em que – você entendeu muito bem – o Papa Paulo VI RECOMENDA a limitação de filhos.
    Ora, o que é justo e recomendável fazer por meios naturais é muito difícil proibir de fazer por meios artificiais… 
    E por isso o recurso aos anticoncepcionais grassa também nos meios católicos, com o conselho de padres, e até nos meios devotos – por exemplo, carismáticos, e eu sei do que estou falando! 
    Atenção, porém, católicos que prezam o seu nome: a prática da anticoncepção leva logicamente ao aborto! É evidente e todos os estudos mostram isso, mesmo os estudos pró-aborto.
    E onde entram os passarinhos do texto acima? São para curar o seu frio na barriga, cara Daiane. 
    É tão clara a vontade de Deus quanto a esse assunto, quer para quem estude seriamente a doutrina católica nesse ponto, quer para quem contemple o desastre social a que conduziu a desobediência a Ele… Como poderá ser punido com “passar necessidade” quem, contra a lei da maioria, quiser fazer a vontade de Deus?
    Se você duvidou antes de mim, acredite agora: Deus proverá – e muito bem – ao sustento de seus filhos!
    O fajutíssimo argumento econômico que você repete, de tanto ouvir falar, é usado por pobres, ricos e remediados. Eu já briguei com casal de médico e advogada que não podiam ter filhos por uma questão econômica. Então quem pode? 
    Podem os muito pobres que, desprezando a ajuda do governo, insistem em adquirir as riquezas que são os filhos. Podem as adolescentes mães, que em meio a uma vida infeliz, reincidem muito frequentemente no erro de dar à luz (outros erros a sociedade não lhes reprova!), provavelmente pela alegria que lhes vêm de seus filhos…  
    Podemos nós da Montfort, que temos famílias numerosas – pobres, ricos e remediados – dando aos filhos educação, saúde, moradia, transporte e, esperemos, bom exemplo em fazer o que Deus manda. 
    Agradeço muito por sua carta, escreva-nos outras vezes, e venha nos visitar em São Paulo.

In Jesu et Mariae
Lucia Zucchi

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