Montfort Associação Cultural

5 de janeiro de 2005

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Homeopatia

  • Consulente: Celie
  • Localizaçao: – Brasil

quero colocar aqui que há alguns equivocos no artigo que fala da homeopatia, a começar pelo texto que diz que o “igual cura o igual”, na verdade é a “cura do semelhante pelo semelhante”, não é necessário uma substancia igual à que causa a doença. E a homeopatia é uma ciência baseada na experimentação no homem são, portanto é cientifica.

Cara Celie,

Desculpe–me pela demora em responder sua carta. Meu trabalho me absorveu muito nas últimas semanas.

Realmente ocorreu uma imprecisão de tradução do Similia similibus curantur onde o termo correto seria “semelhante” porém, isto em nada muda o sentido do pensamento de Hahnemann. A homeopata Elizabeth Danziger no seu livro “ Homeopatia, da alquimia à medicina” usa o termo “igual” como extrato do pensamento de Samuel Hahnemann.

A doutrina homeopática ensina que quanto mais semelhantes forem os sintomas entre a experimentação em pessoas sãs e o doente, tanto mais eficaz é o tratamento homeopático. Ora, o limite máximo da semelhança é a igualdade.

O termo “igual cura igual” foi propriamente usado por Paracelso no Tractatus II, (Sudhoff Matheissen Edition, I/IX, pg 236), no qual Hahnemann se inspirou.

Porém acabei percebendo alguns erros nas descrições das citações na parte 3.2. Irei atualizá-las em breve.

Sobre o seu comentário “é uma ciência baseada na experimentação no homem são, portanto é cientifica”, precisamos esclarecer um ponto: O que se pode dizer de “científico” ou melhor, de objetivo (objetividade e cientificidade são coisas distintas) na experimentação em pessoas sãs é somente a relação de efeitos causados pela ingestão de uma substância em quantidade suficiente para sensibilizar o organismo.

Mesmo assim não podemos dizer que esta descrição é totalmente objetiva, pois a descrição de sensações relacionadas à ingestão de uma substância pode ser altamente influenciada por fenômenos de auto-indução e reações psicossomáticas (o famoso efeito placebo), tornando-se em parte, subjetiva.

Agora, analisando a aplicação destas “substâncias virtuais” (pois destas o produto homeopático nada possui) para curar doenças “semelhantes”, vemos que não tem nada de científico.

Como engenheiro mecânico eu poderia fazer uma analogia com um automóvel: Eu poderia descrever os sintomas de uma “doença” induzida num carro “são” (abastecer o carro com álcool em vez de gasolina). Isto é um ponto objetivo e pode ser abordado até cientificamente. Porém, se eu possuo um carro com os sintomas parecidos e resolvo colocar uma gotícula de álcool para consertar o carro, isto não tem nada de científico!

Caso você tenha interesse em estudar o assunto, recomendo que você leia o resultado do estudo “efeito hipnótico de medicação homeopática e do placebo. Avaliação pela técnica de “duplo cego” e “cruzamento”, Revista da Associação Médica Brasileira, vol.33, nº 5/6, 1987. Este estudo mostra a semelhança entre o placebo e o medicamento homeopático.

Cordialmente

Hermann Windisch Neto

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