Montfort Associação Cultural

19 de novembro de 2004

Download PDF

Histórico da Teologia da Libertação

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo Henrique
  • Localizaçao: – Brasil

Caro professor Orlando, que a paz de Nosso Senhor Jesus e o amor de Maria esteja com o senhor.

gostaria de saber mais sobre a Teologia da Libertação e o que tem haver esse movimento com o PT e mais a igreja apoia esse movimento digo a CNBB e todo clero.

Peço pro gentileza que tudo que vossa excelência tiver a respeito disso me passe.

Desde ja fico muito agradecido.

Paulo Henrique

Muito prezado Paulo Henrique, salve Maria!

Você me pede um trabalho bastante extenso. E só poderei dar-lhe, por hoje, um breve resumo de apresentação do problema. Temo, por isso que esse breve resumo de um assunto tão vasto me obrigue a escrever-lhe várias cartas. Será como uma novela, em capítulos.

Devo dizer-lhe, entes de tudo, que a chamada “Teologia da Libertação”, conforme a definiu o ex-frei Boff, é marxismo na Teologia. O ex-Frei Boff fez a seguinte declaração, num artigo. no Jornal do Brasil, em 6 de Abril de 1980:

“O que propomos não é Teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia”.

E ainda: “O método da Teologia da Libertação… é o método dialético.” (Leonardo e Clodovis Boff, Teologia da Libertação no Debate Atual, Vozes, Petrópolis, p. 22).

“A teologia da libertação arranca deste tipo de leitura da realidade social, crítico radical e dialético estruturalista” (L. e Clodovis Boff, Da Libertação, Vozes, Petrópolis, 4a edição , p,17).

E ele explica qual a conseqüência disso: “Na Teologia da Libertação, a questão de fundo não é a Teologia, mas a Libertação” (L. Boff e Clodovis Boff , Teologia da Libertação no Debate Atual, Vozes, Petrópolis, 1985, p.17).

Essa pseudoteologia propõe a Libertação de que?

Mas quando falo em libertação eu entendo concretamente isso: acabar com o sistema de injustiça que é o capitalismo. É libertar-se dele para criar em seu lugar uma nova sociedade, digamos assim, uma sociedade socialista” (Leonardo e Clodovis Boff, Da Libertação, Vozes, Petrópolis, 4a edição , p, 70).

E ainda: “É preciso dizer claro e vigoroso: a libertação é a emancipação social dos oprimidos. Trata-se concretamente para nós de superar o sistema capitalista em direção a uma nova sociedade de tipo socialista” (L e C. Boff, Da Libertação, p. 113).

Para a Teologia da Libertação a sociedade “socialista” que ela procura instaurar é sinônimo de “Reino de Deus”: “Se assim é, eu afirmo que hoje, para nós, o Reino de Deus é concretamente o socialismo” (L. Boff e Cl. Boff. Da Libertação, p. 96).

Dentro da Igreja, o objetivo da Teologia da Libertação era o de criar um movimento de apoio à ação marxista comunista: “O interesse principal da teologia da libertação é criar uma ação da Igreja que ajude, efetivamente, os pobres. Tudo deve convergir para a prática (amor)” (L. e Cl. Boff Da Libertação, pp.13-14. O itálico é do original).

Note-se que, ajudar efetivamente os pobres, seria fazer uma revolução anticapitalista. E veja-se como a palavra amor é deturpada para um sentido particular: amar é realizar efetivamente a igualdade econômica.

Não se pense que essa revolução socialista visada pela Teologia da Libertação seja meramente reformista. Os Boffs confessam que ela deveria ser radical: “A terapia apresentada por esta consciência crítica radical não é a reforma do sistema [capitalista] ; isto implicaria apenas em fazer um curativo na ferida sem perceber o foco gerador da enfermidade; postula-se uma nova forma de organizar toda a sociedade sob outras bases; não mais a partir do capital em mãos de alguns , mas a partir do trabalho de todos, com a participação de todos nos meios de produção e nos meios de poder; fala-se de libertação“( L e Cl. Boff, Da Libertação, pp. 16-17. O negrito é nosso, salientando a adoção de princípios marxistas).

Portanto, a Teologia da Libertação adota princípios e método marxistas, e tem o mesmo fim dos movimentos comunistas: destruir o sistema capitalista, para instituir uma nova sociedade “socialista”. E socialismo, aí, é um “eufemismo” enganador, para não assustar burguês. Sociedade socialista, aí, significa, em concreto, uma sociedade comunista como a de Fidel em Cuba, ou de Stalin na URSS. Fidel, que vem aí, no dia 6 de janeiro…

A Teologia da Libertação é comunismo para “católicos” modernistas, tais como eles se desenvolveram depois do Concílio Vaticano II.

Michael Löwy assim resume a doutrina e fins da Teologia da Libertação:

“1- Um implacável requisitório moral e social contra o capitalismo dependente, seja como sistema injusto, iníquo, seja como forma de pecado estrutural”.

“2- A utilização do instrumental marxista para compreender as causas da pobreza, as contradições do capitalismo e as formas da luta de classes”.

“3 – Uma opção preferencial em favor dos pobres e da solidariedade com a sua luta pela auto libertação”.

“4 – O desenvolvimento de comunidades cristãs de base entre os pobres, como uma nova forma da Igreja e como alternativa ao modo de vida individualista imposto pelo sistema capitalista”.

“5 – Uma nova leitura da Bíblia, voltada principalmente para as passagens como o Êxodo — paradigma da luta de libertação de um povo escravizado”.

“6 – A luta contra a idolatria (e não o ateísmo) como inimigo principal da religião — isto é, contra os ídolos da morte, adorados pelos novos faraós, os novos Césares e os novos Herodes: Mamon, a Riqueza, o Poder, a Segurança Nacional, o Estado, a Força Militar, a “Civilização Ocidental”.

“7 — A libertação humana histórica como antecipação da salvação final em Cristo, como Reino de Deus”.

* 8 — Uma crítica da teologia dualista tradicional como produto da filosofia platônica grega e não da tradição bíblica — nas quais as histórias humana e divina são distintas mas inseparáveis” (Michael Löwy, Marxismo e Teologia da Libertação, Cortez ed. São Paulo, 1991, pp. 27-28. Itálicos são do original).

A Teologia da Libertação foi feita para justificar a Ost Politik do Vaticano, no tempo de Paulo VI, e para ajudar a expansão comunista nas Américas.

É sabido que, em 1952, às vésperas do Concílio Vaticano II, João XXIII queria o comparecimento de observadores da Igreja Cismática Russa, no Concílio. O ecumenismo exigia uma aproximação também com a Igreja Cismática Russa controlada então pelo Partido Comunista soviético. Até mesmo os mais altos dignatários dessa Igreja eram, então, membros da KGB, a polícia secreta do Bolchevismo.

O Governo Soviético, inicialmente, não queria permitir a presença de membros da Igreja Cismática no Concílio Vaticano II, mas, depois, aproveitou dos desejos ecumênicos do Vaticano e de João XXIII, para exigir, em troca da presença desses observadores, que no Concílio jamais fosse citada a palavra comunismo, nem a palavra marxismo e nem se condenasse a URSS e a sua política expansionista. João XXIII capitulou diante dessas condições, e foi assinado, em Metz, ainda em 1962, um pacto entre a Santa Sé e a URSS comunista. Pelo pacto de Metz, a Igreja se comprometia a que, no Concílio, o Comunismo não fosse nem condenado, nem citado. Em troca, a URSS permitiria que alguns de seus espiões, vestidos de Bispos e Popes, viessem “observar” o que se passaria no Vaticano II.

O Pacto de Metz foi assinado, em nome do Papa, pelo cardeal Tisserand, e em nome da Rússia pelo Arcebispo e Coronel da KGB, Nikodim, o mesmo que terá morte misteriosa diante de João Paulo I.

Pacto assinado, pacto cumprido. No Vaticano II nem se tratou do maior inimigo que a Igreja jamais teve: o comunismo.

A capitulação da política vaticana chegou a tal ponto que nem se discutiu, nem citou na aula conciliar do pedido de mais de 700 Bispos de Consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, como Nossa Senhora o havia pedido em Fátima.

O Vaticano II quis ser pastoral, para não ter que anatematizar o marxismo e o comunismo.

Em conseqüência do humanismo do Vaticano II, desenvolveu-se, então, a chamada Teologia da Libertação que, nada tendo de Teologia, pretendia libertar os países latino americanos, especialmente, das garras do capitalismo internacional. Na verdade essa era uma fórmula propagandística que significava acabar com o capitalismo e a democracia liberal — que nada tem de santo — para instaurar em seu lugar a tirania comunista.

Evidentemente, Cuba e Fidel passaram a ser o núcleo da propaganda marxista vestida com a batina da Teologia.

No tempo de Paulo VI, a Assembléia dos Bispos da América Latina em Medellin, deu um grande impulso à Teologia da Libertação e à ação concreta de padres modernistas a favor da guerrilha comunista.

Aqui no Brasil, a Ação Católica eivada de princípios modernistas, se aliou aos partidos marxista, surgindo a POlop (Política Operária). Na década de 60, os católicos de esquerda apoiaram a guerrilha comunista de Carlos Marighella. Frei Betto esteve envolvido nessa guerrilha como muitos outros padres e frades do Convento dominicano das Perdizes, em São Paulo.

A Teologia da Libertação, no Brasil, teve o apoio total do Cardeal de São Paulo, Dom Arns, assim como da ala esquerdista que dominava a CNBB, liderada então por Dom Arns, e pelo Cardeal Aloísio Lorscheider, por Dom Ivo Lorscheider, por Dom Mauro Morelli, Dom Casaldálga, Dom Luciano Mendes de Almeida, entre outros.

Na América latina, a Teologia da Libertação foi fundada e liderada pelo Padre Gustavo Gutierrez. Entretanto, o teólogo que acabou por simbolizar essa Teologia comunista foi o então Frei Leonardo Boff, que, tendo controlado a Editora Vozes de Petrópolis, a usou para publicar inúmeros livros dessa corrente teológica. Frei Boff era um frade franciscano que estudava muito, e cujos livros tinham um embasamento muito mais sólido do que os pobres livrecos do semi-frade Frei Betto.

Frei Leonardo Boff encarnou a Teologia da Libertação, e sua condenação por Roma, acabou por anular — por algum tempo pelo menos — a revolução teológica.

A laicização do ex-Frei Boff — que se tornou, de novo, apenas Genésio Boff, se não me equivoco — e seu casamento “pós-moderno”, como ele mesmo definiu, com uma mulher casada, mãe de seis filhos, liquidou a sua influência no Brasil. Boff passou a ser figura de segundo plano, embora suas idéias continuem atuando, e muito, na CNBB.

Ainda hoje. foi noticiado que o Papa João Paulo II, em um discurso aos Bispos Brasileiros em visita “ad limina” ao Vaticano, condenou a invasão de terras alheias, como, aliás, já fizera o Papa em 1991, ao visitar o Brasil. Um Bispo da CNBB, da pastoral da Terra, Dom Tomás Balduino, teve a audácia de declarar que o Papa não condenou as invasões do MST, e sim a invasão de terras pelos “grandes”. (Cfr. O Estado de São Paulo, 27 de Novembro de 2002).

A Teologia da Libertação tinha uma concepção herética de Deus, Da Santíssima Trindade, da Igreja, e da sociedade, que analisaremos em outras missivas que lhe enviarei.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

TAGS

Publicações relacionadas

Cartas: Por que atacam a Teologia da Libertação? - Orlando Fedeli

Cartas: Leonardo Boff e a Teologia da Libertação - Orlando Fedeli

Artigos Montfort: Primeiro fruto da viagem de Bento XVI ao Brasil: Boff tira a máscara - Orlando Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais