Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2005

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Heresias dentro da RCC

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fernando de A. Fernandes
  • Idade: 19
  • Localizaçao: – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído

Meu caro Orlando, eu fiquei muito triste ao ver vc dizer que seria possível inimigo agir na RCC, por que como disse o Senhor Jesus: “Uma casa dividida contra si mesma não subsistirá”, e toda a RCC, é fundada no Senhor Jesus, existem casas da RCC para formação na Doutrina da Santa Igreja Católica, não é um movimento de alucinados, ou movido pelos impulsos dos seus próprios corações, quando um rapaz , que não fazia parte do grupo dos discípulos de Jesus pregava, o Senhor Jesus disse para deixar que ele pregasse, pois ele anunciava Jesus, eu acho que o senhor não precisa ter olhos tão críticos para a RCC, e nunca a RCC declarou ou declara que não precisa da Igreja ou do Clero, pois a RCC tem a consciência de que o Clero e a Igreja foram instituídos por Jesus para a nossa Salvação, eu sou carioca se não convidaria o senhor para num dia ir comigo a um Grupo de Oração, não leve isso como zombaria, pois jamais tive essa pretensão, ao contrário não podemos ignorar quão bem a RCC traz a Igreja, quantas pessoas que pela RCC renovaram a sua adesão total a Cristo e a Igreja, e sobre a Ação de Deus na RCC, muitas coisas que lá acontecem podemos ver no relatos de vidas de pessoas como Santa Teresa d”Ávilla e muitos outros místicos, que tiveram um profundo encontro com o Senhor Jesus, veja bem, eu nunca disse que pela Igreja não se pode chegar a mística, mais é a RCC um instrumento de Deus para nos ajudar a chegar a essa mística, a nos dar desejo da Eucarístia, de buscar os Sacramentos e tudo aquilo que a Igreja nos oferece,
muito obrigado pela sua paciência, e desculpe escrever tanta coisa
Um abraço do seu irmão em Cristo Jesus
Fernando

Muito prezado Fernando,
salve Maria.

Agradeço a sua carta e especialmente seu tom compreensivo.
Creio bem que você é sincero em sua posições, assim como muitos outros que são iludidos, na RCC, e pela RCC.
Recomendo-lhe que leia os livros da RCC, para que você compreenda como esse movimento, nascido de erros pentecostais protestantes se distancia, e se opõe à doutrina católica.
Por exemplo, leia o que está escrito no livro Os Carismas cujos autores são teólogos famosos e favoráveis à RCC.
Veja como nesse livro se confessa que a RCC é de origem protestante:

“Damos por suposta uma continuidade entre neo pentecostalismo católico e pentecostalismo protestante dos anos 1900, bem como entre este e o “revivalismo” americano do século XIX. Essa continuidade é verificável e declarada (embora relativizada na declaração). (Claude Gérest et allii, in Os Carismas, ensaio A Hora dos Carismas, in Revista Concilium, 1977 / 79, Número 129, p.Vozes, Petrópolis, p. 16).

E ainda:

“Uma longa história de oposição às heresias, às tendências sectárias, às abordagens místicas, às utopias messiânicas modelou a atual face da Igreja. Está essa Igreja marcada pela preponderância da institucionalização sacramental, cujo elemento organizador é o ministério sacerdotal ou episcopal. O poder eclesial concentra-se nas mãos dos que se empossaram plenamente no funcionamento da instituição ao ponto de renunciar à fundação duma família e, até uma data recente, ao exercício de uma profissão(…) Entre a institucionalização e a interioridade não existe meio termo” ( Editorial da Revista Concilium, N* citado p. 3).

Você entendeu bem esses textos, meu caro Fernando?
Neles está declarado :

1) que a RCC tem origem protestante mesmo;
2) Que a RCC se opõe — sem meio termo — às autoridades da Igreja institucional (Papa, Bispos, Padres), colocando ênfase nos carismas místicos, e não na organização da Igreja, como instituição.

Nessa mesma revista, o Padre Christian Duquoc afirma:

“O Deus do Novo Testamento traz inovações, se comparado ao Deus manifestado no Antigo Testamento. O Deus de Jesus não é um legislador, mas um Pai. Perdoa sem exigir compensações; perdoa porque, sendo os homens seus filhos, os ama. Em compensação, os homens são fiéis a ele, não para evitar o castigo infligido por um Juiz, mas porque é seu Pai. Assim a religião segundo a ordem da Lei é substituída por um laço familiar irracional” (Christian Diquoc O. P. “Os carismas, formas sociais do caráter imprevisível da graça” In Carismas, ed. cit. P. 94).

Você entendeu bem o que escreveu esse padre: Deus nada exigiria em compensação do pecado. Ora, Cristo nos disse que se não fizerdes penitência perecereis todos do mesmo modo”. (Luc., XIII, 5).
E explica ainda o Padre Duquoc que

“O Espírito Santo não estipulou que se manifestaria unicamente pela mediação das instituições eclesiais, ou pelos sacramentos” ( op cit p. 95).

Você compreende o que está dito ai? Que o Espírito Santo não assiste apenas à Igreja, e só na Igreja.
Compreendeu que o que esse padre quer ensinar é que não é preciso ser católico para ter a graça e os carismas do Espírito Santo.
E que a RCC se opõe às autoridades é reafirmado pelo Padre Duquoc, no livro que cito, dizendo:

“Exercer um ministério na Igreja é um carisma, não um direito, no sentido atribuído hoje…” (Op cit p. 100)

Traduzindo: ele está afirmando que a autoridade ministerial na Igreja, hoje, é atribuída pelo Direito Canônico ao Papa, Bispos e Padres, mas que, de fato, deveria ser atribuída aos que tem um carisma.
Você vê bem, meu caro Fernando que, quando lhe inculcam que a RCC não é contra as autoridades, na Igreja, estão lhe ocultando algo, pois que os teólogos da RCC querem dar o poder a quem diz ter carisma.
Por isso, se uma mulher é quem tem carisma, eles são favoráveis a que ela tenha a autoridade, e seja ordenada sacerdotisa. Contra tudo o que tem ensinado e determinado os Papas, João Paulo II, inclusive.
“Excluir as mulheres do acesso ao ministério seria, de fato, voltar a legalizar o carisma. Seria criar uma lei segundo a qual se determinasse que os seres humanos, em razão de seu sexo — uma condição natural, portanto– são a priori, excluídos de qualquer apropriação pelo Espírito Santo, em vista de ajudar a comunidade de forma ministerial ou sacerdotal. Não é o carisma que faz eclodir aqui, o institucional, mas é o institucional que limita o carisma” (C. Duquoc , op. ct p. 100. O negrito é meu).
E até a Eucaristia é negada por esses teólogos da RCC:

“”Tomai e comei… isto é meu corpo. Tomai e bebei… isto é meu sangue” Ora, forçoso é reconhecer, para a quase totalidade dos leigos essas palavras não tem um sentido imediatamente perceptível; este sentido não é em si nem estimulante nem entusiasmante. Tomadas ao pé da letra, logo vemos o quanto comportam de perigos de equívocos, pois evocam quase sempre, ainda que a título simbólico, magia e antropofagia” (Paul Abela, Celebrar a Eucaristia e por Mãos à Obra” In revista cit, p. 106).

Esta carta já vai longa e, embora pudesse lhe dar muitas outras provas das heresias dos teólogos da RCC, por hoje,
fico por aqui.
Espero que você reflita. E que não se iluda pelo fato de que ainda não lhe ensinaram explicitamente essas heresias no grupo carismático que você freqüenta. Eles costumam instilar seus erros gota a gota, lentamente.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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