Montfort Associação Cultural

8 de outubro de 2004

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Harry Potter

  • Consulente: sMaIlEy
  • Idade: 15
  • Localizaçao: Pato Branco – PR – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Religião: Católica

Olá, em primeiro lugar gostaria de lhe parabenizar pela grande fé q possui, mas sinto lhe dizer q tens feito algumas coisas erradas.

Em uma das respostas que deu na seçao de Neopagãnismo, afirmou q atraves dos livros da coleçao da escritora J.K.Rowling, nós, os jovens temos nossas mentes iludidas para um mundo de bruxaria q na sua concepçao se torna errado.

Posso lhe garantir que os livros nao induzem as pessoas à isso, se alguma delas procurou esse outro tipo de religiao após a leitura de um desses livros(da coleçao Harry Potter ou Senhor dos Anéis), soh pode ser uma pessoa desiludida e sem destinçao do real e ficçao a pergunta propriamente seria : ” Em cima de quais principios voce afirma que os livros Harry Potter sao prejudiciais..?”
Atenciosamente

 sMaIlEy

Caro “sMallEy”, salve Maria!

Você me pergunta como a série de livros Harry Poter de J. K. Rowlings pode fazer algum tipo de mal às crianças.

Vejamos o exemplo do cigarro. Milhões de pessoas ao redor do mundo fumam. Mas nem por isto devemos considerar que o cigarro faz bem, pois por intermédio da medicina sabemos que o cigarro faz mal não só a quem fuma mas também aos que convivem com o fumante.

O fumo é algo prejudicial ao corpo. Da mesma forma, o mau livro é prejudicial à alma. E como podemos saber o que pode prejudicar a alma? Ora, quem nos ensina o que é prejudicial à alma é a Lei de Deus, da qual a Igreja é a guardiã. Assim, um livro que nos induza ao pecado é para a alma – numa escala tremendamente maior, pois o dano à alma sempre é mais sério que o dano ao corpo – como que o cigarro é para o corpo.

O primeiro, e mais evidente perigo da série de livros Harry Poter é o fato da magia ser tratada como algo que pode ser bom. Isto é um fato que não tem sustentação na realidade.

Note-se que a maioria das civilizações condenou ou pelo menos cerceou a prática de bruxaria. A Roma republicana e posteriormente a Roma imperial tinha leis duríssimas contra a prática de bruxaria, dentre elas as das Doze Tábuas (451 AC), a Lex Cornelia (81 AC) e a Mathesis de Firmicus Maternus (século VI DC). E note que Roma era famosa por aceitar todas as religiões e todos os deuses. Os romanos legislaram desta forma porque vislumbraram que a magia subverte a ordem natural e pode trazer o caos à sociedade humana.

Mais importante que isto, a magia sempre foi condenada por Deus, como atesta a Sagrada Escritura que diz:

“Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações.” (Deut. XVIII, 10-12).

“Não praticareis a adivinhação nem a magia.” (Levítico, XIX, 26).

Santo Agostinho, um grande padre de Igreja e filósofo ensinou que toda magia só se torna efetiva pela intercessão do demônio.

São Tomás de Aquino, o doutor angélico da Igreja, ao comentar a respeito daqueles que se dedicam a magia e a bruxaria, disse: “Ao homem não foi dado poder sobre os demônios para usá-los para qualquer propósito que seja. Pelo contrário, foi dito que ele deve proclamar guerra aos demônios. Portanto, não é licito ao homem usar a ajuda de demônios por pactos – sejam tácitos ou expressos”. Assim, são Tomás vincula diretamente a magia e a bruxaria com pactos demoníacos.

Portanto, toda a magia é intrinsecamente má, por ser condenada por Deus, por constituir idolatria, por envolver ações demoníacas e por constituir uma ameaça para a sociedade humana, uma vez que viola a ordem natural.

E em “Harry Potter” a magia tem o foco das atenções, ela constitui a única coisa que realmente interessa no universo criado por J. K. Rowlings.

Pode-se alegar que os livros de Harry Poter se passam num mundo de fantasia, que não tem nenhum contato com nossa realidade. Isto não é verdade porque o mundo de Harry Poter é vinculado ao nosso mundo, e é um mundo secreto, escondido dos “trouxas” – como são chamados os não bruxos nos livros – através de magia e de códigos de condutas para os magos. Assim, os “trouxas” ou seja, as pessoas comuns, nem sequer desconfiam da magia e vivem num mundo exatamente como o nosso.

O primeiro efeito pernicioso disto é criar uma fantasia em contato com a realidade. Isto faz com que as crianças acreditem que este mundo fictício realmente exista. De fato, várias crianças procuram se matricular na escola de Hoggwarts (onde Harry Poter estuda bruxaria), pois acreditam que ela existe de fato. A própria autora J.K.Rowlings incentiva tais crenças, pois ela escreveu livros que seriam os livros colegiais de bruxaria de Harry Poter, e estes podem ser adquiridos, de fato, até pela internet.

O segundo efeito pernicioso é que isto acaba por atrair os fãs da série para a Wicca e outras práticas Neopagãs modernas. Tanto que alguns praticantes mais antigos da Wicca reclamam que muitas pessoas que aderiram à Wicca ultimamente tem uma mentalidade formada pelos livros de Harry Poter. Estranhamente depois do sucesso da série Harry Poter as prateleiras das livrarias mundo afora ficaram repletas de livros de bruxaria, que antes eram relegados a um canto obscuro das mesmas.

E mais, muitos sites sobre Harry Poter oferecem links para diversos sites de Wicca que existem na Internet.

E o terceiro, mas não menos pernicioso efeito é uma ruptura entre o código moral que divide o bem do mal, as boas ações das más. Harry Poter, ao longo dos livros, mente, viola centenas de regras da escola, trapaceia, e realiza muitos pequenos atos ruins em prol de um bem maior, o que dá vazão ao maquiavélico raciocínio do mal menor. Outro problema no livro é que muito de seu suspense é montado com base em reviravoltas de caráter, onde personagens aparentemente simpáticos ou “bonzinhos” se revelam extremamente maléficos. Esta elasticidade na retratação de bem e mal não é atributo de J. K. Rowlings, mas de um mundo relativista que não consegue mais discernir claramente entre bem e mal, entre limites morais e liberdade de ação.

Tudo isto, misturado como numa série de livros como se fossem ingredientes no caldeirão de uma bruxa, acaba por influenciar os jovens, afastando-os mais e mais de sua base moral cristã e atraindo-os para uma visão paganizada do mundo, de caráter extremamente relativista.

Sancte Michael Archangele, Defende nos in praelio
Paulo Sérgio R. Pedrosa

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