Montfort Associação Cultural

23 de novembro de 2004

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Guerra do Iraque… ou de araque

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo Barroso Bastos
  • Idade: 27
  • Localizaçao: Manaus – AM – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Prezado Orlando,Salve Maria

Gostaria de fazer alguns comentários á respeito do atual conflito entre E.U.A e Iraque e a posição do Papa.Se algum comentário meu estiver contra a doutrina católica, por favor corriga-me!
Há uma condenação massiva á tudo o que os Estados Unidos estão fazendo ( pela mídia ,ong, Igreja ).E o Papa condenou os Estados unidos e o ultimato de Bush dizendo que este terá que prestar contas á Deus, que uma guerra preventiva é algo demoníaco , e concluiu: guerra nunca mais!
Será que os E.U.A estão neste guerra somente por causa do petróleo? É possível. Agora ,porque o papa não condena o regime criminoso e brutal de Saddam? Sabemos muito bem que Saddam é cruel com seu povo ,faz perseguições e torturas com seus opositores , massacrou os curdos, utilizou bombas químicas e biológicas , recentemente descobriram que financiava famílias palestinas para usar seus filhos como homem-bombas…
E se “guerra nunca mais”? Como fica aquele Papa que icentivou as cruzadas na idade média? E tantos papas que estimularam guerras contra inimigos do catolicismo? E a frase de Nosso Senhor Jesus Cristo” Não vim trazer a paz, mas a guerra ” como fica?
Analisando a situação o Bush pode até ter muitos erros mas algumas de sua atitudes no campo moral está de acordo com a doutrina católica: ele cortou as verbas que seu antecessor(Clinton) dava para as organizações de aborto ; tem dada verbas para organizações que estimulam o sexo somente após o casamento;Enquanto isso agora mesmo vejo o Papa elogiar a ONU. Ora , a ONU não estimula organizações favoráveis ao Aborto e a Contraceptivos?
Espero muito o ponto de vista de vocês.

Fiquem com Jesus e Maria

Muito prezado Leonardo,
salve Maria! < ?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Você me pede que faça alguns comentários sobre a atual guerra do Araque… Perdão, enganei-me, a guerra é do Iraque.

Mas tanta mentira se ouve, ou tantas mentiras se lêem, na mídia, sobre essa guerra que a palavra “araque” se infiltrou em minha mente, enquanto lhe escrevia esta carta. E lá me saiu digitado “guerra do Araque”, em vez de “guerra do Iraque”.

Você vê que equívoco absurdo!

Não que o Iraque seja um país de araque.

Muito pelo contrário. É o país das Mil e Uma Noites. Livro que ninguém leu inteiramente, porque afinal — haja paciência! —  Mil e Uma Noites é demais.

Eta livro chato, pelo repetitivo estrutural labiríntico de suas histórias povoadas de gênios de lâmpada, e magos –  sem lâmpada –  por palavras mágicas, sultões, bandidos e odaliscas!

Duvido que alguém tivesse tido paciência para chegar até a Noite Mil e Um.

As Mil e Uma Noites são como o Capital de Marx: todo o mundo cita, e ninguém lê inteiro, aquele livro chato do barbudo, filósofo do araque. Bem disse dele Paul Claudel: Marx escreveu a “Bíblia da imbecilidade e do ódio”.

Ele é um dos grandes culpados da Noite que se extende sobre o mundo.

Hoje, há uma só Noite: a da verdade.

E estamos no Século do Araque.

Este século XXI, este Tertium Milenium Inneunte — saudades de Joaquim de Fiore? —  tão aguardado por João Paulo II, como se fosse um Novo Advento —  [isso foi escrito] —  é uma noite só.

É noite em São Paulo. É noite em Tókio. É noite em Manaus. É noite em Bagdá. É noite em toda a parte. Faz noite no mundo. É noite nas almas…. Porque é noite, por agora, em Roma.

“Custos, quid de Nocte? Custos, quid de Nocte?” (Isaías,XXI,11) perguntava angustiadamente o Profeta Isaías, na Sagrada Escritura.

“Custos, quid de Nocte?”

Quis es, custos?

Que nos conta ele da noite?

Que não nos conta ele da Noite?

Graças a Deus há, e sempre haverá  um Custos infalível em Roma!

Um Custos que garante que jamais haverá Noite para sempre sobre o mundo.

Mas, por agora, há noite, sobre o mundo.

E se há Noite em Roma,  que Noite imensa não há em Bagdá?

Pois há noites ainda em Bagdá. Com bombas. Sem lâmpadas mágicas. Em Bagdá. Cidade de Aladim e de Simbad, se não me engano. Certamente, a cidade do Califa Harum al Raschid, que, naqueles tempos lendários, saía pela noite de Bagdá, disfarçado em mendigo, para ouvir o que dizia o povinho miúdo do seu califa.

Harum Al Raschid, graças a Deus, não era atormentado, naqueles bons tempos, pelas notícias de araque da Mídia. Feliz Califa sem TV e sem rádio!  Dizia a lenda —  creio que é uma daquelas contadas numa das Mil e uma Noites de Bagdá —  que o homem feliz não tinha camisa.

É falso!

Homem feliz é aquele que não tem TV, e nem rádio.

Que não ouve o noticiário.

Que felicidade, não ouvir os comentaristas internacionais!

Hoje, ainda há noites em Bagdá. Mas, nelas, ninguém pode sair às ruas nem disfarçado, porque as noites são iluminadas pelas bombas inteligentes, procurando o “califa” Sadam, até no fundo de seus bunkers.

E as noites de Bagdá, de São Paulo e de sua Manaus, meu caro Leonardo,  são bombardeadas pelas notícias de araque da Mídia. E quase se poderia dizer que as noticias de araque —  as bombas burras —  fazem mais mal aos homens do que as bombas inteligentes americanas, guiadas por satélite, enfiando-se pelas vielas de Bagdá, à cata do califa Sadam Houssein.

Porque é a mentira que faz cair a noite sobre o mundo.

Só a verdade esclarece o mundo.

Pois veja você, prezado Leonardo, que a Mídia, praticamente em peso, como se obedecesse a um misterioso controle remoto, afirma que a guerra do araque —  perdão! —  a guerra do Iraque foi causada pelo interesse do texano Bush pelo petróleo do Iraque.

Ora, ora, se Bush quisesse o petróleo do Iraque, ele teria se unido ao Iraque contra Israel, que nunca teve petróleo.

Guerreando o Iraque, Bush atrai, sobre si e sobre os States, todas as maldições do Corão e das Mil e Uma Noites, e se arrisca a perder todas as suas alianças petrolíferas com as Arábias de todos os tipos: sunitas, shiitas, motazilitas, ismaelitas, e quantos mais “itas” houver por lá.

A guerra do Iraque não foi deflagrada por causa do petróleo, coisa nenhuma!!!

Foi declarada porque constava que Sadam Houssein tinha foguetes capazes de atingir Tel Aviv. Foguetes portando alguma bombinha atômica, ou —  dizia Bush —  armas químicas e bacteriológicas.

Bush fez a ONU procurar foguetes e armas proibidas —  [Proibidas só para o Iraque. Outros paises podem tê-las, à vontade, inclusive Israel] —  por todo Iraque.

A ONU nada achou.

Aliás, a ONU não acha nada. Nem usando a lâmpada maravilhosa de Aladim.

Só procura. Ou diz que procura.

A ONU —  “cette chose là de New York”, como dizia De Gaulle, que por vezes sabia dizer alguma coisa —  a ONU nada achou no Iraque.

Mas Bush, como Malbrough, foi à guerra.

Ele tinha que ir à guerra. Ele queria ir à guerra.

Tirando Tel Aviv da História, a guerra fica incompreensível. Fica uma guerra do araque. Causada por araque.

Israel tem 15 km de largura. Como daqui a Sapopemba.

É logo ali. Depois do morro

E uma bomba só, logo ali, em Tel Aviv, lançada por algum doido Ali…

…Adeus Israel.

Bush tinha que ir à guerra. Contra o Iraque. Contra a ONU. Contra a justiça. Contra o mundo. Contra o pedido do Papa.

Se o Iraque tivesse mesmo as tais armas de que falava Bush, tê-las-ia usado desde o início, e até antes da guerra. Os únicos foguetes que o Iraque atirou foram velhos e vesgos scudes soviéticos, arma  que mais parece busca-pé sem vareta, e que jamais atinge o alvo.

Em vez dessa evidência clara como água do pote, clara como era  a água do rio Tigre ao passar por Bagdá, nos tempos de Harum al Raschid, os comentaristas repetem como papagaios, a potoca do petróleo como causa da guerra.

Minha mãe quase centenária, ouve ainda o noticiário, e é capaz ainda de se indignar com as lorotas absurdas que ouve no seu radinho, pela manhã.

O volume fica ao nível inversamente proporcional da capacidade auditiva dela. Vai ela para os noventa e quatro anos. Lúcida. Quase surda. Mas lúcida, graças a Deus.. E querendo saber o que acontece no mundo.

A surdez dela me impede de ser um homem completamente feliz, por duas razões:

1) pela surdez, que eu não queria que ela tivesse;

2) por me forçar a ouvir, com ela, o noticiário matinal,  e os comentários dos locutores tupiniquins,  tão pouco parecidos com as bombas americanas.

Ela detesta a voz antipática, rançosa e rancorosa de uma locutora fanaticamente marxista, que só vê o mundo com o olho esquerdo. E com lentes vermelhas.

A voz da locutora marxistóide é esganiçada sempre zangada. A mente, absolutamente sem capacidade de contemplar a própria contradição. O partido que ela serve e defende, como um torcedor defende o seu time de futebol,  tem que ter sempre razão. Ainda quando opta pelo sim, e depois pelo não. No partido, jamais há contradição:  há momento dialético. A dialética  e o fanatismo a faz engolir qualquer contradição, qualquer absurdo.

Outro que me faz sofrer com seus “sábios” comentários sobre a guerra do araque — Perdão, de novo,  do Iraque – é um locutor de voz anasalada, com um português medonho, que ele gagueja,  e que só tem emprego de comentarista internacional, porque é marxista. E o PC —  tão influente, apesar de seus parquíssimos votos —  o mantém incompetentemente empregado.

Tal locutor que mal tem o dom da locução, faz comentários repetitivos, em torno da manchete que leu em algum jornal:

“Os americanos estão encontrando dificuldades no Iraque. A guerra apresenta dificuldades para as tropas americanas. Não será tão fácil a guerra para as tropas americanas no Iraque. Buche —  é assim que tal locutor  pronuncia o nome do presidente dos States —  Buche encontra dificuldades no Iraque”.

E assim vai por uns cinco minutos, que me perecem uma eternidade.

Compreendeu, você, agora, porque me engano, escrevendo a guerra do araque?

E a Mídia marxistóide faz drama espaventoso com as noticias de mortes na guerra. Como se fosse possível haver guerras sem mortes.

“Morreu o primeiro soldado americano no Iraque!”, quase cantava, nos primeiros dias da guerra, o locutor de voz anasalada —  ele parece estar sempre com o nariz entupido —  entusiasmado com a morte do primeiro jovem yankee, na guerra.

E, no dia seguinte, anunciava a mídia, triunfalmente:

“Dobrou o número de mortos americanos na guerra do Iraque! Morreu um segundo soldado!”.

E mais —  fazendo ironia, é claro — :  “Consta que um soldado ameriano destroncou o pé”. “Está faltando Coca-Cola nos acampamanetos dos Estados Unidos no Iraque. (O que, de fato, tendo em conta o paladar americano, seria gravíssimo!).

E as fotos dos bombardeios de Bagdá mostram o absurdo da guerra com mortos e feridos fotografados, e em sangue.

Afinal, a guerra é um mal, por vezes necessário. Como uma operação cirúrgica.

Não estou dizendo isso da atual guerra do Iraque, porque ele me parece injusta por ser feita  a pretexto de que o Iraque tinha armas proibídas, que Israel, os Estados Unidos, e os Estados Desunidos, como a India e o Paquistão, também têm, apesar de sua milenar e coformada miséria, e que meio mundo também tem.

Mas que o Iraque não podia ter.

E por que só o Iraque não as pode ter?

Mistério…

Ora, tanto drama e tanta lágrima compassiva só de olho esquerdo, é inexplicável nesses locutores que sempre estão prontos a compreender até as razões que uma moçoila teve para fazer matar, à traição, seu pai e sua mãe.

Como  para fazer omeletes se quebram ovos, assim na guerra, se dão mortes.

Isso é inevitável, infelizmente.

No balanço total de mortos na guerra do Iraque, morrem menos pessoas do que as que são assassinadas em São Paulo, num mês.

E Napoleão perdeu, entre mortos e feridos, mais de 30.000 soldados, numa única batalha, em Eylau.

Compreendeu por que me engano ao escrever guerra do araque?

Numa noite de bombardeio —  não atômico —  em Dresden, quase no final da Segunda Guerra Mundial, os ingleses mataram 130.000 civis. E os alemães mataram milhares de civis em seus  ferozes bombardeios de Londres e Coventry.

Claro que isso é um crime. Claro que isso foi causado pelo abandono das leis de guerra, elaboradas pela Igreja Católica, desde a Idade Média, para evitar morticínios injustos nas guerras, leis que o mundo moderno foi colocando de lado, pois que a modernidade só valoriza a força e nega que haja justiça objetiva. O que a maioria decide,  isso seria justo. O Mundo Moderno sendo ateu, não pode ter senão rejeição pela lei de Deus.

Hoje, se noticia que os americans tomaram a cidade sagrada dos Shitas —  Kerbala —  onde morreu em outra batalha, na Idade Média, o neto de Maomé, Hussein, o mártir do Shiismo.

Os americanos estão às portas da velha Bagdá. Sem lâmpada maravilhosa e sem conhecer o “Abre-te Sésamo” que abra magicamente, sem rangidos incômodos, as portas de Bagdá. Que devem ser bem velhas e enferrujadas.. 

Ainda ontem, o pobre locutor de voz anasalada, anunciava, esperançoso, que os americanos haviam errado nos cálculos, que o Iraque resistiria bravissimamente, liderados por esse Mussolini fanfarrão de Bagdá, que é Sadam Houssein.

Até o fim, porém, o locutor de voz entupida e gaguejante dirá que “Buche errou os cáculos, e que o descontetameto se alastra pelos Estados Unidos, já que pelo mundo todos os estudantes “encabeçam as manifestações pela paz”.

De repente, todos os estudantes do mundo tiveram a mesma idéia. De repente, todos os estudantes, desde São Paulo até Manila, se moveram expontaneamente —  muito expontaneamente —   pela paz.

Expontaneidade de araque.

***

Enquanto lhe escrevo, ouço a voz anasalada do locutor tupiquinamente soviético anunciando que ao chegarem as tropas americanas a Bagdá, o Iraque poderá usar as  terríveis armas químicas, que Sadam dizia não ter, e que muito provavelmente não têm.

***

Não há mal de que Deus não tire algum bem. Verdade que um ditado francês confirma dizendo que “À quelque chose, malheur est bon” (Para alguma coisa, desgraça serve).

Dessa desgraça da guerra do araque, o único bem que parece advir, é a desmoralização da ONU, que se mostrou absolutamente incapaz de evitar a guerra, assim como absolutamente impotente para interrompê-la.

E dizer que Paulo VI afirmou em seu discurso “naquela coisa lá  de New York”: que a ONU era a única instituição capaz  de trazer a paz ao mundo!

Só Cristo pode nos dar a verdadeira paz.

Jamais a ONU.

Bush e a guerra do Iraque provaram que Paulo VI não disse a verdade, quando declarou a ONU superior à Igreja, como geradora da paz.

*** 

Quanto à guerra justa, é evidente que você tem razão, meu caro Leonardo: toda nação agredida tem direito de se defender. Isso se chama legítima defesa.

Curioso é que os mesmos que condenam a guerra dos Estados Unidos, no Iraque — guerra que julgo injusta pelas falsas razões que a motivaram —  aprovam a guerra das Farc, do Narcotráfico, e de Fidel na Colômbia. Até parece que a guerrilha comunista narcótica e castrista das Farc e de  Fernandinho Beira Mar não mata nem fere inocentes.

Eta pacifistas de araque!

Por que será que jamais se vêem  passseatas encabeçadas por estudantes pacifistas contra a guerrilha fidelista?

Pacifistas de araque! Defendendo uma paz de araque.

A paz da ONU e de Fidel.

Não a paz de Cristo.

Há noite em Bagdá.

Há noite sobre o  mundo

Há noite nas almas.

***

 “Custos, quid de Nocte? Quid de Nocte, Custos?”

 In  Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

 

 

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