Montfort Associação Cultural

26 de janeiro de 2005

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Graus de santidade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Lúcia
  • Idade: 33
  • Localizaçao: Cuiabá – MT – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Duvida: Caro Professor Orlando Fedeli,

Primeiramente, gostaria de registrar minha admiração pelo trabalho deste site, que, de forma clara e objetiva, nos dá muitas respostas que não conseguimos obter apenas frequentando as missas.

Minha dúvida é com relação à santidade. Nós, os salvos – perdoe-me ter tomado a liberdade de me incluir entre eles, mas minha absoluta fé em Deus me faz ter esperanças concretas de entrar no reino dos céus -, estaremos no mesmo “patamar”, por assim dizer, dos santos canonizados? Ou haverá uma espécie de “hierarquia” entre os santos e os demais que alcançarem a salvação?

Outra coisa: porque só há santos depois de Jesus Cristo? Ou seja, porque não se fala em “Santo Abraão”, “São Isaque”, “São Jacó″, “São Moisés”, “São Noé”…? Certa vez ouvi dizer que é porque Cristo representa “as primícias” e, por esse motivo, só pode ser santo (canonizado) quem morreu depois de Sua Paixão. Há algum fundamento nisso? Se há, como se explica o fato de São João Batista ser santo, se ele morreu antes de Jesus?

Por fim, ainda com relação aos santos, gostaria de saber se a castidade é, de algum modo, fundamental para a santidade.

Explico melhor:

Os protestantes insistem em dizer que a Virgem Maria só foi casta até o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e que, a partir daí, teve vida conjugal normal com São José (sendo inclusive mãe de outros filhos). Eu não conheço nenhum argumento bíblico para refutar essa afirmação que, volta e meia, me é apresentada por algum protestante.

Mas, o que penso, sinceramente, é que esta é uma questão menor, sem nenhuma importância. Ainda que a Mãe de Nosso Senhor tivesse vida conjugal com seu amantíssimo Esposo, isso não diminuiria em nada a sua santidade. São Pedro era casado (Jesus curou a sua sogra) e nem porisso deixou de ser santo. Aliás, acredito que o principal santo dentre os apóstolos, visto ter sido confiada a ele a direção da Igreja. Em suma, penso que a castidade não é necessária à santidade. Estou certa por pensar assim?

Desde já agradeço a atenção dispensada!

Que Deus os abençoe neste importante trabalho de evangelização.

Prezada Doutora Lúcia, salve Maria !

A Sra. é extremamente gentil elogiando nosso site, pelo que lhe agredecemos. Pedimos também suas orações para que Deus nos ajude continuar a bem serví-la.

Passo diretamente a responder suas dúvidas sobre o que é a santidade.

Deus Nosso Senhor, generosamente, concedeu a Adão, nosso primeiro pai, a vida sobrenatural.

Que significa isso?

Significa que, além da vida física e da vida intelectual, Deus, bondosamente, concedeu ao homem uma participação na própria vida divina.É o que se chama vida sobrenatural ou da graça.

Assim como a luz penetra no ar sem se tornar elemento constituinte dele, assim como o fogo penetra no ferro em brasa –que continua, entretanto, simplesmente ferro — assim também, pela graça santificante, Deus penetrou na alma de Adão, fazendo-o participamte de sua vida divina.

O ferro em brasa continua ferro, mas adquire duas qualidade da natureza do fogo: é capaz de iluminar e de queimar.

Assim também o homem, ao ser batizado, recebe Deus em sua alma. Deus passa a viver na alma humana, permitindo-lhe fazer ações junto com Deus, adquirindo assim méritos infinitos.

Ser santo é ter participação na vida divina, porque Deus habita na alma pela graça santificante.

Adão perdeu esse favor de Deus, ao cometer pecado. Nós também, quando pecamos gravemente, perdemos a participação na vida divina. Quando pecamos, escolhemos entre um bem inferior e a amizade de Deus, preferindo um prazer, uma riqueza, uma vaidade ao próprio Deus. Ao pecar gravemente, nos voltamos à criatura, repelindo a Deus de nossa alma.

Depois que pecamos, podemos recuperar a graça santificante através da confissão sacramental a um sacerdote.

Ser santo significa, portanto, estar na graça de Deus, não ter cometido nenhum pecado grave, pela violação dos mandamentos de Deus e da Igreja.

A participação na vida divina pode aumentar ou diminuir. Crescendo essa participação na vida divina, tornamo-nos mais santos.

Portanto, há graus diferentes de santidade.

A Sra. pode confirmar isto, pela própria sagrada Escritura, porque Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que nunca tinha havido alguém maior do que São João Batista. E Cristo demonstrou que amava desigualmente os homens, conforme sua graça e o mérito que tinham.

No céu, há “muitas moradas”, isto é, recompensas variadas, embora infinitas. Isto significa que os homens, no céu, terão recompensas desiguais, conforme o grau de seus méritos. Nossa Senhora, sendo a mais perfeita de todas as criaturas, tem uma glória superior a qualquer ser humano ou angélico.

Com relação à nossa situação nesta vida, não sabemos certamente, se somos dignos do amor ou do ódio de Deus. Por isso está escrito no livro do Eclesiastes: “Há justos e sábios e as suas obras estão na mão de Deus, e contudo o homem não sabe se é digno do amor ou do ódio” (Ecles. IX, 1).

Devemos manter esperança firme em que Deus, por sua infinita misericórdia, nos perdoe, e nos leve ao céu.

Contra essa virtude da esperança, há dois pecados possíveis: um por excesso ou abuso de confiança, que leva a pessoa a pensar que ela pode pecar à vontade que Deus a perdoará; segundo, uma falta de esperança que leva a pessoa a exagerar a sua culpa e a duvidar da misericórdia de Deus, pensando que ela já não tem perdão. Deus quer salvar o pecador, e não quer a sua perdição.

Para que a pessoa vá ao céu, ela precisa estar sem nenhum pecado. Deve possuir todas as virtudes, inclusive a da pureza e castidade.

Os impuros não entrarão nos céus como ensina São Paulo: “Andai segundo o Espírito e não satisfareis os desejos da carne. Efetivamente, a carne tem desejos contrários ao espírito, e o espírito desejos contrários à carne(…) Ora as obras da carne são manifestas: são o adultério, a fornicação, a impureza, a luxúria, a idolatria, os malefícios [os feitiços] as inimizades, as contendas, as rivalidades, as iras, as rixas, as discórdias, as seitas, as invejas, os homicídios, a embriaguês, as glutonerias, e outras coisas semelhantes, sobre as quais vos previno, como já vos disse, que os que as praticam não possuirão o reino de Deus” (Gálatas, V, 16-22).

E Cristo perdoou a pecadora adúltera, mas ordenou-lhe que não pecasse mais.

Os homens que viveram santamente antes da vinda de Cristo foram santos pelo méritos previstos de Cristo. Assim Noé, Abraão, Moisés, os profetas foram grandes santos.

Apenas não é costume chamá-los de São Noé, Santo Adão, etc embora eles estejam no céu. Entretanto, em Veneza, há uma igreja de São Moisés. É apenas uma questão de costume. E, por costume, chamamos os profetas Elias e Eliseu de santos: Santo Elias, e Santo Eliseu.

Nossa Senhora foi Virgem antes do parto, no parto, e depois do parto. Isso era muitissimo conveniente porque, entre outras razões, para provar a Divindade de Cristo. Jesus provou que é homem por nascer, como qualquer outro homem, de uma mulher. Mas provou que era Deus, ao nascer de uma Virgem. É dogma da Igreja que Nossa Senhora foi sempre Virgem. Quanto aos “irmãos de Jesus” eles eram apenas parentes de Nosso Senhor. Os judeus chamavam de irmãos quaisquer parentes.

Para comprovar esta afirmação, veja, por exemplo, no livro do Gênesis, que Abraão tinha um sobrinho que ele chama de irmão. Em Gen. XII, 5 se diz que Lot é filho do irmão de Abraão, portanto, que era seu sobrinho, e em Genesis XIII, 8, Abraão afirma que é irmão de Lot.

Esperando tê-la ajudado, e aguardando que me apresente novas perguntas, afim de que possa ajudá-la na caridade de Cristo me subscrevo atenciosamente,

in Corde Jesu,semper,

Orlando Fedeli.

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