Montfort Associação Cultural

31 de março de 2006

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Graus de maldade e satanismo no Rock

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Bruno C. S.
  • Localizaçao: – Brasil

Ola ao pessoal do site Montfort (escrevo ao senhor que e o autor do artigo “Rock e Revolucao” em especial)
obs.: nao utilizarei acentos graficos nesse email pois meu software nao os suporta, entaum alguns “e” na verdade possuem um acento agudo, etc… espero que isso nao atrapalhe o entendimento de minha opiniao.

Gostaria de expressar minha opiniao sobre o artigo “Rock e Revolucao”, acredito que seja este o nome. Bom, discordo de varios pontos propostos pelo autor; inclusive acho que algumas fontes (revistas) citadas no artigo nao sao totalmente imparciais visto que sao publicacoes religiosas, e essas, geralmente, nao sao muito amigaveis ao rock. Mas deixando as diferencas religiosas de lado, o que me levou a escrever esse mail propriamente dito foram as generalizacoes feitas pelo autor quanto a natureza do rock; pelo que compreendi, o que se pode entender do artigo e que o rock em si e um genero musical que impele os jovens ao mundo das drogas, do sexo e da violencia. Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que sou completamente contra a violencia e contra o uso de drogas, embora nao tenha nada contra sexo, pois sem ele nem eu nem o senhor estariamos aqui discutindo um assunto tao interessante.

Em segundo lugar, e espero que meu texto esteja sendo claro ate aqui, acredito que nao se pode generalizar para todas as bandas e/ou cantores de rock as qualidades, digamos assim, negativas, propostas no texto. Basta que o senhor escute a belissima La Villa Strangiato, da banda Rush, ou as composicoes de BB King, ou ainda as criticas contra a  sociedade hipocrita e injusta em algumas cancoes da Legiao Urbana: todos grupos de rock. Por favor, ouca essas musicas, mas ouca com a menta aberta, aceitando a possibilidade de que o senhor possa gostar, ou, pelo menos, suportar esse tipo de rock.
Concordo que existem musicas que chegam a ser engracadas pelo pouco desenvolvimente instrumental ou pelas letras vazias. Posso citar algumas do grupo Black Sabbath, grupo supostamente satanico; gostaria de deixar claro, como o proprio vocalista e autor de varias letras da banda, Ozzy, falava, suas cancoes eram mais uma critica ao lado obscuro e mistico apresentado em seus shows do que uma adoracao ao demonio. A opiniao de Ozzy quanto ao fato de suas musicas nao serem demoniacas, assim como nao o sao os filmes de terror, e sim apenas fontes de entretenimento, podem ser encontradas em varias entrevistas que o senhor podera encontrar inclusive na internet.
Tudo bem se o senhor nao aprecia esse tiop de musica, o rock mais pesado, pois realmente poucas pessoas gostam dele, mas mais pelo instrumental perturbador (nao era a Igreja que condenava os musicos que usassem intervalos de quinta diminuta em suas musicas? como pode uma instituicao julgar a arte que alguem faz, e, veja bem, na Idade Media nao existia rock ate onde eu sei).

Acredito que fugi um pouco do meu topico principal, que e a generalizacao depreciativa do rock feita pelo autor, mas se o fiz foi por querer ser o mais claro possivel.
Gostaria de discutir tambem os livros de onde o senhor tirou algumas citacoes, como a Republica, livro, ate onde eu conheco, que propoe um estilo de sociedade que eu pessoalmente considero invalido, mas isso deixarei para outra situacao.

Por ora gostaria que o senhor ouvisse as cancoes que eu citei, e dissesse, honestamente, sua impressao. Nao sao musicas demoniacas, pelo contrario, as bandas e seus compositores dominam muito bem teoria musical e sao capazes de criar instrumentais muito bem elaborados, dignos de estudo para musicos; nenhuma musica das bandas que eu cito, principalmente do Rush, podera ser descrita como “barulho”, como geralmente o rock e conhecido. Quanto as letras da cancoes, algumas contestam os valores sociais pregados desde nossa infancia, ou criticam as autoridades pelo descaso com o povo, por exemplo, mas nada disso faz da banda algo malefico. Aproveitando o assunto, gostaria de dizer que, na minha opiniao, o descricao de uma musica do Rush encontrada no seu artigo e erronea, pois o que Geddy Lee quis dizer nada mais e do que a banda escrevia musicas para seu proprio deleite, como fazem todos os verdadeiros artistas: criam para si, para expressar seus sentimentos.
Isso nao e prova de egoismo, e sim de personalidade, pois exibem ao publico o que pensam e nao necessariamente o que ele (o publico) espera.

Acho muito bom ter na internet um site onde se possa discutir sobre esses assuntos, principalmente porque o site de voces nao censura a opiniao, mesmo dos criticos. Estou de mente aberta para quaisquer colocacoes que o senhor queira propor, e, mais uma vez, peco que julgue as cancoes que indiquei com a sua mente aberta tambem. Ouca tambem Another Brick in the Wall II, do Pink Floyd, onde a banda critica aquele mesmo tipo de educacao que o senhor critica no artigo (acredito que foi o senhor que escreveu) sobre Freud e sobre como os “idolos” do seculo XX sao contraditorios (“zen-budistas astrologos, etc…”).
Por ora e so,

Abracos
Bruno C. S.

Prezado Bruno,
Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo.

Obrigado por sua mensagem e pelo tom atencioso que colocou nela.
 
Sua principal crítica a nosso trabalho sobre o Rock seria que teríamos generalizado, acusando todos os rocks de serem satânicos.

Se você reparar bem, não fizemos essa generalização um tanto simplificadora. Mostramos que muitos rocks têm uma característica predominantemente revolucionária, enquanto outros são satânicos. Embora a Revolução, enquanto tal, também seja satânica.

Há graus na maldade.

Como o o máximo de maldade do Rock se manifesta no satanismo, pode-se dizer que a nota mais típica do Rock seja essa.

Creio que o auxiliaria fazendo notar que toda obra artística se fundamenta numa filosofia, e até, no fundo, numa concepção do universo e da realidade. Ora, a cosmovisão subjacente ao rock é que define seu caráter diabólico, embora em certas canções isso possa transparecer menos. Há graus na explicitação de um pensamento.

Sendo assim, é natural que a Igreja, instituída por Cristo para salvar os homens, se manifeste condenando aquilo que vai contra a lei de Deus e conduz os homens ao oposto do que Deus quer.

Com o diabo não se brinca. Os casos de crimes satânicos, como o assassinato de Sharon Tate, perpretado por Charles Manson, mostram onde leva esta cosmovisão.

Você argumenta que os autores religiosos que utilizei seriam suspeitos por serem católicos. Nesse caso, também seriam suspeitos os próprios autores de rock e seus simpatizantes. Se não se pudesse usá-los, tornar-se-ia impossível qualquer estudo sobre eles.
Logo que possível, procurarei ouvir os autores e canções que você me aponta. De antemão, porém, devo dizer-lhe que, se eles pertencem à mesma corrente do rock, só podem ter a mesma mentalidade condenável, ainda que atenuada ou disfarçada.
Aliás, esses rocks mais brandos são, em certo sentido, os mais perigosos, porque vão acostumando para os piores.

Como disse  Racine,”On ne passe pas, en un seul jour, de la timide innocence à l”extreme licence” (“Não se passa em um sódia da timida inocência à extrema licenciosidade…”)

Finalmente, gostaria de dizer-lhe que não se trata de gosto pessoal meu, mas de filosofia da arte e suas relações com a religião. O que me moveu a criticar e condenar o rock não foram minhas preferências pessoais, que não entram no caso.

“Amor mi mosse che mi fa parlare” (Amor me moveu, que me faz falar) como dizia Dante.

Agradecendo sua carta atenciosa e respeitosa, subscrevo-me, 

in Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

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